Imóvel foi adquirido no distrito rural para oferta de cursos populares por movimentos sociais O distrito de Cotaxé, em Ecoporanga, noroeste do Espírito Santo, vai ganhar a Universidade Livre de Cotaxé e das Lutas Sociais. Para isso, foi adquirido um imóvel na região, que também servirá de abrigo para o Memorial Cotaxé e um museu sobre as disputas entre camponeses e latifundiários que marcaram a história da localidade. A inauguração da universidade e do museu ainda não tem previsão de data, mas as articulações para tirar o projeto do papel já tiveram início. O Memorial, em homenagem às lutas camponesas, foi inaugurado em nove de janeiro. Trata-se de uma placa colocada provisoriamente em um espaço privado, com o objetivo de, posteriormente, ser afixada na praça. Entretanto, a ideia agora é colocá-la na entrada do imóvel adquirido. Vitor Taveira A universidade, explica Vander Antônio Costa, um dos organizadores do Seminário de Humanidades, que busca valorizar a história das lutas camponesas em Cotaxé, não seria vinculada ao Ministério da Educação (MEC). Seu objetivo será oferecer cursos sobre questões populares, estabelecendo parcerias com a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), o Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), escolas agrícolas, entre outras instituições de ensino. A universidade também estará aberta para movimentos sociais, coletivos e pessoas que queiram contribuir, não sendo descartada a possibilidade de, além de atividades presenciais, serem realizadas também as virtuais. “Estamos construindo esse projeto coletivamente, com grupos de Vitória e de Cotaxé”, explica Vander, que vê na aquisição do imóvel uma possibilidade de proporcionar aos pesquisadores que procuram a região para fazer seus estudos um local onde possam se hospedar gratuitamente. “É importante tornar possível a essas pessoas o acesso a uma casa onde tenham cama, geladeira, fogão, um pouco de conforto”, diz. No que diz respeito ao museu, a ideia é fazer uma campanha de doação de peças antigas dos moradores locais, além de contar com apoio de profissionais como museólogos. “São iniciativas que servem de instrumento para atrair a atenção para Cotaxé, uma comunidade longínqua em relação à Capital, que foi palco de uma luta camponesa, a mais importante do Espírito Santo. Queremos chamar atenção para a história dos vencidos, que lutaram contra as forças do Estado, contra os grileiros. O povo sempre se levantou contra a tirania. Cotaxé é a capital das lutas camponesas no Espírito Santo”, ressalta Vander. No início da década de 1950, sob liderança de Udelino Alves de Matos, lavradores, posseiros e sem-terra se uniram contra os latifundiários para lutar pelo acesso à terra na região de Cotaxé. A luta foi fortemente debelada por militares e jagunços e levou à fuga e morte vários camponeses e lideranças, fazendo valer os interesses de fazendeiros e madeireiros da região. A insatisfação da população seguiu, porém, e novamente se organizou, anos depois, já sob liderança do Partido Comunista do Brasil (PCB), um conflito que se estende até os primeiros anos da ditadura civil-militar iniciada em 1964. Com a terra nas mãos de poucos, Ecoporanga teve o início de sua economia moderna com a extração madeireira, seguida pelo café, que com a política de erradicação, foi sendo substituída pelo gado leiteiro e de corte, que hoje ocupa grande parte do território, em sua imensa maioria desmatado, com uma população humana que decresceu ao longo das décadas enquanto a população bovina crescia e a superava. Mais recentemente, a indústria de mármore e granito também vem ocupando destaque na economia, com base no extrativismo mineral. Mas esse histórico não fez desaparecer as lutas pela posse das terras, retomadas com força a partir da década de 1980 pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que conquistou alguns assentamentos na região. Há 10 anos, o movimento luta para a criação de um novo assentamento, no atual acampamento Derli Casali.
‘Falta atuação do poder público contra preconceito aos soropositivos’
Sidney Parreiras defende que as gestões estadual e municipais façam campanhas informativas e educativas No dia quatro de fevereiro, uma mulher trans foi assassinada pelo parceiro, em Cachoeiro de Itapemirim, sul do Estado, após relatar que vivia com o Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV). O crime, afirma o representante do Espírito Santo na Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV e conselheiro estadual de Saúde, Sidney Parreiras, é mais do que transfobia, sendo marcado também pela sorofobia e falta de atuação do poder público na disseminação de informações que possam combater o preconceito. No Espírito Santo, de acordo com Sidney, nem a gestão estadual nem as municipais têm cumprido esse papel. “É tão assustador, em pleno século XXI, uma pessoa matar a outra por descobrir que ela é soropositiva. É muita falta de informação sobre a evolução do tratamento. O que está sendo feito? Nada. Em São Paulo, por exemplo, há cartazes no metrô falando sobre a PrEP [Profilaxia Pré-Exposição], sobre a Pep [Profilaxia Pós-Exposição], sobre carga viral indetectável. Aqui não há nada disso”, denuncia. Arquivo Pessoal Sidney acredita que se houvesse campanhas educativas nas mídias, as pessoas não teriam tanto preconceito em relação a quem vive com HIV, por saber que quando se tem carga viral indetectável, é possível viver normalmente, até mesmo se relacionar com uma pessoa que não está infectada, pois não se transmite a doença. Para ele, muitos