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Violência policial no Sapê do Norte reduz após denúncia, mas tensão continua

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Helicóptero oficial fez voos rasantes sobre as casas. Em terra, carros da PC e da Suzano intimidam moradores Após denúncia feita em Século Diário na última sexta-feira (11), moradores da comunidade quilombola de São Domingos, em Conceição da Barra, norte do Estado, relatam que houve redução da violência policial e da segurança patrimonial da Suzano Papel e Celulose (ex-Fibria e ex-Aracruz Celulose), mas as intimidações continuam, tanto em terra quanto no céu.  “Quando a gente precisa da Polícia aqui, que é zona rural, ela não vem. Agora, quando a Suzano pede, ela atende. Eles vêm sempre em dois, três carros, da Polícia e da segurança da Suzano, um atrás do outro, parando nas casas, perguntando, intimidando. Estão perseguindo a nossa comunidade, mais uma vez”, relata Maria Florentino. Integrante do território quilombola tradicional do Sapê do Norte, formado também por São Mateus, a comunidade é um das maiores que lutam pela titulação de suas terras, dentre as 32 já certificadas pela Fundação Palmares e que aguardam há 15 anos a finalização do processo de regularização fundiária.  Após a denúncia, a abordagem policial tem sido menos agressiva, relatam os moradores. “Antes era tiroteio, mostravam armas…agora eles só perguntam, vão de casa em casa perguntando, coisas que as pessoas nem sabem responder, muitos idosos nem entendem o que está acontecendo e ficam com medo, correm para dentro de casa”, conta Altiene Balbino, o S. Pipi.  “Quem é dono desse forno de carvão? E daquele? Quem mora aqui e ali? Parece investigação mesmo, a mando da empresa. Perguntam para as pessoas que nem sabem o que dizer, amedrontam as pessoas”, reforça Maria. Foto Leitor Resistência  São Domingos é berço de lideranças fortes, como o pai de Maria, o Mestre Berto Florentino, regente do Ticumbi de Conceição da Barra, uma das manifestações folclóricas mais icônicas do Espírito Santo. É também um dos centros de resistência contra a criminalização da atividade de coleta, queima e venda de resíduos de eucaliptos. Os galhos e pontas são doados pela Suzano, mas os trabalhadores são constantemente acusados de roubo pela Polícia, que não aceita a nota entregue pela empresa aos quilombolas, como garantia da doação do material.  A atividade é uma das poucas fontes de renda dos moradores, assolados pela morte de seus rios e córregos ancestrais em função do monocultivo de eucalipto iniciado pela Aracruz Celulose na década de 1970, e, mais recentemente, pelo crime da Samarco/Vale-BHP no Rio Doce.  Após a emblemática mobilização de janeiro, um acordo vem sendo costurado pelo setor jurídico da empresa e as comunidades, que aceitaram uma oferta de atendimento voluntário de um escritório de advocacia que os defendem na reivindicação por indenização pelo crime da Samarco/Vale-BHP. Há dois meses, lideranças da comunidade organizaram uma mobilização, em protesto contra a criminalização da atividade, após mais uma apreensão de caminhão e multa ao motorista, que carregava os galhos doados. Unidos, os trabalhadores pararam o trânsito de ônibus com empregados de uma unidade da Suzano na BR-101, na altura do trevo para a sede de Conceição da Barra.  Antes desse dia, conta Maria, a Suzano havia feito uma temporada de questionamentos junto à comunidade, sem a presença da polícia, somente por uma empresa contratada pela papeleira para fazer uma pesquisa. “A Suzano pagou uma equipe para perguntar sobre corte e plantio de eucaliptos. O que a gente acha, se acha bom. Foi um pouco antes da mobilização dos caminhões”, relata. Divulgação/GovES Perseguição Após a mobilização, no entanto, a presença no território se tornou mais agressiva. “A empresa ficou brava com a mobilização, porque diz que deu muito prejuízo pra ela ficar aquele tempo todo parada. Agora estão pegando coisa que aconteceu naquele dia e vindo atrás da gente, coisa que nem aconteceu aqui, foi de outra comunidade, e coloca como sendo daqui. Está perseguindo a comunidade, desrespeitando mesmo. É drone em cima da gente, é helicóptero passando baixinho, em cima das casas. A comunidade está sendo encurralada”, suplica.  O sobrevoo de helicóptero ocorreu na manhã dessa terça-feira (15) e os moradores acreditam tratar-se de parte da investigação policial. O Núcleo de Operações e Transporte Aéreo (NOTAer), da Secretaria da Casa Militar do governo do Estado, confirmou a presença da aeronave na região na data informada, mas não deu detalhes. “Tivemos algumas missões no norte do Estado. Por enquanto, nada a ser divulgado”, respondeu a assessoria do NOTAEr nessa quarta-feira (16). ‘Policiais amedrontam comunidades do Sapê do Norte a mando da Suzano’ Quilombolas pedem ajuda para conter tiros, prisões e ameaças efetuadas em seu território tradicional https://www.seculodiario.com.br/meio-ambiente/policiais-amedrontam-comunidades-do-sape-do-norte-a-mando-da-suzano Quilombolas reivindicam regularização da coleta de resíduos de eucalipto Suzano autoriza colheita informalmente e depois acusa de roubo e apreende material, denunciam quilombolas https://www.seculodiario.com.br/meio-ambiente/quilombolas-reivindicam-regularizacao-da-colheita-de-residuos-de-eucalipto

17/03/2022 / 0 Comments
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Karla e a guerra ao atraso

