Luiza Dutra, ex-The Voice, é uma das nove mulheres que estão em tributo no Festival Sérgio Sampaio nos dias 12 e 13 Pelo 16ª vez consecutiva, o Espírito Santo terá homenagem a um de seus mais expressivos cantores e compositores. Depois de dois anos com edições online por conta da pandemia de Covid-19, o Festival Sérgio Sampaio realiza nos próximos dias 12 e 13 de abril, às 19h30, evento presencial no Centro Cultural Sesc Glória, na tradicional data, em que o segundo dia de evento celebra o aniversário de nascimento do ídolo cachoeirense, que em 2022 completaria 75 anos. Pela segunda vez, o evento terá protagonismo total das mulheres, porém com um elenco renovado. O bate-papo musical que costuma iniciar o festival, reunirá dois grandes nomes da cultura brasileira que possuem obras que dialogam com a de Sérgio. A pianista, cantora e atriz paulista Cida Moreira, que circula nos últimos anos com o espetáculo “Boleros e Outras Delícias – Canções de Sérgio Sampaio”, e a professora e escritora capixaba Bernadette Lyra, que escreveu conto inspirado na obra do compositor na coletânea publicada no livro Sem a loucura não dá. No encontro, as duas conversarão sobre a vida e obra de Sérgio Sampaio e haverá apresentações de Cida no piano e voz com obras do cantor. Para o show musical da noite de 13 de abril, o palco do Teatro Glória será protagonizado por mulheres que vêm ganhando destaque na cena musical capixaba, especialmente da nova geração de artistas. O trio de base será formado por Dora Dalvi, violonista e diretora musical do espetáculo, Heviny Moura no contrabaixo e violino, e Paula Maddi na bateria. Quatro cantoras interpretarão com suas vozes canções do Velho Bandido: Luiza Dutra, Elaine Vieira, Aline Maria e Tamy. Festival mantém memória viva e atrai jovens Em seus 16 anos de história, o Festival Sérgio Sampaio começou de maneira simples, no Bar do Pantera, em Cariacica. Cresceu e ocupou alguns dos principais palcos do Espírito Santo, como o Teatro Universitário e Teatro Glória, todos em Vitória. Gilson Soares, idealizador do evento anual, considera que até hoje foram muitas contribuições diretas e indiretas que o festival já conseguiu fazer para manter viva a memória e arte de Sampaio. Artistas capixabas e de renome nacional já participaram das atividades, como Chico César, Xangai, Zeca Baleiro e Jards Macalé. Mas para além dos shows e conversas musicais, ele aponta que o evento costuma ser ponto de encontro e novas articulações em torno da obra do ídolo. “Os sampaiófilos são muito aguerridos, correm atrás mesmo”, brinca sobre a atuação dos fãs do cantor e compositor. Embora não sejam produtos oficiais do Festival, foi de lá que foram gestados ou lançados vídeos, documentários, livros, songbook, e outros resultados. “O festival cria uma efervescência. É impressionante como a juventude adora Sérgio Sampaio, jovens cantores e cantoras vêm descobrindo sua obra e interpretando, então a cada ano a gente traz gente nova”, comenta Gilson Soares, que organiza o evento junto ao Clube Capixaba do Vinil e Fina Produções. Algumas dessas jovens artistas subirão ao palco nesta edição pela primeira vez cantando músicas de Sergio, no evento que faz tributo a ele. “O festival já se consolidou. O que tem que fazer é manter e crescer”, considera. Apesar das dificuldades provocadas pela pandemia, os tributos seguiram de modo online por dois anos, com participação de diversos artistas e transmissão para todo Brasil por meio do YouTube, o que ajudou a ampliar a repercussão nacional, já que Sérgio Sampaio possui fãs em todo país, sendo que a cada ano sempre há aqueles que vêm de outros municípios e até outros estados para acompanhar o festival. AGENDA CULTURAL 16ª Festival Sérgio Sampaio Quando: 12 e 13 de abril, 19h30 Onde: Teatro Glória, Centro Cultural Sesc-Glória Ingressos: Meia R$ 10 Conveniado R$ 12 Inteira R$ 20 – Bilheteria do Centro Cultural Sesc-Glória ou pelo site https://lets.events/ Mais informações: (27) 32324750 PROGRAMAÇÃO 12 de abril (terça-feira), às 19h30 BATE-PAPO MUSICAL com Cida Moreira e Bernadette Lyra Bate-papo Musical com dois grandes nomes da cultura contemporânea brasileira: a escritora e professora Bernadette Lyra e a pianista, atriz e cantora Cida Moreira. 13 de abril (quarta-feira) às 19h30 SHOW MUSICAL com Dora Dalvi, Heviny Moura, Paula Maddi, Aline Maria, Luiza Dutra, Elaine Vieira e Tamy Marcando os 75 anos do nascimento de Sérgio Sampaio, o palco da 16ª edição do FSS apresenta um espetáculo inédito sob a direção musical de Dora Dalvi.