ainda associam o HIV à morte, como disseminado nos anos 80, quando o vírus foi descoberto e o tratamento ainda não tinha evoluído tanto. Sidney faz críticas não somente à falta de empenho do poder público em desmistificar essa imagem, mas também ao fato de que os serviços, em termos de prevenção e assistência, “deixam a desejar”. “O SUS [Sistema Único de Saúde] é maravilhoso, o que estraga são os gestores, que não dão continuidade às políticas corretamente, devidamente”, afirma, destacando que na Capital, Vitória, faltam profissionais para atender à demanda dos pacientes. ‘Não tem porque ter preconceito’ A infectologista Rubia Miossi defende que, diante da evolução no tratamento do HIV, não há motivos para ter preconceito contra quem vive com o vírus. “Não tem porque achar que é uma doença mortal, que a pessoa pode viver menos, que não pode fazer nada. Pelo contrário, podem trabalhar, estudar, namorar, ter filhos, ser feliz como qualquer pessoa. A única diferença é que vai precisar tomar alguns comprimidos ao longo da vida, pois ainda não há cura para a doença. A gente espera que a cura esteja disponível e diminua ainda mais o preconceito”, ressalta. Arquivo Pessoal Os comprimidos aos quais a infectologista se refere são os antirretrovirais, tomados diariamente e que deixam a carga viral indetectável, ou seja, os exames não conseguem detectar a circulação do vírus no organismo. Essa condição, explica Rubia, permite à pessoa ter uma vida normal, não transmitindo o vírus até mesmo em relações desprotegidas. “A pessoa com HIV pode se relacionar com quem ela quiser, seja o parceiro soroconcordante, quando também é positivo; ou sorodiscordante, quando é negativo para vírus, seja homem com homem, mulher com mulher ou homem e mulher, tanto faz”, afirma. A médica aponta que, tomando os remédios diariamente, sem falhar, a carga viral fica indetectável entre três e seis meses. Há casos em que isso ocorreu em 30 dias. Rubia explica que, para evitar a infecção, além da conhecida camisinha, também existem a PrEP e a Pep. A primeira é tomada diariamente, como forma de precaução, mesmo sem haver exposição ao risco. A segunda é pós-exposição, em situações como relação sexual sem camisinha ou com rompimento do preservativo. Nesse caso, são três antirretrovirais, que devem ser tomados entre 28 e 30 dias após a relação. Tanto a PrEP quanto a Pep podem ser adquiridas gratuitamente nos centros de referência. Antirretrovirais. Foto: Unaids Rubia destaca que essas medicações foram muito bem estudadas, seguras, e têm pouquíssimo efeito colateral. “Tudo que é colocado para dentro do nosso corpo tem efeito colateral. O mais comum é enjoo, principalmente quando começa a tomar e se estiver de barriga vazia. Pode ter efeitos nos rins e no fígado, como qualquer medicação que a gente usa. Não têm um risco maior do que as outras medicações. O benefício de não pegar o vírus é maior do que ter efeito colateral”, reforça. Casais sorodiscordantes O costureiro Valdisney Alves da Cunha vive com HIV há quatro anos, mas isso não é impedimento para se relacionar com uma pessoa que não é soropositiva. Em dezembro último, depois de cerca de dois anos de namoro, ele se casou com o meio oficial Estevão Margon Duarte. O namoro começou no meio virtual, quando, no Facebook, o perfil de Estevão apareceu como sugestão de amigo para Valdisney, que deu uma “stalkeada”, se interessou pelo rapaz, e resolveu enviar uma mensagem. Arquivo Pessoal Sua investida foi ignorada, pois Estevão estava se aproximando de outra pessoa naquele momento. Entretanto, Valdisney não desistiu e, tempos depois, mandou novamente uma mensagem. Dessa vez, obteve resposta, dando início a um relacionamento virtual, que depois de três meses tornou-se presencial. Valdisney não contou de imediato que vive com HIV. Seu namorado descobriu por acaso. “Ele foi na minha casa, viu a caixa de antirretroviral e me perguntou o que era aquilo. Eu estava me preparando ainda para contar, mas tive que fazer isso naquele momento”, recorda Valdisney, que tinha medo da rejeição, pois isso aconteceu com alguns amigos soropositivos. Ele acredita que, em virtude de o então namorado ser formado em Radiologia, já tinha conhecimento de que uma pessoa com carga viral indetectável não transmite o vírus. O casal não utiliza preservativo. Estevão faz uso da PrEP, e relata não sentir efeitos colaterais. “Na primeira semana tive aumento de apetite, mas depois ficou tudo normal”, afirma, salientando que não é necessário deixar de viver um amor pelo fato de o parceiro ser soropositivo. “O receio, o temor, vem do tabu, da desinformação, da falta de conhecimento de que o indetectável é intransmissível, de que existem a PrEP e a Pep, além da camisinha. Não tem que temer. É até mais confiável se relacionar com uma pessoa diagnosticada com HIV, pois ela tem conhecimento do
Campanha da Fraternidade terá ato público em defesa da Educação