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Rebate de Karla Coser às agressões contra ela e Camila Valadão tem significado mais amplo O discurso feito pela vereadora de Vitória Karla Coser (PT) nessa terça-feira (15), dirigido ao vereador de ultradireita Gilvan da Federal (Patri), tem um significado muito mais amplo do que simples desabafo em resposta às frequentes agressões verbais registrados na Câmara, que afetam também a vereadora Camila Valadão (Psol). Sua fala representa um basta ao atraso, ao despreparo e à brutalidade destrutiva, marca da política inaugurada com a subida ao poder de Jair Bolsonaro, de quem o vereador é aliado. A vereadora afirma estar cansada de “perder tempo, “do desgaste emocional, da constante vigilância a troco de nada”, e ressalta que o vereador “é pequeno (…) e não faz ideia do que a gente representa; não tem a menor noção do que é ser partidário, do que é defender ideais inclusivos, do que é a política de verdade”. A afirmação de Karla provoca o despertamento de que é tempo de guerra, não somente no leste europeu, onde Rússia e Ucrânia promovem a tragédia que aponta para uma nova ordem mundial. Os reflexos, que já são sentidos de imediato, afetarão gestões e ações parlamentares de atuais pré-candidatos, que a partir de janeiro de 2023 sentarão nas cadeiras para as quais serão eleitos em outubro deste ano. Portanto, é hora de escolhas, de olhar quem, de fato, poderá nos representar. O momento é tenso e não há lugar para o despreparo, a falta de conhecimento, a improvisação e o vazio da mente, exemplo maior as agressões às duas vereadoras registradas na Câmara de Vitória pelo vereador que age em uma Câmara formada por maioria de homens, omissos em uma cumplicidade machista a demonstrar a atrasada política de gênero, como denunciou, dias atrás, a vereadora Camila Valadão. No meio dessa cena, o presidente da Câmara, Davi Esmael (PSD), tenta os “panos quentes”, incapaz de mudar a situação, em decorrência da falta de autoridade, que o leva a não fazer uso de regras necessárias ao decoro parlamentar. E assim o barco político segue. Há guerras por todos os lados, a batalha protagonizada por Bolsonaro e seus seguidores, com alto teor de destruição na sociedade brasileira, e, também, as batalhas entre partidos políticos, envolvendo pré-candidatos e influenciadores interessados em garantir lugar na disputa eleitoral. Sem ideologias ou projetos construídos de forma coletiva – e até sem projeto algum -, a romaria de candidatos despreparados avança, exibindo o DNA bolsonarista de atores da chamada nova política, no poder desde 2016, ocupado desde o Planalto ao Congresso Nacional, assembleias legislativas e câmaras de vereadores. A hora é de discernir entre bodes e carneiros, para usar uma expressão da hipocrisia religiosa, comum àqueles que avançam em agredir a quem pensa diferente, tendo como arma apenas – e somente isso – atitudes rancorosas e autoritárias, ao contrário do Deus que afirmam seguir. O discurso da vereadora ocorre 37 anos depois do fim da ditadura militar, em 15 de março de 1985, e demonstra que o Brasil ainda sente resquícios do regime de força de 21 anos marcado por prisões arbitrárias, censura à imprensa e às manifestações artísticas, perseguições, torturas e mortes, e ainda distante do pleno retorno ao Estado Democrático de Direito. O golpe de 2016, com a deposição a presidenta Dilma Rousseff e amarras aos movimentos progressistas criadas por setores ligadas ao período ditatorial, comprova que os artífices da ditadura ainda exercem plenos poderes. E avançam nas casas legislativas e nos mais altos espaços de poder. É necessário visualizar um contexto em defesa do processo de disputa política de alto nível, sem agressões descabidas, a fim de que haja espaço para as conquistas sociais iniciadas na Constituição de 1988, tremendamente golpeadas a partir de 2016. É desse período a enxurrada de tipos indesejáveis na condução do processo político, a começar por Jair Bolsonaro.

16/03/2022 / 1 Comment
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Deputado do PTB é denunciado à Comissão de Ética por suposta fraude

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Adilson Espindula assumiu o partido no último dia 8, em meio a denúncias da diretoria eleita   O deputado estadual Adilson Espindula e a ex-presidente do PTB Mulher do Espírito Santo, Viviane Barbosa, foram denunciados por suposta fraude à Comissão Nacional de Ética e Disciplina do Diretório Nacional do partido, segundo documento protocolado nessa segunda-feira (14), em Brasília. O parlamentar foi indicado como presidente da Executiva Estadual no último dia 8, com destituição de toda a direção partidária, liderada pelo empresário Bruno Lourenço, que reassumiu a função por força de decisão judicial. A solicitação foi encaminhada por Lourenço ao presidente da Executiva Nacional, deputado Marcus Vinícius. Ele requer que seja instaurada investigação, a partir das denúncias apresentadas, para apurar suspeita de condutas contrárias aos preceitos do PTB Nacional e normas estatutárias. Nos meios políticos, o entendimento é de que deputado e a ex-presidente do PTB Mulher deverão ser expulsos do PTB. Quanto ao vereador de Vitória Anderson Goggi, a punição poderá ser mais branda. “Conforme documentos em anexo, verifica-se que os membros acima nomeados são signatários apoiadores da ex-presidente do PTB Graciela Nienov, clara traidora dos preceitos estatutários do PTB e, agora suspeita pelo cometimento de crimes no intuito de se autobeneficiar em desfavor do partido,  em condutas praticadas referente aos desdobramentos relacionados ao comando do PTB Nacional”, afirma a denúncia, que pede investigação para apurar fraude mediante falsificação de documentos. E prossegue: “Diante dos fatos graves, a Executiva Estadual solicitou investigação, por esta comissão, a fim de apurar as condutas dos membros mencionados, não se podendo tolerar atos em desacordo com a Direção Nacional do PTB e do Estatuto vigente. Não respeitaram o Código de Ética e o decoro expondo em público, através da imprensa e redes sociais, a imagem do partido e ofensas verbais aos seus integrantes”. Os atritos internos no PTB geram problemas no momento em que se aproxima o prazo final de os partidos definirem os seus quadros de filiados, em 1º de abril. O presidente do PTB, Bruno Lourenço, afirma que, apesar dessas questões, está priorizando as novas filiações. Ao contrário dos demais integrantes do PTB, que apoiam o palanque de Carlos Manato (PL) ao governo, Adilson Espindula e o vereador Anderson Goggi são aliados do governador Renato Casagrande (PSB). A situação também deixou sob ameaça a filiação ao partido da deputada federal Soraya Manato, candidata à reeleição. O deputado estadual Adilson Espindula, apesar das acusações e de ter assumido no dia 8 deste mês a Comissão Executiva do partido no Espírito Santo, se recusou a falar sobre o assunto.

