Profissional capixaba diz que pacientes ainda chegam ao consultório relatando casos de transfobia Bandeira trans. Foto: Reprodução. Todos os países tinham até o dia 1º de janeiro de 2022 para se adequar à nova edição da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID), que retirou a transgeneridade da lista de doenças ou distúrbios mentais. Apesar da conquista, especialistas capixabas e entidades nacionais relatam uma série de problemas enfrentados pela comunidade trans ao procurar por atendimento psicológico e destacam atrasos, como a desatualização dos profissionais, a mistura da psicologia com a religião e a falta de fiscalização e denúncia dos casos de transfobia. A psicóloga Iasmyn Cerutti, integrante do coletivo Resisto-ES, pontua que, de maneira geral, a profissão tem avançado nas formas de lidar com as questões de gênero e sexualidade. “Acredito que o Conselho tem se movimentado pela despatologização de forma interessante. Inclusive na luta pelo fim das terapias de conversão, às chamadas “curas gays” que são práticas pavorosas e antiéticas”, enfatiza. Apesar das conquistas, a profissional aponta a necessidade de uma atualização dos próprios profissionais, principalmente quando se trata de atenção psicossocial. “Nesse quesito, acho que ainda temos muito a caminhar. Desde a formação de profissionais, com implementação de matérias e conteúdos sobre gênero, até os treinamentos e aulas de atualização para profissionais que já estão atuando”, destaca. Para ela, também é necessária uma maior fiscalização por parte dos órgãos competentes, tendo em vista que a lgbtfobia é crime. Iasmyn atua na Clínica Aconchego, do Grupo Orgulho, Liberdade e Dignidade (Associação Gold), oferecendo apoio psicossocial gratuito a pessoas LGBTQIA+ da Grande Vitória. Ela conta que muitos pacientes chegam ao consultório relatando terem passado por profissionais que cometeram algum tipo de lgbtfobia. “Desconhecimento por parte dos profissionais mesmo, de ter que ficar explicando o que é transgeneridade, de não respeitar o nome e os pronomes. Algumas pessoas que misturam religião com psicologia, e isso é bem antiético. Esses são os mais comuns relatados”, explica. A transexualidade foi retirada da lista de doenças ou distúrbios mentais em todo o mundo. No dia 1º de janeiro de 2022, entrou em vigor a 11ª edição do CID (Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde), que deixou de usar o termo “transsexualismo”. Todos os países tinham até essa data para se adequar à mudança que já tinha sido aprovada pela Organização Mundial da Saúde em 2019. Com a alteração, a transexualidade passou a estar na categoria “condições relativas à saúde sexual”, sendo definida como incongruência de gênero, quando o indivíduo não se identifica com o gênero que lhe foi atribuído no nascimento. A Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) explica que a mudança atendeu uma demanda antiga da comunidade, tendo em vista que a última edição da CID era de 1990. No Brasil, o Conselho Federal de Psicologia (CFP) já tinha orientado, desde 2018, que as travestilidades e transexualidades não fossem consideradas patologias. A Resolução CFP n°01/2018 orienta a atuação profissional de psicólogas e psicólogos no país, com o objetivo de impedir o uso de instrumentos ou técnicas psicológicas que reforcem preconceitos. “É nosso papel nos atualizarmos constantemente e trabalhar com ética diante dos sujeites que nos chegam, por isso achei muito importante essa abolição do termo transexualismo e espero que isso suma de nosso vocabulário de uma vez por todas, afinal há um tempo relativamente bom que a OMS não considera doença, faltando somente a retirada do CID”, ressalta Iasmyn Cerutti. A CID determina as diretrizes universais para os atendimentos, por isso a alteração é considerada uma vitória principalmente no âmbito das políticas públicas. Porém, ainda há muito o que avançar. “A Antra avalia que atenção direcionada à saúde das pessoas trans ainda está aquém da demanda (…) Precisamos de orientação, de assistência e de acolhimento”, destacou a entidade, em uma nota publicada nas redes sociais.
Economista prevê mais inflação e classe pobre enganada, mantendo o ‘tiro no pé’
Professor Guilherme Henrique Pereira não vê perspectiva de crescimento nem de investimentos neste ano A crise econômica, acima de todos os outros temas, será o mote principal da campanha eleitoral deste ano, trazendo em suas entranhas a fome e a miséria que atinge milhões de brasileiros. Nesse cenário, o professor Guilherme Henrique Pereira, doutor em economia, aponta uma cena que vai se tornando comum no país, com “pessoas desempregadas e pobres defendendo o atual modelo de política econômica”. Em entrevista a Século Diário, o professor afirma que, do seu ponto de vista, não há perspectiva de crescimento, nem de novos investimentos. Com esse posicionamento, contradiz a euforia de setores no Espírito Santo, que comemoram o crescimento da economia local em 2021. O professor ressalta que o Espírito Santo é um Estado “muito particular, muito específico”. Dados do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), divulgados em dezembro de 2021, apontam para um cenário positivo naquele ano, a partir de um crescimento superior ao desempenho em nível nacional em todas as bases de comparação. O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre de 2021, puxado pelo comércio varejista, registrou expansão de +7,9%, resultado superior ao desempenho nacional, que chegou a +5,7%. Como exemplo da particularidade do Estado, Guilherme Pereira cita o conjunto formado pela ArcelorMittal, a Suzano (ex-Fibria e ex-Aracruz Celulose), a Vale e, mais recentemente, os dados sobre o petróleo, “mais marcante ainda”, que, embora tenha um peso muito grande no Produto Interno Bruto (PIB) capixaba, desenvolve atividades que pouco tem a ver com a dinâmica da economia local. Em nível nacional, especialistas passaram a projetar crescimento econômico de menos de 1% em 2022, ao mesmo tempo em que deram sequência ao aumento nas expectativas para a inflação, de acordo com a pesquisa Focus divulgada pelo Banco Central. O levantamento mostrou que a expectativa para a expansão