Ato será no dia seis de março, com concentração no memorial Gratidão, na orla de Camburi Com o tema “Fraternidade e Educação”, e o lema “Fala com sabedoria, ensina com amor”, a Campanha da Fraternidade 2022 da Arquidiocese de Vitória terá início no dia 6 de março, com um ato público que começa às 15h, na orla de Camburi, na Capital. A atividade será próxima ao Memorial Gratidão, em homenagem aos profissionais da saúde. De lá, os participantes seguirão em uma Via Sacra da Educação até a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), campus de Goiabeiras. Na carta-convite aos movimentos sociais, divulgada pelo Vicariato para Ação Social, Política e Ecumênica da Arquidiocese, coordenado pelo padre Kelder Brandão, é informado que, apesar da pandemia da Covid-19, optou-se pela atividade presencial, após ter sido feita a escuta de profissionais da saúde, infectologistas e autoridades sanitárias. “Contudo, é imprescindível a observação dos protocolos de segurança, como uso indispensável de máscara, distanciamento e higienização das mãos”, destaca. Para Kelder, o foco principal da campanha será a defesa da educação em diversos âmbitos, “iluminando-a com a Palavra de Deus para encontrar e redescobrir meios eficazes de fazer com que ninguém seja excluído de um caminho educativo”. Já em dezembro passado, foram traçadas ações referentes à Campanha da Fraternidade 2022. Em assembleia, o Vicariato estabeleceu 10 metas para este ano, como forma de potencializar o trabalho de diálogo entre a Igreja e a sociedade. Uma delas é a criação das Pastorais da Educação e Universitária. A Pastoral da Educação terá como alguns de seus objetivos analisar o contexto da educação e os desafios potencializados pela pandemia e verificar os impactos das políticas públicas na educação. A integrante da coordenação da Campanha Paz e Pão, Terezinha Baldassini Cravo, recorda que essa pastoral já existiu na Arquidiocese de Vitória, mas se desmobilizou, assim como a Pastoral Universitária. Ela explica que a Pastoral da Educação tem foco na educação básica e a Universitária na superior. O padre Vitor Noronha, quando ainda era seminarista, chegou a articular a criação dessa última pastoral na Ufes, por volta de 2010. De acordo com ele, que hoje é diretor espiritual da Pastoral Carcerária, a Pastoral Universitária já existe em algumas instituições de ensino superior católicas. A ideia, portanto, é criá-las nas universidades públicas e nas particulares não confessionais, mas “sem fazer proselitismo, sem se basear em uma conflito entre fé e razão, sem querer se colocar como presença de fé em um espaço da razão”. Vitor explica que a Pastoral Universitária acredita que as instituições de ensino superior devem ser espaço de criação e defesa de “um projeto de sociedade de iguais, de irmãos, de fraternidade, não apenas um espaço de formação para o mercado de trabalho, mas sim, de atingir os fins últimos, e os fins últimos são a visão integral do ser humano, o compreender, o pensar e transformar a vida humanamente”. Vicariato para Ação Social da Arquidiocese de Vitória define metas para 2022 Grupo coordenado pelo padre Kelder Brandão estabeleceu 10 medidas para potencializar o diálogo entre Igreja e sociedade https://www.seculodiario.com.br/direitos/vicariato-para-acao-social-estabelece-metas-para-2022
O amor não sai da moda
Domingo tem Super Bowl … aquele jogo chato da bola chata Assunto preferido de poetas e trovadores, até Salomão se aventurou no tema, e o vetusto Platão criou o amor platônico. Todo mundo ama, já amou, ou pretende amar e ser amado. I love you em Inglês; kjærlighet em norueguês; kocham em polonês; ife em Ioruba; ljubezen em eslovês… amour no alto da Torre Eifel, liefden em Berlim, amore na Via Apia… Romeu declarou nos braços de Julieta: Amor aeternus est. Nosso Vinicius de Morais foi mais realista, ou mais experiente: Que seja eterno enquanto dure. * Será o amor diferente quando expressado em idiomas diferentes? Nesses tempos de Internet e Instagram, com abundância de sites de relacionamentos atendendo a todas as preferências, o amor continua igual. O que muda é o jeito de se chegar a ele. O assunto não se esgota nem cansa, quanto mais falamos no amor mais há o que falar, mais mistérios a revelar. Ou a calar, pois enquanto os extrovertidos discutem suas intimidades sentimentais em qualquer mídia, os tímidos mantêm seus sentimentos lacrados a sete chaves. Cada um tem um jeito de querer seu bem-querer. * Quando pensamos que casamentos arranjados são coisas da Idade Média, muitos países hoje em dia ainda mantêm esse nefando costume. Entre os indianos que vieram para a América – e não são poucos – o tradicional casamento arranjado está sendo abalado pelos métodos franco-atiradores ocidentais. Os pais fazem tudo para impedir que os “costumes livres” da América venham abalar o modo como pretende que os jovens se casem. Os programas de televisão são rigorosamente controlados: tudo que fala em namoro, amor e romance é vedado. Quanto menos informação, melhor. Desconfio que só assistem os canais da National Geographic. * Se a modernidade facilitou quase tudo na vida, nas questões amorosas andou para trás. Movimentos sociais como o #MeToo inibem e amedrontam, qualquer um tem medo de dar um passo em falso. Fazer um elogio é avançar o sinal? Também deram mais força às agências de casamento, que prometem unir na terra o que não foi arranjado no céu. Se os computadores se intrometem em tudo, por que não no amor? Cada vez mais corações solitários procuram sua outra metade na Internet, com muitos finais felizes. * Domingo tem o Super Bowl, a grande demonstração de amor dos americanos pelo futebol americano. Aquele jogo chato da bola chata. Segunda, dia 14 de fevereiro é o Valentine Day – dia dos namorados. Em tempos de pandemia – essa teimosa que não nos ama – os festejos estão mais moderados. Assim mesmo, as comemorações já acontecem em todo o final de semana. Com ou sem vacina, os restaurantes ficam lotados, a venda de flores vai às alturas, e os cartões com mensagens de amor ou amizade já se esgotaram nas lojas. O que comprova que o amor não morre nunca, o que mata mesmo é o preço do feijão com arroz.