16/03/2022 / 0 Comments
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‘A Vale mente’, denuncia Sindfer em protesto contra política de demissões

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Ato parou trânsito de ônibus da mineradora durante visita do presidente e diretoria-executiva Sindfer “A Vale mente”. O grito de ordem deu o tom da manifestação realizada pelo Sindicato dos Ferroviários do Espírito Santo e Minas Gerais (Sindfer ES/MG) na manhã desta quarta-feira (16), em frente ao portão de entrada da unidade de Tubarão, em Vitória, durante visita da diretoria-executiva e do presidente da empresa, Eduardo Bartolomeo.  Por mais de três horas, os ônibus com empregados foram paralisados pelos manifestantes, que distribuíram informativos e conversaram com a categoria sobre a necessidade de união para frear a política de demissões em massa executada pelo alto escalão da maior empresa do país.  A paralisação atingiu turnos e o setor administrativo da empresa, que correspondem a cerca de 3,5 mil empregados. No pico do ato, pelo menos 70 ônibus que atendem a empresa ficaram perfilados, do acesso ao Complexo de Tubarão à Praia de Camburi. O ato contou com o apoio de diversos sindicatos capixabas. As demissões têm ocorrido em todas as unidades da Vale no país. Foram mais de 250 trabalhadores somente nos dois estados de atuação do Sindfer, sendo milhares nas demais regiões. Ação que contraria os crescentes lucros da mineradora. Somente em 2021, foram R$ 121 bilhões.  O presidente do Sindfer, Wagner Xavier, afirma ser inadmissível a continuidade dessa política, que não poupa nem mesmo os trabalhadores que atravessam problemas de saúde. “Trata-se de uma redução de custos que chega às raias da ganância”, classificou. Sindfer O Sindicato ressalta que, nas negociações salariais do segundo semestre do ano passado, a Vale reajustou os salários dos empregados com apenas 80% da inflação acumulada no período, sob o argumento de manter a sustentabilidade das plantas em todo o país e, com isso, garantir os postos de trabalho.  “A Vale claramente mentiu: as demissões aumentaram”, protestou o dirigente, que tem intensificado as ações judiciais buscando as reintegrações dos trabalhadores, além de denunciar o caso ao Ministério Público do Trabalho (MPT). Novos protestos não estão descartados, assegurou.  “A desfaçatez é tamanha que a empresa nem mais se constrange em demitir sob a alegação de redução de custos, tendo em seu cofre R$ 121 bilhões de lucro acumulado somente em 2021 e a perspectiva de crescimento ainda mais recorde do valor das ações e preço do minério de ferro, níquel, cobre, entre outros”, apontou a entidade, em vídeo compartilhado em suas redes sociais.  “No momento em que o país atravessa uma crise econômica sem precedentes, agravada pela pandemia e a guerra, com seu processo de demissão a Vale contribui para engrossar o exército de 15 milhões de desempregados brasileiros”, contextualiza.  O sindicato ressalta que “a Vale tem uma dívida social, ética e moral para com seus trabalhadores, o Brasil e os brasileiros”, citando números dos dois rompimentos de barragens protagonizados pela maior mineradora do mundo, em Mariana, em 2015, e em Brumadinho, em 2019. “Sob os escombros, 19 pessoas morreram em Mariana. Em Brumadinho, perderam a vida outras 270 pessoas, entre as quais duas grávidas, o que aumenta o número para 272. Sob sua lama tóxica, os rios Doce e Paraopebas foram contaminados, matando milhares de espécimes vegetais e animais”.  O marketing externo e interno também foram alvo de críticas por parte do Sindfer. “Se por um lado a empresa informa em seu Relatório do Programa de Ética e Compliance 2021 e espalha amplamente a notícia de ter demitido 157 trabalhadores por violação do Código de Conduta, por outro esconde a demissão de milhares de trabalhadores com sólida e excelente performance”.  Sindfer Enquanto “vende a imagem de preocupação com um ambiente de trabalho seguro”, a direção da companhia, na prática, “eleva de forma irresponsável o nível de estresse dos empregados, expondo-os a acidentes de trabalho”, denuncia o sindicato, que faz um chamamento para uma grande mobilização nacional.“A luta contra as demissões da Vale é uma urgência nacional. O Sindfer conclama os dirigentes dos demais doze sindicatos que atuam na empresa para unir esforços na construção de um amplo movimento de mobilização que interrompa o processo de demissão em curso e garanta nossos postos de trabalho”.  Vale lucra bilhões com invenção de empregado e se nega a pagar pela inovação – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/justica/vale-lucra-bilhoes-com-invencao-de-empregado-e-se-nega-a-pagar-pela-inovacao Com mais de 100 demissões em 60 dias, ferroviários protestam contra gestão da Vale – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/sindicato/com-mais-de-100-demissoes-em-60-dias-ferroviarios-protestam-contra-gestao-da-vale

16/03/2022 / 0 Comments
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Boia de salvação

