Grupo se preocupa com avanço da pandemia e falta de profissionais para atender crianças com deficiência Reunião realizada com o prefeito Sérgio Vidigal na última quinta-feira (25). Foto: Divulgação. O coletivo Mães Eficientes Somos Nós (MESN), que atua na luta por políticas públicas para pessoas com deficiência na Serra, é contra o retorno das aulas presenciais na próxima semana, em razão do aumento dos casos de Covid-19 no Espírito Santo e falta de profissionais para atender os alunos PCD’s. O grupo se reuniu com o prefeito Sérgio Vidigal (PDT) na última semana para apresentar as demandas e cobrar medidas para amenizar o impacto da pandemia na aprendizagem dos alunos. “As aulas vão iniciar sem profissionais para atender às crianças. Colocamos o nosso posicionamento contra o retorno, devido à pandemia e também porque não vai ter todos os profissionais dentro das escolas para atender os estudantes com deficiência. Eles ainda estão em processo de contratação”, explica a fundadora e coordenadora-geral do coletivo, Lúcia Mara Martins. Outra demanda apresentada foi a falta de fraldas para pessoas com deficiência no município. A entrega dos produtos foi um compromisso assumido pelo prefeito com o coletivo, mas as famílias têm relatado dificuldades para conseguir os materiais. De acordo com Lúcia, a prefeitura alegou que um processo de licitação está sendo realizado para compra das fraldas, mas está atrasado. “O município da Serra é o único município do Espírito Santo em que esse processo de entrega é feito para as crianças sem ser através de judicialização porque foi uma conquista do coletivo Mães Eficientes Somos Nós”, aponta. O coletivo também cobra medidas que reduzam os impactos da pandemia na aprendizagem dos alunos, principalmente nos anos iniciais do ensino fundamental, período de alfabetização. “Foi uma reunião de grande importância, visto que temos um compromisso firmado, através de um TAC [Termo de Ajustamento de Conduta] assinado pelo prefeito (…) Fora isso, tivemos uma construção importante sobre os gargalos que se apresentam nas políticas públicas destinadas às pessoas com deficiência munícipes da Serra”, diz uma nota publicada pelo coletivo nas redes sociais. As representantes também comemoraram a reativação do Grupo Intersetorial de Apoio à Educação Especial do Município da Serra (GIAEEMS). Iniciado em março de 2021, a organização se trata de um espaço de debate entre as cuidadoras de crianças com deficiência e a prefeitura, contando com a participação de representantes das pastas municipais. “Não podemos pensar este fortalecimento desvinculado das outras políticas públicas: saúde, assistência social, direitos humanos. Retomar este diálogo é fortalecer a construção coletiva com a participação do controle social. Não só cobrar e sim construir juntos”, diz a nota do coletivo. Em agosto de 2021, representantes do MESN chegaram a ficar acampadas em frente à sede da Prefeitura da Serra, após o retorno obrigatório dos estudantes ter sido determinado nas redes estaduais e municipais. O grupo apontava para a falta de cuidadores de alunos com deficiência nas escolas e exigiam a contratação imediata dos profissionais. O acampamento foi encerrado depois de um mês, após o prefeito Sérgio Vidigal se reunir com as mães e assumir compromissos de políticas públicas para crianças com deficiência. Desde dezembro, o número de cuidadores aumentou, mas o quadro de profissionais ainda precisa ser fechado. A expectativa é que as contratações sejam feitas até o dia 10 de fevereiro. O líder do executivo também se comprometeu a criar um canal de comunicação com o coletivo. Em abril de 2021, o MESN denunciou um episódio de agressões por parte de seguranças na prefeitura contra mães que tentavam entrar na sede do Executivo para se reunir com Vidigal. Ao se encontrar com as mães em junho, o gestor informou que as agressões foram realizadas por funcionários de uma empresa terceirizada e um processo administrativo seria instaurado para apurar a responsabilidade do ocorrido.