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Batalha dos Zumbis faz referências engraçadas sobre a pandemia Comédia Croata de 2020, Batalha dos Zumbis faz algumas referências engraçadas sobre a pandemia, estrelando o ator Krešimir Mikić, protagonista do divertido Os Filhos do Padre, que ficou um tempo no catálogo da Netflix. Sete anos no futuro, a Croácia vive uma crise de escassez hídrica. A água tornou-se caríssima, as pessoas morrem de sede e desidratação, e somente os mais ricos podem beber água. Mico é um dos poucos que pode aproveitar a vida. Num dia diletante como outro qualquer, ele convida sua massagista para ir ao cinema e, ao voltar para casa, eles se deparam com meninos de rua. Ela insiste em dar-lhe a esmola e o menino morde seu dedo. Eles saem de lá rezingando a ingratidão dos pobres. Passadas algumas horas, já no outro dia pela manhã, a massagista vira um zumbi. Mico foge no seu conversível até um hospital, mas não evita a mordida de um garoto aparentemente insuspeito. A pandemia faz parte de um plano internacional comandado a partir de uma base aeroespacial, a Croácia é o país modelo do experimento, e o povo é monitorado o tempo todo. No hospital, Mico encontra desacordada Franka Anic, a grande atriz do cinema Croata e sua favorita. Ela foi dada como morta pelos médicos, mas na verdade parou no hospital devido a uma overdose. Entre os refugiados, Mico suspeita de Vesna, uma mulher que parece familiar, e que se recusa a explicar como veio parar ali com eles. As autoridades governamentais anunciaram pelo rádio que o nível de contaminação é bem menor no interior. Elas elaboram um plano de usar um cadáver para distrair os zumbis e depois sair da cidade. A estratégia funciona e eles chegam até uma pousada com donos sérvios. Vesna começa a dar sinais de que está escondendo algo. Mico, que já suspeitava desde o encontro na capital, descobre sua nacionalidade Eslovena, ao inspecionar suas malas, e também descobre que Vesna espalhou o vírus. Mico rouba a senha do celular dela e informa a um famoso radialista que o sangue sérvio é o imunizante do vírus, porque somente os sérvios não viraram zumbis. Ele foi mordido há dias e não teve sintomas. Apesar de ter descoberto a cura, ele passa por um crise de identidade ao se descobrir sérvio. Após uma discussão com Vesna que os deixa trancados no armazém da pousada, Mico e Franka descobrem o antídoto, uma mistura de sangue sérvio com a bebida destilada típica da região, e eles correm imediatamente ao médico sueco responsável pela pesquisa para divulgar a descoberta. Esta comédia lembra, pela proposta e tema, o cubano Juan, de Los Muertos, mas não tem comparação, Batalha dos Zumbis é muito mais engraçada.
‘Houve pandemia de violência antes da pandemia do coronavírus’
[Podcast] Ativista do Morro da Piedade, Jocelino Júnior fala sobre violência, políticas públicas, samba e combate ao racismo Professor, pedagogo, servidor público e sambista, Jocelino Júnior, 30 anos, é um jovem ativo em diversas causas, como movimento negro, direitos humanos e cultura. É fundador do Instituto Raízes e atua também na política partidária, tendo sido um dos dez vereadores mais votados nas últimas eleições de Vitória, apesar de não ter sido eleito. Conversamos com ele no podcast Século Diário Entrevista, que pode ser ouvido em áudio no player abaixo ou na sua plataforma favorita de distribuição, como Spotify ou Anchor, que disponibilizam, também, todas as edições já realizadas, com diversos convidados. Para começar, você que cresceu no Morro da Piedade, queria que comentasse um pouco da sua relação com o samba, já que a Unidos da Piedade é a primeira escola de samba capixaba, uma das mais tradicionais do Espírito Santo. A minha família é de sambistas. Meu avô foi um dos fundadores da Unidos da Piedade, contribuindo com os primeiros instrumentos da escola de samba. Ele tinha um talento para essa elaboração, para marcenaria. Ele e seu Aloísio Paru criaram os primeiros instrumentos da escola, tambores, surdos, batuques. Essa tradição vem sendo intergeracional e da nossa ancestralidade mesmo. A partir disso, meu pai se envolveu demais com a escola, é um apaixonado por carnaval de escola de samba. Eu também me apaixonei e, até os dias atuais, estou muito envolvido. Já fui mestre-sala da Piedade, hoje sou mestre-sala aposentado, costumo dizer, mas atuo no carnaval agora ajudando na diretoria da liga das escolas de samba. Temos o trabalho de repensar algumas questões do carnaval e colocar nossas comunidades como protagonistas do desfile das escolas de samba, como sempre foi e como a gente precisa sempre valorizar. Recentemente, tem havido muitos debates em relação aos desfiles das escolas de samba diante da atual situação sanitária com a pandemia de Covid-19. É uma questão complexa, envolve saúde, cultura, economia, as comunidades. O que você considera uma saída razoável nessa atual situação? Nós temos um debate sobre o carnaval muito importante. A gente está numa situação adversa, num processo muito difícil, que é a questão da pandemia. Temos que ter protocolos para todos processos de aglomeração, para todas situações, que vão envolver pessoas que precisam ter toda uma estrutura. Evidentemente, as escolas de samba são oriundas da classe popular, dos territórios periféricos. Historicamente, o carnaval e o desfile das escolas de samba são carregados nas costas de muitas famílias negras, de personagens negros das grandes cidades que têm carnaval, porque é uma manifestação afro, o samba vem da África, vem desse ressoar dos tambores africanos. Com isso, temos uma grande questão a se pensar, como fazer os desfiles das escolas de samba nesse período de pandemia. Possibilidades já foram avistadas no sentido dos protocolos de segurança, de testagens, com exames PCR, vacinação. A gente tem um caminho a ser enfrentado até abril, que agora é a nova data dos desfiles das escolas de samba em Vitória, para