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MDB entra nas cotações para abrigar família Ferraço, o que pode colocar gás na empreitada de Rose de Freitas Leonardo Sá A rebelião no novo União Brasil, decorrente do avanço da candidatura do deputado federal Felipe Rigoni ao governo e, também, da mudança no controle do partido no Estado, tirando-o das mãos da família Ferraço, pode ser a boia de salvação do esvaziado e problemático MDB capixaba. Isso porque a legenda, presidida pela senadora Rose de Freitas, aparece no leque de partidos das conversas abertas pelo grupo como possível destino para troca partidária, que envolvem não só o ex-senador Ricardo Ferraço, o deputado estadual Theodorico e a deputada federal Normal Ayub, mas também os outros parlamentares com mandato que passaram a integrar a sigla após a fusão do PSL e DEM. No caso dos Ferraço, fortalece a empreitada de Rose, que tenta de todo jeito ocupar lugar de destaque na composição eleitoral do governador Renato Casagrande (PSB) e representar a candidatura ao Senado da chapa, vaga disputadíssima entre legendas que integram a base. Embora Theodorico e Norma, ambos candidatos à reeleição, atuem hoje com distanciamento do governador, o casal deixa o campo livre para Ricardo Ferraço, que, pelo contrário, é chegado ao socialista e, na presidência do União Brasil, sinalizava fechar apoio a ele na corrida ao Palácio Anchieta. O ex-senador, inclusive, também já foi apontado como forte candidato à cadeira de vice, mas sempre desconversa, desconversa, deixando em aberto seu papel nas eleições deste ano. Para refrescar a memória: o MDB hoje só tem Hércules Silveira na Assembleia, que até outro dia cogitava sair, e corre o risco de perder a cadeira de Rose no Senado, já que a disputa se desenha acirrada. Se a articulação com os Ferraço vingar, o partido, hoje à míngua, ganha bônus no jogo. Quem dá mais?Dr. Hércules chegou indicar filiação ao União Brasil, mas com as movimentações de Rigoni, passou a integrar o grupo de dissidentes que estão em busca de outro partido, podendo migrar em bloco, a depender das ofertas e acordos. Além de Theodorico, falo dos deputados Torino Marques, Alexandre Quintino e José Esmeraldo. Eles já se reuniram com o PDT, de Sérgio Vidigal, e têm encontro marcado com o PSD, de Neucimar Fraga. Quem dá mais II?As costuras, porém, não são simples, pois envolvem as condições das chapas já montadas para deputados federal e estadual – o MDB não tem esse problema – e o palanque ao governo do Estado, que são antagônicos entre parlamentares do próprio grupo. Quintino e Esmeraldo são aliados de Casagrande e Torino Marques oposição, ligado a Carlos Manato (PL). Já Theodorico se diz independente e não se posiciona oficialmente nesse sentido. Até porque, como dito ali em cima, tem os interesses do filho… Sem chanceNo MDB, a porta se fecha para José Esmeraldo, que foi expulso da legenda após sucessivos capítulos da briga interna instalada há anos entre os grupos dos ex-deputados federais Lelo Coimbra e Marcelino Fraga. Ele se filiou recentemente ao União Brasil e já deu de cara com mais esse problema. Esmeraldo é aliado de Casagrande, portanto, não subirá ao palanque de Rigoni. AmarradosO caso de Torino seria o mesmo. Mas, aí, não se sabe quais condições podem sair nas negociações. No União, o grupo chegou a propor liberdade para cada um apoiar seu candidato na disputa ao governo, mas Rigoni não aceitou. ‘Trapalhada’Agora, cá entre nós, que articulação atravessada essa de Rigoni, hein?! Saiu de uma condição com vários quadros, para ficar sem ninguém. Se não tiver recuo ou plano B, com quem irá erguer seu palanque? Certo?Enquanto por aqui o superintendente da Polícia Federal, Eugênio Ricas, ainda despista sobre sua entrada no PSD, na imprensa nacional o ato já é dado como certo. A coluna Painel, da Folha de S.Paulo, crava que ele aceitou o convite do presidente nacional, Gilberto Kassab, no projeto de pavimentar a candidatura ao governo. Certo II?Um dos “pupilos” do ex-governador Paulo Hartung, assediado por Kassab há muito tempo, Ricas contaria com ele nos planos para outubro. PH, como se sabe, é cotado ao Senado. Mas a chance dessa chapa sair segue com algumas desconfianças do mercado. DefiniçãoConvidado a se retirar do PL desde o ano passado, por dirigentes do diretório da Serra, devido ao alinhamento com o governo Casagrande, o deputado estadual Alexandre Xambinho deve ser filiar ao PTC. O anúncio, como circula nos bastidores, será feito na próxima semana, ainda na janela partidária. Xambinho tentará a reeleição. Durou poucoAssim, será o fim da breve passagem do deputado pelo PL, do ex-senador Magno Malta. Xambinho foi eleito pela Rede e entrou no partido em 2020, para disputar a Prefeitura da Serra, mas saiu derrotado. No mandato atua junto com a base do governo, o que despertou a ira de correligionários bolsonaristas. Nas redes“Para quem me acompanha aqui e não sabe: sou a primeira reitora eleita na Ufes, mas devido à violência política que impera em nosso país contra mulheres, não fui nomeada. Ontem [terça, 15] a vice-governadora [Jacqueline Moraes, PSB] relembrou esse ataque à democracia (…)”. Ethel Maciel, professora da Ufes e epidemiologista. FALE COM A COUNA: medeirosmanaira@gmail.com

16/03/2022 / 2 Comments
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‘O que nos mobiliza é a redução no número de internações e óbitos’

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Nésio Fernandes e Luiz Carlos Reblin justificam decisão do governo de flexibilizar o uso de máscaras Sesa Em entrevista coletiva na tarde desta quarta-feira (16), o secretário estadual de Saúde, Nésio Fernandes, deu mais explicações sobre a decisão anunciada pelo Governo do Estado na última sexta-feira (12), que tira a obrigatoriedade do uso das máscaras em locais abertos. A medida, que vale para cidades de regiões consideradas em risco baixo de transmissão da Covid-19, como a maioria dos municípios capixabas, foi adotada em razão do número de óbitos, internações e transmissão da doença. “O que, de fato, nos mobiliza é a redução no número de internações e óbitos. É ter um momento em que vivemos, em que menos pessoas falecem por uma doença imunoprevenível, onde essas coberturas vacinais avançam, apresentando o grande resultado da vacinação”, destacou o secretário. Nésio apontou que a queda nos índices de internações, óbitos e transmissão da doença faz com que a possibilidade de contato com o vírus em ambientes diminua. A proposta foi construída e apresentada pela própria Secretaria de Saúde (Sesa). Ele ponderou, no entanto, que o fim da obrigatoriedade nessas regiões não deve ser traduzido como o fim do uso das máscaras. “Precisamos incorporar o uso das máscaras da mesma maneira como os países asiáticos, orientais, utilizam as mesmas, em dias de intensidade de poluição, em períodos sazonais, de maior frequência de doenças respiratórias. Precisamos entender que as máscaras vieram pra ficar no cotidiano do brasileiro, principalmente naqueles que apresentem sintomas de qualquer doença”, destacou. Tanto Nésio Fernandes quanto o subsecretário de Estado de Vigilância em Saúde, Luiz Carlos Reblin, que também participou da coletiva, enfatizaram que, caso haja um novo aumento no número de casos e óbitos causados pela Covid-19 no Espírito Santo, a obrigatoriedade do uso do equipamento de proteção pode ser retomada. “Nós temos uma barreira física que garante proteção às pessoas que a utilizam e, nesse sentido, elas não podem ser relacionadas a temas que dizem respeito à liberdade das atividades econômicas e sim à proteção incrementada, à possibilidade de quem a usa de forma adequada ter um risco menor de infecção por doenças respiratórias e também de transmitir a outras pessoas doenças que potencialmente essas pessoas estejam infectadas”, destacou Nésio. Vacinação infantil ainda é um desafio Mesmo com os sinais de recuperação e melhora nos índices relacionados à pandemia, a tarefa agora é fazer com que os capixabas mantenham o próprio calendário de vacinação atualizado e, neste tópico, o desafio maior continua sendo o público infantil. O mutirão promovido pelo Governo do Estado no último final de semana convenceu mais pais a levarem as crianças aos postos de imunização, mas o alcance das metas de cobertura ainda é uma preocupação para a Sesa. De acordo com o secretário, antes do mutirão, o Estado registrava três semanas consecutivas de queda no número de aplicações de vacinas em crianças, chegando a aplicar apenas cinco mil doses na semana do Carnaval. Na semana da ação promovida nos municípios, o número de aplicações na população pediátrica chegou a 32 mil doses, mas ainda é insuficiente. “Não temos dúvidas que as nossas crianças precisam ser vacinadas o mais rápido possível. Nós temos uma doença que representou um incremento da mortalidade infantil em todo o país e da internação em idades pediátricas, e já é um consenso internacional que a Ômicron se moveu com uma incidência maior em idades pediátricas do que variantes anteriores”, destacou o secretário. A baixa procura pelos postos de vacinação tem provocado também a perda técnica de vacinas. Nésio informou que algumas unidades que tinham um índice zerado de perda de imunizantes passaram a registrar até 10% das doses vencidas em um dia. “Quando a gente abre o frasco da Coronavac e aplicamos a primeira dose, precisamos aplicar todas as doses daquele frasco em até oito horas, precisamos aplicar doses da Pfizer pediátrica, todas as doses daquele frasco, em até 12 horas. Quando poucas crianças são levadas para serem vacinadas nos serviços de Saúde, a perda técnica daquela vacina passa ser incrementada em patamares nunca antes vividos no Estado”, explicou. Cirurgias eletivas As cirurgias eletivas, suspensas desde janeiro, em razão da quarta onda da Covid-19 no Estado, serão retomadas a partir do dia 1º de abril. De acordo com Nésio Fernandes, o Estado pretende realizar 100 mil procedimentos eletivos ordinários, média que geralmente é estabelecida para realização ao longo de 12 meses. Além dessas 100 mil cirurgias, o governo pretende anunciar um mutirão para oferta de procedimentos adicionais. Detalhes da ação ainda serão apresentados pelo governador Renato Casagrande. De acordo com o secretário, já há uma fila de espera no Sistema Único de Saúde (SUS) para realização de cirurgias eletivas, principalmente porque, ao longo desse período em que os procedimentos estavam suspensos, a população continuou fazendo consultas de risco cirúrgico. “A porta de acesso principal às cirurgias eletivas é a atenção básica (…). Temos neste momento um público importante de pessoas aguardando”, pontuou.