do PIB no Brasil, neste ano, caiu e chegou a 0,93%. Para Guilherme Pereira, alguns setores, como as usinas de pelotização da Vale, a Samarco e a Arcelor têm uma “influência na economia capixaba por via da folha de salários, mas no restante a interação é muito baixa, porque a matéria-prima vem de fora, o produto final vai por exterior e as exportações deixam de pagar imposto”. Apesar desse quadro, esses setores “têm um peso relativo muito grande no PIB capixaba”. Veja outros trechos da entrevista a Século Diário: Qual a perspectiva da economia para este ano, a partir da retração do PIB projetada por especialistas? Lamentavelmente não vejo possibilidade de estabilização, menos ainda de retomada do crescimento. O Estado tem funcionalidade determinante na coordenação e no estímulo aos investimentos, sem os quais não há crescimento. Em 2022 completaremos mais de quatro anos sem governo organizado e ativo na política econômica. Do seu ponto de vista, quais pontos deveriam ser priorizados pelo poder publico, a fim de equilibrar a situação, considerando uma inflação de 10% em 2021 com projeção de mais 5% neste ano? A disparada de preços preocupa e a atuação do governo é desastrosa neste campo. Veja que a única medida tomada, aumento da taxa básica de juros, é absolutamente equivocada. Já vivemos a experiência de manter juros em patamares elevados e os resultados ruins também são conhecidos. Como os juros estão entre os preços importantes da economia, se se mantiver em patamares elevados, no longo prazo é óbvio que ele sinalizará para os demais setores que deverão corrigir seus preços, sob pena de perderem participação na distribuição das rendas geradas, ou simplesmente na fatia que detêm no PIB. A resultante é aumento da taxa de inflação. Há também outras consequências: estimula o ingresso de dinheiro especulativo – maior demanda por real – valorizando a moeda nacional; taxa de câmbio valorizada estimula importações, portanto, rebate incertezas para o investimento no mercado interno; Pode também ocorrer um descrédito tão grande do governo que nem dinheiro especulativo vem, ao contrário, os que estão aqui entram em rota de fuga (a queda nos preços das ações Bovespa, parece sinalizar isso) e, neste caso, desvaloriza o real, impacta para cima os preços das importações que, por sua vez, elevam diretamente a taxa interna de inflação (vide o inaceitável preço dos combustíveis). Sem ou com fluxo baixo de investimentos, não haverá retomada do crescimento, portanto, também inviabiliza o aumento das receitas dos impostos que fariam face à expansão das despesas financeiras do governo que se elevaram com as taxas de juros mais altas. Um transparente ciclo vicioso de movimentos negativos que atuarão na manutenção do desemprego. Mas, isso não importa para o atual governo, afinal a política econômica está inteiramente de quatro para os rentistas que se nutrem da dívida pública, dão vida ao exuberante sistema financeiro e de quebra turbina os lucros dos bancos brasileiros. Você acha que a situação irá influenciar diretamente na campanha eleitoral, sendo um dos principais argumentos para tentar convencer o eleitor? O eleitor, no momento de registrar seu voto, já terá apanhado por mais de quatro anos. Seria até desnecessária uma campanha por parte dos candidatos que desejam combater de forma radical o sofrimento do povo, aqui me refiro especialmente às camadas menos ricas e pobres. Mas na política nem sempre o movimento segue os ditames da lógica. Na verdade, é comum ver pessoas desempregadas e pobres defendendo o atual modelo de política econômica que de fato petrifica o seu sofrimento. Falta de conhecimento, crenças em fantasmas, falso pensamento cristão, confusão com debates de comportamento, etc. parecem explicar o voto chamado de “tiro no próprio pé”.
Filhos separados dos pais com Hanseníase aprovam criação de Frente Parlamentar
Colegiado irá defender os direitos das pessoas com Hanseníase e das vítimas do isolamento compulsório A criação da Frente Parlamentar de Enfrentamento da Hanseníase na Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales) foi bem recebida pelos filhos separados dos pais com Hanseníase no Estado. O requerimento que deu origem ao colegiado é de autoria do deputado estadual Doutor Hércules (MDB). A ideia é defender os direitos das pessoas com essa doença e das vítimas do isolamento compulsório, que no Espírito Santo foi implantado na década de 30, no Hospital Pedro Fontes, em Cariacica. Enquanto os hansenianos eram arrancados de suas casas e de suas famílias, para serem internados nesse equipamento, seus filhos, se não estivessem infectados, eram levados para o Educandário Alzira Bley, também em Cariacica. Eram, portanto, privados da convivência com os pais, sendo também vítimas da política de isolamento. Por isso, uma das ideias da Frente é a luta por indenização para esses filhos. Além de Doutor Hércules, assinaram o requerimento para a criação da Frente os deputados Adilson Espindula (PTB), Capitão Assumção (Patri), Dary Pagung (PSB), Delegado Danilo Bahiense (sem partido), Dr. Emílio Mameri (PSDB), Iriny Lopes (PT), Marcelo Santos (Podemos), Marcos Garcia (PV) e Sergio Majeski (PSB). Depois de instalada a Frente Parlamentar, seus integrantes deverão eleger o presidente e o secretário-executivo. O presidente do Educandário Alzira Bley, Heraldo José Pereira, afirma que a iniciativa é “magnífica” por não se tratar somente de questões sobre a doença, como sua causa e tratamento, mas também da indenização. “O Espírito Santo tem uma dívida para com os filhos separados compulsoriamente. É uma esperança de que nós sejamos reconhecidos pelo Estado na Assembleia e indenizados pelos danos causados”, diz. Heraldo acha positiva a participação de Doutor Hércules na Frente, pois ele foi diretor do Hospital Pedro Fontes, e de Iriny Lopes, já que ela é autora do Projeto de Lei 2912/19, que prevê indenização por danos morais, no valor de R$ 100 mil, para os filhos separados dos pais. A ideia, segundo o presidente do Educandário Alzira Bley, é que, após diálogo com o governador Renato Casagrande (PSB), a proposta seja apresentada como iniciativa do executivo. Projetos semelhantes