DPES defende instalação de equipamentos em uniformes e viaturas
Ação civil pública visa garantir monitoramento das ações das forças de Segurança e material comprobatório de casos de violência A Defensoria Pública do Espírito Santo (DPES) ingressou com uma ação civil pública (ACP), com pedido de liminar, para que o governo instale equipamentos de rastreamento, áudio e vídeo nas viaturas e uniformes dos agentes de segurança civil e militar. Essa instalação, inclusive, foi uma das reivindicações feitas pela Unidade Negra Capixaba em reunião com o governador Renato Casagrande (PSB) nessa terça-feira (5), no Palácio Anchieta, motivada pelo assassinato de Welinton Dias Silva, de 24 anos, baleado pela Polícia Militar (PM) na região da Grande São Pedro, no último sábado (2). A instituição pede que seja apresentado, em 60 dias, um plano de trabalho com as providências adotadas para a redução do índice de violência policial no Estado, contemplando, ainda, que as viaturas das Polícia Civil (PC) e da PM tenham equipamentos de rastreamento por GPS, de escuta e gravação, e que os uniformes dos agentes possuam câmera com áudio e vídeo. De acordo com a Defensoria, em abril de 2021, ela já havia oficiado o Comando Geral da PM e a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Estado (Sesp), solicitando a instalação dos equipamentos de áudio e vídeo nas viaturas e uniformes. No entanto, o ofício não foi respondido adequadamente. A DPES informa que, de acordo com informações obtidas pela instituição, existe um processo administrativo para contratação de empresa especializada na prestação de serviço de locação de equipamentos e sistemas para gerenciamento, localização e rastreamento veicular das Forças Policias e Bombeiros, mas este não foi concluído. “O que se nota, na realidade, é que, apesar da existência de supostos planejamentos a respeito da instalação de câmeras a serem acopladas no fardamento de policiais, bem como de discussões sobre a implementação de sistema de georreferenciamento em viaturas, fato é que a mora estatal vem favorecendo as possíveis agressões aos direitos da parcela mais vulnerável da população, bem como a insegurança ao atuar dos profissionais da segurança pública, potencializando a sensação de descontrole sobre a atual política de segurança pública”, diz a ação. No documento, é destaco ainda que, durante a atuação do Núcleo de Defesa dos Direitos Humanos (NDH) da Defensoria, é perceptível um grande número de “denúncias envolvendo possível violência de corporações que atuam com o proceder coercitivo” e que muitas dessas delas deixaram de ser apuradas em razão da ausência de material probatório. “Os possíveis maus tratos e eventual tortura, quando realizados às escusas da vista da maioria da população, nos interiores dos becos das comunidades, sem qualquer vigilância por câmeras com regulação oficial, somente podem vir à tona, através de notícias das mídias sociais, denúncias dos atores de Direitos Humanos, manifestações em geral da própria comunidade e, por fim, pelos relatos das vítimas”, ressalta a Defensoria. O documento também traz dados do 15º Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2020, de autoria do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. A pesquisa aponta que foram registradas 6,4 mil mortes decorrentes da violência policial no Brasil, maior número desde 2013, quando os dados passaram a ser coletados. No Espírito Santo, especificamente, o aumento foi de 10,9% nos homicídios cometidos por policiais em relação a 2019. ‘O governador reconheceu que o Estado não tem controle da PM’ Gilbertinho Campos relata que afirmação foi feita em reunião com o Movimento Negro no Palácio Anchieta https://www.seculodiario.com.br/seguranca/o-governador-reconheceu-que-o-estado-nao-tem-controle-da-pm
O papel da OAB
Ordem dos Advogados deu resposta no momento certo para suspensão de homenagem à ditadura Mário de Andrade, em carta a Carlos Drummond de Andrade, destacou que “não devemos servir de exemplo a ninguém. Mas podemos servir de lição”. Imbuído deste pensamento, o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-ES), José Carlos Rizk Filho, demandou – e conseguiu – a suspensão do ato comemorativo aos 58 anos do golpe militar que seria promovido pelo Poder Legislativo capixaba. Aliás, iniciativa que, em síntese, além de marcar uma repulsa ao regime ditatorial, demonstra, sobretudo, um temor de que a democracia esteja em perigo. A manifestação, portanto, é imperativo histórico. Os advogados de Ulisses Guimarães, no plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), bradaram durante a ditadura que pior que o excesso da crítica é a irresponsabilidade dos poderosos da política ou do dinheiro, tornados pelo silêncio invulneráveis e intocáveis. Aliás, o gênio de Tácito cunhou o conceito da preferência da liberdade, ainda que perigosa. Portanto, como seria iníquo que o juiz permanecesse impassível e, como simples autônomo, fosse recebendo a denúncia, ou queixa, bradava Frederico Marques. É também mais que injusto que a OAB ficasse calada diante de tamanha afronta à democracia se a Assembleia viesse concretizar sessão na Assembleia Legislativa em comemoração à ditadura. O presidente da OAB-ES, Rizk, repudiando o ato comemorativo da Assembleia, já antecipara com vigor a postagem nas redes sociais, do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que fez referência irônica a um dos métodos de tortura empregado contra a jornalista Miriam Leitão durante o regime militar. Psol, PCdoB, Rede e PT denunciaram Eduardo ao Conselho de Ética. Nas redes sociais, o parlamentar publicou uma resposta a um artigo compartilhado pela jornalista, na tarde desse domingo (3). Mirian Leitão escreveu que o presidente da República Jair Bolsonaro, pai de Eduardo, é um inimigo confesso da democracia. Ela comentava declarações recentes de ataque de Bolsonaro às instituições democráticas. O deputado então respondeu: “Ainda com pena da [e acrescentou um emoji de cobra]”. (Só para esclarecer que o fato se deu aqui no Estado). Ela foi presa e torturada pelo governo militar durante a ditadura. A jornalista estava grávida. Em uma das sessões de tortura, foi deixada nua em uma sala escura com uma cobra. Isso quer dizer que a OAB-ES, decididamente, deu a resposta no momento certo e com adequação. Aliás, como dizia Ulisses Guimarães, a democracia não é um instituto, é um regime, como tal somatório de institutos, de garantias e de direitos. Democracia é uma forma ou um estilo de vida. Não é certificada por adjetivos, mas pela existência e pela funcionalidade de institutos, direitos, garantias e possibilidades. A democracia é uma realidade e uma prática, não adjetivos ou intenções. A nota da OAB, a bem da verdade, demonstra que está também absolutamente desatrelada do Poder Público. Longe de ser fiscalizada pelo Poder Público, ela fiscalizou com toda autonomia, com toda independência, o Poder Público, tal como faz a imprensa.