16/03/2022 / 0 Comments
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​A erva do diabo em viagem de Carlos Castañeda

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Escritor usa na obra o auxílio de mescalito, yerba del diablo e humito Divulgação A Erva do Diabo é uma obra de Carlos Castañeda que inaugura um tipo de literatura etnográfica, e também alegórica, que pode ser inovadora no sentido de misturar uma tendência antropológica cultural de interação e experiência direta com o objeto-sujeitos estudados, como por dar a este estudo e vivência um caráter de documento literário e não de uma cátedra de antropólogo como o entendemos academicamente. Castañeda proporciona aquela abordagem antropológica que descobre, explora e desvenda novos mundos, metafísicas estranhas ao que herdamos no Ocidente, um desafio que parte da estrutura da língua que também define esta cosmovisão e de como um povo ou etnia articulam suas vivências e as associam com visões metafísicas, cosmovisões, valores compartilhados e costumes arraigados em tribo, clã ou uma aldeia maior. Esta experiência direta de pesquisa de campo leva o pesquisador a se defrontar com uma estrutura que define a percepção de realidade destas pessoas, colocando em suspenso o juízo de pesquisa, neste desafio da relatividade e alteridade do academicismo da manjada Antropologia Cultural, mas, aqui, no caso de Castañeda, numa chave solta e direta de uma construção literária. O que se sabe imaginariamente da concepção inaugural da horda, por exemplo, traz ao simbólico desta experiência também o caráter em que irá mergulhar Castañeda como escritor que articula um discurso aparentemente impossível e surreal de um psiconauta. A sua interação com o feiticeiro Dom Juan é um desafio em que Castañeda está disposto e aberto a mergulhar no desconhecido, e lidar com o inaudito da experiência alucinógena. Mesmo sendo auxiliado o tempo todo por um feiticeiro, que parece viver cotidianamente neste universo psiconáutico, este já sabe de toda esta linguagem cifrada da experiência e vivência alucinógena, povoada por uma série de métodos e enigmas que Dom Juan apresenta a Castañeda durante as experiências alucinógenas do escritor, parece que Castañeda tem dificuldades de entender, a princípio, tanto a experiência em si, durante a sua alucinação, como as abordagens e sugestões de Dom Juan, que lhe parecem absurdas e extravagantes. A abordagem literária de Castañeda, ao relatar na escrita esta sua experiência, e que vira a obra A Erva do Diabo, por sua vez, tenta consolidar uma tese em que se torne possível uma nova ordem de realidade. Sua tese metafísica principal é convencer-se de uma ordem de realidade que está ligada ao que Dom Juan, o feiticeiro, já sabe de antemão, e que Castañeda tenta fundamentar, meio que se apropriando de uma linguagem ainda ocidental, isto é, povoada pela razão, para descrever algo que pode ser inteiramente subconsciente e irracional, eis o paradoxo quando se lê este esforço e inflexão conceitual de Castañeda em A Erva do Diabo. Quando falamos das experiências religiosas do êxtase, por exemplo, na biografia de Santa Teresa D’Ávila e de outros santos extáticos, não temos ainda uma perspectiva filosófica, e muito menos científica, e nem mesmo a abordagem proto-antropológica de Castañeda. Ao fazer literatura com isso, temos somente a crença religiosa, em sua maioria de cepa católica, sem citar o nirvana búdico ou satori, e tudo o que se fala do êxtase se restringe a esta vivência ascética e religiosa, sem grandes consequências de uma metafísica filosófica sobre o tema ou de uma abordagem de ciência que possa estudar isto como algo de um epifenômeno neuronal. Castañeda usa o auxílio de mescalito, yerba del diablo e humito, que são peiote, datura e cogumelos. O aprendizado de feiticeiro também é uma das interpretações em que se tece este relato de Castañeda. A simples alucinação passa ainda longe da construção de sentido aqui exposta. Quando falo de uma escrita psiconáutica, a sua sofisticação tanto se atém à experiência alucinógena em si, como nesta interação cultural com um feiticeiro que vive em outro mundo, partindo daí a principal ansiedade de Castañeda, o seu esforço de fundamentar esta nova ordem de realidade, que é uma tentativa metafísica ocidental de amarrar algo que lhe escapa. O paradoxo, mais uma vez, se bate com o relativismo da própria experiência antropológica e de seu limite natural de ser barrado num discurso sobre a própria ignorância, restando ao pesquisador criar o seu conceito, e não a descrição própria de uma realidade. Citando o prefácio do livro A Erva do Diabo, podemos ler : “Os antropólogos nos ensinam que o mundo tem definições diversas em diversos lugares. Não é só que os povos tenham costumes diferentes: não é só que os povos acreditem em deuses diferentes e esperem diferentes destinos após a morte. É, antes, que os mundos de povos diferentes têm formas diferentes. Os próprios pressupostos metafísicos variam: o espaço não se conforma com a geometria euclidiana, o tempo não constitui um fluxo contínuo de sentido único, as causas não se conformam com a lógica aristotélica, o homem não se diferencia do não-homem nem a vida da morte, como no nosso mundo. Conhecemos alguma coisa da forma desses outros mundos pela lógica dos idiomas nativos e pelos mitos e cerimônias, conforme registrado pelos antropólogos”. A vivência de Dom Juan é a de um feiticeiro yaqui. A nova ordem de realidade de Castañeda, a sua teoria metafísica, também vem do que ele ouviu de Dom Juan, temos então a versão de Castañeda da compreensão natural de um feiticeiro yaqui ao descrever e explicar do que se tratam estas experiências alucinógenas, tudo num mistifório em que se juntam não somente a alucinação, como toda uma vivência de conhecimento natural e tradições arraigadas que também podem influenciar o que é dito por Dom Juan sobre alucinógenos e experiências alucinógenas. Portanto, esta descrição fiel do fenômeno não existe, o que temos é o que Dom Juan sabe e aprendeu, e o que Castañeda entendeu desta fala de um feiticeiro yaqui. A experiência pessoal e interior de Castañeda com os alucinógenos, nesta obra A Erva do Diabo, tem, mais uma vez, o esforço bem ocidental de tentar incutir uma lógica interna, o que poderá produzir uma visão metafísica, conceitual, o que amarra o

