Em ‘Ta’angaba’, Aline Moschen dialoga com jovens Tupinikins e Guaranis do Estado sobre imagens e representações Alex Sander Tupinikim, um dos entrevistados no livro. Foto: Talita Quiezza O uso de novas tecnologias para fortalecer a identidade e também divulgar as questões políticas e culturais para o restante da sociedade tem sido um processo cada vez maior entre povo e comunidades indígenas no Brasil. No Espírito Santo, a situação não é diferente. O recém-lançado livro Ta’angaba, organizado por Aline Moschen, joga luz a essa questão, entrevistando alguns dos protagonistas desse processo nas aldeias Tupinikins e Guaranis em Aracruz, no norte do Estado, a maioria deles jovens. A obra é fruto de um diálogo de anos, já que Aline, que é antropóloga e doutoranda pelo Museu Nacional/ UFRJ, pesquisa desde 2015 a questão dos registros fotográficos e audiovisuais que vêm sendo feitos nas aldeias, a partir da percepção desse fenômeno crescente. “Comecei a prestar atenção nesse movimento vindo dos mais jovens e entender as articulações políticas envolvidas e por quê isso era tão importante para eles. Minha pesquisa de doutorado acabou se voltando para isso”, relata. No livro lançado pela editora Cousa, porém, o foco não é na análise da antropóloga, apresentada de forma breve e introdutória. A publicação preza especialmente por trazer diálogos da autora com sete agentes ativos nesse processo, jovens moradores da Terra Indígena Tupinikim-Guarani em Aracruz: Barbara Tupinikim, Lucas Rokadju, Alex Sander Tupinkim, Nhamãdu Silva, Dayanne Marinho Vaz, Beatriz Pêgo e Helen Cruz Benedito, todos envolvidos com a produção de fotografias e imagens em seus territórios. Também figuram quatro conversas com pesquisadores convidados: Idjahure Kadiwel, antropólogo pertencente aos povos Terena e Kadiwéu, Valeria Vega, antropóloga visual e etnóloga e Apoena Medeiros, fotógrafo e administrador do acervo de fotografias dos povos indígenas do Espírito Santo de Rogério Medeiros, fundador do Século Diário. Xondaro (guerreiro guarani). Foto: Lucas Rokadju Além de relatos e fotografias, o livro ainda traz imagens de três mapas sobre os territórios Tupinikim e Guarani: um do século XVI, outro do século XIX, e um último atual, elaborado pela autora junto a Danilo Parra, com auxílio dos moradores locais que enviaram localizações por GPS. “Foi uma tentativa de materializar visualmente essa narrativa. Os povos indígenas ocupavam a maior parte do Brasil e da América Latina, mas ao longo de 500 anos, houve uma redução muito grande da população e do território”, diz Aline. No novo mapa montado, já existem novas aldeias criadas que não aparecem no mapa de demarcação da Fundação Nacional do Índio (Funai). “Esses mapas não são fixos no tempo. É necessário atualizá-los sempre”. Beatriz Pêgo, uma das fotógrafas Tupinikim, na construção de sua casa. Foto: Deivid Busato Aline Moschen considera que a territorialidade é uma questão importante a ser pensada. “Esses povos estão muito ligados a uma circulação e mobilidade que são presentes no seio de suas cosmologias. Há séculos eram povos em constante fluxos territoriais, agora interrompidos por fatores econômicos e pela criação de fronteiras e limites geográficos a partir dos processos de colonização”. A antropóloga considera, entretanto, que esses princípios de circulação não se perdem, mas acabam se dando de outras formas. Diante de territórios limitados pela posse das terras e afetados pela expansão industrial, a criação de ciberespaços, territórios virtuais permitem também essa circulação, trocas e articulação entre os povos. Para elas, pensar que povos indígenas não têm nada a ver com as novas tecnologias é um equívoco. “As produções de mídias indígenas são extremamente articuladas, há um entendimento de que as imagens que vêm sendo produzidas criam uma rede de forças, permite uma articulação política, na qual os jovens têm um papel fundamental”, analisa, considerando que essas tecnologias permitem certa autonomia e acabam potencializando práticas indígenas tradicionais. No entanto, mesmo que sejam articuladas, não se tratam de narrativas uniformes, muito pelo contrário. Além da diversidade de povos e culturas, também se manifesta a subjetividade de cada indivíduo que realiza registros visuais ou retratos. “É muito importante observar a pessoa por trás das lentes. Isso transparece nos relatos do livro. Há formas diferentes de engajamento, olhares distintos”, relata a pesquisadora. A expectativa de Aline Moschen é que em 2022 seja lançado outro livro, desta vez com foco nas produções cinematográficas e audiovisuais.