estão tramitando em outros estados. Em Minas Gerais os filhos separados dos pais pleitearam indenização no valor de R$ 100 mil, mas foi aprovado R$ 14 mil, com pagamento em 10 parcelas. Isso tem sido questionado pelo Movimento de Reintegração de Pessoas Afligidas pela Hanseníase (Morhan), que estuda medidas para reverter a situação. Em São Paulo, um projeto de lei já foi aprovado nas comissões. O próximo passo é ir para o plenário. A indenização pleiteada em São Paulo também foi de R$ 100 mil, mas o aprovado foi de R$ 50 mil. Em nível federal existe o Projeto de Lei 2104/2011, que prevê uma pensão vitalícia de cerca de R$ 1,6 mil para os filhos separados dos pais com Hanseníase. Falta somente a aprovação na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJC) da Câmara dos Deputados para ser votado no plenário da Câmara. A votação na CCJC foi adiada quatro vezes. Os filhos separados dos pais têm expectativa de o projeto seja votado nessa Comissão ainda este ano. Pensão para filhos separados dos pais com hanseníase tem votação novamente adiada Diante do novo adiamento na Câmara dos Deputados, ex-internos do Alzira Bley, de Cariacica, estão apreensivos https://www.seculodiario.com.br/politica/votacao-de-pensao-para-filhos-separados-dos-pais-com-hanseniase-e-adiada-novamente Votação de pensão para filhos isolados dos pais é adiada pela quarta vez Presidente do Educandário Alzira Bley, Heraldo José Pereira, afirma que o sentimento é de https://www.seculodiario.com.br/politica/pensao-para-filhos-separados-dos-pais-com-hanseniase-nao-e-votada-mais-uma-vez
Adeus a Cléber Carminati, o eterno Zocrinha
Na coluna: barões do funk capixaba, atrações para jovens de Viana, oficina de Sons do Corpo, literatura periférica Um agitador cultural que se tornou um notável acadêmico e batalhador da educação e cultura. Faleceu na noite dessa sexta-feira (7) o querido professor do departamento de Comunicação Social da Ufes Cléber Carminati. Ele marcou época no movimento estudantil nos anos 80 como um dos integrantes do provocativo grupo que ficou conhecido como Balão Mágico, que promovia ações culturais e políticas na época final da ditadura militar. Conhecido como Zocrinha, Carminati participou da criação da TX, rádio pirata instalada na biblioteca da Ufes que seria embrião da criação da Rádio Universitária, ainda hoje no ar. Entrou na Ufes como professor em 1999, tendo sido chefe do Departamento de Comunicação e coordenador do curso de Cinema e Audiovisual e um dos idealizadores da TV Ufes. No vídeo abaixo ele conta um pouco dessa trajetória. Pessoa inteligente, divertida, comprometida. Deixa saudades. Obrigado por tanto, mestre! AUDIOVISUAL Barões do Funk Capixaba? Estreou no YouTube do Panela Audiovisual, a websérie Barões do Funk, um webdocumentário em quatro partes que fala sobre o surgimento da cultura hip hop no Espírito Santo a partir de meados dos anos 80. Dirigido por Luiz Eduardo Neves, o primeiro capítulo pode ser visto abaixo, contando com entrevistas de grandes nomes da cena no Estado como DJ Criolo, Alex FM, L Brau, Paulo Black, Édson Sagaz, entre outros. TERRITÓRIOS Coletivo promove atividades culturais em Viana Jefferson Pereira Franco O ano já começa agitado no município de Viana, onde o Coletivo Cultura Bethânia realiza uma série de atividades. Haverá atividade cineclubista com o Cine Cria nos dias 11, 18 e 25 de janeiro e 1 de fevereiro no Centro de Inclusão Produtivo da Beleza (Escola de Beleza), no bairro Nova Bethânia. No dia 30 de janeiro acontece a estreia do ViaSlam, o primeiro campeonato de poesia falada do município, às 14h, no Teatro Municipal. Outra atração será o Viana Tour, com visitas guiadas à comunidade quilombola de Araçatiba e à Banda de Congo de Piapitangui, nas manhãs dos dias 16 e 23 de janeiro. O foco das atividades é alcançar crianças, adolescentes e jovens residentes na região da Grande Bethânia, composta pelos bairros Vila Bethânia, Arlindo Vilaschi, Caxias do Sul, Soteco, Areinha, Vale do Sol, Nova Bethânia, Campo Verde e Morada de Bethânia. Mais informações no Instagram @culturabethania. LITERATURA Stel Miranda prepara novo livro O escritor e ativista de São Pedro, em Vitória, Stel Miranda, que já está na reta final para publicação de seu segundo livro, lançou um chamado para venda de um combo de seus fanzines, disponíveis em PDF. São suas primeiras obras literárias: Efeito Colateral (poesias), Aforismos em Doses Homeopáticas (aforismos e pensamentos), O Profano (poesia e prosa) e Ótica Sobre o Abismo (contos). O pacote com os quatro zines é disponibilizado por Stel Miranda pelo valor que o leitor quiser contribuir. Autor de O Evangelho Segundo os Oprimidos (Editora Cousa, 2020), Stel lança Perdoai Nossas Ofensas, seu segundo livro, no dia 15 de janeiro. Outro escritor cuja segunda obra já está no prelo e deve ser lançado em breve é Maciel Cordeiro, que estreou com o ótimo Caminho para Texas e agora prepara o sugestivo Essa coisa louca chamada amor, também pela Editora Cousa. MÚSICA Sons do corpo em Vitória Duas oficinas que acontecerão no Palácio da Cultura Sônia Cabra, ajudam a ampliar a percepção da exploração de sons a partir do corpo. De 17 a 20 de janeiro será ministrada a oficina Sons do Corpo, Vozes do Brasil, voltada para músicos, técnicos e agentes da área. No dia 18, acontece a oficina “Brincar de fazer som”, voltada para crianças e adolescentes. Os cursos serão coordenados pelo músico, ator e arte-educador André Venegas, integrante do Barbatuques, e Kátya Teixeira, cantora, instrumentistas e pesquisadora da música popular brasileira. CAMPANHA Músico do Big Bat Blues Band luta por acesso a remédio Segue pelas redes a campanha de apoio a Cláudio França, integrante do Big Bat Blues Band. Acometido por um câncer, ele luta bravamente pelo acesso a um remédio caríssimo que contribui para o combate à doença. O caso foi judicializado para que a medicina seja disponibilizada. Porém, ainda aguarda um parecer judicial, sendo que cada dia é importante na luta pela vida. Por isso, a banda, amigos e parentes estão intensificando a campanha em apoio a Claudio, pedindo doações pelo Pix 022.579.427-60 (CPF), em nome de Cláudio Roberto França Rubinger.