16/03/2022 / 2 Comments
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A Cultura de Vitória grita: ‘Nós vamos reivindicar o que é nosso’

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Artistas e mobilizadores culturais foram às ruas protestar contra desmonte e descaso da gestão Pazolini Leonardo Sá Ao som de tambores e música, que se misturavam com palavras de ordem, artistas e articuladores culturais de Vitória ocuparam a entrada da sede da prefeitura nessa terça-feira (15), denunciando o desmonte e descaso com as políticas do setor no município. A manifestação saiu do bairro Jesus de Nazareth, com uma caminhada até a sede do Executivo, em Bento Ferreira. “Nós vamos reivindicar o que é nosso”, avisavam os manifestantes. O “Grito da Cultura”, nome dado ao ato, teve também o objetivo de entregar uma carta à gestão de Lorenzo Pazolini (Republicanos), cobrando pendências urgentes, como a Lei Rubem Braga, o fechamento de equipamentos de atendimento à juventude, e a falta de interesse do município em investimentos no setor “Nossa cidade virou pelo avesso desde que o atual prefeito foi eleito. Hoje, o nosso grito é pela cultura, pelas comunidades que são atingidas direta ou indiretamente com essa falta de política pública (…) Nós, fazedores de cultura, entendemos que a arte salva vidas, que a cultura salva vidas, então precisamos, sim, nos manifestar e mostrar cada vez mais nosso repúdio dessa gestão”, ressaltou a mobilizadora Crislayne Zeferina. Leonardo Sá Vestido de palhaço, o conselheiro de cultura, Carlitos Cachoeira, entrou na sede da prefeitura para tentar protocolar a carta, mas seguranças informaram que os funcionários do setor já tinham ido embora. O documento foi protocolado online. Carlitos ocupa a cadeira circense no Conselho Municipal de Cultura e percebe esse descaso de perto. Uma das reivindicações do colegiado é o esclarecimento sobre a Lei Rubem Braga, que enfrenta entraves na gestão Pazolini. “É a lei de 2019 que está sendo executada agora, enquanto isso, ficou 2020, 2021, já estamos em 2022, e nada!”. Leonardo Sá Uma liminar da Justiça já determinou que o município retome os procedimentos da lei de incentivo, prosseguindo com a execução dos projetos relativos ao edital de 2020, além de alocar recursos e planejar a publicação do edital da edição 2021. Carlos afirma que o caso vai ser pauta da próxima reunião do conselho, no dia 22 de março, já que o processo parou na Procuradoria do município. “Infelizmente, o gestor [secretário de cultura Luciano Gagno] não aparece nas reuniões, ele está fugindo (…) O conselho é fiscalizador e deliberativo, mas eles não acatam nossas decisões, nossos questionamentos. Ultimamente, estão apresentando um projeto já pronto e a gente só vai ali dar crítica, mas falam que não pode ter nenhuma alteração substancial, então somos só um quadro de exposição”, denuncia. No caso da Lei Rubem Braga, a decisão da Justiça veio após a Associação Brasileira de Juristas Pela Democracia (ABJD) entrar com uma Ação Civil Pública (ACP) contra a Prefeitura de Vitória e a estagnação do projeto. Em fevereiro, o município até assinou os Termos de Incentivo para repasse financeiro de convocados em 2020, mas o lançamento de um novo edital, alvo da ação judicial, ainda segue sem previsão. Leonardo Sá Os protestos na tarde desta terça-feira também mostraram que os artistas clamam por políticas de juventude, que, segundo eles, parou no tempo. Um dos exemplos é a Casa da Juventude de São Pedro. Após a prefeitura decidir não renovar o termo de colaboração com o Instituto de Desenvolvimento Social Bem Brasil, responsável por atender mais de 150 jovens no local, as atividades passaram a ser desenvolvidas por servidores da Secretaria de Cidadania, Direitos Humanos e Trabalho (Semcid). Leonardo Sá “Eles fecharam a casa por um dia e, a partir disso, nós começamos a gritar, mostramos resistência, e aí colocaram pessoas sem instrução política para dentro da Casa da Juventude. Você percebe que há uma dificuldade de entender essa pauta. Hoje, a gente tem um coordenador de juventude que, se você perguntar sobre o Plano Municipal De Juventude, ele não sabe dizer, porque não está familiarizado com a pauta”, aponta Crislayne Zeferina. Sofia Iothi, de 16 anos, é escritora, poetisa e integrante do movimento Slam. Ela conta que, por atuar em escolas, percebe a dificuldade de levar a cultura da periferia para esses ambientes. A artista também denuncia o sucateamento de espaços voltados para a cultura, como o Núcleo Afro Odomodê, que é uma preocupação dos artistas durante a gestão Pazolini. “Cada dia, a gente vê que está com menos verba. É um núcleo para a juventude preta. É um núcleo que fala sobre a gente. Eu, como mulher preta, me sentia muito fortalecida naquele espaço. Aí os eventos foram diminuindo, nós vimos os cortes. Não precisa estar dentro da organização para você perceber. Eu já estive lá dentro e a gente vê esse sucateamento”, ressalta.  Leonardo Sá Problemas de gestão para gestão Presente no ato, o ex-vereador de Vitória Roberto Martins (Rede) disse que os problemas com a gestão da cultura em Vitória começaram na gestão anterior da prefeitura, comandada por Luciano Rezende (Cidadania), e continuam durante a gestão Pazolini. Para o munícipe, que também é professor, a falta de valorização da cultura é uma perda não só para os artistas, mas para toda a cidade. “Vitória perde a sua alma. Porque a cultura alimenta a nossa alma. Alguém já disse que não só de pão viverá o homem, né, e na pandemia ficou mais do que nunca demonstrado o quanto nós dependemos da cultura. A gente fica muito triste quando vê um teatro como o Carlos Gomes fechado, quando vê os nossos artistas desamparados, sem emprego, quando vê a prefeitura perdendo verba estadual que poderia ser transferida para esses artistas”, pontua. Esta foi outra pauta da manifestação. Articuladores culturais não engoliram o fato de a Capital do Estado ter ficado de fora do Programa de Coinvestimento Cultural (Fundo a Fundo), criado pela Secretaria de Cultura do Espírito Santo (Secult). Vitória não está entre os municípios aprovados para receber o investimento do Executivo Estadual, que dobra o valor dos recursos destinados à cultura nas cidades capixabas. Leonardo Sá “Segundo eles, teve falta de documentação, mas que documentações são essas? É a pergunta que a gente faz, porque o município sempre esteve apto a