Todos municípios capixabas estão em risco baixo para Covid-19
Devido a problemas técnicos no Painel Covid, nesta sexta-feira não foram divulgados os dados das microrregiões O Espírito Santo se encontra com todos municípios em risco baixo (verde) para Covid-19, conforme aponta o 83º Mapa de Risco, divulgado nesta sexta-feira (26) e cuja vigência começa nesta segunda-feira (29), terminando no próximo domingo (5). Devido a problemas técnicos no Painel Covid, não foram divulgados os dados das microrregiões, correspondentes aos três indicadores relacionados à vacinação para atingir a classificação de risco muito baixo (azul). Imagem: Sesa Entretanto, a gestão de Renato Casagrande informa que até o momento nenhuma microrregião conseguiu atingir os três índices, que são a segunda dose aplicada em 80% dos adultos até 59 anos; primeira dose aplicada em 90% dos adolescentes; e terceira dose (ou dose de reforço) cobrindo 90% dos idosos. No 82º Mapa, metade das dez microrregiões capixabas já havia atingido duas das três metas estabelecidas para a classificação de risco muito baixo e nenhuma havia alcançado o terceiro indicador. Para a microrregião ser considerada de risco muito baixo, também é necessário que cada município disponha de ao menos um ponto livre de testagem para a população, seja em uma unidade de saúde, em um pronto socorro ou algum outro local em que qualquer pessoa possa fazer a testagem, independentemente de apresentar sintomas e sem necessidade de encaminhamento médico. A principal mudança que as microrregiões classificadas em risco muito baixo terão é a permissão para realizar eventos com a capacidade máxima dos locais, definidas pelo Alvará do Corpo de Bombeiros. Já as microrregiões em risco baixo puderam, desde oito de novembro, dobrar o limite máximo de ocupação em eventos feitos em locais fechados, saltando de 600 para até 1,2 mil, desde que não exceda 50% da capacidade do local e que todas as pessoas estejam vacinadas. Em locais abertos, o evento pode receber até 50% da ocupação máxima, com todos vacinados, mesmo que esse quantitativo ultrapasse os 1,2 mil estabelecidos como máximo para os locais fechados. Em ambos os casos, é necessário apresentar o chamado passaporte de vacinação, comprovando o esquema vacinal completo Municípios por microrregião 1 – Metropolitana: Vitória, Vila Velha, Serra, Cariacica, Viana, Fundão, Guarapari 2 – Central-Serrana: Itaguaçu, Santa Teresa, Itarana, Santa Maria de Jetibá e Santa Leopoldina 3 – Sudeste Serrana: Laranja da Terra, Afonso Cláudio, Brejetuba, Venda Nova do Imigrante, Domingos Martins, Marechal Floriano e Conceição do Castelo 4 – Litoral Sul: Alfredo Chaves, Anchieta, Iconha, Piúma, Rio Novo do Sul, Itapemirim, Marataízes e Presidente Kennedy 5 – Central Sul: Castelo, Vargem Alta, Cachoeiro de Itapemirim, Muqui, Atílio Vivácqua, Mimoso do Sul, Jerônimo Monteiro e Apiacá 6 – Caparaó: Ibatiba, Irupi, Iuna, Muniz Freire, Ibitirama, Divino de São Lourenço, Guaçuí, Alegre, Dores do Rio Preto, Bom Jesus do Norte e São José do Calçado 7 – Rio Doce: Sooretama, Rio Bananal, Linhares, Aracruz, João Neiva e Ibiraçu 8 – Centro-Oeste: Alto Rio Novo, Pancas, São Gabriel da Palha, Vila Valério, São Domingos do Norte, Governador Lindenberg, Baixo Guandu, Colatina, Marilândia e São Roque do Canaã 9 – Nordeste: Mucurici, Montanha, Pedro Canário, Conceição da Barra, Pinheiros, Boa Esperança, São Mateus, Jaguaré e Ponto Belo 10 – Noroeste: Ecoporanga, Água Doce do Norte, Águia Branca, Barra de São Francisco, Vila Pavão, Nova Venécia e Mantenópolis
O contexto de miséria social na França do Século XIX em Victor Hugo
Personagem Jean Valjean se destaca como uma das grandes criações do autor Divulgação Prefácio de Victor Hugo, o autor, à sua obra (romance) Os Miseráveis: “Enquanto, por efeito de leis e costumes, houver proscrição social, forçando a existência, em plena civilização, de verdadeiros infernos, e desvirtuando, por humana fatalidade, um destino por natureza divino; enquanto os três problemas do século – a degradação do homem pelo proletariado, a prostituição da mulher pela fome, e a atrofia da criança pela ignorância – não forem resolvidos; enquanto houver lugares onde seja possível a asfixia social; em outras palavras, e de um ponto de vista mais amplo ainda, enquanto sobre a terra houver ignorância e miséria, livros como este não serão inúteis”. O romance O autor Victor Hugo coloca em questão em seu romance Os Miseráveis tanto a natureza das leis civis e penais, e a comparação destas com as leis divinas, como o ponto principal foi retratar tensões nas instituições políticas e sociais, em um campo vasto de narrativa que reúne todo um arcabouço estilístico e de conhecimento histórico e com ricas descrições que passeiam por Paris entre barricadas e batalhas, tendo a Bastilha como um dos eixos que se dispersam por diversas regiões da cidade parisiense. Em sua trilogia, que tem além de Os Miseráveis, os romances Nossa Senhora de Paris e Os Trabalhadores do Mar, o personagem Jean Valjean se destaca como uma das grandes criações do autor Victor Hugo, junto com Quasímodo e Gilliatt. Os floreios barrocos se juntam a um aprofundamento psicológico extremado de personagens intensos que são produtos da prosa romântica do autor, os personagens são sacudidos emocionalmente, um turbilhão se abre e se entrechocam anseios diversos. O movimento dramático de tais personagens desvela o estilo dominante de Victor Hugo, um romancista de sua época, sob a égide de um romantismo que se desenvolvera bem em terras inglesas e alemãs. Jean Valjean é o eixo em que gira toda a trama de Os Miseráveis. Pelo furto de um pão, a sua vida degringola nas galés, sua determinação para o mal, contudo, é refreada pelo seu feliz encontro com o bispo Myriel Benvenu. Jean Valjean adota uma menina de nome Cosette e passa a nutrir profunda afeição pela criança. A mãe da criança, com uma vida miserável, cai na prostituição, Fantine é quem dá o título ao primeiro volume de Os Miseráveis. O segundo volume, de título Cosette, liga a trama do romance, com seus personagens, aos eventos de Waterloo, em 1815, aqui Victor Hugo exibe seus conhecimentos históricos e do