pensar novas estratégias de conseguir fazer um desfile seguro e fazer com que as escolas de samba se sintam pertencentes desse processo e, sobretudo, valorizando os artistas das comunidades. Acho que este é nosso maior desafio. Precisamos pensar como fazer isso nesse momento em que a gente está em situação de pandemia ainda muito acirrada, vendo todos os dias os casos. Temos trabalhado para encontrar saídas saudáveis e seguras para os desfiles das escolas de samba. Leonardo Sá Voltando a falar da Piedade, quem acompanha os noticiários nos últimos anos, deve se lembrar de uma série de conflitos graves que têm ocorrido na comunidade, com mortes de jovens, inclusive que não tinham nenhum envolvimento com a criminalidade. Depois, houve o anúncio de uma série de medidas governamentais. Como você avalia o cenário hoje? A gente tem um dado que, infelizmente, marca a história da Piedade de forma muito brutal, com marcas de sangue, com vidas da juventude ceifadas. Se fizermos um levantamento de trás para frente, de hoje ao primeiro dia do caso mais brutal, que foi a morte dos irmãos Ruan e Damião, vamos somar 16 mortes de jovens dentro desse território chamado de Território do Samba, que inclui os morros da Piedade, Fonte Grande, Capixaba e Moscoso. Mortes de jovens entre 15 e 29 anos, como nas estatísticas do Atlas da Violência e do Mapa da Morte da Juventude no Brasil. Esses dados confrontam diretamente com a ausência de políticas para essa população de jovens negros, moradores de bairros periféricos. Nossa cobrança maior ao governo do Estado e à prefeitura era e continua sendo em defesa de que nossas populações precisam ser atendidas por políticas públicas. Temos um diferencial de que nossas cobranças saem do que o Estado está acostumado que aconteça quando tem mortes nos territórios, que é de fechar ruas, danificar ônibus, toque de recolher em que as pessoas não circulam. Nossa mobilização é extremamente diferente, havendo situações em que há mortes no território, o primeiro passo nosso é envolver os equipamentos públicos dentro do território. A primeira ação que a gente toma é que esses equipamentos não podem fechar por conta das mortes que aconteceram no território. Porque as pessoas não fecharam suas vidas, elas perderam entes queridos, mas não deixam de trabalhar e não deixam de descer o morro. Por que o serviço público vai fechar quando a comunidade precisa do equipamento? Ou seja, precisa da escola aberta, do CRAS [Centro de Referência da Assistência Social] funcionando, da unidade de saúde realizando visitas. Nós nos mobilizamos de forma comunitária, fazendo com que as pessoas compreendam que é necessário provocar o poder público com respostas que sejam significativas para a vida e o território delas. Uma coisa que fizemos foi um plano de ação com 15 ações comunitárias, sociais e coletivas sugeridas aos governos estadual e municipal. Ações que vão complementar, implementar e dar sensação de segurança e atenção social para a comunidade. Penso que, no Espírito Santo, os governantes têm a chance de fazer o maior projeto piloto de transformação de um território, que é pequeno e cultural,
‘Você não pode deixar o sistema excluir seu filho. Educação é direito’
Palácio Anchieta vai ser ocupado por crianças com deficiência e suas mães. Faltam cuidadores nas escolas Thiago Guimarães/Secom As crianças e adolescentes com deficiência que estudam nas redes estadual e municipais de Educação do Espírito Santo estão excluídas do sistema público de ensino. Sem cuidadores nas escolas, elas têm retornado para casa, muitas sofrendo também falta de atendimentos em saúde e a dificuldade de suas mães, que precisam trabalhar para sustentar a casa. Para expor essa situação que atinge todo o Espírito Santo, o coletivo Mães Eficientes Somos Nós (MESN) organiza uma manifestação nesta segunda-feira (14), às 14h, com a ocupação do Palácio Anchieta por mães, pais e responsáveis por crianças, adolescentes e jovens com deficiência. O movimento #OcupaPalacioAnchieta reivindica uma reunião com o governador Renato Casagrande (PSB) e os secretários de Educação e Saúde, Vitor de Angelo e Nésio Fernandes, respectivamente. “A nossa atuação política é de luta pela inclusão real já, para a verdadeira inclusão de nossos filhos e filhas com deficiência”, afirmam as mães, em ofício enviado para a sede do governo estadual, solicitando as agendas com as autoridades, para “dialogar sobre a gravíssima situação de negativa dos direitos à saúde e educação de nossos filhos/filhas com deficiência”. A intenção, afirmam, é ocupar o Palácio Anchieta até que o governador as receba. Se possível, repetindo o formato de acampamento feito na Prefeitura da Serra, que, após mais de trinta dias, resultou em uma reunião com o prefeito Sérgio Vidigal (PDT). Mães Eficientes Somos Nós “Já não aguentamos mais tantas violações de direitos aos filhos/filhas com deficiência e já deixamos avisado que não somos criminosas e não aceitaremos nenhum tipo de intimidação, maus tratos, cara feia, olhares atravessados, opressões, humilhações por parte dos seguranças e/ou servidores do Estado (Palácio Anchieta), pois não estamos indo buscar ainda mais violações de direitos e sim ‘exigir direitos negados pelo Estado’”, anuncia o Coletivo. Tragédia No comunicado compartilhado entre as famílias ligadas ao coletivo, o chamado afirma que “você não pode deixar o sistema excluir seu filho”, pois “educação é direito para todos”. A situação, resume a coordenadora geral do Coletivo, Lucia Mara dos Santos Martins, “é muito desesperadora, uma tragédia”. “As escolas não se preparam para receber esses estudantes. Os profissionais das escolas estão desesperados, porque faltam profissionais. Diretores não sabem o que fazer. Nossos filhos estão sendo tratados como escória”, lamenta. Enquanto isso, na Serra, o edital da prefeitura que ordena a contratação de estagiários para atuarem como cuidadores ainda