Dr. Hércules recebe abrigo no Patriota e garante disputa à reeleição
Anúncio foi feito logo após discurso na Assembleia em que o deputado manteve mistério sobre nova legenda Ales Menos de 24 horas depois de fazer um discurso na Assembleia Legislativa em que manteve o mistério de sua nova filiação, Dr. Hércules tornou público nessa quarta-feira (5), também em plenário, que se filiou ao Patriota, comandado no Estado pelo colega Rafael Favatto. A articulação garante ao deputado a disputa à reeleição este ano, após turbulências nos bastidores e muitas portas fechadas.Dr. Hércules fez o comunicado rapidamente, no início da sessão, em meio à leitura de requerimento sobre o mesmo assunto, protocolado pelo deputado Renzo Vasconcelos, que trocou o PP pelo PSC, e solicitou a alteração na Casa. “Dentre em breve, vou fazer o mesmo para o meu novo partido, o Patriota”, disse o deputado, seguido de um agradecimento a Favatto. Na sessão dessa terça (5), durante pronunciamento em que disparou críticas e mostrou pautas de seus mandatos, o deputado avisou: “Vocês vão ter surpresa”, sem informar, porém, sua filiação. A previsão para isso, estabelecida pelo próprio Dr. Hércules, seria no prazo final do envio da lista de filiados pelos partidos ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-ES), no próximo dia 12. As críticas do deputado vieram na esteira de polêmica registrada no PSB, do governador Renato Casagrande, com sua filiação online, direto pela Nacional, que gerou insatisfação na atual bancada da legenda na Assembleia Legislativa, em especial dos candidatos à reeleição, Bruno Lamas, Dary Pagung e Janete de Sá. “Tem muita gente esperando que eu fale algo, mas não vou responder nem aqui, nem na imprensa, porque não fui criado assim”, ressaltou durante a sessão dessa terça, referindo-se a “agressões e falta de educação e respeito”. Dr. Hércules também disparou frases sobre “desmerecimento às pessoas”, “homens que não honram suas calças”, e reiterou: “Querem diminuir, colocar o pé na porta, estão tentando não me deixar ser candidato à reeleição”. Em seu quarto mandato consecutivo na Assembleia Legislativa. Dr. Hércules obteve 30,7 mil votos nas últimas eleições, em 2018. Com base eleitoral em Vila Velha, seu alto potencial de votos foi exatamente o entrave para não encontrar espaço em outros partidos. No Patriota, ele não ameaça a candidatura de Favatto, que este ano tentará a Câmara dos Deputados. As esquivas de Dr. Hércules sobre seus planos e negociações vinham desde a última sexta-feira (1), prazo final da janela partidária, quando deixou oficialmente o MDB. O deputado foi mais uma liderança antiga a sair do partido, agravando o esvaziamento que já vem de anos e que impediu a formação de chapas competitivas nas eleições de outubro deste ano. Também se desfiliaram a ex-deputada estadual Luzia Toledo, que vai disputar uma cadeira na Assembleia pelo Republicanos, e o ex-prefeito de Linhares Guerino Zanon, que impedido de erguer um palanque ao governo do Estado, se filiou ao PSD. As dificuldades foram impostas pela própria presidente da executiva estadual, senadora Rose de Freitas, que abriu mão de um projeto majoritário para fechar aliança com o governador Renato Casagrande (PSB) e se cacifar no jogo com sua candidatura à reeleição. A vaga de Rose é a única aberta este ano no Senado no Estado, em uma eleição concorrida, inclusive no campo de Casagrande, com outros aliados em negociação para compor na chapa. O único que ainda ficou no MDB, depois de ter a saída considerada certa, foi o ex-deputado federal e ex-presidente da executiva, Lelo Coimbra. Ele desistiu de se candidatar à Câmara novamente e vai atuar no projeto de Guerino, ambos ligados ao ex-governador Paulo Hartung (sem partido), o que pode acirrar ainda mais a disputa interna na legenda, que já foi parar na Justiça e sofreu intervenção da Nacional. ‘Vocês vão ter surpresa em breve’, avisa Dr. Hércules na Assembleia Deputado deixou o MDB, mas ainda esbarra em obstáculos para garantir disputa à reeleição este ano https://www.seculodiario.com.br/politica/voces-vao-ter-surpresa-em-breve-avisa-dr-hercules-na-assembleia
Estradas e ciclovias têm que se adequar ao Parque da Lagoa Encantada
Definição consta no relatório técnico da consulta pública para criação do parque, que fica aberta até dia 24 Everton Thiago As estradas e ciclovias previstas no Plano Municipal de Mobilidade e Acessibilidade (PlanMob) terão que ser adequadas ao traçado do futuro Parque Natural Municipal da Lagoa Encantada, em Vila Velha. A definição consta nos relatórios técnicos disponibilizados na consulta pública para a criação da unidade de conservação de proteção integral, que está aberta de forma online até o dia 24 de abril. No endereço da consulta, é possível acessar mapas, relatórios e um vídeo de vinte minutos contando todo o histórico de mobilização social em favor da proteção legal da Lagoa Encantada e seus alagados, bem como os passos que serão dados até a criação formal da unidade de conservação, após as contribuições da população. O vídeo é apresentado pela bióloga e doutora em Ecologia Manuela Batista, gerente de Recursos Naturais e Educação Ambiental da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma), acompanhada da geógrafa e perita ambiental Ediene Vaccari, coordenadora de unidades de conservação da prefeitura. “A localização das vias que irão contornar esta unidade de conservação [UC] visa essencialmente contribuir para a delimitação e preservação da área. No entanto, os traçados dependem da delimitação da unidade e ressalta-se a necessidade de revisão dos tipos de vias planejadas e suas faixas de domínio, principalmente aquelas próximas aos ambientes mais sensíveis como corpos hídricos, vegetação de manguezal e de restinga”, explicou