Sindicato denuncia surto de Covid-19 entre trabalhadores dos Correios
Somente na Grande Vitória foram registradas 57 infecções no mês de janeiro. Também há casos no interior O Sindicato dos Trabalhadores em Empresa de Correios, Prestação de Serviços Postais, Telégrafos, Encomendas e Similares do Espírito (Sintect/ES) denuncia o aumento dos casos de Covid-19 entre os trabalhadores. Somente na Grande Vitória, no mês de janeiro, foram registradas 57 infecções, sendo 19 no Centro de Distribuição Domiciliária (CDD) de Jardim da Penha, em Vitória; 13 no de Itacibá, em Cariacica; 13 no de Jacaraípe, na Serra; e 12 no da Prainha, em Vila Velha. Também foram detectados casos da doença no interior. Na agência de Vila Valério, quatro trabalhadores foram positivados. Na de Ponto Belo, outro município do norte do Estado, esse número é de três pessoas. Na Unidade de Correios (UC) de Castelo, no sul, sete trabalhadores foram infectados. O presidente do sindicato, Antônio Braga, acredita que a estatal precisa se responsabilizar pelo cumprimento das medidas de proteção, com um protocolo coerente para testes, afastamentos e relatório dos novos casos. Ele também defende que a exigência do certificado de vacinação é fundamental para evitar o aumento de casos confirmados. “Infelizmente sabemos que a desinformação estimulada pelo Governo Federal levou a uma falsa polêmica sobre as vacinas, mas se hoje podemos ter alguma esperança foi por causa do aumento da vacinação. No Espírito Santo, os Correios só têm exigido comprovante de vacinação de quem tem comorbidade, apenas para que voltem ao trabalho presencial. Isso é incoerente, porque sem vacina o vírus continua circulando e os trabalhadores dos Correios têm contato direto com o público, além de estarem expostos durante o deslocamento”, afirma Braga. A entidade, de acordo com o dirigente sindical, tem recebido denúncias de que há trabalhadores que nem ao menos tomaram a primeira dose e de que existem também pessoas trabalhando com sintomas gripais e sem utilização de máscara. De acordo com Antônio, o sindicato encaminhou para a empresa ofício reivindicando que fiscalize o cumprimento dos protocolos sanitários. A entidade critica ainda a dificuldade de se conseguir fazer exame de Covid-19 por meio do plano de saúde fornecido pela estatal, que tem uma rede conveniada com pouca oferta desse tipo de serviço e, quando ele é oferecido, conforme relata Antônio, há muita burocracia para acessá-lo. O sindicato também reivindicou a distribuição de máscaras PFF2 para os trabalhadores, já que as disponibilizadas “são de péssima qualidade”.
Budah lança single por plataforma internacional de música
Na coluna: artista capixaba no ColorsxStudios, prorrogação de editais, lançamento da LICC, novo imortal na AEL MÚSICA Nova música de Budah estreia pela ColorsxStudios A cantora capixaba Budah é uma das novas atrações na plataforma da ColorsxStudio, sediada na Alemanha, que vem divulgando diversos artistas internacionais numa atmosfera minimalista com destaque para uma paleta de cores diferenciada e foco em novos músicos e sons originais. Ela apresentou por lá o single “Quando eu te olhei”, que também está disponível nas plataformas de áudio. Em uma semana, já foram mais de 100 mil visualizações. Do Brasil, já passaram pela Colors, que tem quase seis milhões de inscritos em seu canal no YouTube, artistas como Emicida, Liniker, Luedji Luna, Zeca Veloso, Rincón Sapiência, Xênia França e outros. POLÍTICA CULTURAL Editais de cultura prorrogados Como já anunciamos aqui no Século Diário, diante da reivindicação de centenas de trabalhadores da cultura, os editais para projetos culturais a serem financiados com recursos públicos pelo Funcultura tiveram prazo de inscrição novamente adiado. As entregas podem ser feitas até as 18h do dia 2 de fevereiro. Além disso, também foram prorrogadas as inscrições para o projeto Cultura Por Toda Parte, por meio do qual serão selecionadas 140 apresentações artísticas em diferentes linguagens entre os meses de março e maio em mais de 10 municípios do Estado. A seleção é por chamada pública e o edital para inscrições está disponível no site do Mapa Cultural do Espírito Santo. O prazo foi estendido até 11 de fevereiro. Lei de Incentivo à Cultura Capixaba terá lançamento oficial Apontada como uma importante iniciativa para possibilitar mais recursos para os investimentos em projetos artísticos e culturais no Estado, a Lei de Incentivo à Cultura Capixaba (LICC) será oficialmente lançada, depois de passar por um processo de consulta, no dia 2 de fevereiro, às 8h, no auditório da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), na Reta da Penha. Para participar da cerimônia, pede-se confirmação da presença antecipadamente por meio de formulário online. Por meio de incentivo fiscal, a LICC busca atrair a iniciativa privada para se mobilizar mais no apoio a ações culturais, sobretudo de maior porte do que as contempladas pelo Funcultura, que possuem valores mais modestos. Em 2022, a expectativa é de que possam ser destinados R$ 10 milhões para projetos. FORMAÇÃO Oficina de gravuras acontece na Serra Divulgação A artista Vânia Vica (foto) realiza no mês de fevereiro o projeto Gravura e formação: intercâmbio entre artes plásticas e formação, no qual haverá quatro encontros, que acontecerão no Centro Cultural Eliziário Rangel, na Serra. Cada encontro terá 10 vagas disponíveis e as inscrições devem ser feitas neste link. As vagas são abertas mas há prioridade para professores de Artes da rede escolar pública municipal da Serra. O projeto conta com recursos da Lei Aldir Blanc e foi contemplado em edital da Prefeitura Municipal da Serra. Festival de Contato Improvisação acontece em Cachoeiro Divulgação Até o dia 21 de fevereiro estão abertas as inscrições para participar do 1º ESimContato, um encontro de formação e capacitação em dança Contato Improvisação, que acontece de 17 a 24 de abril em Cachoeiro de Itapemirim, no sul do Estado, contando com professores convidados de grande experiência. Ao todo são 30 vagas gratuitas para participar das atividades, que incluirão oficinas, debates, apresentações e outras ações, promovidas a partir do grupo Atuação. Contato Improvisação é uma dança criada há 50 anos pelo coreógrafo estadunidense Steve Paxton. Consiste na exploração de movimentos corporais improvisados através de princípios como o toque, a troca de peso e a consciência corporal entre as pessoas. LITERATURA Academia Espírito-santense de Letras abre inscrições para novo imortal Divulgação/AEL De 1 de fevereiro a 4 de maio estarão abertas as inscrições para candidatos à cadeira 10 da Academia Espírito-santense de Letras (AEL), na vaga que pertenceu à professora e escritora Anna Bernardes da Silveira Rocha, falecida em junho do ano passado. O patrono da cadeira 10 é o padre José de Anchieta, um dos pioneiros da literatura e teatro no Brasil e santificado pela Igreja Católica. Segunda entidade cultural mais antiga do Estado em atividade, a AEL completou em setembro passado 100 anos de existência. A eleição do novo integrante da academia será feita na reunião da entidade no dia 13 de junho de 2022. Os candidatos e candidatas que desejarem concorrer à cadeira deverão enviar correspondência para a residência da presidente da AEL, Ester Abreu Vieira de Oliveira, com firma reconhecida, indicando o desejo de concorrer à vaga, juntamente com currículo, livros e comprovação de trabalhos publicados. O endereço para envio de correspondência é Rua Professora Gladys Bernardo Lucas, 195, Solar da Ester, Bairro de Lourdes, CEP 29.042-185, Vitória, ES. A entrega dos documentos poderá ser feita pessoalmente ou por correspondência. O edital do chamado está disponível no site www.ael.org.br.