estilo de batalha de Napoleão, e traça o enigma da derrota francesa nesta batalha. O inspetor Javert, entrementes, persegue Jean Valjean, e aqui aparece a tensão principal do romance Os Miseráveis, que é o contraste entre vilania e bondade que fica borrada, pois Javert é um homem que segue estritamente a lei humana, as leis civis e penais, feitas pelo homem, enquanto Jean Valjean é um eterno degredado existencial, que vivera como condenado às galés, como um carimbo ou uma herança, a sua sina se repetia neste enfrentamento com o homem da lei de nome Javert. Contudo, a vilania recai sobre Javert, que é o perseguidor do herói romântico Jean Valjean. O aristocrata Marius Pontmercy, personagem liberal, é quem dá o título ao terceiro volume de Os Miseráveis, e aqui há uma imensa digressão que transita por Paris, os atos políticos de Marius até o seu encontro com Cosette. O quarto volume, por sua vez, traça o acirramento político da obra em Idílio da Rua Plumet e Epopeia da Rua Saint-Denis. O quinto e último volume tem inúmeras baixas de personagens e leva o título Jean Valjean, este que é o eixo universal de todo o romance de Victor Hugo, Os Miseráveis. Neste quinto volume, ocorre a morte de muitos personagens em conflitos e o intenso episódio nos esgotos de Paris, que é conhecido como “o intestino de Leviatã”, e seus longos períodos descritivos revelam a prosa romântica de Victor Hugo em ação. O esmero e até o excesso no detalhismo dos acontecimentos dão o caráter da estrutura e estilo narrativo dominante. A culminância se dá na parte filosófica da obra que envolve o suicídio de Javert. O desenvolvimento do romance se dá neste temperamento caudaloso de prosa que vem da produção literária romântica anglo-germânica e que coloca Victor Hugo como um dos grandes nomes do Romantismo Francês. O romance foi gestado durante 15 anos, e muitas das máximas dos personagens foram eternizadas, e que se tornaram frases famosas ligadas ao nome de Victor Hugo, tais como “morrer não é nada, horrível é não viver” ou “chega a hora em que não resta apenas protestar, pois após a filosofia, a ação é indispensável”. O romantismo literário O romance Os Miseráveis, no influxo do movimento literário do Romantismo, é um reflexo da dissolução do classicismo e de ideias iluministas. Uma obra que revela a realidade social proletária e que sai do restrito círculo dos salões aristocráticos, de uma leitura elitista, e consegue se aproximar de uma realidade urbana com cheiros, angústias, descrições humanas, e que coloca a vida social e política como campo privilegiado para a literatura. Além deste plano de superação do classicismo, o romance Os Miseráveis tem um caráter político que encontra ligação direta com obras icônicas tal como é a pintura de Eugene Delacroix, de nome A Liberdade Guiando o Povo, que é um ícone da cultura francesa, metonímia da arte da Europa durante o século XIX, em que a pintura famosa consiste em uma mulher que representa a liberdade e os seus ideais, empunhando uma bandeira da França, bem próxima de corpos empilhados e de outros manifestantes. Victor Hugo, em seu romance, com seu estilo de prosa romântica caudalosa, faz com isto ricas descrições de avanços científicos e destaca o problema crônico da fome. Neste seu retrato da miséria proletária, revela as consequências sociais da negligência e das injustiças que levam a embates e revoluções populares, quando coloca em cena as lutas políticas de personagens engajados,
Bolsonaristas realizam eventos para garantir palanque nas eleições de 2022
Ex-deputado Carlos Manato define neste fim de semana se rompe a barreira imposta por Magno Malta O encontro estadual do PL, coordenado pelo ex-senador Magno Malta, neste sábado (27), e o Primeiro Encontro Conservador do Espírito Santo, no domingo (28), organizado pelo PTB, liderado pelo Tenente Assis, são os dois eventos que a extrema direita promove neste fim de semana em Vitória. A movimentação é parte da estratégia de montar palanque para o presidente Jair Bolsonaro na tentativa de reeleição, mesmo com o recorde de rejeição que ele apresenta nas últimas pesquisas, próximo a 70%. Nas articulações, os partidos buscam também definir nomes para chapas ao governo, à Assembleia Legislativa, à Câmara dos Deputados e ao Senado. Até esta sexta-feira (26), os dois blocos ainda não haviam definido a situação do ex-deputado federal Carlos Manato, pré-candidato ao governo e em busca de filiação no mesmo partido de Bolsonaro, que assina ficha no PL no próximo dia 30, mas é barrado pelo ex-senador Magno Malta, que deverá concorrer ao Senado. Segundo os bastidores, Malta quer concentrar todos os recursos partidários nesse objetivo, sem contar com outro fator complicador, a reeleição da deputada federal Soraya Manato (PSL), casada com o ex-deputado, que tiraria o equilíbrio da chapa já montada por Magno. O evento, na realidade, representa o lançamento do nome do ex-senador na arena eleitoral de 2022. Ele trabalha para se recompor da derrota na tentativa de reeleição, em 2018, decorrente, entre outras coisas, de denúncias de supostos abusos na chamada Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Maus Tratos, que ele conduziu no Senado. Está confirmada no encontro do PL, em Vitória, a participação da deputada federal Bia Kicis (PSL), bolsonarista de raiz, investigada na chamada CPI das Fake News, por ofensas e ameaças ao Supremo Tribunal Federal (STF) e a seus ministros, e o cantor Netinho. O campo de atuação de Magno tem maior concentração de votos entre militares e evangélicos, público que já apresenta, porém, rejeição a Bolsonaro, por conta da gestão desastrosa que gera desemprego, inflação elevada e fome. No encontro deste domingo, Manato será convidado formalmente para se filiar ao PTB, em prosseguimento a acerto com a principal liderança do partido no Estado, Tenente Assis, candidato à Câmara Federal. Um das palestrantes no encontro dos conservadores será a presidente nacional do PTB, Graciela Ninow. Falará também no evento o advogado Marcelo Nunes, especialista em direito eleitoral, e os deputados Rodrigo Valadares, de Sergipe, secretário Nacional do PTB, e Felipe Estevão, de Santa Catarina.