Favor não incomodar
Vida de pobre é como andar na contramão da highway Depois da festa as luzes se apagam, a orquestra guarda os instrumentos, o último bêbado é recolhido pelos seguranças. Entra o pessoal da limpeza: a base da pirâmide dos chamados eventos sociais. Pôr tudo em ordem que amanhã tem mais. Zildinha tira o uniforme de uisqueira – serve uisque importado para os convidados – e põe o avental de lavadeira – lavar os copos de cristal com muito cuidado: se algum quebrar o patrão desconta do pagamento. Vida de pobre é andar na contramão da highway. * Vai demorar essa lavação, menina? O chefe do bufê pergunta, mais pra lá do que pra cá. Na árdua tarefa de conferir quantas garrafas foram esvaziadas, bebeu mais do que os festeiros. É copo que não acaba mais! Zildinha reclama, e quando termina as kombis do buffet já sumiram na curva da estrada. Zildinha se desespera – a essa hora não passa ônibus, não tem dinheiro pra Uber, e a mansão fica longe de tudo – não tem como ir a pé nem de bonde. * Além da cena que o Euvídio vai fazer – ele chega em casa na hora que quer, ela tem a vida cronometrada. Já imagina o questionário: Como assim, deixaram você pra trás? Onde você estava que não viu a kombi sair? Ali não tem viva alma, os donos moram na Suíça, onde todo mundo é rico, e a mansão foi emprestada para o casamento da filha da prima da amiga da dona da casa. Se a vida lhe der limões, faça uma limonada, diz o ditado. Se não tem como ir embora, melhor ficar com estilo. * Zildinha apaga as luzes e vai se refestelar na imensa piscina. Noite de lua cheia, morna e quieta. O biquíni encontrado nos armários serviu muito bem. Depois um banho na jacuzzi, camisola de seda com etiqueta francesa – cama king-size com edredons tão macios que dá vontade de dormir pelo resto da vida. Mal pega no sono, porém… Zildinha acorda assustada: tem alguém ou alguma coisa se mexendo aqui no lado na cama. A coisa fica imóvel. Agora ronca. O segurança? Um ladrão? O assassino da motosserra? Tenta levantar de fininho, está acostumada a se mandar da cama sem acordar o Euvídio. * Um braço pesado a segura, chega mais perto, faz uma carícia em uma área imprópria, e volta a roncar, o braço prendendo-a firme. Zildinha calcula a distância entre seu lado da cama e a porta de retirada – o cara deve ser um dos bêbados da festa, outro que deixaram para trás. Num safanão livra-se do braço do sujeito e tenta saltar fora – ele é mais rápido e a prende outra vez, sem nem abrir os olhos – Vai embora não, bem. Tava com saudade… Sem outra alternativa, Zildinha fica quieta, acaba dormindo também, quem diria. * De manhã o telefone toca – Estamos procurando por uma de nossas assistentes que não chegou em casa ontem … Sinto muito, sou o dono da casa e estou sozinho aqui. Se alguém sumiu, chame a polícia. Favor não incomodar. Ele bate o telefone. Teimoso, toca outra vez – A voz irritante do Euvídio interrompe o elegante café da manhã: champanhe francês, croissants e chocolate suíço. Estou procurando a Zildinha, que não chegou em casa ontem. Zildinha muda o tom de voz – Conheço não senhor, e aqui não teve festa nenhuma. Favor não incomodar.