16/03/2022 / 1 Comment
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CNJ fará rodada de visitas às comunidades atingidas para embasar repactuação

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Conselheiro Luiz Bandeira se comprometeu a não assinar nenhum acordo sem aval dos atingidos O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) fará uma rodada de visitas às comunidades atingidas pelo crime da Samarco/Vale-BHP contra o Rio Doce em 2015 e garantiu que irá buscar o aval dos atingidos antes de fechar qualquer acordo relativo ao processo de repactuação da governança das ações de compensação e reparação dos danos, que são hoje executadas pela Fundação Renova, de forma irregular e ineficiente, de acordo com denúncias dos órgãos de Justiça e do próprio CNJ.  Os compromissos foram firmados pelo conselheiro Luiz Fernando Bandeira de Mello Filho nesta terça-feira (15), em reunião realizada na sede do CNJ, em Brasília, a pedido dos deputados federais Helder Salomão (PT) e Rogerio Correa (PT-MG), respectivamente relator e coordenador da comissão externa da Câmara responsável por acompanhar o processo de repactuação liderado pelo CNJ. Edilson Rodrigues/Agência Senado O encontro teve ainda a presença de representantes do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) do Espírito Santo e Minas Gerais, da Comissão de Atingidos de Mariana, das assessorias técnicas dos atingidos em Brumadinho, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e da Associação Juízes para a Democracia (AJD).  A agenda de Luiz Fernando Bandeira de Mello Filho nos territórios terá início nos dias 29 e 30 de março, em comunidades mineiras. No Espírito Santo, as visitas serão após a Semana Santa, em abril.  “O conselheiro se comprometeu, nesses próximos meses, a escutar as demandas das comunidades atingidas e a não assinar nenhum tipo de acordo sem o aval dos atingidos. Nessas visitas às comunidades, ele irá receber a nossa pauta de reinvindicações”, relata Heider Boza, coordenador do MAB no Espírito Santo e um dos presentes na reunião do CNJ.  Em recente reunião no Congresso Nacional, Luiz Fernando Bandeira de Mello disse que a repactuação vai prever recursos para a “reinserção socioeconômica” dos atingidos e anunciou que a Fundação Renova não deve receber novas atribuições nessa repactuação, diante do fracasso das ações atuais. Edilson Rodrigues/Agência Senado A pauta a ser entregue ao conselheiro, informa Heider, será elaborada a partir de uma série de assembleias regionais nos dois estados. A primeira, nos dias 26 e 27 de março, em Governador Valadares/MG, seguida de outras cidades, entre os dias 1 e 10 de abril.  Nela, antecipa o militante do MAB, constarão elementos primordiais da luta, que tem a participação plena dos atingidos no processo de repactuação como ponto principal. Outras pautas essenciais são: a rejeição à cláusula de quitação geral dos danos, inserida ilegalmente pela Fundação Renova nos contratos de indenização firmados com atingidos por meio da plataforma Novel; o corte de Auxílio Financeiro Emergencial (AFE) de pescadores feitos há mais de ano; e a adoção, pelos estados, do Programa Rio Doce Sem Fome, lançado pelo MAB em dezembro passado.  Durante a reunião, o MAB relatou a percepção dos movimentos sociais sobre o processo de repactuação até agora, “a portas fechadas, sem ouvir as necessidades dos atingidos”, e pontuou as pautas prioritárias para a reparação integral.  “Falamos que não vamos aceitar que os governos peguem o dinheiro da repactuação, que é dos atingidos, e invistam em obras de infraestrutura, como foi anunciado recentemente pelos dois governos sobre a duplicação da BR-262”, alertou Heider Boza. “Nossa pauta principal é a garantia da participação plena das comunidades atingidas no acordo que venha a ser fechado e em todas as políticas públicas que forem decididas após o acordo”, acrescentou. O MAB também salientou a necessidade de implementação, pelos governos, de um Rio Doce Sem Fome.” Um programa de transferência de renda mais amplo que o AFE [Auxílio Financeiro Emergencial], que está sendo cortado, que inclua muito mais famílias atingidas, que reconheça o direito das mulheres e jovens atingidos, que garanta segurança alimentar das famílias atingidas, como também o alimento das comunidades locais produtoras, pescadoras, ribeirinhas, e que garanta um fundo para projetos de comunidades atingidas retomarem suas vidas econômicas”, explica. Comunicação/ MAB Outro ponto abordado foi a necessidade de que as questões ambientais não fiquem amarradas no novo acordo da repactuação. “Não tem como precificar o prejuízo ambiental enquanto não se tirar a lama de Candonga, do leito do rio, da foz do rio. As empresas devem pagar o tempo que for necessário”, aponta. Por outro lado, o MAB defende a criação, pelos dois governos, de um fundo emergencial para os grandes desastres ambientais que assolam a bacia do Rio Doce. “Cada vez mais vão acontecer as enchentes. Só que agora, com o rio assoreado com os rejeitos de mineração, essas estão sendo com lama contaminada”.  Em paralelo à agenda de visitas do CNJ, há uma jornada de diligências da comissão externa da Câmara dos Deputados. Nesta quinta-feira (17), haverá uma audiência pública na Assembleia Legislativa, às 9h, e uma assembleia em Conceição da Barra, norte do Estado, às 19h. Na sexta-feira (18), a reunião acontece às 9h em São Mateus e às 16h em Regência/Linhares.  “O legado que a repactuação tem que deixar para as comunidades atingidas é uma lei e política pública fortes, que garantam os direitos das comunidades e a punição das empresas criminosas”, salientou Heider Boza durante lançando do Rio Doce Sem Fome, em dezembro.  “Segundo dados dos experts do MPF [Ministério Público Federal], a renda das famílias atingidas mais humildes no Rio Doce caiu em torno de 70% após o rompimento da barragem. No Estado, a cesta básica custa em média R$ 600, o botijão de gás está R$ 110, e a tarifa de energia elétrica R$ 300. Como o povo atingido que não tem acesso à renda e ao trabalho vai sobreviver com dignidade?”, questionou ainda o coordenador, na ocasião. MAB pede renda mínima para atingidos do crime da Samarco/Vale-BHP – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/meio-ambiente/mab-pede-renda-minima-para-atingidos-do-rio-doce