Livro de editora capixaba vence Prêmio Jabuti
“Histórias ao Redor”, de Flávio Carneiro, publicado pela Cousa, consagrou-se no prêmio mais importante da literatura nacional Na noite de quinta-feira (26), o Prêmio Jabuti, principal reconhecimento da literatura brasileira, realizou sua premiação anual. Como mencionado aqui no Século Diário, A Brecha: uma reviravolta quilombola, escrito no norte do Estado, foi indicado para a final na categoria Infanto-Juvenil. Embora não tenha levado o grande prêmio neste caso, o Espírito Santo saiu premiado em outra publicação. A editora Cousa foi a responsável pela publicação de Histórias ao redor, de Flávio Carneiro, agraciado com o Jabuti na categoria Crônica. O autor é goiano radicado no Rio de Janeiro, onde é professor de Literatura na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e seu livro reúne crônicas escritas entre 2016 e 2018, com histórias que abordam experiências ligadas à literatura. Flávio já havia obtido o terceiro lugar no Prêmio Jabuti de 2009, com um livro infantil e sido finalista em 2007 com um romance. Divulgação “Esse prêmio é muito importante por vários motivos. Um deles é porque é muito difícil ser leitor no Brasil, a gente está sempre enfrentando uma batalha por dia para ser leitor. Somos excelentes leitores do mundo, como dizia Paulo Freire, falava que leitura do mundo precede leitura da palavra. Somos bons leitores da vida, mas da palavra escrita é muito difícil. É um país que sempre evitou que a gente pudesse ter acesso a esse prazer, a essa forma de resistência”, afirmou o escritor, apontando a leitura como uma maneira de ser resistente contra a barbárie, negacionismo, ignorância e autoritarismo. Ele considera o livro como uma grande homenagem aos leitores, e o dedica a suas filhas, Maria e Luiza. São histórias ao redor da infância, da leitura e da escrita. “Se ser leitor nesse país é difícil, imagina você escrever. Quantos anos a gente passa escrevendo um livro, para esse livro aparecer por alguns instantes e depois sumir de novo. É sempre uma batalha difícil”. Além das dificuldades para ler e escrever, Flávio aponta também o desafio para publicar no Brasil, especialmente em relações às crônicas. O escritor premiado conta que deu uma palestra anos atrás no Sesc Glória, em Vitória, quando conheceu Saulo Ribeiro, criador e editor da Cousa. “A editora merece todos os parabéns. Tem um trabalho fascinante e importantíssimo que é feito em prol da leitura. Foi uma combinação muito boa, porque é uma editora que investe de fato na promoção da leitura”, reconhece o autor . Todo processo de publicação do livro foi realizado conjuntamente entre autor e editora. “O Prêmio Jabuti é também muito para a editora Cousa. Por ter acreditado num projeto de um livro com histórias ao redor da leitura, da escrita, da memória, que é o que nos mantém de pé. São essas pequenas histórias de cada um ao redor da vida que nos mantém de pé”, reflete Flávio Carneiro. Saulo Ribeiro, fundador e editor da Cousa, comemorou o prêmio e lembrou que Flávio já participou de bancas de avaliação no Espírito Santo, possui amigos e conhece um pouco da produção local. “É uma pessoa muito generosa. Ele me ligou um dia e disse que tinha um livro para publicar. Eu achei um livraço e quisemos publicar. Ele topou na hora”, conta o editor, que diz que estava mais otimista que o próprio autor em relação ao prêmio. “É importante porque ajuda a dar maior visibilidade ao escritor e à obra”, diz Saulo sobre o Jabuti e outros reconhecimentos. Histórias ao redor teve tiragem inicial de 100 livros e uma segunda tiragem de igual quantidade, que já está se esgotando. Agora a Cousa prepara a publicação de mais exemplares, que virão com o selo do Prêmio Jabuti. Mudanças no mercado editorial e nos prêmios Para Saulo, o Espírito Santo ainda envia poucos livros para concorrerem em prêmios nacionais. “Como não colocamos muito, a chance de estar na pilha final também é menor. Qualquer indicação do Espírito Santo deve ser comemorada. Para mim a indicação já era um prêmio”, afirma o editor, ressaltando também a indicação de A Brecha para a finalíssima em sua categoria. A conquista também aponta para mudanças do mercado editorial e da avaliação dos prêmios. O livro lançado por uma pequena editora de um estado fora dos grandes eixos do país vencer um prêmio como o Jabuti era algo bastante improvável anos atrás. Mas em 2018, Mailson Furtado venceu a categoria Poesia com um livro autopublicado, sem editora. No ano passado, Cida Pedrosa ganhou a categoria Romance com obra publicado pela Cepe, vinculada ao governo de Pernambuco. Saulo Ribeiro (à direita), editor e fundador da Cousa, vendendo livros na Combiousa. Foto: Divulgação “O prêmio não cria tendências. Mas precisa enxergar o que está acontecendo para não perder sua relevância, como é essa questão das autopublicações e das editoras pequenas ou independentes, dessa pulverização das publicações”, explica. “Eu costumo definir editora independente como aquela que tem uma banca para vender, em que o editor e