Lula ressalta pluralidade do PT no ato de filiação de Fabiano Contarato
O evento, transmitido online, teve participação de senadores, deputados, dirigentes e militância do partido Giantoni Cezarino Ao participar do evento de filiação do PT do senador Fabiano Contarato, na noite desta sexta-feira (18), o ex-presidente Lula destacou a pluralidade do partido, que “está sempre construindo”, e que deu “cidadania ao conjunto das forças de esquerda desse país”. Para, Lula, que lidera as pesquisas para presidente da república, o partido reuniu a militância que atuava muitas vezes na clandestinidade, antes de democratização na política brasileira. O evento foi conduzido pela presidente estadual do partido, Jackeline Rocha. “Você vai perceber, companheiro Contarato, a nossa gratidão pelo fato de, eleito senador da República, derrotando o preconceito que eu sei que tem contra você, que tem contra os pobres, contra as pessoas que lutam pelos direitos humanos, você está dando a nós do PT o prazer de ficarmos muito lisonjeados, porque não é todo dia que nasce no Espírito Santo e no Brasil um político da tua dimensão”, disse Lula. O evento foi realizado de forma online e contou com a participação, também, da presidenta nacional do partido, deputada federal Gleisi Hoffmann, do líder do PT na Câmara, deputado Reginaldo Lopes (MG), senadores Humberto Costa (PE), Paulo Rocha (PA), Rogério de Carvalho (SE) e Jacques Wagner (BA), que esteve presente ao ato, e, ao discursar, ressaltou a coragem e o enfrentamento do senador, em reunião no Senado, ao ex-juiz Sergio Moro, declarado parcial pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Em sua fala, Fabiano Contarato ressaltou a acolhida recebida dos senadores do PT logo que chegou ao Senado, em 2020, e disse que escolheu o partido porque é uma sigla voltada para os pobres, pretos, da população LGBTI+ e, emocionado, agradeceu a Lula “por tudo o que o senhor fez ao Brasil”. Em seguida citou projetos e programa sociais desenvolvidos nos governos de Luma Dilma, que não participou por se encontrar em Honduras, na posse da presidenta Xiomara Castro. A filiação de Contarato movimentou a militância do PT, mesmo depois do cancelamento do evento presencial, por conta da Covid 19. Desde cedo, o triplex do Comitê Lula Livre, no encontro da rua Sete com a praça Costa Pereira, Centro de Vitória, ostentava uma faixa com os dizeres “Bem-Vindo Contarato”. O aceno ganhou reforços por meio de frases como “Queremos Contarato governador”, Contarato, governador do Espírito Santo” e “Seja Bem-vindo, senador” nas redes sociais e nos comentários durante a transmissão do evento, iniciado às 18h, pontualmente, e encerrado às 19h20, quando o novo filiado recebeu a carteirinha do partido, aos gritos de “Lula, guerreiro do povo brasileiro”. Divulgado pela militância e defendido por dirigentes do PT no Estado, o tema candidatura ao governo não foi tratado no ato. O assunto cai na zona das conversas entre a cúpula do partido em nível nacional, para a formação de alianças visando reforçar a candidaturas de Lula à presidência da República, e o PSB, liderado no Estado pelo governador Renato Casagrande e provável candidato à reeleição, que é contrário ao PT. Apesar desse cenário, dirigentes petistas no Estado não escondem o desejo de ter Contarato como candidato ao governo. O deputado federal Helder Salomão, por exemplo, afirma que “a filiação de Contarato fortalece o PT, o palanque do Lula e coloca o partido com mais força no cenário eleitoral capixaba. Ele é o nosso pré-candidato a governador”, embora ressalte que a decisão caberá à federação. Nos bastidores o assunto corre e o próprio Helder, potencial candidato à reeleição, é apontado como vice em uma chapa de Contarato. A vereadora de Vitória Karla Coser também. Ela foi citada pelo pai, o ex-prefeito de Vitória João Coser (“..não pode vir, senador, mas mandou um abraço…”), interpretado como uma frase para marcar presença e abrir caminho para um futuro alinhamento. Nas saudações a Contarato, no entanto, nenhuma alusão ao assunto. O evento foi encerrado em clima festivo, puxado por Lula, que, provocativo ao senador Jacques Wagner, da Bahia, disse que viria ao Espírito Santo, para comer, porque “moqueca é capixaba, o resto é peixada”.