16/03/2022 / 0 Comments
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Desencarcera ES realiza primeiro encontro estadual

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Com união de familiares de presos e outros ativistas, movimento realiza manifestações e denúncias sobre sistema prisional Surgido no Espírito Santo em 2020, em meio à proibição de visitas de familiares a pessoas privadas de liberdade, a Frente Estadual pelo Desencarceramento do Espírito Santo (Desencarcera ES) realiza neste sábado (19), na Paróquia São José Operário, na Serra, seu primeiro encontro estadual. “Esperamos que passe a ser um evento anual para discutir a realidade do sistema prisional do Espírito Santo e como isso reflete na vida das pessoas que estão ou passaram pelo sistema prisional e seus familiares”, diz Marcella Gama, integrante da Frente e uma das organizadoras do encontro. A programação inclui café da manhã, roda de conversa sobre o dia a dia dos familiares, orientações sobre acesso a políticas sociais, plantão jurídico e conversa sobre a situação do sistema prisional capixaba. Divulgação O público principal do evento são os familiares de presos e pessoas que deixaram o cárcere, mas devem participar também outros integrantes do Desencarcera ES e movimento sociais ligados especialmente aos direitos humanos. “A importância deste evento para nós, familiares, é saber que mesmo em meio a tanto caos da saúde pública, em meio às violações de direitos, a Frente Estadual pelo Desencarceramento avançou aos poucos no Espírito Santo em seu objetivo de ajudar os familiares e internos”, disse Eliana Valadares, integrante do movimento. Ela considera que a atividade servirá para conforto, afeto, e mostrar que aos familiares que não estão lutando sozinhos. Para Eliana, o encontro contribuirá para divulgar os trabalhos que vêm sendo feitos pelo Desencarcera ES e ampliar o elo de amizade e confiança entre este movimento e os familiares de pessoas privadas de liberdade. “Será um espaço seguro para trocas de informações e acolhimento, para que possam falar sobre o que estão passando no cotidiano e coletivizar esse debate. É preciso entender que não é algo apenas individual. Se um está passando por algo, provavelmente outras pessoas passem pelo mesmo, pois há um panorama parecido em todas unidades prisionais”, analisa Marcella Gama. Mortes e agressões, comida de má qualidade e revistas vexatórias são algumas das questões que aparecem nos debates. A Frente Estadual, segundo Eliana, permitiu um avanço na luta, promovendo uma aliança entre o coletivo de familiares que já existia com outros militantes da causa que prestam apoio, já que ao denunciar alguma violação ou participar de atos, familiares muitas vezes têm medo de retaliações por parte do Estado contra os internos. O evento também servirá de preparação para um encontro nacional do movimento pelo desencarceramento, que acontecerá em Belo Horizonte (MG), em abril, e deve contar com uma delegação de oito representantes do Espírito Santo. Divulgação “Enquanto houver uma política de encarceramento em massa, não dá para falar em diminuição das violações de direitos humanos nos presídios”, ressalta Gilmar Ferreira, do Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH-ES). Para ele, a situação de pandemia agravou ainda mais a situação. “Acabou servindo como uma justificativa que o Estado encontrou para continuar e até ampliar as violações, seja em presídios ou em outras unidades de segregação de pessoas”, diz. O defensor aponta que um dos principais desafios é enfrentar a “lógica absurda” do encarceramento em massa. “A lógica punitivista, encarceradora, que com recursos públicos constrói novos presídios ou puxadinhos para continuar prendendo mais gente, sem investir no primordial, que é o acesso universal à justiça e às políticas públicas de atendimento aos direitos mais básicos”, considera Gilmar. Ele critica que enquanto aumentam as operações policiais espetaculosas, as autoridades caem no discurso fácil de segurança pública. “Quase sempre é uma voz única, uma autoridade, sem que ninguém consiga contraditar”, reclama o defensor de direitos humanos. “É preciso uma mudança profunda nesse comportamento e nesse projeto de segurança pública e encarceramento”, alerta, lembrando que a grande maioria dos presos é de origem pobre. Justiça determina que Estado indenize família de detento assassinado no Xuri – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/justica/justica-determina-que-estado-indenize-familia-de-detento-assassinado-no-xuri Alimentação precária em prisões capixabas volta a ser alvo de denúncias – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/direitos/alimentacao-precaria-em-unidades-prisionais-capixabas-volta-a-ser-alvo-de-denuncias

16/03/2022 / 1 Comment
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