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Juventude negra capixaba vai às ruas contra racismo e extermínio

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Apesar da chuva, marcha mobilizou centenas de pessoas nos bairros do Território do Bem, em Vitória Pela décima quarta vez, a Marcha Contra o Extermínio da Juventude Negra marca o 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, no Espírito Santo. Apesar da chuva e da pandemia, mais de 500 pessoas compareceram ao ato, que no final da tarde deste sábado percorreu as ruas de diversos bairros da região do Território do Bem, em Vitória. “Nossa missão hoje é falar para além de nós. Hoje a gente quer dialogar com as casa desse território. A gente sabe que a fome, a bala da política, o desemprego e o vírus tem endereço certo e o endereço e a casa de nós que somos mais pobres”, disse ao microfone Ana Paula Rocha, do Círculo Palmarino, uma das diversas entidades que apoiaram o ato, tradicionalmente construído a partir do Fórum da Juventude Negra do Espírito Santo (Fejunes). “A existência do Fejunes possibilita a formação política, crítica, cidadã, que muitas vezes o jovem não acessa dentro da escola pública. É um espaço para a juventude se encontrar e pensar novas possibilidades que infelizmente às vezes as políticas públicas não nos proporcionam”, disse Filipe Lima, atual presidente do fórum. Leonardo Sá Tradicionalmente, a marcha acontece no Centro de Vitória, mas este ano a opção foi levar às comunidades, passando por Gurigica, Jaburu, Consolação, Floresta, Bonfim, Bairro da Penha e Itararé. Uma van seguia à frente com o som, seguida de uma sequência de pessoas e guarda-chuvas coloridos, subindo e descendo ruas estreitas e trazendo discursos, músicas e poesias apresentadas por jovens negros refletindo a realidade de suas vidas e os impactos do racismo, da pobreza e das ações policiais violentas. Gritos como “a juventude negra quer viver, “povo negro unido é povo negro forte”, “fora Bolsonaro” e “eu quero o fim da Polícia Militar”, ecoaram pelas ruas que conectam os bairros, onde a despeito do estigmas, criminalização e altos índices de violência, os movimentos comunitários e de juventude se fazem presentes e atuantes na luta por justiça social. “Tínhamos muitas expectativas em dialogar com a periferia. A gente acha que deu conta do recado. A chuva atrapalha mas costuma chover sempre no mês de novembro, que é quando ocorre o ato”, disse Ramon Matheus, diretor do Fejunes e presidente do Conselho Estadual de Juventude (Conjuve). Desmonte das políticas públicas Ela aponta que está em curso no país um desmonte das políticas públicas. “Mesmo quando tivemos maior investimento em políticas de direitos, não tivemos uma diminuição drástica do índice de violência. Mas nesse momento em que as políticas de direitos humanos e promoção da vida estão sendo destruídas, isso vai incidir de maneira muito mais intensa para a juventude negra” Filipe vê em questões como alimentação, educação e emprego alguns dos maiores desafios atuais para a juventude negra e periférica no Brasil. No Espírito Santo, ele vê avanços como o início da implantação de Centros de Referências das Juventudes (CRJs) em vários municípios a partir do governo do Estado, mas critica o abandono do equipamento pioneiro dessas políticas por aqui, o CRJ de Vitória, de responsabilidade da prefeitura, atualmente fechado e com obras inacabadas e sem previsão de reabertura. Porém, o presidente do Fejunes cobra melhores políticas de inserção no mercado de trabalho e também se mostra preocupado com os impactos da reforma do Ensino Médio e falta de novos concursos para o magistério. “Basta do Estado nos matar. Não queremos mais mães pretas chorando toda semana por seus filhos, as mulheres sendo mortas dentro de casa por seus companheiros, que pessoas sejam condenadas por sua forma de amar, por seu corpo e por sua forma de viver”, protestou Ana Paula, que falou da necessidade de “dar nome aos bois”, apontando a responsabilidade do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), do prefeito Lorenzo Pazolini (Republicanos), e do governador Renato Casagrande (PSB) e do Coronel Ramalho, atual secretário de Segurança Pública do Estado, estes dois responsáveis por comandar a Polícia Militar, que executa diversos operativos questionados por comunidades, inclusive no Território do Bem. Movimento Negro Evangélico participou do ato. Foto: Leonardo Sá Cartazes, músicas e palavras levaram mensagens durante o ato. Foto: Leonardo Sá Intervenções com poesias e discursos foram feitas durante a marcha. Foto: Leonardo Sá A chuva não desanimou os manifestantes. Foto: Leonardo Sá Vários movimentos sociais participaram do ato. Foto: Leonardo Sá Lula Rocha, um dos fundadores do Fejunes, foi homenageado. Foto: Leonardo Sá Encontro completou 14 anos reunindo uma nova geração de jovens capixabas. Foto: Leonardo Sá Polícia Militar acompanhou o ato, no qual manifestantes contestaram as operações violentas. Foto: Leonardo Sá Alguns manifestantes levaram cartazes com suas mensagens. Foto: Leonardo Sá Geralmente realizada no Centro de Vitória, em 2021 a marcha aconteceu em bairros do Território do Bem. Foto: Leonardo Sá Branco sai, preto fica Sobre a data, Édson Bonfim, do Quilombo Raça e Classe, lembrou que nesta ano marca-se 50 anos do início das comemorações da data de morte de Zumbi dos Palmares como Dia da Consciência Negra, a partir da sugestão do poeta e professor gaúcho Oliveira Silveira, do Grupo Palmares. A iniciativa alcançou repercussão nacional a partir do movimento negro, questionando o 13 de maio, data da abolição da escravatura, que até então era uma data comemorativa no país. Assim questionou-se tanto o significado do pós-abolição, que não representou de fato inclusão do povo negro, enfrentamento ao racismo e redução significativa das desigualdades. Também substituiu a figura de Princesa Isabel, uma monarca branca, como protagonista dessa luta por liberdade, exaltando em seu lugar Zumbi, líder que organizou o maior quilombo do país, como um símbolo de resistência. Outra lembrança feita durante a marcha foi do militante Lula Rocha, falecido em fevereiro deste ano por complicações de saúde. Atuante no movimento negro, de direitos humanos e em diversas causas sociais ele foi um dos fundadores do Fejunes e um dos principais articuladores da marcha em suas primeiras edições. “Saudemos a memória desse guerreiro que dedicou sua vida à luta contra extermínio da juventude negra.