Cidades mais populosas da Grande Vitória estão em risco moderado
Sobem para sete os municípios em amarelo no 92º Mapa de Risco. “Explosão de casos e óbitos” continua As três cidades mais populosas da região metropolitana estão em amarelo no 92º Mapa de Risco para Covid-19, divulgado sexta-feira (28) pelo governo do Estado. Serra e Vila Velha já estavam nessa classificação e a elas se juntou Cariacica. Com vigência entre a próxima segunda-feira (31) e o domingo seguinte (6), o mapa tem 71 municípios em Risco Baixo, sete em Risco Moderado e nenhum em Risco Alto ou Risco Muito Baixo. O novo mapa é apresentado uma semana após o governador Renato Casagrande (PSB) afirmar que “há uma explosão de infecções e óbitos” em decorrência da Covid-19 e que iria discutir com a sociedade civil medidas para reduzir a velocidade do contágio, que tomou proporção nunca antes vista em dois anos de pandemia, em decorrência da nova variante de preocupação, a ômicron. As medidas apresentadas, no entanto, basicamente se limitam ao termo de compromisso firmado com entidades e federações de setores produtivos, como a Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes); Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo no Estado do Espírito Santo (Feomércio); Sindicato dos Restaurantes, Bares e Similares do Espírito Santo (Sindbares); Liga das Escolas de Samba do Espírito Santo (Lieses); e Convention Bureau. No acordo, as entidades se comprometem a respeitar as medidas qualificadas estabelecidas pelo governo do Estado a partir da Matriz de Risco e auxiliar na fiscalização levada a cabo pelos órgãos de saúde e segurança pública, além de incentivar a vacinação entre seus empregados. No caso de estabelecimentos comerciais em que o cliente precisa tirar a máscara para usufruir do produto ou serviço, como bares e restaurantes, os proprietários devem exigir a apresentação do passaporte vacinal. Em relação a shows e casas de eventos, há regras de lotação, que as entidades se comprometem a incentivar o cumprimento por parte das empresas a elas vinculadas. Ano letivo O início do ano letivo de 2022, por enquanto, não sofreu qualquer adaptação à quarta onda de Covid-19, cujo pico é previsto pelos cientistas para o início e meados de fevereiro. Em coletiva de imprensa realizada na tarde desta sexta-feira (28), Casagrande afirmou que a data do dia três de fevereiro está mantida para o retorno 100% presencial, sem revezamento dos estudantes, mesmos os ainda não vacinados https://www.seculodiario.com.br/educacao/apesar-de-questionamentos-da-sociedade-civil-aulas-presenciais-retornam-na-rede-estadual. A exigência de passaporte vacinal para o acesso às salas de aula também não foi estabelecida. Painel Covid O Painel Covid-19 informou, nesta sexta-feira, a confirmação de 11 óbitos e cerca de 19,4 mil novos casos da doença nas últimas 24horas, totalizando 13.478 mortes e 817.400 testes positivos até o momento no Estado. A taxa de ocupação de leitos de Unidades de Tratamento Intensivo (UTI) dedicados exclusivamente para os pacientes infectados pelo novo coronavírus (SARS-Cov-2) continua subindo lentamente, chegando a 79,9%, o que já acendeu o alarme vermelho, na avaliação nacional feita pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Classificação dos municípios Risco Baixo: Afonso Cláudio, Água Doce do Norte, Águia Branca, Alegre, Alto Rio Novo, Apiacá, Aracruz, Atílio Vivácqua, Baixo Guandu, Barra de São Francisco, Boa Esperança, Bom Jesus do Norte, Brejetuba, Cachoeiro de Itapemirim, Castelo, Colatina, Conceição da Barra, Conceição do Castelo, Divino de São Lourenço, Domingos Martins, Dores do Rio Preto, Ecoporanga, Fundão, Governador Lindenberg, Guaçuí, Guarapari, Ibatiba, Ibiraçu, Ibitirama, Iconha, Irupi, Itaguaçu, Itapemirim, Itarana, Iúna, Jaguaré, Jerônimo Monteiro, João Neiva, Laranja da Terra, Linhares, Mantenópolis, Marataízes, Marechal Floriano, Marilândia, Mimoso do Sul, Mucurici, Muniz Freire, Muqui, Nova Venécia, Pancas, Pedro Canário, Pinheiros, Ponto Belo, Presidente Kennedy, Rio Bananal, Rio Novo do Sul, Santa Leopoldina, Santa Maria de Jetibá, Santa Teresa, São Domingos do Norte, São Gabriel da Palha, São José do Calçado, São Mateus, São Roque do Canaã, Sooretama, Vargem Alta, Venda Nova do Imigrante, Viana, Vila Pavão, Vila Valério e Vitória. Risco Moderado: Alfredo Chaves, Anchieta, Cariacica, Montanha, Piúma, Serra e Vila Velha. Matriz de Risco A Matriz de Risco de Convivência considera no eixo de ameaça: o coeficiente de casos ativos por município dos últimos 28 dias, além da quantidade de testes realizados por grupo de mil habitantes e a média móvel de óbitos dos últimos 14 dias. Já o eixo de vulnerabilidade considera a taxa de ocupação de leitos potenciais de UTI exclusivos para tratamento da Covid-19, isto é, a disponibilidade máxima de leitos para tratamento da doença. A estratégia de mapeamento de risco teve início em abril do ano passado. O Mapa de Risco segue as orientações dos boletins epidemiológicos do Ministério da Saúde e recomendações da equipe de especialistas do Centro de Comando e Controle (CCC) Covid-19 no Espírito Santo, que é composto pelo Corpo de Bombeiros Militar, Defesa Civil, Secretaria da Saúde (Sesa), Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN) e Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). As decisões adotadas pelo Governo do Estado seguem parâmetros técnicos.