colaboradores ficam lá conversando com os leitores. Pode publicar 10 livros por mês, o que não seria editora pequena, mas se você tá lá na luta do cotidiano da literatura, considero independente. Com uma relação mais direta com o leitor, uma coisa mais visceral”. É o que ele chama de ‘1literaluta” Editora investe na difusão das obras A Cousa publica em média 30 a 40 livros por ano, embora o número de propostas que chegam seja muito maior. Saulo entende que o avanço da tecnologia permite que hoje editoras pequenas consigam uma grande qualidade gráfica, além da editorial. “A dinâmica econômica e a tecnologia começam a garantir a condição de não mais sair de seu estado para produzir boa literatura, cinema, teatro”, diz. Da mesma maneira, também permite que escritores lancem seus livros com muito mais facilidades por editoras de outros estados, como foi o caso de Flávio na Cousa. Saulo Ribeiro aponta que, junto a isso, o júri de prêmios como o Jabuti, antes centralizados em avaliadores do eixo Rio-São Paulo, também tem mudado de configuração,
Professores questionam lei que altera escolha de diretores em Cariacica
Medida determina que palavra final sobre as nomeações caberá ao prefeito Euclério Sampaio Profissionais da educação de Cariacica foram surpreendidos por uma matéria sancionada esta semana pelo prefeito Euclério Sampaio (DEM). A Lei Complementar nº 110/2021 altera o processo de nomeação dos diretores escolares, deixando brechas para que a escolha seja feita pelo chefe do Executivo. Para representantes da categoria, a alteração representa o descompromisso da atual gestão com uma educação democrática. Um dos artigos da lei informa que a nomeação dos diretores não terá mais vinculação aos candidatos apresentados e indicados pela comunidade escolar por meio do processo de escolha. O prefeito poderá escolher qualquer nome para ocupar a função. “A comunidade escolar pode até escolher um nome, mas isso não quer dizer que ele será diretor. Então a gente nem entende o motivo da escolha, já que está claro que a nomeação só vai acontecer se ele quiser”, aponta a pedagoga da rede municipal de ensino, Emiliana Amorim, integrante do coletivo Educação Pela Base. Para o professor Vitor Luiz Gonçalves, suplente do Conselho Municipal de Educação de Cariacica (Comec), a alteração do processo de escolha dos diretores escolares representa um retrocesso para a educação do município. “Quando a gente fala de gestão democrática, essa alteração elimina bastante a participação da comunidade escolar na administração da escola. Se a gente pensa em uma educação cidadã, isso está eliminando uma das formas de participação comunidade escolar”, ressalta. Outra questão apontada como problemática pelos profissionais é o processo de recondução dos diretores escolhidos, que não tem um limite pontuado na lei, no que se refere ao número de novas gestões. “Do jeito que está lá, o diretor pode ser reconduzido quantas vezes quiser. Não pode ser dessa forma, tem que ter uma rotatividade”, destaca. A eleição de diretores em Cariacica aconteceria em 2020, mas foi adiada em razão da pandemia da Covid-19. Os educadores afirmam que, até o momento, o pleito ainda não ocorreu, nem tem data prevista. A lei complementar foi publicada no Diário Oficial do município nessa terça-feira (23), revogando um texto de 2011. A matéria afirma que o objetivo é regulamentar a Gestão Democrática do Ensino Público Municipal de Cariacica, mas, segundo os educadores, nem o desenvolvimento da própria lei foi democrático. “Nós não participamos dessa conversa. Não passou pelo Conselho Municipal, foi via gabinete do secretário [José Roberto Martins] direto para a Câmara. Não teve discussão nenhuma com a comunidade”, enfatiza Emiliana. Fontes do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública no Espírito Santo (Sindiupes) em Cariacica também reforçam que a lei complementar não foi discutida. Para o professor Vitor Luiz, a situação é um exemplo do contexto atual da educação no município. “Essa gestão não prioriza a gestão democrática, não há nenhum tipo de consulta. É uma educação de cunho neoliberal, voltada para o empreendedorismo, totalmente descolada da comunidade escolar”, exclama. A situação também é reiterada pela pedagoga Emiliana. “A gente já tem percebido um grande desmonte na estrutura política organizacional da educação de Cariacica. Há uma ausência de participação na construção de uma política educacional”, pontua. Os problemas na gestão democrática da educação em Cariacica têm sido apontados há algum tempo. Em janeiro, professores e entidades da sociedade civil, como a Associação de Pais e Alunos do Estado do Espírito Santo (Assopaes), o Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Estado do Espírito Santo (Sindiupes) e o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Cariacica (Sindismuc) se posicionaram contra uma portaria publicada ainda na gestão do prefeito Geraldo Luzia, o Juninho (Cidadania), que atribuiu aos diretores de escola a escolha dos coordenadores de turno, a partir de 2021.