Central Serrana está prestes a atingir 90% dos idosos vacinados com D3
Mapa de Risco Covid-19 continua completamente verde, com todos municípios capixabas em risco baixo Com 89,04% dos idosos vacinados com a terceira dose da vacina contra Covid-19, a microrregião Central Serrana é a mais próxima de atingir a meta de 90% nesse quesito para atingir a classificação de risco muito baixo, podendo ser a primeira a alcança-la. Em seguida estão a Sudoeste Serrana (87,60), Caparaó (84,92), Rio Doce (83,53), Litoral Sul (83,36), Centro Oeste (83,28), Nordeste (81,52), Central Sul (80,67), Metropolitana (79,84) e Noroeste (79,07). As informações foram divulgadas nessa sexta-feira (7), junto com o 89º Mapa de Risco Covid-19, cuja vigência começa nessa segunda-feira (10) e vai até o domingo (16). De acordo com o novo Mapa, todos os municípios estão em risco baixo para a doença. Imagem: Sesa Os demais requisitos para uma microrregião ser considerada de risco muito baixo são 80% dos maiores de 18 anos vacinados com a segunda dose e 90% dos adolescentes imunizados com a primeira dose. Todas microrregiões já alcançaram o primeiro, cujo ranking é Sudoeste Serrana (96,14), Litoral Sul (92,59), Caparaó (89,57), Rio Doce (87,24), Noroeste (87,24), Metropolitana (85,73), Centro Oeste (85,64), Central Sul (83,01) e Nordeste (82,63). No que diz respeito à vacinação de adolescentes com a primeira dose, as microrregiões que já atingiram a meta foram Litoral Sul (102,22), Sudoeste Serrana (100,90), Central Serrana (98,19), Caparaó (95,91) e Noroeste (95,77). Os números da que ainda não alcançaram são Nordeste (87,77), Rio Doce (87,50), Central Sul (84,72), Centro Oeste (84,00) e Metropolitana (78,02). Imagem Sesa Além desses indicadores, para atingir a classificação de Risco Muito Baixo também é necessário que cada município da microrregião disponha de ao menos um ponto livre de testagem para a população, seja numa unidade de saúde, num pronto- socorro ou algum outro local em que qualquer pessoa possa fazer a testagem, independentemente de apresentar sintomas e sem necessidade de encaminhamento médico. Flexibilizações A principal mudança que as microrregiões que forem classificadas em risco muito baixo terão é a permissão para realizar eventos com a capacidade máxima dos locais, definidas pelo Alvará do Corpo de Bombeiros. Já as microrregiões em risco baixo puderam, desde oito de novembro, dobrar o limite máximo de ocupação em eventos feitos em locais fechados, saltando de 600 para até 1,2 mil, desde que não exceda 50% da capacidade do local e que todas as pessoas estejam vacinadas. Em locais abertos, o evento pode receber até 50% da ocupação máxima, com todos vacinados, mesmo que esse quantitativo ultrapasse os 1,2 mil estabelecidos como máximo para os locais fechados. Em ambos os casos, é necessário apresentar o chamado passaporte de vacinação, comprovando o esquema vacinal completo. Painel Covid-19 O Painel Covid-19 registra, até esta sexta-feira (31), 634,6 mil casos confirmados da doença. Os óbitos somam 13,3 mil, quatro deles nas últimas 24 horas. Municípios por microrregião 1 – Metropolitana: Vitória, Vila Velha, Serra, Cariacica, Viana, Fundão, Guarapari 2 – Central Serrana: Itaguaçu, Santa Teresa, Itarana, Santa Maria de Jetibá e Santa Leopoldina 3 – Sudoeste Serrana: Laranja da Terra, Afonso Cláudio, Brejetuba, Venda Nova do Imigrante, Domingos Martins, Marechal Floriano e Conceição do Castelo 4 – Litoral Sul: Alfredo Chaves, Anchieta, Iconha, Piúma, Rio Novo do Sul, Itapemirim, Marataízes e Presidente Kennedy 5 – Central Sul: Castelo, Vargem Alta, Cachoeiro de Itapemirim, Muqui, Atílio Vivácqua, Mimoso do Sul, Jerônimo Monteiro e Apiacá 6 – Caparaó: Ibatiba, Irupi, Iuna, Muniz Freire, Ibitirama, Divino de São Lourenço, Guaçuí, Alegre, Dores do Rio Preto, Bom Jesus do Norte e São José do Calçado 7 – Rio Doce: Sooretama, Rio Bananal, Linhares, Aracruz, João Neiva e Ibiraçu 8 – Centro-Oeste: Alto Rio Novo, Pancas, São Gabriel da Palha, Vila Valério, São Domingos do Norte, Governador Lindenberg, Baixo Guandu, Colatina, Marilândia e São Roque do Canaã 9 – Nordeste: Mucurici, Montanha, Pedro Canário, Conceição da Barra, Pinheiros, Boa Esperança, São Mateus, Jaguaré e Ponto Belo 10 – Noroeste: Ecoporanga, Água Doce do Norte, Águia Branca, Barra de São Francisco, Vila Pavão, Nova Venécia e Mantenópolis
Eleição em Jardim da Penha mexe em redutos eleitorais de pré-candidatos
A votação acontece neste sábado, de 8 às 18 horas, e tem três chapas concorrentes Segundo bairro mais populoso de Vitória, com mais de 30 mil habitantes, Jardim da Penha elege neste sábado (8) a diretoria da sua associação de moradores, a AMJAP, evento que movimenta não somente lideranças comunitárias, mas, com igual intensidade, redutos de eleitorais de pré-candidatos às eleições de outubro deste ano. Nos bastidores, há articulações envolvendo partidos políticos como PT, Cidadania, PSB. A votação começa às 8 horas, na praça Regina Frigeri Furno, para todos os moradores a partir dos 16 anos de idade. Os votantes poderão escolher entre as três chapas registradas: a chapa 1, coordenada por Luiz Valentim e Marcelo Freitas, o Marcelão; a 2, liderada por Angelo Delcaro; e a chapa 3, por Peterson Pimentel. A escolha da diretoria se dá pela proporcionalidade dos votos, sendo a cota de 20% para que a chapa tenha um representante na diretoria, que funciona em sistema de colegiado, desde 1990, seis anos depois de fundada pelo ativista do PT Otaviano de Carvalho, eleito deputado estadual e falecido depois do mandato em acidente de carro. Por se tratar do segundo maior colégio eleitoral de Vitória, atrás apenas de Jardim Camburi, a eleição da AMJAP sempre atrai lideranças políticas, principalmente em anos eleitorais, como 2022. O Partido dos Trabalhadores, sigla envolvida nessa movimentação desde 1984, ano de fundação da entidade, passou a disputar, a partir de 2012, com outros partidos. Em especial o Cidadania, a partir da época do então prefeito Luciano Rezende, e mais recentemente, o PSB, liderado no Espírito Santo pelo governador Renato Casagrande. Na votação deste sábado, um grupo reduzido liderado pelo vereador Luiz Emanuel, do Cidadania, desligou-se da disputa e teria criado uma outra associação segundo informações de integrantes de chapas que serão votadas neste sábado. O vereador, aliado do prefeito Lorenzo Pazolini (Republicanos), é envolvido na eleição da AMJAP desde os últimos pleitos. Segundo moradores, a movimentação Luiz Emanuel estaria relacionada à perda do controle da AMJAP pelo seu grupo desde 2020. Citam como exemplo a elevada votação de candidatos de outros partidos, como a vereadora Camila Valadão (Psol), e o deputado Sergio Majeski (PSB), cujo volume de votos nas últimas eleições foi superior ao de Fabrício Gandini (Cidadania).