a gerente. A adequação das vias inicialmente previstas pelo PlanMob para a região, em função das necessidades do futuro Parque Natural, já havia sido afirmada há um mês pela secretária municipal de Desenvolvimento Urbano e Mobilidade, Milena Ferrari, durante audiência pública realizada no âmbito do processo de criação da UC. A garantia de proteção foi uma resposta ao questionamento feito por defensores da Lagoa Encantada, que apontaram algumas vias que estavam planejadas sobre o manguezal do rio Aribiri e no entorno direto da lagoa, desrespeitando importantes Áreas de Preservação Permanente (APPs). Importância hídrica, ecológica e social Os documentos disponíveis à consulta pública definem a Lagoa Encantada como uma Área de Preservação Permanente (APP) localizada no sudoeste do entroncamento das rodovias Carlos Lindenberg e Darly Santos. Cercada por uma zona urbana e industrial, está entre os bairros Vale Encantado, Jardim do Vale, Santa Clara, Rio Marinho, Jardim Marilândia, Rodovia Darly Santos, Rodovia Carlos Lindemberg e área da Superintendência de Projetos de Polarização Industrial (Suppin). E enfatizam a “relevante função na regulação de cheias urbanas” do complexo da Lagoa Encantada, pois “funciona como esponja, que amortece os picos das cheias, acumula água durante as épocas de enchentes e a libera durante os períodos de estiagem”. Os aspectos essenciais também são destacados: “a área apresenta valores de índices ecológicos (riqueza, diversidade, densidade e equitabilidade) próximos às áreas já protegidas de proteção integral, como os parques naturais municipais de Jacarenema e Morro da Mantegueira”. Na verdade, “uma das principais motivações [para a proteção legal da área] é a presença de diversas espécies da fauna e flora endêmicas, raras e ameaçadas de extinção”. Os estudos apontam que o manguezal está “relativamente bem conservado e sofre com lançamento de esgoto, acúmulo de lixo e com efeito de borda, este bastante potencializado pelo intenso adensamento urbano do entorno dessa área”. As “motivações socioambientais” são outro aspecto importante para a criação do Parque Natural, pois “a área é palco de inúmeros ensaios populares de reivindicação de proteção há anos. Movimentos e coletivos populares surgiram em função da necessidade de proteção da área. Valorização do trabalho feito por entidades com educação ambiental, reflorestamento, mutirões de limpeza, avistamento de aves, gerando consciência ambiental e renda para os comunitários”. Zona de amortecimento Os relatórios explicam que o Parque Natural é a categoria de UC, dentre as estabelecidas pelo Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC – Lei 9985/2000), mais apropriada para a proteção da Lagoa Encantada. Um cenário alternativo, de criação de uma Área de Relevante Interesse Ecológico (ARIE) na maior parte da área, com um pequeno trecho declarado parque, não foi considerado satisfatório para os objetivos de conservação desejados. A previsão é de que o futuro parque tenha 205,38 hectares e, em sua estrutura de gestão, um conselho consultivo, um plano de manejo e uma zona de amortecimento. Todas as áreas particulares presentes nos limites da UC deverão ser desapropriadas e, na zona de amortecimento, haverá normas específicas, regulamentando a ocupação e o uso dos recursos naturais, sob gestão da Semma. Histórico e tramitação Conforme explicou a gerente Manuela Batista, a demanda por criação de uma UC na Lagoa Encantada chegou ao município em 2016, por meio de uma ação civil pública apresentada pelo Ministério Público Estadual (MPES). “É também um desejo antigo e conhecido da comunidade”, ressaltou. Os primeiros estudos técnicos ocorreram entre 2017 e 2019, gerando um diagnóstico ambiental, que serviu de base pra definição da categoria e delimitação da unidade de conservação. Após a consulta pública, as definições de categoria de UC e delimitação serão encaminhados para a Procuradoria do Município e o MPES, que farão avalições fundiárias e outros desdobramentos. Por fim, a prefeitura deve elaborar uma minuta de projeto de lei para criação da UC, que terá que ser apreciada e aprovada pela Câmara de Vereadores. Vila Velha anuncia data da consulta pública para criar parque na Lagoa Encantada Medida é pleito antigo da sociedade civil para proteger paisagem, biodiversidade e segurança hídrica https://www.seculodiario.com.br/meio-ambiente/vila-velha-anuncia-data-da-consulta-publica-para-criar-parque-na-lagoa-encantada ‘Prefeitura não vai construir estradas sobre as APPs da Lagoa Encantada’ Integrantes de fóruns populares de Vila Velha receberam afirmação durante audiência pública do PlanMob https://www.seculodiario.com.br/meio-ambiente/prefeitura-nao-vai-construir-estradas-sobre-as-apps-da-lagoa-encantada
Líder nas negociações climáticas, ES mantém privilégios do petróleo e monoculturas
Postura ignora recomendações do último relatório do IPCC/ONU e exclui sociobiodiversidade da meta de carbono zero A mais recente publicação do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), lançado nessa segunda-feira (4), mostra que o Espírito Santo, mesmo despontando na liderança das negociações climáticas brasileiras, continua longe de promover as transformações estruturais necessárias na economia, ao manter privilégios de setores anacrônicos, como a indústria fóssil, inimiga número um do clima, e de celulose e papel, cujos monocultivos são destruidores vorazes da sociobiodiversidade. Leonardo Sá Organização científico-política criada em 1988 no âmbito da Organização das Nações Unidas (ONU) e sediado no prédio da Organização Meteorológica Mundial, em Genebra, na Suíça, o IPCC lançou o terceiro e último volume de seu AR6 (Sexto Relatório de Avaliação). Conforme noticiou o Observatório do Clima (OC), o relatório