Conselho aprova exigência de passaporte vacinal para trabalhadores da Ufes
No caso dos estudantes da universidade, ainda não foi definido como se dará a exigência O Conselho Universitário da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) aprovou a obrigatoriedade da comprovação do ciclo vacinal completo por parte dos servidores, empregados públicos, trabalhadores terceirizados e estagiários que retornarem às atividades presenciais. A decisão, deliberada em reunião nessa quinta-feira (25), altera o artigo 20 da Resolução nº 31/2021, que regulamenta a reorganização das atividades administrativas e acadêmicas, considerando o retorno gradual e seguro às atividades presenciais. O artigo recomenda “a apresentação voluntária do certificado nacional de vacinação contra a Covid-19 perante a sua chefia imediata”. Entretanto, houve questionamento por parte da Associação dos Docentes da Ufes (Adufes), cuja assessoria jurídica entende que a exigência do comprovante de imunização é fundamental para um retorno presencial mais seguro. No caso dos estudantes, ainda não foi definido como se dará a exigência e uma nova reunião será convocada para a semana que vem. Alguns dos argumentos dos conselheiros na defesa do passaporte vacinal foram o fato de o Governo do Estado ter anunciado a exigência da vacinação para os servidores e a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, que derrubou a portaria que proibia demissão por falta de vacina. A assessoria jurídica da Adufes considera que a exigência do comprovante de imunização é fundamental e cita outras universidades que estabeleceram esse critério para a retomada das atividades presenciais, como a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e a Universidade Federal da Bahia (Ufba). “Reconhecemos o pleno exercício do livre arbítrio em não se vacinar, porém não pode corresponder a um salvo-conduto ou a um ‘direito’ de eventualmente contaminar alguém ou de se contaminar em locais onde os demais estejam vacinados, até porque as vacinas protegem, mas não geram 100% de imunização, como já reconhecido pela ciência”, informa parecer da assessoria jurídica da Adufes. O posicionamento do sindicato também segue a orientação da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que defende a adoção do passaporte de vacinas como uma estratégia de saúde pública. “Ao estimular e facilitar a vacinação de seus trabalhadores, as instituições e empresas (pequenas, médias e grandes) assumem a responsabilidade social de promover o retorno mais seguro às suas atividades presenciais, contribuindo para a manutenção de uma força de trabalho mais protegida contra a infecção pelo Sars-CoV-2”, aponta a fundação no Boletim Observatório Covid-19 publicado no fim de outubro. A nova resolução segue a Instrução Normativa Nº 90/2021, do governo federal, que orienta o retorno das atividades presenciais para os servidores públicos. Na Ufes, a retomada acontecerá conforme as condições físicas de cada unidade. A ideia é que pelo menos 20% dos servidores da unidade sejam convocados a cada 15 dias, até que o total de profissionais seja alcançado, com exceção daqueles que estão inseridos em grupos de risco. Como será o retorno A resolução aprovada pelo Conselho Universitário marca o retorno mais amplo dos servidores às atividades presenciais. Até o momento, apenas profissionais de setores indispensáveis ao funcionamento das atividades didáticas práticas – que já começaram – estavam autorizados a voltar. O texto também passa a permitir eventos coletivos, considerando os indicadores epidemiológicos do Governo do Estado. Será autorizada a realização de palestras, seminários, peças teatrais, sessões de cinema, reuniões colegiadas e etapas presenciais de concursos públicos. Para isso, será levado em conta as orientações e recomendações do Ministério da Saúde, o Plano de Biossegurança e o Plano de Contingência da Ufes e as orientações do Comitê Operativo de Emergência para o Coronavírus da Ufes (COE/Ufes). De acordo com a Universidade, as atividades de ensino, tanto na graduação quanto na pós-graduação, continuarão seguindo a Resolução 42/2021 do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe), que estabeleceu o ensino híbrido. Desde o último dia três de novembro, com o início do semestre letivo 2021/2, alunos finalistas da Ufes participam de atividades remotas e presenciais. A decisão vale para os estudantes que estão no fim do curso, para quem pode ser ofertado de forma presencial o conteúdo prático das disciplinas. No entanto, a decisão da aplicação ou não das atividades presenciais também ficou a critério dos departamentos.