Apesar de questionamentos da sociedade civil, aulas presenciais retornam na rede estadual
Casagrande afirma que “as escolas estão preparadas”, mas serão feitas avaliações semanais Embora famílias, entidades da sociedade civil e especialistas afirmarem ver com preocupação o retorno das aulas presenciais no dia três de fevereiro, o governador Renato Casagrande (PSB) anunciou, em coletiva de imprensa realizada na tarde desta sexta-feira (28), no Palácio Anchieta, o início do ano letivo nesse formato. “Imaginávamos que começaria em um cenário diferente, mas optamos por seguir em frente com o calendário já definido, pois nossas escolas estão preparadas”, disse o gestor. Diante da possibilidade de retorno presencial, a professora da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), doutora em Educação e coordenadora do Laboratório de Gestão da Educação Básica (Lagebes/Ufes) Gilda Cardoso, chegou a afirmar para Século Diário que “os gestores públicos da Educação, no nível estadual e municipal, agem como se a pandemia já tivesse acabado”. A epidemiologista e professora da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) Ethel Maciel também já declarou em suas redes sociais o espanto diante da falta de investimento, em âmbito nacional, nas escolas em relação à maior ventilação, distribuição de máscaras mais filtrantes e um programa de testagem sistemático da comunidade escolar, como ocorre nos Estados Unidos e países da Europa, com 100% das pessoas sendo testadas duas vezes por semana. Na coletiva, o governador informou que, no final de 2021, foi repassado para as escolas R$ 108 milhões, sendo que desse montante cerca de R$ 22 milhões serão destinados a ações de prevenção à Covid-19, como reformas e aquisição de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs). “Tudo que for preciso para conduzir a aula dentro da segurança sanitária”, afirmou. Apesar da opção do retorno presencial, Renato Casagrande não descarta a possibilidade de, posteriormente, serem adotados outros formatos. De acordo com ele, serão feitas avaliações semanais sobre o cenário da pandemia. “Se necessário, mudaremos as medidas com base em orientações técnicas”, informou, destacando, em meio à crise sanitária, em 2022 a educação será “a prioridade das prioridades”. “É importante retornarmos às aulas presencias porque em 2020 e 2021 os alunos ficaram muito tempo fora da sala de aula. A educação é fundamental e sempre foi prioridade nossa. Com a pandemia, virou a prioridade das prioridades. 2022 vai ser o ano em que a gente quer marcar nossas ações na área da educação”, disse. O governador também informou que a matrícula dos estudantes não foi condicionada à exigência de vacinação. Entretanto, caso o aluno não tenha se vacinado, os pais serão orientados a imunizá-los, podendo, inclusive, em caso de recusa, o Conselho Tutelar ser acionado.