Não é preciso vacinar crianças para retomar aulas, diz secretário de Educação
Novas variantes podem surgir a partir da transmissão entre crianças. Até março 100% delas deve ter recebido a D1 O secretário de Educação do Espírito Santo, Vitor de Angelo, afirmou que não é necessário aguardar a conclusão da vacinação das crianças de cinco a onze anos para o início do ano letivo de 2022, no dia três de fevereiro. Em sua conta no Twitter, o gestor da Sedu respondeu, nesta quinta-feira (6), a uma questão que disse estar possivelmente rondando a mente dos capixabas, diante do anúncio do início da imunização contra Covid-19 do público pediátrico a partir da segunda quinzena de janeiro. “Muitos devem estar se perguntando se, diante da chegada da vacina pediátrica contra a Covid-19, não seria melhor esperar a vacinação da sua criança para então manda-la à escola; ou mesmo para que as redes de ensino retomem as aulas somente após a vacinação de todas elas”, twittou o secretário, que também é presidente do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed). A resposta, prosseguiu, “é: não! No ES voltamos às aulas quando nem vacina existia, em 2020. Além disso, mesmo diante de uma nova variante, a escola já se mostrou um ambiente seguro, e os protocolos, eficientes. Devemos, sim, redobrar a atenção com cada um deles!”, arrematou. Um dia antes da postagem do secretário, a epidemiologista e professora da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) Ethel Maciel, havia abordado o assunto na mesma rede social. “O Brasil tem 20.500.208 crianças entre 5-11 anos. Elas estão desprotegidas desde de 16/12. A volta às aulas presenciais segue ameaçada pela nova onda de casos de ômicron que se anuncia. Mesmo que iniciemos a vacinação agora, não estarão com a vacinação completa. Um absurdo!”, alertou. “Cada criança perdida vai estar na conta de quem não se esforçou para protegê-la!! Toda criança tem direito à saúde. Está na constituição. Vacinação salva vidas! Vamos vacinar nossas crianças e garantir o futuro delas”, disse. Segundo o Painel Covid-19 do governo do Estado, o Espírito Santo registrou, até o momento, quatro óbitos na faixa etária de cinco a nove anos e 30 na faixa de 10 a 19 anos. Nesta semana, o Estado voltou a ter mais de mil casos confirmados da doença, o que não ocorria desde meados de 2021. A Século Diário, Ethel Maciel reforçou a posição a favor da vacinação infantil antes do retorno às aulas. “O ambiente escolar é mais seguro que em 2021, mas em uma pandemia sempre temos que monitorar os indicadores. A vacinação e a dose de reforço melhoram muito o ambiente, mas continuamos em uma pandemia. Crianças não vacinadas podem favorecer o surgimento de novas variantes do vírus”. A expectativa da Secretaria da Saúde do Espírito Santo (Sesa) é que a vacinação das crianças se inicie logo que o Ministério da Saúde disponibilizar as doses, provavelmente a partir do próximo dia 15. A prioridade será das crianças com comorbidades. “Havendo adesão desse público, a expectativa é que até março 100% das crianças de 5 a 11 anos no Estado tenham recebido a primeira dose (D1) e até maio ou junho, todas estejam com o esquema vacinal completo (D2)”, sublinhou a Sesa. Na Itália, segunda a Agência Italiana de Notícias (Ansa Brasil), cerca de 1,5 mil diretores de escolas pediram ao governo para adiar o retorno às aulas presenciais previsto para a próxima segunda-feira (10). Em apelo enviado ao premiê Mario Draghi e ao ministro da Educação, Patrizio Bianchi, defenderam a “suspensão provisória das aulas presenciais por duas semanas”, período em que os alunos teriam lições a distância. O objetivo, explicam é evitar uma “situação impossível de se administrar e que provocará fragmentação, interrupção das aulas e escassa eficácia formativa”.