21/11/2021 / 0 Comments
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Família de mulher morta em presídio move ação contra o Governo do Estado

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Assassinato ocorreu em presídio destinado à comunidade LGBT+. Ação alega danos morais e materiais A família de uma detenta reivindica indenização por danos morais e materiais contra o governo do Estado pelo assassinato de sua filha, uma mulher transgênero que cumpria pena na Penitenciária de Segurança Média II (PSME II), destinada a presos LGBTI+. A vítima foi morta em 21 de outubro por um companheiro de cela, que teve ajuda de outros dois detentos para cometer o crime.  A família almeja indenização por danos morais no valor de R$ 100 mil, além de danos materiais no valor de 1/3 do salário mínimo até a expectativa média de vida da vítima, que segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), era de 76 anos, ou até o falecimento da requerente, que é a mãe da mulher assassinada. Quando o crime ocorreu, a Secretaria Estadual de Justiça (Sejus) se pronunciou dizendo que a ocorrência havia sido registrada pela Polícia Civil (PC) como suicídio e que quatro internos prestaram depoimento no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), sendo instaurado inquérito policial pela Delegacia de Crimes Carcerários, para apurar as circunstâncias do fato. No inquérito consta que foi determinada “a lavratura do competente auto de prisão em flagrante de delito” contra os três detentos que participaram do crime. O advogado da família, Antonio Fernando Moreira, defende, no pedido de indenização, que não foi adotada qualquer ação para garantir a sobrevivência da vítima, “apenas uma inauguração de presídio, supostamente para apenas presos LGBTI+, para inglês ver”. A afirmação se baseia, conforme consta no documento, no fato de que um dos assassinos se autodeclara cisgênero no Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias (Infopen), ou seja, não pertence à comunidade LGBT+. De acordo com o relato feito no pedido de indenização, ele desferiu um “mata-leão” contra a vítima e permaneceu segurando seu pescoço por algum tempo. Depois, outro detento colocou as pernas em cima das pernas da mulher para que ela parasse de se debater e fazer barulho. Em seguida, o interno que deu o “mata-leão”, ainda segurando o pescoço da vítima, solicitou para um terceiro que pegasse um lençol para enforcá-la, pedido que foi acatado. As agressões findaram somente quando foi constatada a morte. Conforme consta no pedido de indenização, o detento que deu início à violência pratica artes marciais e disse que agiu motivado por uma dívida de comida. Além disso, ele teria tentado matar outro colega de cela na noite anterior, pois sua intenção com os crimes era ser transferido para outro presídio. Não se trata do primeiro assassinato cometido pelo criminoso, pois, segundo o documento, em dezembro de 2019, de acordo com denúncia oferecida pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES), ele espancou outro detento até a morte na Penitenciária Estadual de Vila Velha II (PEVV II – Xuri). O advogado da família destaca, no pedido de indenização, que na Constituição Federal “é assegurado aos presos o respeito à integridade física e moral”. Assim, cabe ao Estado “resguardar tais bens, sob pena de responder por perdas e danos”. Também menciona a responsabilidade civil do Estado, prevista no inciso seis do artigo 37 da Constituição, que afirma que “as pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa”. A Penitenciária de Segurança Média II (PSME II) foi inaugurada em 26 de maio deste ano e se trata da primeira unidade prisional exclusiva e de referência à população LGBTI+ no Espírito Santo. Tem capacidade para 296 custodiados e funciona no complexo de Viana. Seu objetivo é garantir que não haja violações de direitos a este grupo. Violência simbólica na prisão gera adoecimento psicológico na comunidade LGBT+ Cerceamento da expressão de gênero é destacada como uma das formas de violência simbólica  https://www.seculodiario.com.br/direitos/violencia-simbolica-na-prisao-gera-adoecimento-psicologico-na-comunidade-lgbt Família exige apuração da morte de detento no Presídio de Vila Velha Advogados da família de Leonardo Silva Gonçalves apontam controvérsias nas informações sobre a morte https://www.seculodiario.com.br/seguranca/familia-exige-apuracao-da-morte-de-detento-no-presidio-de-vila-velha