Secretário estadual de Educação anuncia ações para implementação em 2022
As iniciativas foram divulgadas em uma coletiva de imprensa realizada na tarde desta sexta-feira O secretário estadual de Educação, Vitor de Angelo, anunciou algumas ações a serem implementadas por meio de sua pasta no ano letivo de 2022. Ao todo, as 411 escolas da rede estadual de ensino atenderão cerca de 211 mil estudantes, com previsão de chegar a 235 mil com o início das aulas, que será na próxima quinta-feira (3). As iniciativas foram divulgadas em uma coletiva de imprensa realizada na tarde desta sexta-feira (28). Uma delas é o Programa Mais Leitores, que consiste na aquisição e distribuição de 181 mil livros literários físicos que serão distribuídos para os municípios e para as escolas estaduais. Nesse montante, 49 mil são de autores capixabas. Outra ação é Plataforma Digital Árvore de Livros, com acesso ilimitado de mais de 30 mil livros para estudantes e professores. Haverá ainda a expansão dos polos Pré-Enem [Exame Nacional do Ensino Médio], que hoje são 40 e aumentarão para 100, possibilitando que o número de estudantes atendidos passe de três mil para seis mil. As aulas são virtuais. “Estamos mais do que dobrando essa oferta nos polos para estudantes que estão no terceiro ano, tanto do ensino regular, integral e EJA [Educação de Jovens e Adultos]”, diz o secretário, destacando que, além de possibilitar que o aluno ingresse na universidade, é uma forma de reforçar o conteúdo, prejudicado pela pandemia da Covid-19, que causou a suspensão das aulas presenciais. A Plataforma de Redação, outra iniciativa apresentada, usa inteligência artificial para dar feedbacks instantâneos de correção de redação, com foco no Enem. Vitor de Angelo também falou sobre o Programa de Fortalecimento de Aprendizagem, “uma das principais ações a desenvolver neste ano”, segundo o secretário. Trata-se da contratação ou extensão de carga horária de professores atendimento, no contraturno, aos estudantes, com aulas de matemática e língua portuguesa. A lista de ações apresentadas inclui ainda o Programa Sucesso Escolar, voltado para alunos entre 13 e 17 anos que estão em distorção de idade, ou seja, que está para além da idade considerada correta para estar em uma determinada série. “O fato de ser muito mais velho do que os colegas traz problemas para sua convivência e aprendizado”. Segundo o secretário, um terço dos estudantes do segundo ano do fundamental II estão em distorção de idade. O Programa Sucesso Escolar possibilitará ao estudante um currículo e material pedagógico diferenciados. “Vamos criar uma turma para eles, com um currículo que corresponde a cerca de duas séries. Se ele tiver sucesso no final do ano, ele avança para a série correta, consegue a aceleração”, explica o gestor. A questão da evasão, um dos principais desdobramentos da pandemia, está inclusa no Busca Ativa Escola, com adesão de 76 municípios. Os únicos a não aderir foram Marataízes e Presidente Kennedy, no sul. Trata-se do monitoramento dos estudantes para saber quantos evadiram e quantos têm possibilidade de evadir, por exemplo, no caso de pessoas com muitas faltas. “Abandono é quando a pessoa deixa a escola ao longo do ano letivo, mas volta no seguinte, evasão é quando ela não volta”, explica Vitor. Além disso, serão ampliados de oito para 17 os Centros Estaduais de Idiomas, com sete mil vagas para as ‘ª e 2ª séries do Ensino Médio. Por fim, o início da implantação do Novo Ensino Médio. “Todas as escolas de ensino médio do Brasil precisam ter no mínimo mil horas. Este ano implementaremos o novo currículo. O antigo tinha 13 disciplinas rígidas em sua oferta. Agora teremos uma formação geral básica, que é uma parte fixa, além das flexíveis, que são os itinerários de aprofundamento”, diz o gestor.
Bolsonarismo ‘institucionalizou’ a violência a jornalistas e à liberdade de expressão
Para Suzana Tatagiba (centro da foto), seguidores de Bolsonaro disseminam a violência no Espírito Santo Arquivo pessoal O presidente Jair Bolsonaro (PL) e seus seguidores são os campeões de agressões à imprensa, aos jornalistas e à liberdade de expressão, segundo a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), que divulgou nesta quinta-feira (27) o “Relatório contra Jornalistas e a Liberdade de Imprensa no Brasil”. Para a presidente do sindicato da categoria no Espírito Santo, Suzana Tatagiba, “o bolsonarismo institucionalizou a violência contra a imprensa”, ampliando as formas de censura à liberdade de expressão. O ano de 2021 foi mais um período de violência para os jornalistas brasileiros, com o estabelecimento de um novo recorde no registro de agressões diretas aos profissionais e ataques à categoria e a veículos de comunicação, afirma o relatório. Foram 430 ocorrências, duas a mais que as registradas em 2021, até então o ano mais violento para os jornalistas brasileiros, desde o começo da série histórica feita pela entidade. No Sudeste, que durante anos foi a região campeã em números de casos, manteve-se como a segunda região mais violenta para o exercício da profissão, mesma posição ocupada em 2020. Foram 69 ocorrências (23,23% do total). “O Estado de São Paulo foi o mais violento da região e o segundo em nível nacional, com 45 casos (15,15% do total). No Rio de Janeiro, foram 12 casos e, no Espírito Santo, sete. Minas Gerais foi o estado da região com menor número de agressões contra jornalistas: quatro”. O Espírito Santo, segundo Suzana Tatagiba, apesar de apresentar um número de casos baixo, registrou casos significativos, pois demonstra “uma violência institucionalizada”, que ocorreu depois que Jair Bolsonaro chegou ao poder. O cenário atual, construído pelo presidente da República, dissemina o clima de violência, promovido por bolsonaristas. Suzana cita como exemplo o vereador de Vitória Gilvan da Federal (Patriota), que é alvo de processo movido pelo sindicato por ter atacado jornalistas no exercício profissional, veículos de imprensa e a liberdade de expressão. O processo tramita na Câmara de Vereadores. Segundo Suzana, não apenas Gilvan, mas, da mesma forma, o presidente da Câmara, Davi Esmael (PSD), contribui para disseminar a violência, por ter um comportamento omisso. O presidente Jair Bolsonaro, desde que assumiu a Presidência da República, em 1º de janeiro de 2019, tornou-se o principal autor de ataques a veículos de comunicação e jornalistas. Em 2021, repetindo a mesma posição ocupada nos dois anos anteriores, ele foi o responsável direto por 147 ocorrências (34,19% do total), a maioria delas tentativas de descredibilização da imprensa (129), mas também por 18 casos de agressões diretas aos jornalistas”, aponta o relatório”.