não recebeu candidatos suficientes, contextualiza a coordenadora. Ao que tudo indica, apesar do aumento da bolsa para R$ 880 para cinco horas diárias, o trabalho continua pouco atrativo para os estudantes universitários, que ainda não veem a função de cuidador como parte de um estágio para a carreira que almejam. A alcunha de “babá de aluno” muitas vezes é lançada sobre esses estagiários e resume a falta de compatibilidade entre a formação buscada e as atribuições do cuidador no município. Outros formatos existem com sucesso, como o que é adotado em Santa Maria de Jetibá, na região serrana do Estado. Divulgação CREI/PMSMJ “Não temos a política do cuidador. A gente acredita que o trabalho de um auxiliar não pode ser de cunho somente fisiológico. O auxiliar permanece em tempo integral na sala de aula comum, realizando com esse aluno as atividades que ele tem mais dificuldade. Dependendo do comprometimento do aluno, ele tem dois auxiliares”, explicou a coordenadora do Centro de Referência de Educação Inclusiva (CREI) da Secretaria de Educação do município, Joziane Jaske Buss. O trabalho diferenciado tem gerado bons resultados, destaca a educadora: “nossos alunos estão se apropriando do conhecimento ofertado na sala comum e adentrando o ensino federal, no Ifes [Instituto Federal] de Santa Maria”. Vagas não definidas Na rede estadual, onde “a situação é muito pior”, ressalta Lucia Mara, o edital foi publicado no Diário Oficial nessa terça-feira (8), cinco dias depois do início do ano letivo com aulas exclusivamente presenciais. As inscrições estão abertas até a próxima quinta-feira (17) pelo site www.selecao.es.gov.br. Os subsídios oferecidos são de pouco mais de R$ 1,2 mil mais auxílio-alimentação. As vagas são voltadas a pessoas com ensino médio completo que tenham curso de cuidador, informa o edital, e “serão distribuídas e preenchidas por interesse, conveniência e oportunidade da Administração da Educação Estadual”, sem informar quantas pessoas serão contratadas. Sofrimento Dentro dos lares, a má gestão pública das normativas legais que garantem o acesso e a permanência na escola de estudantes com deficiência gera um sofrimento generalizado em toda a família. “As pessoas que não têm criança com deficiência em casa não sabem o que passamos durante o dia”, suplica Taíza Amorim Soeiro Lopes, mãe de dois meninos autistas e moradora de Nova Almeida, um deles matriculado na Escola Estadual de Ensino Fundamental (EEEF) Virginio Pereira, onde há dez crianças especiais e não existem cuidadores. Arquivo pessoal O filho de nove anos não pode ficar sozinho na escola, devido às crises de ausência. Nem no transporte escolar. Mas para reivindicar o acompanhante no transporte, ela precisa de um laudo específico de neurologista. A consulta com o especialista, por sua vez, esbarra na falta de vagas nos ambulatórios, que alonga o prazo de espera da família em busca de solução. A escola, observa, “ajuda a desenvolver”. Seus filhos, conta Taiza, não formam frases, só falam palavrinhas soltas. “Meus filhos são muito carinhosos, me beijam, me abraçam, falam te amo mamãe. Não tem como não lutar por eles. São anjos”, emociona-se. O maior gosta de ir pra igreja, onde aprendeu a admirar instrumentos musicais. “Sonho dele é ter um teclado”, sorri. Da Serra para Vila Velha? Taiza conta que saiu do emprego que tinha para cuidar melhor dos filhos. Passou a vender roupa em casa, mas acaba tendo muita entrega para fazer. Sem as crianças na escola, não consegue se deslocar de ônibus com as encomendas. “Eu não posso sair, daí não vendo e fico sem dinheiro”, resume. Recentemente, a chamaram para trabalhar como cuidadora de crianças especiais em uma escola de Vila Velha. Não pôde aceitar, pois o longo deslocamento diária casa-escola criaria
Os sistemas de reconhecimento facial e o encarceramento em massa
Pesquisador fala sobre projeto anunciado em Vitória e criticado em várias partes do mundo Anúncio de lançamento do sistema em Vitória. Foto: André Sobral/PMV As tentativas de implementação do sistema de reconhecimento facial em espaços públicos se espalham pelo Brasil, ao mesmo tempo em que despertam a atenção de estudos para os riscos envolvidos na operação. Em Vitória, o prefeito Lorenzo Pazolini (Republicanos) anunciou a instalação de um programa com 150 pontos de monitoramento e um investimento de R$ 15 milhões. Para o pesquisador Pablo Nunes, além dos riscos, esse tipo de tecnologia tem sido uma ferramenta para políticas de encarceramento em massa. Pablo é coordenador adjunto do Centro de Estudo de Segurança e Cidadania (CESeC), no Rio de Janeiro. Segundo ele, quando se trata do uso do reconhecimento facial em vias públicas, alguns fatores são preocupantes. Um deles é a própria natureza desse tipo de tecnologia, que pode ser causadora de erros e violações. “Esses algoritmos têm, muito deles, vieses raciais muito proeminentes, que fazem com que a taxa de acerto para pessoas negras seja muito menor do que em relação a pessoas brancas. E quando a gente coloca câmeras procurando pessoas com mandado de prisão em aberto, isso se reflete em pessoas negras sendo abordadas, detidas, e muitas vezes levadas à prisão, sem que essa pessoa seja a procurada. Isso aconteceu no Rio de Janeiro e em outros estados também”, explica. O pesquisador afirma que, no Brasil, também há um descompasso em relação às boas práticas internacionais, principalmente quando se trata da publicização do uso do sistema nas cidades. “As pessoas precisam saber que elas estão sendo monitoradas e o que está sendo feito com esses dados, quem tem acesso a eles e por quanto tempo. E essa é uma preocupação que não passa pelos projetos que temos acompanhado no Brasil (…) O que a gente tem visto é que o sistema de reconhecimento facial traz riscos de diversas formas, de várias frentes, e que a sua adoção tem sido feita a despeito dessas problemáticas”, aponta. E o sistema tem crescido no Brasil. De