Será feito diagnóstico para reformulação do Plano de Cargos e Salários, diz prefeito
Guerino Balestrassi afirma que diagnóstico será apresentado em fevereiro e haverá diálogo com o sindicato Após repercussão da matéria publicada por Século Diário, na qual o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Colatina e Governador Lindemberg (Sispmc) demonstra indignação com o aumento de mais de 100% no salários do secretários municipais e aponta que reivindicações dos trabalhadores não são atendidas, o prefeito de Colatina, Guerino Balestrassi (PSC), entrou em contato com o jornal para informar que uma empresa foi contratada para fazer um diagnóstico, a ser apresentado em fevereiro, como base para a reformulação do Plano de Cargos e Salários. A reformulação é uma das principais reivindicações dos servidores de Colatina, que querem a garantia da progressão e o desenvolvimento de carreira previstos na Lei Orgânica do Município. Além disso, defendem que a tabela de vencimentos do pessoal do magistério tenha parâmetros na forma de percentual no desenvolvimento da carreira, levando em consideração a titulação escolar, em conformidade com a Lei de Diretrizes e Base da Educação (LDB). Guerino informa que o diagnóstico irá avaliar, por exemplo, como estão cada um dos quadros por categoria e ver o que há de distorção. De acordo com ele, “o objetivo nunca é piorar” e, após apresentação do diagnóstico por parte da empresa, haverá diálogo com o sindicato. Uma das queixas da entidade é de que, em 2021, aconteceram somente duas reuniões entre o Sispmc e a gestão municipal, o que, acredita o prefeito, “é um bom parâmetro em um período em que não era possível fazer nada em termos financeiros por causa da Lei 173”. O gestor refere-se à Lei Complementar 173/2020, de autoria do governo Bolsonaro (sem partido), que vigorou até 31 de dezembro de 2021 e proibia reajustes e concessão de benefício para servidores. Embora Guerino afirme que irá fazer reformulação do Plano de Cargos e Salários, o sindicato acredita que o reajuste de mais de 100% concedido para os secretários municipais e também o aumento concedido para outros cargos comissionados irão gerar um grande impacto na folha de pagamento de pessoal. Assim, explica o sindicato, por conta da Lei de Responsabilidade Fiscal, a reformulação do Plano de Cargos e Salários será impossibilitada. O reajuste foi aprovado em sessão extraordinária da Câmara de Colatina, realizada nessa quarta-feira (5). O salário dos secretários aumentou de R$ 4.096,65 para R$ 8,6 mil. A entidade destaca que a necessidade de reformulação é apresentada há anos, inclusive nas duas outras gestões de Guerino Balestrassi, de 2001 a 2008, e fez parte da pauta da Campanha Salarial de 2021, entregue à Administração Municipal em janeiro do ano passado. Guerino considera que o salário dos secretários era pouco, dificultando a nomeação de pessoas para cumprir a função. “Tem que pagar mais até mesmo para cobrar”, defende. Na mensagem 05/2022, encaminhada pelo prefeito ao presidente da Câmara, Jolimar Barbosa da Silva (PL), o gestor afirma que o projeto que aumentou em mais de 100% o salário dos secretários é oriundo do Relatório de Levantamento O1l2O21 da Controladoria Geral do município, “recomendando a adequação da estrutura de cargos comissionados”. No levantamento, realizado pelo órgão de controle interno, segundo o prefeito, foi apontado pela Equipe de Auditoria a Desatualização do Quadro de Cargos Comissionados, “ausência de requisitos e descrição de atribuições dos cargos na Lei Municipal Complementar, divergência na nomenclatura dos cargos, defasagem dos valores dos vencimentos dos cargos em comissão”. Sobre essa defasagem, na mensagem consta que durante a execução dos trabalhos de auditoria foi realizada uma pesquisa salarial nos Portais de Transparência Municipal para compreender como os demais municípios têm realizado as remunerações de seus servidores para os cargos específicos e ou similares aos de Colatina. Nessa busca, de acordo com o gestor, foi utilizado como critério para escolha da amostra os municípios capixabas com receita anual em 2020 similares à de Colatina. Na amostra, foram selecionados os municípios de Linhares e Aracruz, no norte, e Itapemirim, no sul. Diante disso, conclui o prefeito, “é possível considerar que os patamares de vencimentos dos cargos comissionados da administração direta do município de Colatina/ES não encontram-se em patamares interessantes e atrativos”. Ele prossegue destacando que “a literatura já demonstrou fartamente que a remuneração tem impacto direto no aproveitamento mais assertivo dos servidores, desenvolvimento de competências necessárias, melhoria da motivação e produtividade, sentimento de equidade e valorização profissional, diminuição do absenteísmo e da rotatividade de pessoas, retenção de colaboradores considerados talentos na organização, clima organizacional mais favorável e auxílio na construção e na implementação das políticas”. Reajuste de 6% Na mesma sessão dessa quarta-feira também foi aprovado, por unanimidade, o PL 001/2022, “que trata da concessão de revisão geral anual para os servidores públicos municipais de Colatina, inclusive da Autarquia Sanear [Serviço Colatinense de Saneamento Ambiental]”. A proposta prevê uma revisão geral anual no índice de 6%, a partir de primeiro de fevereiro, “para todos os servidores públicos municipais, ativos, pensionistas e comissionados, servidores do quadro do Poder Legislativo, Prefeito, Vice-Prefeito Municipal e Vereadores inclusive da Autarquia Sanear”. O diretor jurídico do sindicato, Décio Rezende, destaca que os servidores tiveram, somente em 2021, 17% de perdas inflacionárias, ou seja, os 6% não cobrem nem metade da perda do ano anterior, sendo inclusive, menor do que o reajuste do salário mínimo, que foi de cerca de 10%. O diretor do Sispmc informa que os trabalhadores estão sem reajuste desde 2017, primeiro ano da gestão do então prefeito Sérgio Meneguelli (Republicanos). ‘Não vamos ficar de braços cruzados’, protesta Sindicato dos Servidores Câmara aprovou projeto de Guerino Balestrassi que dobra salário de secretários de Colatina https://www.seculodiario.com.br/politica/nao-vamos-ficar-de-bracos-cruzados-protesta-sindicato-dos-servidores Sindicato questiona aumento de mais de 100% para secretariado em Colatina Sispmc também cobra do prefeito Guerino Balestrassi atendimento a reivindicações antigas dos servidores https://www.seculodiario.com.br/politica/sindicato-questiona-aumento-de-mais-de-100-para-o-secretariado-em-colatina
‘Como decidir sobre o carnaval de rua sem diálogo com os organizadores de blocos?’