tem 8,5 mil páginas que expõem o estado da arte do conhecimento humano sobre a crise do clima e é, nas palavras do secretário-geral da ONU, António Guterres, “um rosário de promessas climáticas quebradas”, pois “alguns governos e líderes empresariais dizem uma coisa e fazem outra. Ou seja, eles mentem”. Entre os muitos números que mostram a contradição entre a necessidade urgente e a prática cotidiana, está a previsão de que é preciso reduzir em 43% as emissões de gases de efeito estufa até 2030, mas, nos últimos vinte anos, o aumento foi o maior já registrado, desde a Revolução Industrial, em meados do século XVIII. “A principal conclusão do novo relatório: para que a humanidade tenha uma chance maior do que 50% de manter o aquecimento da Terra no limite de 1,5ºC preconizado pelo Acordo de Paris, será preciso que as emissões de gases de efeito estufa cheguem ao pico em algum momento dos próximos três anos e caiam 43% até 2030. Na última década elas subiram 12%”, contrapõe o Observatório do Clima, acrescentando que as duas últimas décadas registraram o maior aumento da história da humanidade. O relatório também destaca a importância dos povos indígenas e “a necessidade de garantir os seus direitos territoriais e de incorporar os conhecimentos indígenas às políticas de redução de emissões de gases de efeito estufa”. Matemática medíocre de carbono A medíocre matemática de sequestro de carbono feita pelos governos estaduais e federais, no entanto, ainda não conseguiu incorporar a necessária proteção da biodiversidade e dos povos tradicionais, que, no caso do Espírito Santo, incluem não só indígenas, mas também quilombolas e camponeses massacrados pelos desertos verdes de eucaliptais. As monoculturas de eucalipto são o uso do solo que mais cresce no Espírito Santo pelo menos desde 2007, segundo o Atlas da Mata Atlântica do Espírito Santo. Para que o aumento da temperatura média global não ultrapasse 1,5ºC é preciso reduções “profundas” imediatas. “Do contrário, a humanidade precisará recorrer maciçamente a tecnologias caras de retirada de carbono da atmosfera, enquanto encara um fenômeno que os cientistas dos grupos 1 e 2 do IPCC já previram e temem: o overshoot, nome dado à ultrapassagem temporária do limite de 1,5ºC, que pode ter consequências duradouras para a sociedade e os ecossistemas”, sublinha o Observatório do Clima. Para atingir a meta “sem ‘overshoot’ ou com um ‘overshoot’ limitado, o uso de carvão mineral precisa cair 95%, o de petróleo 60% e o de gás natural 45% até 2050”, pontua a publicação. O que significa que “a indústria fóssil poderá ter ‘ativos encalhados’, ou seja, investimentos que não poderão chegar ao mercado”. Os números são “um alerta para o Brasil, que vem ampliando investimentos no pré-sal e neste ano sancionou uma lei permitindo a construção de novas termelétricas a carvão até 2040”, aponta o OC. A crítica se assenta perfeitamente à estrutura econômica mantido no Espírito Santo por subsídios fiscais e acordos que beneficiam a indústria petroleira e papeleira. “A frase que caracteriza a indústria petroleira neste contexto é: ‘Vamos saquear e extrair tudo o que podemos, enquanto podemos. Pois sabem que vai ser cada vez mais difícil manter a expansão’”, afirma Marcelo Calazans, coordenador regional da Federação dos Órgãos para Assistência Social e Educacional no Espírito Santo (Fase/ES), uma das entidades à frente da Campanha Nem Um Poço a Mais, que denuncia a necessidade de parar a expansão da exploração petrolífera no Brasil. Redes sociais Fórum Capixaba O socioambientalista também enxerga o baixo alcance efetivo da atuação do Fórum Capixaba de Mudanças Climáticas, lançado em 2020, no segundo ano da atual gestão de Renato Casagrande, após dez anos paralisado. “Esse Fórum é uma farsa. Nada fazem contra a expansão da indústria petroleira no Espírito Santo. Estão mais interessados é na expansão do eucalipto, que consideram uma solução para a crise climática. Por detrás deles atuam a Suzano [ex-Fibria, ex-Aracruz Celulose] e o Ibá [Indústria Brasileira de Árvores, associação das empresas de silvicultura do país], do Paulo Hartung”. Avaliação semelhante é feita pelo cientista político José Marques Porto, conselheiro em diversos colegiados ambientais, um dos mais antigos ativistas do clima no Estado e autor do documento “Preparar o ES para enfrentar os desafios do aquecimento global”, em 2008, que foi o embrião da atual Política Estadual. A legislação climática capixaba, assim como a brasileira, não possui “engenharia constitucional”, afirma Porto. “Não tem metas nem prazos, recompensas ou punições”. Além disso, após uma década inativo, o Fórum Capixaba retornou num formato excessivamente governamental, “chapa branca”, critica. “A ONU declarou a emergência climática em 2019 e o Espírito Santo está numa situação gravíssima, com grande vulnerabilidade socioambiental e climática. A Serra é o município que mais emite gases de efeito estufa no Estado e no setor metalmecânico brasileiro, e está em 10º geral no Brasil, estando atrás apenas dos municípios amazônicos. Essa inação do governo e das empresas capixabas é fatal”, expõe o especialista, ressaltando que “políticos são serviçais bem remunerados das grandes corporações que vivem da indústria fóssil, além de mineradoras e papeleiras. Essas empresas elegem os políticos, pagam suas campanhas”. Lembrando que a redução da poluição atmosférica é essencial para a redução da emissão de gases de efeito estufa, Porto pergunta:
‘Demarcação Já’: Mais de seis mil indígenas marcham em direção ao Congresso