Espírito Santo registrou três assassinatos de pessoas trans e travestis em 2021
Dossiê da Associação Nacional de Travestis e Transexuais aponta holofotes para subnotificação dos casos Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil Em 2021, pelo menos três pessoas trans e travestis foram assassinadas no Espírito Santo. Os dados são do dossiê da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), lançado oficialmente nesta sexta-feira (28), em Brasília, com dados de todo o Brasil. Presente no encontro, a ativista capixaba Déborah Sabará aponta para a subnotificação dos casos e a necessidade de políticas públicas de referência no Estado. No dossiê, o Espírito Santo aparece em 13º lugar no ranking de estados com mais registros. Os dados repetem o número de assassinatos notificados em 2020, quando também foram observados três casos. Em primeiro lugar está o estado de São Paulo, com 25 notificações. Déborah Sabará é coordenadora de Ações e Projetos do Grupo Orgulho, Liberdade e Dignidade (Asssociação Gold), e acredita que os números estão subnotificados. No Espírito Santo, a Gold é responsável por repassar os casos de assassinatos para a Antra, com informações sobre idade e profissão das vítimas. O registro é feito com base em matérias jornalísticas, relatos e pesquisas, mas a estrutura para a realização das notificações ainda é limitada. “É difícil monitorar as regiões noroeste, norte, sul e região das montanhas, por exemplo. As informações às vezes ficam mais na Grande Vitória”, explica. Em todo o Brasil, pelo menos 140 assassinatos de pessoas trans foram registrados em 2021, sendo 135 travestis e mulheres transexuais, e cinco casos de homens trans e pessoas transmasculinas. Apesar da diminuição dos números em relação a 2020, quando 175 assassinatos foram observados, o Brasil se manteve como o país que mais assassina pessoas trans do mundo. “Isso não se reflete exatamente em uma queda na violência ou no número dos assassinatos contra pessoas trans em geral, visto que em 2021 o Brasil seguiu sem qualquer ação do estado para enfrentar a violência transfóbica; permaneceu como o que mais assassina pessoas trans do mundo pelo 13º ano consecutivo (ONG Transgender Europe/2021)”, informa um trecho do dossiê. O que se vê, pelo contrário, é a institucionalização da transfobia e a ausência de dados nas unidades federativas. “Queremos, também, afirmar que, mesmo diante de um cenário controverso e violento, as conquistas que temos alcançado têm sido frutos da luta dos movimentos da sociedade civil organizada”, enfatiza o relatório. Perfil da transfobia no Brasil A Antra constatou que, pela primeira vez na série histórica do dossiê, a maior concentração dos assassinatos foi na região sudeste, onde 49 assassinatos foram registrados, correspondendo a 35% dos casos. As vítimas da transfobia também são mais jovens. A faixa etária com maior percentual de registros é de 18 e 29 anos, idades que correspondem a 53% dos casos. Em 2021, a vítima mais jovem da violência contra pessoas trans tinha 13 anos. Keron Ravach era do interior do Ceará e foi assassinada com socos, pontapés, pauladas e perfurações de faca. “O assassinato precoce é o início da tentativa de destruição sistemática de uma população. É a consolidação de um projeto transfeminicida em pleno funcionamento no país – e no mundo”, aponta o relatório. Um aspecto que se repete nos casos de 2021 é a situação de vulnerabilidade das vítimas. De acordo com o dossiê, pelo menos 78% dos assassinatos foram contra travestis e mulheres trans profissionais do sexo. “São as mais expostas à violência direta e vivenciam o estigma que os processos de marginalização impõem a essas profissionais”, pontua o documento. Em julho de 2021, dois casos de violência contra travestis foram registrados pelo Século Diário em um intervalo de sete dias. As vítimas foram esfaqueadas no bairro Vila Capixaba, em Cariacica, e próximo à Praia de Itaparica, em Vila Velha. Na ocasião, Déborah Sabará enfatizou os riscos que essas pessoas correm todos os dias, já que muitas vezes precisam recorrer à prostituição como fonte de renda. A apresentação dos dados sobre a violência sofrida por pessoas trans brasileiras acontece um dia antes do Dia Nacional da Visibilidade Trans, lembrado neste sábado (29). A divulgação do dossiê foi feita na sede da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), em Brasília. A Associação Gold participa do evento representando as entidades capixabas. Para Déborah Sabará, a apresentação dos dados alarmantes a órgãos internacionais é importante para que a violência sofrida no país não seja invisibilizada. “É nítido que o Brasil, por meio do governo atual, não reconhece isso. Quando outros embaixadores são informados desses dados, é importante porque eles denunciam isso em outros países”, destaca. Evento de apresentação oficial do dossiê da Antra. Foto: Renato Guimarães/Unaids. Políticas públicas de referência O esforço de diversas entidades que atuam na defesa da população trans no Brasil é para romper com o projeto esse de invisibilização da transfobia em curso no país. No Espírito Santo, uma das reivindicações é a instituição de uma delegacia referência para a população LGBTQIA+, um local para denúncia efetiva dos casos. A Gold