21/11/2021 / 0 Comments
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Os territórios percussivos de Leo de Paula

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Músico, professor e multi-instrumentista, ele apresenta no Mucane o disco Grão, com composições autorais Oriundo do subúrbio do Rio de Janeiro, Leo de Paula cresceu em meio ao ambiente das rodas de samba, pagodes, batucadas, baterias de escolas de samba, partido alto e outros sons. “Tendo isso como mola precursora, não tem como não desenvolver uma musicalidade sem ter uma relação séria com a percussão”. E a relação entre Leo e a percussão ficou ainda mais séria quando ainda jovem se mudou para o Espírito Santo e aos 15 anos entrou para a Orquestra Pop Jazz do Ifes, comandada até hoje pelo maestro Célio Paula. O ingresso posterior na Faculdade de Música do Espírito Santo (Fames) fez com que o jovem carioca se firmasse de vez em terras capixabas, onde nas últimas décadas tem desenvolvido um reconhecido trabalho como percussionista e professor. O talento autoral como compositor agora ganhou um registro mais acessível com o lançamento de Grão – Território Percussivo, disco será apresentado ao vivo e gratuitamente na próxima terça-feira (23), às 16 horas no Museu Capixaba do Negro (Mucane), no Centro de Vitória, com participação do Grupo de Percussão do Projeto Vale Música Serra e do Projeto Badu de Dança Afro-Brasileira A obra já está disponível gratuitamente nas plataformas de streaming e também à venda no formato CD no site da Fina Produtora. Mariana Garcia Grão – Território Percussivo possui 12 faixas, que incluem trilhas sonoras feitas por Leo de Paula para espetáculos de teatro e dança criados no Estado e também por uma série de composições elaboradas durante o período de pandemia. O passeio instrumental é amplo: no disco escutam-se mais de 20 instrumentos, com pandeiro, tambor de congo, chocalhos, caxixi, berimbau, marimba, timbal, cuíca, handpan e outros. “”As referências composicionais vão desde o potencial de protagonismo inerente a tais instrumentos (muitas vezes relegados ao exótico e folclórico), passando por alusões a arquétipos sagrados afro-brasileiros, pelo misterioso fascínio provocado pela natureza e pela experiência marcante da paternidade”, relata. Além de lecionar cursos, oficinas e disciplinas no Mucane, Sesc Glória, Fames e outros, Leo Já participou da Orquestra Sinfônica do Espírito Santo (Oses), da Camerata Brasil/Vale Música e tocou em diversos países como Holanda, Sérvia, Inglaterra e Estados Unidos, além de palcos nacionais importantes como do Teatro Municipal do Rio de Janeiro e Sala São Paulo. Mas o disco autoral, com canções próprias com exceção de Grão que marca o título do disco, de autoria do amigo e parceiro Leonardo Gorosito, a quem Leo de Paula a dedica, por ser uma obra que lhe abriu portas quando a tocou. “Eu não comecei a compor pensando num álbum”, conta Leo de Paula sobre o processo que levou ao disco. Ele avalia que os convites para elaborar trilhas sonoras para espetáculos, sobretudo sobre temáticas afrobrasileiras, abriram um caminho para exercer sua criatividade musical para compor. “Deu um fôlego, passei a ter mais confiança. O ambiente acadêmico às vezes inibe, acaba tolhendo o processo criativo. Por isso incluí trilhas que percebi que ganharam vida para além das apresentações dos espetáculos, daí vislumbrei um caminho para o álbum”, explica. Leo de Paula tocando um handpan, um dos mais de 20 instrumentos utilizados nas gravações do disco. Foto: Mariana Garcia Algumas delas foram remixadas, ressignificadas de alguma maneira para entrar no álbum, como Xirê, Cortejo e Ventania. Outras permaneceram mais fiéis às composições originais. Seis das canções foram escritas em 2019 para a trilha sonora do espetáculo “Macurá-Dilê”, posteriormente recoreografadas e incorporadas a outros espetáculos. Nesse caminho de produção, um segundo grupo de canções, elaboradas em situação diferente, completa o disco. Em meio à pandemia de Covid-19 e a necessidade de isolamento social, Leo viveu a experiência de ser pai, questões que repercutiram em novas composições autorais. “Durante a pandemia com minha esposa grávida foi tudo muito intenso, um momento aflito”. O músico dedica ao filho Andrey, hoje com 1 ano e trës meses, as três canções da parte final do disco: Jdu tebyá, De lá e de cá e Abrandamento. “Elas expressam sensações de aflição, expectativa, trocas, de batucar na barriga da minha esposa, pirar no pandeiro e fazer um som pensando nisso”, conta. Na última faixa, Das Águas, aparece a participação especial da voz de sua esposa, Ekaterina Bessmertnova, cantora russa radicada no Brasil. O que articula a experiência sonora de Grão em meio a canções com processos, datas e origens distintas é justamente o subtítulo do álbum. “Território Percussivo é o universo, a ampliação, a vastidão de sons, formas de batucar, sacudir, raspar, bater à toa numa com a mão ou dedos numa superfície. O que o universo oferece de possibilidades sonoras não tem fim, e ajuda a expressar coisas que às vezes não conseguimos dizer com as palavras. É uma verdade que está ali, através dos sons percussivos”, explica o multi-instrumentista. Para ele, a arte ganha ainda maior dimensão ao chegar ao espectador, e encontrar nele possíveis mensagens, sentimentos, interpretações, entendimentos, mesmo sem palavras. Capa do disco Grão -Território percursivo CD “Grão: Território Percussivo”, de Léo de Paula Lançamento presencial: dia 23 de novembro, às 16h, no Museu Capixaba do Negro Verônica da Pas (Mucane) – Avenida República, 121, Centro, Vitória, com recital de Léo de Paula e a participação do Grupo de Percussão do Projeto Vale Música Serra e do Projeto Badu de Dança Afro-Brasileira, desenvolvido pela Estação Conhecimento de Serra; e das convidadas Ekaterina Bessmertnova (cantora) e Rapha Mel (coreógrafa). Evento aberto ao público. Apoio: Projeto selecionado pelo Edital 033/2019, da Secretaria de Estado da Cultura (Secult-ES), e realizado com recursos do Funcultura. Onde adquirir o CD: no site da FiNA Produtora – www.finaprodutora.com.br Preço: R$ 20,00 Disco faixa a faixa comentado por Leo de Paula: 1 – SerpenteInstrumentação: Caxambores, djembê, congas, sementes, agogôs de castanha, jam block, agogô 4 campânulas, puíta, tambor de congo. Os chocalhos, tambores, agogôs, cocos e castanhas, além do roncador, são o clima sonoro desta faixa de abertura. A sonoridade e toda trama rítmica, timbrística e melódica se refere a Oxumaré, orixá de