Crea oficia presidente do Iema para reivindicar vagas para geógrafos em concurso
No documento enviado a Alaimar Fiuza, Conselho de Engenharia diz que inclusão melhora atendimento à sociedade Mais uma entidade se manifestou contra a ausência do cargo de geógrafo no concurso do Instituto Estadual de Meio Ambiente (Iema). O Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Espírito Santo (Crea/ES) encaminhou ofício para o presidente do órgão, Alaimar Ribeiro Rodrigues Fiuza, nessa quarta-feira (24), afirmando que “seria interessante para a melhoria do atendimento à sociedade a recomposição do número de geógrafos, pois o último concurso foi há 14 anos, e a defasagem tem sido sentida por aqueles que buscam essa autarquia estadual para obter licenças ambientais”. Assinado pelo presidente do Crea/ES, Jorge Luiz e Silva, o documento leva em consideração que “os geógrafos são os profissionais legalmente habilitados a exercer diversas funções chave no dia a dia do Iema”, portanto, “o investimento na recomposição do quadro agilizaria a atuação desse Iema e beneficiaria a própria economia capixaba, já que o licenciamento de diversos empreendimentos ganharia velocidade, gerando empregos, renda e aumento na arrecadação de impostos”. A realização do concurso foi autorizada pelo governador Renato Casagrande (PSB) em 25 de agosto. A previsão é que sejam ofertadas 60 vagas, com oportunidades para ensinos médio, técnico e superior. O Departamento de Geografia da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) se pronunciou em 15 de outubro sobre a ausência de vagas para geógrafo. Em ofício encaminhado para o presidente da autarquia e a diretora técnica, Caroline dos Santos Machado, o Departamento afirmou enxergar a situação com “estranhamento e preocupação”. Os professores destacaram que “apesar de abranger as três áreas do conhecimento [exatas, humanas e biológicas], são excluídas formações tradicionais dessa instituição [Ufes], como a Geografia, o que pode caracterizar uma assimetria no tratamento de profissões afins”. Os docentes apontaram que as atribuições profissionais dos geógrafos, definidas pela Lei 6664/79, “possuem estreita convergência com a missão institucional do Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos de: “assegurar o uso adequado dos recursos naturais, a conservação e a recuperação dos ecossistemas, contribuindo para a sustentabilidade do desenvolvimento, mediante a formulação e gestão das políticas públicas de meio ambiente e de recursos hídricos’”. No documento foi destacado também que “os órgãos da administração pública das esferas estadual e municipal do Espírito Santo são, há várias décadas, os principais destinos profissionais dos egressos e egressas dos cursos de graduação e pós-graduação em Geografia da Universidade Federal do Espírito Santo”. Segundo o Departamento, ao solicitar a inclusão de geógrafos no certame, seu objetivo é “manter e fortalecer as mútuas e harmônicas relações institucionais entabuladas entre a Universidade Federal do Espírito Santo, o Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos e a Secretaria Estadual do Meio Ambiente, que ao longo do tempo têm se mostrado sobremaneira benéficas para o avanço do desenvolvimento sustentável da sociedade capixaba”. Um grupo de geógrafos já havia encaminhado a mesma solicitação para o presidente do Iema. Eles afirmaram que este não se trata de um caso isolado. “Esta é uma conduta que tem sido adotada não somente no Iema, mas também em outros órgãos que atuam na área ambiental, como Agerh [Agência Estadual de Recursos Hídricos], Idaf [Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal] e Incaper [Instituto Capixaba de Assistência Técnica, Pesquisa e Extensão Rural [Incaper]”, diz o ofício. Servidores do Iema, da Agerh e da Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Seama) também se posicionaram sobre o assunto em requerimento administrativo encaminhado ao presidente da autarquia. Eles destacaram, entre outras questões, que dentro da Geografia, a cartografia é um instrumento metodológico do campo teórico pertinente aos estudos físico territoriais e ambientais. “E, neste sentido, é importantíssimo que o Iema tenha mais profissionais com essa habilidade, uma vez que os que exercem essa profissão no âmbito do instituto têm ficado cada vez mais sobrecarregados com demandas que envolvem ordenamento territorial, mapeamento de ecossistemas (manguezais e restingas em andamento na CGEO [Coordenação de Geoprocessamento]), análise de Áreas de Preservação Permanente e regularização fundiária em Unidades de Conservação, zoneamento ambiental, ecológico, estudos e levantamentos oceanográficos realizados para o Ministério Público Federal e Estadual, para criação de Unidades de Conservação, entre muitos outros”, defendem. Ainda de acordo com os servidores, há atividades e levantamentos no Iema em processo de execução muito lento devido à ausência de geógrafos. “Atualmente, a equipe da CGEO [Coordenação de Geoprocessamento] é composta de cinco servidores (3 geógrafos + 1 engenheiro + 1 analista de Tecnologia da Informação), sendo que, no próximo ano, um deles irá se aposentar, deixando a equipe mais reduzida, correndo o risco dessas atividades serem sobrestadas”, afirmam. Os servidores também apontaram a importância dos geógrafos em atividades como licenciamento ambiental, fiscalização para aplicação da legislação ambiental e gestão de Unidades de Conservação. Departamento da Ufes cobra vagas para geógrafos no concurso do Iema Professores veem a não oferta de vagas para geógrafos no certame com https://www.seculodiario.com.br/meio-ambiente/departamento-de-geografia-da-ufes-cobra-vagas-para-geografos-no-concurso-do-iema Ausência de vagas para geógrafos em concurso do Iema gera descontentamento Ofícios encaminhados ao presidente do Iema, Alaimar Fiuza, ressaltam a atuação dos profissionais na autarquia https://www.seculodiario.com.br/meio-ambiente/ausencia-de-vagas-para-geografos-em-concurso-do-iema-gera-descontentamento-na-categoria
Curso de formação de agentes municipais da Agroecologia abre inscrições
Online, gratuito e com certificado, curso acontece em dezembro com perspectiva de continuidade em 2022 Os desafios para a transição agroecológica, o papel do extensionista nesse processo e as diretrizes gerais que guiam o manejo de agroecossistemas. Esses são os temas que compõem a programação do Curso Formação de Agentes em Extensão Agroecológica e Produção Orgânica dos municípios capixabas, que acontece de sete a nove de dezembro, das 8h às 11h, por meio da plataforma Zoom. As inscrições estão abertas e também são feitas pela internet. O público-alvo é formado pelos profissionais que atuam em serviços de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater) nos municípios, especialmente os servidores municipais e os profissionais que atuam junto às Organizações de Controle Social (OCSs) na certificação participativa de produtos orgânicos. A iniciativa parte da premissa de que há escassez histórica de extensionistas especializados em Agroecologia e Agricultura Orgânica no Espírito Santo e que esse é um dos principais obstáculos à difusão mais ágil e ampla dos empreendimentos livres dos venenos que caracterizam o agronegócio. Anunciada em julho, a atividade é resultado de uma parceria entre a Secretaria da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag), por meio da Coordenação de Agroecologia e Produção Orgânica (Coagro), o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), a Associação dos Municípios do Espírito Santo (Amunes) e o Fórum Estadual de Combate aos Impactos de Agrotóxicos e Transgênicos do Ministério Público Estadual (Fesciat/MPES). O curso emite certificado de participação e conclusão, é planejado de forma modular, e integra o projeto de estruturação e fortalecimento da Rede Capixaba de Ater em Agroecologia, que já é executado por esse conjunto de instituições públicas, com objetivo de ampliar a oferta dos serviços de Ater para melhor estimular iniciativas agroecológicas em todo o Estado. “Vamos fazer um primeiro módulo agora em dezembro e dar continuidade no próximo ano”, afirma a extensionista e coordenadora de Agroecologia do Incaper, Andressa Alves. “A COP 26 [Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas] reforçou a urgência de mudarmos a forma como nos relacionamos com o meio ambiente. A Agroecologia, em suas diversas modalidades, já é reconhecida como um caminho para tornar nossa agricultura mais sustentável”, complementa o coordenador de Projetos e da Coagro da Seag, Luciano Macal Fasolo. “É possível conciliar, de forma harmônica, a produção de alimentos, matérias-primas, fibras e riqueza, sem comprometer os recursos naturais”, ressaltou.