faz o acolhimento de casos informados, mas o encaminhamento das vítimas requer um espaço seguro, em que a população possa ser ouvida efetivamente. “Já que a gente criminalizou a homofobia, onde buscar? Esse lugar pra gente indicar precisa ser um lugar sensível, que entenda, que respeite e que acolha também. Que reconheça que essa violação de direitos é homofóbica”, aponta Déborah. A invisibilização está presente até no registro dos crimes. Déborah Sabará critica a dificuldade de inclusão da violência contra travestis na categoria de crimes contra a mulher. “O Estado tem colocado esses casos na delegacia de homicídios contra homens. Isso é um absurdo”, declara. Outra reivindicação é a construção de políticas públicas e fomento a entidades que atuam na defesa do público LGBTQIA+ no Espírito Santo. “A Gold tem algumas propostas, mas faltam investimentos de projetos que a gente possa executar, no mínimo, em três anos. A gente recebe recursos às vezes pra projetos que são de quatro, cinco, seis meses ou um ano. E isso é muito difícil porque a gente faz uma política e depois você acaba dizendo pra população:
Marciel Cordeiro lança ‘Essa coisa louca chamada amor’
Transitando entre Espírito Santo e Bahia, escritor traz contos bem-humorados sobre amores que não ‘deram certo’ O amor é tema principal de tantas e tantas expressões artísticas, nas suas mais diversas linguagens. Porém, o que é o amor, como, quando, onde se define, pode variar imensamente. Se quem fala de amor é romântico, Marciel Cordeiro seria um dos menos convencionais. Isso está à prova no segundo livro de contos do escritor baiano radicado no Espírito Santo: Essa coisa louca chamada amor, publicado pela Editora Cousa e já disponível para pré-venda. Embora escancare o tema em seu título, Marciel se esquiva do chamado “amor romântico”. “Tentei escrever sobre o amor realista, sobre as relações que não deram certo, sobre aquele amor que partiu. Quando criamos um personagem há elementos que já foram concebidos antes, portanto há muitos pontos em comum entre os contos”, destaca o autor, que ressalta questões políticas e culturais como algo muito forte e presente em seus personagens. São 23 contos nas pouco mais de 100 páginas, curtos e errantes, no qual o autor imprime sua característica já apontada em Caminho para Texas, sua primeira obra, de 2019, também publicada pela Cousa. Em primeira ou terceira pessoa, marcam os contos personagens geralmente “comuns” embora socialmente “desajustados”, muitas vezes com a marca da escassez dos tempos em que vivemos, de desemprego e precarizações. Na inescapável tarefa da sobrevivência, encontram sentimentos e por vezes situações inusitadas, narradas com o recorrente humor soturno, que acompanha praticamente toda a obra, assim como os fins banais ou melancólicos, dos quais é adepto. Marciel reconhece que embora o escritor geralmente busque fugir disso, o livro seguinte costuma trazer algo do anterior. “Nesse livro as coisas mudaram de lugar, o que antes era notado primeiro talvez agora tenha dado lugar para outros elementos. Mas são livros parecidos, os personagens caminham por cenários que se assemelham”, confirma. A relação com futebol e literatura, são constantes nas duas obras. “O jogador de futebol muda a forma de jogar com o passar dos anos, fica mais lento, encurta os caminhos, tenta não gastar muita energia e consegue enxergar o melhor. Acho que rola isso com o escritor também, né?”, diz em mais uma metáfora segura para quem demonstra habilidade com bolas e letras. Kelly Martins Como bom jogador, na literatura ele também prefere atuar em casa, nos campos que já conhece, a saber: a Grande Vitória, onde mora há anos, e o sul da Bahia, onde nasceu e viveu até os 18 anos na zona rural de Rancho Queimado, tendo trabalhado com agricultura, pecuária e lenha antes de se jogar na estrada em busca do sonho não realizado de ter uma sólida carreira como jogador de futebol. Em Essa coisa louca chamada amor, apesar da maioria dos contos terem uma localização geográfica específica, os lugares sociais por que os texto transitam se distanciam da dita “normalidade” hegemônica. As história se passam desde o quarto em que se trepa seguidamente – ou onde nada acontece – ao posto clandestino de gasolina na beira da estrada – há um grande interesse do autor pelo transitar -, passando por botecos, feiras, prostíbulos, por uma mansão desconfortável para um homem negro periférico ou por praias confortáveis para fumar um “beck” ou transar a três numa barraca de camping. “Podemos dizer que é um livro sobre amor, solidão, sonhos, buscas, gols perdidos, o grande jogo da vida”, diz Paulo Bono, que assina a orelha da obra, que conta também com ilustração de Rodrigo Borges. Para quem gosta do esporte mais popular do Brasil, podemos recordar que um dos gols mais lembrados de Pelé é justamente um dos que ele não fez. Dentre os mais de mil anotados, poucos tem a fama do chute de meia cancha que pegou o goleiro da Tchecoeslováquia desprevenido na Copa do Mundo de 1970, mas que por pouco não entrou no gol. No amor, como no futebol, são muitos mais chutes errados do que os que dormem serenos no fundo das redes. É preciso lembrar também daqueles. Há algo de tristeza e beleza naquilo que não saiu como o esperado.