acordo com um artigo da Rede de Observatórios da Segurança, pelo menos 20 estados brasileiros já tiveram, têm ou estão em processo de licitação de projetos para implementação de sistemas de reconhecimento facial. Para Pablo, um dos fatores que colaboram para esse crescimento é a influência do cenário internacional. “Há um incremento de tecnologias muito fortes em outros locais do mundo, mas, diferentemente do Brasil, em outros lugares temos uma resistência muito forte a essas tecnologias, como é o caso dos Estados Unidos, onde várias cidades já baniram o uso de reconhecimento facial. É o caso da União Europeia, que também baniu o uso de reconhecimento facial em espaços públicos”, exemplifica o pesquisador. Pablo ressalta que o crescimento também foi percebido a partir das eleições de 2018, marcada por uma retórica bélica e militar acentuada. Nesse contexto, o reconhecimento facial aparece como uma ferramenta para o aumento do encarceramento. “Boa parte dos governantes eleitos em 2018 enxerga, nessa luta contra o crime a qualquer custo, o encarceramento como solução para a segurança pública, e nada mais útil do que utilizar o reconhecimento facial para incrementar esse processo”, pontua. Em Vitória, a tecnologia é vendida como uma aposta de Pazolini “para combater o crime e reduzir a violência”. O sistema seria utilizado para reconhecer pessoas com mandados de prisão em aberto, suspeitos e pessoas portando armas e objetos perigosos. De acordo com a prefeitura, o investimento milionário contempla câmeras, licenças de softwares e o HCI [Hyper‐Converged Infrastructure ou Infraestrutura Hiperconvergente]. Esta semana, as vereadoras Karla Coser (PT) e Camila Valadão (Psol) apresentaram um requerimento com pedido de informação sobre a implementação do sistema. Além de apontarem os riscos de possíveis violações, elas questionam pontos específicos, como a efetividade do projeto, as formas de gerenciamento das informações, a modalidade de licitação utilizada para contratação, bem como o fluxo de captura, armazenamento e utilização das imagens. De acordo com a Prefeitura de Vitória, no período de testes, o sistema utilizará o banco de dados com as imagens das pessoas mais procuradas pela segurança pública dos estados do Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia e Minas Gerais, disponibilizadas na internet pelas Secretarias de Segurança Pública de cada localidade. Enquanto isso, pesquisadores brasileiros e de outras partes do mundo reiteram que a utilização do sistema de reconhecimento facial em espaços públicos não é efetiva, principalmente quando se leva em conta a raiz desse tipo de projeto: o encarceramento em massa. “O que a gente já sabe é que prender massivamente, de maneira acelerada, um número cada vez maior de pessoas no nosso sistema penitenciário, não significa a redução dos nossos indicadores de criminalidade, não significa uma melhoria de sensação de segurança. Na verdade, a gente amplia e aprofunda problemas de criminalidade que são conhecidíssimos no Brasil, mas que, por um fetiche de governantes, a gente fecha os olhos e segue apostando nessas respostas. Reconhecimento facial nada mais é que encarceramento em massa e isso não deu certo aqui no Brasil nem em nenhum outro lugar do mundo”, conclui o pesquisador. Reconhecimento facial anunciado por Pazolini é questionado por vereadoras – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/seguranca/vereadoras-de-vitoria-questionam-sistema-de-reconhecimento-facial-anunciado-por-pazolini
Advogados denunciam fechamento de salas de apoio da OAB em Cariacica
Presidente da 11ª Subseção da OAB-ES, Kelly Andrade, aponta transtornos a centenas de profissionais Uma petição pede que a Ordem dos Advogados do Brasil no Espírito Santo (OAB-ES) reabra as cinco salas de apoio à advocacia do Estado, a fim de normalizar o trabalho de centenas de profissionais, que atuam, diariamente, nos fóruns de Cariacica, Viana, Domingos Martins, Marechal Floriano e Santa Leopoldina. A situação vem causando transtornos aos advogados. A presidente da 11ª Subseção da OAB-ES, Kelly Andrade, comunicou ao presidente da entidade, José Carlos Rizk Filho, “por meio de diversos ofício, a urgência em contratar profissionais, uma vez que, conforme regimento, é de obrigação da seccional essa contratação”. A atual diretoria da Ordem demitiu dois funcionários e cinco estagiários que trabalhavam nesses espaços. “A mim, causa surpresa que o presidente da Ordem tenha se esforçado tanto para impedir a extinção de várias comarcas no Estado e adote essa medida”, lamenta Kelly Andrade. Ela ressalta que o assunto foi abordado durante a sessão na qual ela tomou posse como presidente da subseção, em 25 de janeiro deste ano, no encerramento das férias forenses. Na cerimônia, a advogada também cobrou, publicamente, da vice-presidente da OAB-ES, Anabela Galvão, a necessidade de que as salas voltem a operar. “Na ocasião, durante discurso, Anabela prometeu que as contratações seriam feitas – o que não aconteceu até o momento”, relata. A sede da 11ª Subseção da OAB-ES, que funciona em Cariacica, também está com déficit de colaboradores: onde sempre trabalharam três funcionárias, hoje só há uma, prejudicando o atendimento à advocacia num prédio de três pavimentos, seis guichês de peticionamento, além de sala de reuniões e atendimentos e auditório, aponta o documento. De acordo com a petição dos advogados, “a advocacia está sem acesso a diversos serviços que auxiliam seu dia a dia. Não é possível, por exemplo, utilizar os computadores das salas, nem máquinas de xerox e digitalização, muito menos fazer uso do espaço para atendimento adequado a clientes – antes e depois de audiências”. As salas de apoio, acrescenta, além dessa estrutura, forneciam internet Wi-fi, banheiro para os advogados – além de água e café”. A OAB-ES foi procurada por Século Diário, mas até o fechamento dessa matéria, não se manifestou.