Governador marca reunião com servidores da saúde e acampamento chega ao fim
Trabalhadores ficaram 24 horas em frente ao Palácio Anchieta sem serem recebidos por Casagrande Foto: Creare Comunicação Os trabalhadores da saúde que estavam acampados no Palácio Anchieta, no Centro de Vitória, voltaram para suas casas após ficarem cerca de 24 horas no local. O acampamento chegou ao fim depois de ser agendada, para primeiro de dezembro, uma reunião entre representantes dos servidores e o governador Renato Casagrande (PSB), para que possam apresentar as reivindicações da categoria O agendamento da reunião, relata a presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Saúde Pública no Espírito Santo (Sindisaúde), Geiza Pinheiro, ocorreu após ela e outro trabalhador se acorrentarem no portão do Palácio Anchieta como forma de protesto contra a falta de diálogo por parte da gestão estadual e por se sentirem ameaçados. Geiza afirma que policiais militares encapuzados e munidos de spray de pimenta apareceram no local. Foto: Edilson Lenk O acampamento teve início nessa quarta-feira (24), com a promessa por parte dos trabalhadores que somente sairiam de lá quando fossem recebidos pelo governador, inclusive, não descartando a possibilidade de greve caso não fossem ouvidos. As reivindicações são a correção da tabela de subsídios e recomposição das perdas salariais. Desde 2015, os trabalhadores da área não recebem nenhuma reposição salarial, o que já soma um acúmulo de perdas de mais de 50%. O sindicato luta também por correção no valor do vale-alimentação, que há mais de 10 anos está em R$ 300,00. Além de fazer o acampamento, os trabalhadores protocolaram ofício no Palácio Anchieta. No documento, o sindicato solicitou a reunião em caráter de urgência e recordou que foi protocolado ofício em três de novembro deste ano, solicitando abertura de diálogo, mas sem que houvesse resposta por parte da gestão estadual. Também rememorou que diversos órgãos estaduais já foram procurados para solicitar que o diálogo acontecesse, como a Subsecretaria de Governo. Em cinco de novembro, o sindicato fez uma manifestação em frente à Secretaria de Estado de Gestão e Recursos Humanos (Seger), também no Centro de Vitória. Devido ao protesto, representantes do Sindsaúde foram recebidos pelo subsecretário de Administração e Desenvolvimento de Pessoas, Charles Dias de Almeida, que assumiu compromisso de apresentar proposta de correção. O assunto voltou a ser discutido na última quinta-feira (18), em reunião entre a entidade e o secretário Gestão e Recursos Humanos, Marcelo Calmon Dias. Geiza informa que o gestor falou que não há base técnica para incluir auxiliares administrativos e vigias na correção da tabela de subsídios. Entretanto, o Sindisaúde reivindica a inclusão dessas categorias, além da efetivação da correção para auxiliares de enfermagem, de serviços gerais e de serviços médicos e almoxarife, já que a gestão estadual falou que contemplaria esses cargos, mas ainda não o fez. A reivindicação, segundo Geiza, é que contemplando esses grupos, seja possível, ainda em 2021, fazer isso com outros cerca de 50 cargos. As negociações para a correção da tabela de subsídio começaram no primeiro mandato do governador Renato Casagrande, entretanto, pararam no do ex-governador Paulo Hartung (sem partido), sendo retomadas em 2019, com a volta de Casagrande à gestão estadual. Acampados no Palácio Anchieta, servidores da saúde ameaçam fazer greve Categorias aguardam, desde a manhã desta quarta-feira, reunião com o governador Renato Casagrande https://www.seculodiario.com.br/saude/trabalhadores-da-saude-prometem-fazer-greve-caso-nao-sejam-recebidos-pelo-governador Trabalhadores da saúde acampam no Palácio Anchieta nesta quarta Mobilização no local ocorrerá até realização de uma reunião com Casagrande, com respostas às reivindicações https://www.seculodiario.com.br/saude/trabalhadores-da-saude-farao-acampamento-em-frente-ao-palacio-anchieta-nesta-quarta Correção da tabela de subsídio motiva manifestação de trabalhadores da saúde Após protesto em frente à Seger, representante da pasta assumiu compromisso de apresentar proposta de correção https://www.seculodiario.com.br/direitos/correcao-da-tabela-de-subsidio-motiva-manifestacao-de-trabalhadores-da-saude