Com a presença dos povos Tupinikim e Guarani de Aracruz, ato nesta quarta-feira cobrou demarcação de terras Oliver Kornblihtt/Apib Indígenas de 172 povos diferentes marcharam em direção ao Congresso Nacional na tarde desta quarta-feira (6). O ato, com mais mais de 6 mil integrantes de comunidades tradicionais, sendo mais de 100 Tupinikim e Guarani de Aracruz, reivindica a demarcação de terras e faz parte da programação do 18º Acampamento Terra Livre (ATL). “A Demarcação de terras é uma luta constante pelos povos nativos. Somos diversificados por etnia cujo propósito é o mesmo. Nosso total objetivo é lutar por nossas terras e mostrar que somos um povo unido e disposto a lutar contra tudo que venha nos afligir ou dizimar. E essa luta constante não irá parar enquanto não formos reconhecidos. Somos um povo de ancestralidade que lutou até o seu último segundo de vida (…)”, declara Yara Vitoriano do Rosário, Tupinikim da aldeia Caieiras Velha, que também participa do ATL. A concentração do ato foi na Fundação Nacional de Artes (Funarte), onde o ATL está localizado, seguindo para o Congresso Nacional, com previsão de encerramento no Ministério da Justiça e Segurança Pública. Os manifestantes também denunciam a agenda anti-indígena do governo federal. “Sob o sol seco de Brasília, indígenas marcham em cantoria para defender seus territórios do governo fascista que se instalou no país (…) Atualmente, o maior ataque à demarcação de terras indígenas é a tese do Marco Temporal, que restringe o direito das comunidades às terras que tradicionalmente ocupam, que deve ser julgada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em junho de 2022 e é repudiada pelos povos indígenas que a aponta como inconstitucional. Além deste julgamento, o PL 490 endossa essa tese e faz parte da estratégia de violação de direitos indígenas presente no Congresso Nacional atualmente”, enumera a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), que organiza o acampamento. Na manhã desta quarta (6), uma audiência virtual inédita foi realizada com representantes do Parlamento Europeu e da Organização das Nações Unidas (ONU). O objetivo foi levar denúncias dos povos indígenas brasileiros sobre violações de direitos humanos no país e os ataques do governo Bolsonaro. Outra denúncia da marcha protagonizada pelos povos indígenas nesta quarta é o pacote de destruição que tramita no Congresso, como o Projeto de Lei 191/2020, previsto para ser votado entre os dias 12 e 13 de abril. Entidades que atuam na defesa dos povos indígenas afirmam que a matéria representa uma porta de entrada para uma série de violações em terras tradicionais, como projetos de mineração e hidrelétricas. Para o coordenador da Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo (Apoinme), Paulo Tupinikim, que viu de perto a luta das comunidades tradicionais capixabas contra a atual Suzano (ex-Aracruz Celulose e ex-Fibria) pelo direito à terra, a mineração em territórios indígenas traz riscos de ordem cultural, ambiental e social. “Não é apenas escavar o solo para tirar minério. Não é apenas represar o gás para ser transportado. Junto com a mineração, vem também a ocupação dos territórios indígenas pelos não índios, são doenças que vão entrar, é a prostituição que vai ter dentro dos territórios indígenas, são drogas que vão entrar. Problemas muito graves que a mineração traz para os territórios indígenas e o governo não está vendo isso. Ele está vendo pelo lado econômico, financeiro, mas não está olhando para essa parte cultural e social dos povos indígenas, que vão ser os afetados”, declara. Nessa terça-feira (5), uma carta foi lançada contra o projeto. O documento denuncia a tentativa de flexibilização da lei ambiental e a premiação de grileiros com a regularização das terras invadidas. A 18ª edição do ATL começou na última segunda (4) e vai até o dia 14 de abril. Além de lutar contra a agenda anti-indígena incentivada pelo governo federal e operacionalizada pela bancada ruralista no Congresso, o acampamento aborda pautas centrais para os povos tradicionais, como a votação do Marco Temporal no Supremo Tribunal Federal (STF) e a participação de povos indígenas nas eleições de 2022. Nessa quinta-feira (7), Paulo Tupinikim participará de uma mesa de debates no acampamento, denunciando o desmonte da saúde indígena no Brasil, área que também foi alvo de denúncias recorrentes no Espírito Santo em 2021. “Vamos falar das conquistas que nós tivemos para garantir a criação da Sesai [Secretaria de Saúde Indígena] e, a partir desse governo, o desmonte que temos visto”, adianta. Destruição de terras indígenas é a primeira pauta de acampamento em Brasília – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/direitos/atl-2022-destruicao-de-terras-indigenas-e-a-primeira-pauta-do-acampamento
‘O governador reconheceu que o Estado não tem controle da PM’
Gilbertinho Campos relata que afirmação foi feita em reunião com o Movimento Negro no Palácio Anchieta Em reunião com entidades de direitos humanos e representantes do Movimento Negro, no final da tarde desta terça-feira (5), o governador Renato Casagrande “reconheceu que o Estado não tem controle da PM”. A afirmação é do integrante da Unidade Negra Capixaba, Gilbertinho Campos. O encontro foi cobrado por entidades após o assassinato de Welinton Dias Silva, de 24 anos, baleado pela Policia Militar (PM) na região da Grande São Pedro, em Vitória, na noite desse sábado (2), e contou ainda com a participação da secretária estadual de Direitos Humanos, Nara Borgo. Século Diário foi impedido de ficar no local e cobrir a reunião. Leonardo Sá As entidades questionaram o modelo de segurança pública do Estado. Segundo Gilbertinho, Casagrande afirmou ainda que os conselhos de Segurança Pública, Igualdade Racial e Direitos Humanos “são insuficientes para contornar a situação” e que a gestão estadual irá retomar os debates de controle e monitoramento da violência policial. Outro compromisso assumido pelo governador é o