Monique Rocha homenageia Dona Astrogilda, a Rainha do Congo
Na Coluna: Manga Rosa Experience, Semana de Arte Moderna Nada a Ver, Lacarta Circo Teatro e doação de mangás MÚSICA Monique Rocha lança música em homenagem à Rainha do Congo A cantora capixaba Monique Rocha lançou nessa sexta-feira (11), em diversas plataformas de áudio, o single Dona Astrogilda, em homenagem àquela que ficou conhecida como a Rainha do Congo do Espírito Santo, falecida no ano passado em decorrência de Covid-19. Foi um encontro com Dona Astrogilda em 2010 que inspirou a compositora, que só apresentou a canção, um misto de samba e congo, em 2018 para a homenageada. Entretanto, a Rainha do Congo faleceu antes da gravação do videoclipe, que já está pronto e será lançado no próximo dia 18, no YouTube da artista, tendo sido filmado em Vila do Riacho, Aracruz, norte do Estado, onde Dona Astrogilda viveu a maior parte de seus 88 anos de vida. Thais Gobbo Manga Rosa Experience lança ‘Tampa de Panela’ Outra novidade musical na cena capixaba é o EP Tampa de Panela, recém-apresentado pelo Manga Rosa Experience, banda de Guarapari que define seu som como Maratimbeat, uma mistura entre Tropical Maratimba Rock, Blues, Samba, Funk e Afrobeat. Com seis canções autorais, a obra está disponível em diferentes plataformas de áudio. Confira aqui. ESPAÇOS CULTURAIS Centros culturais independentes voltam a se reunir em Vitória Criado em 2018, a Cooperativa de Espaços Culturais Independentes da Grande Vitória (Coop-GV) teve sua primeira reunião desde o início da pandemia. O encontro aconteceu no Cine Teatro Ribalta, em Jardim Camburi, Vitória. Em pauta, questões como as estratégias para dar visibilidade às pautas dos espaços culturais independentes, a recém-lançada Lei de Incentivo à Cultura Capixaba (LICC), e a criação do Sistema Estadual de Espaços Culturais, também anunciado recentemente pela Secretaria de Cultura do Espírito Santo (Secult). As reuniões seguirão com periodicidade mensal, de forma itinerante, pelos espaços participantes da articulação. Lacarta Circo Teatro reabre as portas com oficina Localizado no Centro de Vitória, o espaço cultural Lacarta Circo Teatro volta às atividades no domingo (13), depois das paralisações por conta da pandemia, com um workshop de dança Footwork, com Louis Maria. As inscrições podem ser feitas por formulário online e, para participar, é necessário portar máscara e comprovante vacinal O local fica na Rua Uruguay, 147, na Cidade Alta. Para saber mais, é possível acompanhar o grupo e o espaço no Instagram. EVENTO Facção In-Versa lembra centenário da Semana de Arte Moderna Efeméride que vem provocando muitos debates nos meios artísticos e culturais, a Semana de Arte Moderna ganha no Espírito Santo uma homenagem curiosa, por parte do irreverente coletivo Facção In-Versa, originário de Guarapari, que ocupará a estrutura do Palácio Sônia Cabral, em Vitória, com a realização da Celebração do Centenário da Semana de Arte Moderna Nada a Ver, no sábado (19), a partir das 16h, com entrada gratuita. Serão 15 atrações, incluindo música, performance, poesia e contação de histórias, além da entrega do Prêmio Nada Ver para Talentos Medianos. Para participar, os ingressos devem ser “retirados” antecipadamente aqui. Mas atenção, para os desavisados, o Facção In-Versa preza por influências Dadaísmo, Surrealismo, Internacional Situacionista e outros movimentos de vanguarda artística. LITERATURA Sarau na Serra é adiado Anunciei na última coluna a realização da Caravana Combiousa no bairro André Carloni. O evento aconteceria nos dias 13 e 14, mas devido às previsões de chuvas, foi adiado por uma semana. Deve acontecer no outro domingo, 20, com sarau na feira livre do bairro a partir das 9h30, e na segunda-feira (21), com bate-papo sobre literatura na Escola Estadual Dom João Batista, no mesmo bairro, às 19h. A atividade é promovida pela produtora Conjunto Criativo, sediada em André Carloni, e a editora Cousa. Biblioteca Pública recebe acervo de quase 800 mangás Uma doação da Fundação Japão, órgão ligado ao Ministério das Relações Exterior japonês, trouxe ao Espírito Santo 792 mangás, revistas de quadrinhos típicas do país oriental, que vão passar a integrar o acervo da Biblioteca Pública Estadual, localizada na Praia do Suá, em Vitória. A cerimônia da entrega, que foi feita por meio parceria com o Consulado do Japão no Brasil e o governo do Estado, aconteceu no Palácio Anchieta, na terça-feira (8), contando com presença do governador Renato Casagrande e da vice-governadora, Jacqueline Moraes. As obras ficarão disponíveis para leitura nas instalações da Biblioteca Pública. Divulgação