Proibição decidida pela prefeitura de Vitória pode gerar aglomerações sem qualquer controle sanitário, alertam organizadores Prefeitura confirmou apenas os desfiles das escolas de samba no Sambão do Povo. Foto: Redes Sociais/Bloco Afro Kizomba. Integrantes da Liga dos Blocos do Centro de Vitória (Blocão) reclamam da falta de diálogo sobre a realização do Carnaval de Rua em Vitória este ano. Na tarde dessa quinta-feira (06), o prefeito Lorenzo Pazolini (Republicanos) anunciou o cancelamento dos eventos, mantendo apenas o desfile das escolas de samba no Sambão do Povo. “Fomos pegos de surpresa”, afirma Carlos Felipe da Penha, integrante do Blocão e fundador do Puta Bloco. Na coletiva de imprensa, Pazolini afirmou que o cenário epidemiológico não permite a realização dos desfiles nas ruas, tendo em vista que não seria possível fazer o controle sanitário dos eventos. De acordo com a prefeitura, um estudo está sendo realizado para analisar a possibilidade da realização de eventos em locais delimitados. Para Carlos Felipe, no entanto, faltou diálogo antes da definição. Ele explica que a liga está em conversa com a Secretaria de Cultura desde julho de 2021 para sistematizar ações e estudar a possibilidade de realização dos blocos de rua de forma controlada, por isso o anúncio sem nenhum diálogo foi uma surpresa. “Como falar sobre a possibilidade de um carnaval em local fechado com os blocos sem um diálogo prévio com os fazedores do carnaval de rua? Sem apresentar uma proposta ou um modelo para esses blocos? (…) Ainda aguardamos uma resposta ao ofício que protocolamos em dezembro solicitando informações sobre os andamentos das demandas do carnaval de rua”, cobra. Sandra Oliveira, coordenadora do bloco Afro Kizomba e também integrante da liga, informa que o ofício foi protocolado no último dia 30, mas não foi respondido pela prefeitura antes do anúncio do cancelamento. “A gente não foi nem convidado para a entrevista coletiva como os representantes das escolas de samba foram. Fomos desconsiderados enquanto fazedores do carnaval de rua”, aponta. Para ela, uma das consequências da decisão pode ser a aglomeração espontânea de pessoas nas ruas. “A gente nunca negou que essa proteção sanitária deveria ser pensada com antecedência, por isso estávamos em diálogo com a Secretaria de Cultura (…) Acontece que é uma manifestação popular. As pessoas podem ocupar as ruas mesmo sem a autorização. E aí qual controle que a prefeitura vai ter? A gente tem essa preocupação”, questiona. Carlos Felipe aponta que a ideia dos organizadores era só sair para as ruas com a garantia da segurança dos integrantes dos blocos e dos foliões, considerando os índices apresentados por especialistas. “Solicitamos em nossa última reunião com a secretaria de cultura um encontro com toda a ‘comissão organizadora do carnaval de rua’, inclusive com a Secretaria de Saúde, para que pudéssemos avaliar a possibilidade dos desfiles dos blocos e em que moldes esse desfile poderia acontecer porém até o momento não tivemos retorno sobre essa demanda solicitada”, explica. O integrante do Conselho de Cultura afirma que a liga se preocupa com os rumos que o Carnaval deste ano está tomando. “Mais uma vez, a pandemia escancara a desigualdade social, dando acesso à folia apenas para aqueles que podem pagar por ela. A não existência de um carnaval regulamentado e com acesso democrático pode ocasionar, assim como no ano novo, a ida da população a rua sem nenhum tipo de proteção sanitária e acabar com a repressão policial em cima desses que não tiveram acesso à folia”, destaca. Ele destaca ainda que os blocos movimentam a cadeia produtiva do Carnaval, gerando emprego e renda para o comércio local, ambulantes, motoristas de aplicativos, setor hoteleiro e demais trabalhadores que aproveitam o período para complementar a própria renda. “Estamos aguardando o convite para uma conversa com a gestão municipal para que possamos juntos entender e definir as ações voltadas para o carnaval de rua 2022, de forma a atender aqueles que são protagonistas dessa folia, os blocos e toda a cadeia produtiva nela envolvida”, destaca. Carnaval no Sambão do Povo O desfile das Escolas de Samba no Sambão do Povo foi confirmado na capital. De acordo com a prefeitura, a decisão foi tomada após Vitória ter sido classificada, na quarta-feira (5), como a primeira cidade na região metropolitana a alcançar o risco muito baixo para a transmissão da Covid-19, tendo imunizado toda a população adulta com mais de 18 anos com as duas doses ou dose única da vacina. O desfile acontecerá entre os dias 17 e 19 de fevereiro e cobrará o passaporte de vacinação contra a Covid-19 de todos os participantes. Quem quiser assistir aos desfiles deverá comprovar a aplicação das duas primeiras doses de um imunizante ou dose única, além da apresentação do teste RT-PCR negativo, feito nas últimas 72 horas antes do evento. “Os desfilantes e os trabalhadores das Escolas de Samba deverão adotar os mesmos critérios, mas com credenciamento prévio, feito nas quadras de cada escola, sob supervisão e controle da Liesge [Liga Independente das Escolas de Samba do Grupo Especial]’, informou a prefeitura. Nas portarias do evento, que levam aos setores de arquibancadas, mesas e camarotes, também será feito o controle de acesso dos espectadores nas noites de desfiles. “Para aqueles que comprarem ingressos na bilheteria do evento, se houverem ingressos disponíveis, será necessária a apresentação do comprovante de vacinação e do resultado de teste negativo para covid-19, no ato da compra”, informou o município.