acompanhamento, por parte do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), das mortes de negros, jovens e de feminicídios contra mulheres negras. Gilbertinho informa que será marcada, ainda esta semana, uma reunião com o secretário estadual de Segurança Pública, Márcio Celante Weolffel, e a secretária Nara Borgo para tratar das reivindicações apresentadas nesta terça-feira. Uma delas é a adoção equipamento antitortura por parte dos policiais, ou seja, uma câmera que filma a ação policial. A outra foi a retomada da lei de cotas para negros no ingresso, por meio de concurso, no executivo estadual, aos patamares de 20%. O integrante da Unidade Negra recorda que essa porcentagem foi acordada com o governo do Estado, mas, na Assembleia Legislativa, o percentual foi reduzido para 3%. Leonardo Sá Também foi reivindicada a criação de uma ouvidoria para crimes de cunho racial, além de solicitar à Secretaria Estadual de Direitos Humanos que recorra junto ao Ministério Público do Espírito Santo (MPES), que arquivou a ação referente à violência sofrida por um jovem negro no Carone de Laranjeiras, em dezembro último. Os militantes, bem como familiares de Welinton, foram recebidos primeiramente por Nara Borgo. Embora a reunião tratasse de assunto de interesse público, nesse momento, o fotógrafo de Século Diário, Leonardo Sá, não pôde prosseguir com a cobertura fotográfica, pois assessores do governador alegaram que havia outros veículos de comunicação à espera do lado de fora e não era possível deixar somente um permanecer na reunião. Entretanto, após ser retirado da sala, não havia equipes de outros veículos aguardando para entrar. Leonardo Sá A repórter permaneceu na sala de reuniões, mas também não pôde acompanhar a fala do governador, pois antes que ele comparecesse ao local, também foi retirada com o mesmo argumento utilizado para a saída do fotógrafo. Enquanto permaneceu na sala, conseguiu acompanhar a fala de apenas duas lideranças. O militante dos Direitos Humanos, Isaías Santana, apontou “desqualificação” na fala das autoridades sobre o crime ocorrido em São Pedro. “Quando um representante da categoria [PM] diz na televisão ‘esse é o treinamento que recebemos na nossa formação’, isso nos entristece”, pontuou.Já Gilbertinho classificou a morte de Welington como “criminosa”. “A cada 15 dias, para resolver o problema da criminalidade, se mata pessoas negras, invariavelmente jovens negros. Queremos saber se essa política é para matar preto, pobre e favelado. Queremos saber se estamos diante de um Estado racista e criminoso”, indagou. Ele prosseguiu dizendo que “não há bala perdida para corpo negro. Todas balas direcionadas para o corpo negro são para matar”. ‘A sociedade capixaba exige uma atitude de Renato Casagrande’ Após PM assassinar jovem em São Pedro, Conselho Estadual de Igualdade Racial cobra reunião com o governador https://www.seculodiario.com.br/seguranca/a-sociedade-capixaba-exige-uma-atitude-do-governador-renato-casagrande
Fora do compasso
Enquanto Lula dá mais um passo na formalização de chapa com Alckmin, PT capixaba e Casagrande ainda vivem “um pote assim de mágoa” Leonardo Sá A previsão anunciada pelo ex-presidente Lula nesta terça-feira (5), de que o nome de Geraldo Alckmin (PSB) para vice em sua chapa poderá ser fechado ainda nesta semana, é mais um passo na formalização da aliança entre o PT e PSB, debatida desde o ano passado no campo nacional, com reflexos no Espírito Santo. Por aqui, no entanto, petistas e o governador Renato Casagrande ainda vivem “um pote assim de mágoa”. A situação, que já vinha marcada por movimentos distantes no decorrer dos meses, teve seu ápice na visita do ex-presidenciável do Podemos, Sergio Moro (agora no União Brasil), com trocas de críticas pesadas dos dois lados. A reação do PT foi lançar a candidatura ao governo do senador Fabiano Contarato. O tempo passou, e o avanço das conversas no campo nacional obrigou um certo pisar no freio no acirramento público, mas, na prática, segue cada um para um lado. Há uma semana, no congresso do PSB, que exaltou a reeleição de Casagrande, o PT não compareceu, limitando-se à publicação de uma pequena nota. O governador, por sua vez, segue evitando cravar apoio a Lula, uma condição para o PT não apresentar candidatura própria no Estado. Casagrande é defensor da terceira via e, sempre que pode, exalta o nome de Ciro Gomes (PDT). Além do mais, pretende reunir em seu palanque, mais uma vez, uma mistureba de partidos, no que denomina uma “frente ampla”. O imbróglio político entre petistas e Casagrande tem prazo para ser debatido pelas bandas de cá: exatamente este mês de abril. Mas também falta saber, ainda, o que vem de determinação de cima para baixo. Veremos! JuntosNesta terça, Lula defendeu nas redes sociais a aliança com Alckmin, que já foi seu adversário pelo PSDB. O ex-governador de São Paulo migrou este ano para o PSB, já dentro do projeto debatido pelas nacionais dos dois partidos. “Eu mudei, o Alckmin mudou”, alegou, em mesmo tom já declarado pelo cotado à vice. A composição da chapa será tema de reunião nesta sexta-feira (8), o que poderá clarear o cenário por aqui também. Mais do mesmoO ex-governador Paulo Hartung (sem partido), como em outros carnavais – ops, eleições -, disparou sinais para todos os lados, se manteve na imprensa local e nacional, foi incensado a torto e a direito, e acabou do mesmo jeito de antes: sem filiação ao PSD e sem candidatura este ano. Haja confete!Na reta final do prazo, na última sexta (1), até uma articulação que o colocaria como candidato ao Senado e também postulante a um ministério rolaram nos bastidores. Antes, só para lembrar, Hartung já tinha sido alçado a presidente da República e vice. Mas, nem todos os confetes foram esgotados… Haja confete II!…PH continua atuando para formalização da terceira via, em especial no projeto do ex-governador do Rio Grande do Sul Eduardo Leite. Veremos o que sairá daí. AtritosA saída do deputado estadual Sergio Majeski do PSB estabeleceu embates no plenário da Assembleia. Na sessão terça-feira (5), ele e os parlamentares socialistas Bruno Lamas e Freitas trocaram ofensas em várias situações, com direito a deboches até sobre “esquecer de tomar calmante”. Majeski retornou para o PSDB e vai disputar a Câmara Federal, assim como Freitas. Só vergonhaA Câmara de Vitória não para. Desta vez, a questão foi transfobia. Vereadores tentaram derrubar uma moção de aplauso a Deborah Sabará, mulher trans, ativista dos direitos humanos de referência no Espírito Santo e presidente da Associação Grupo Orgulho, Liberdade e Dignidade (Gold). A autora da moção é Camila Valadão (Psol), que inclui ainda outras 38 mulheres. E teve mais… Só vergonha II…a professora e epidemiologista Ethel Maciel, respeitada nacionalmente, também teve sua moção de aplauso questionada, em especial, pelo presidente da Casa, vereador Davi Esmael (PSD), que alegou “posicionamentos rígidos quanto ao enfrentamento da pandemia do coronavírus”. Cada uma… 6 x 5Votaram contra a moção André Brandino (PSC), Armandinho Fontoura (Podemos), Davi Esmael (PSD), Duda Brasil (PSL) e Gilvan da Federal (PL). A favor: Camila, Anderson Goggi (PP), Dalto Neves (PDT), Karla Coser (PT) e Luiz Paulo Amorim (Solidariedade). Leandro Piquet (Republicanos) primeiro se absteve, depois votou favorável. Já Aloísio Varejão (PSB), Luiz Emanuel (Cidadania) e Maurício Leite (Cidadania) não estavam presentes. Nas redes“Ultrapassamos 8 milhões de doses aplicadas da vacina contra a Covid-19 no povo capixaba. Resultado de muito trabalho, da aposta na ciência, da gestão da pandemia e da colaboração da nossa população. O trabalho não para, vamos vencer”. Renato Casagrande, governador do ES pelo PSB. FALE COM A COLUNA: medeirosmanaira@gmail.com
’Vocês vão ter surpresa em breve’, avisa Dr. Hércules na Assembleia
Deputado deixou o MDB, mas ainda esbarra em obstáculos para garantir disputa à reeleição este ano Ellen Campanharo/Ales Quatro dias após deixar o MDB, no prazo final da janela partidária, o deputado estadual Dr. Hércules subiu à tribuna do plenário da Assembleia Legislativa, na sessão desta terça-feira (5), para avisar: “Vocês terão surpresa em breve”. O recado, somado a críticas sem citar nomes, ocorre ainda em meio a polêmicas e obstáculos enfrentados por ele nas últimas semanas, por não encontrar espaço para uma nova filiação, devido ao seu alto potencial de votos e formação de chapas já consolidadas. Desde a última sexta-feira (1), Dr. Hércules vinha se esquivando de informar sobre seu plano para garantir a disputa à reeleição, o que ganhou novos contornos nessa segunda-feira (4), com a repercussão de uma filiação online diretamente ao PSB Nacional, gerando reações de lideranças e candidatos à reeleição do partido do governador Renato Casagrande na Assembleia Legislativa. “Tem muita gente esperando que eu fale algo, mas não vou responder nem aqui, nem na imprensa, porque não fui criado assim”, ressaltou, referindo-se a “agressões e falta de educação e respeito”. Dr. Hércules também disparou frases sobre “desmerecimento às pessoas” e “homens que não honram suas calças”. O deputado exibiu ainda vídeos em que reforçou pautas de seus mandatos, como as voltadas para as lutas de pessoas com deficiência, e ainda de uma caminhada nesse domingo (3) com a Associação dos Amigos dos Autistas do Estado (Amaes), para em seguida criticar: “Tem gente que não gosta disso, poucos políticos já fizeram”. E reiterou: “Querem diminuir, colocar o pé na porta, estão tentando não me deixar ser candidato à reeleição”. Em seu quarto mandato consecutivo na Assembleia Legislativa, Dr. Hércules obteve 30,7 mil votos nas últimas eleições, em 2018. A filiação ao PSB engrossaria uma chapa que já conta com outros candidatos com mandato, portanto também com peso de votos, como Bruno Lamas, Dary Pagung e Janete de Sá (ex-PMN), filiada recentemente à legenda. O prazo para os partidos enviarem a lista de filiados ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-ES) vence no próximo dia 12. Até lá, o desfecho da polêmica envolvendo Dr. Hércules permanece em aberto. Últimos quadros A saída do deputado do MDB foi resultado de um movimento de esvaziamento total do partido, que impediu a formação de chapas competitivas. Também deixaram a legenda a ex-deputada estadual Luzia Toledo, candidata à Assembleia pelo Republicanos, e o ex-prefeito de Linhares Guerino Zanon, que impedido de erguer um palanque ao governo do Estado, se filiou ao PSD. As atuais dificuldades foram impostas pela própria presidente da executiva estadual, senadora Rose de Freitas, que abriu mão de um projeto majoritário para buscar aliança com o governador Renato Casagrande (PSB) e se cacifar no jogo com sua candidatura à reeleição. A vaga de Rose é a única aberta este ano no Senado no Estado, em uma eleição concorrida, inclusive no campo de Casagrande, com outros aliados em negociação para compor na chapa. O único que ainda ficou no MDB, depois de ter a saída considerada certa, foi o ex-deputado federal e ex-presidente da executiva, Lelo Coimbra. Ele desistiu de se candidatar à Câmara novamente e vai atuar no projeto de Guerino, ambos ligados ao ex-governador Paulo Hartung (sem partido), o que pode acirrar ainda mais a disputa interna na legenda registrada nos últimos anos, que já foi parar na Justiça e sofreu até intervenção da Nacional. MDB capixaba cai ainda mais com desfiliação de antigas lideranças – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/politica/mdb-esvaziado-cai-ainda-mais-com-adesfiliacao-de-antigas-liderancas