21/11/2021 / 0 Comments
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Quando tudo isso passar

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“Deus e uma mulher fizeram Jesus, os homens não têm nada a ver com Ele” Baila no ar um cheirinho de baunilha e fim de ano – novembro está mais pra lá do que pra cá, mas não acabou ainda. Inverno aqui, verão aí, as diferenças nos unem, disse o otimista. A gente divide o guarda-roupa – leva as roupas de verão, traz as de inverno. Em junho o mundo se renova: leva as roupas de inverno, traz as de verão. Economia no bolso e no espaço dos armários. * Assim, sem mais nem menos, homenageio as mulheres de novembro – nascidas ou morridas. O abraço ilimitado da Internet se estica a todas elas, aqui representadas por três que se destacaram no vasto panteão dos feitos humanos. As diferenças nos confundem, disse o pessimista. Quantas praças e ruas temos com nomes de mulheres? Quantas estátuas de mulheres foram erguidas em Vitória? Que me lembre, só Maria Ortiz e a Virgem Maria. * A bela – Nascida em Viena em 9/11/1914, Hedwig Eva Maria Kiesler Lamarr já foi considerada a mulher mais bonita do mundo. Tinha que ser também uma das mais inteligentes? Durante a Segunda Guerra Mundial, ela inventou o sistema que serviu de base para os modernos telefones celulares, criando um sofisticado aparelho de interferência em rádio para despistar os radares nazistas. Em 1940 ela patenteou o aparelho, mas sua contribuição para a tecnologia moderna só agora tem sido reconhecida. * Famosa mundialmente como Hedy Lamarr, a bela fez muitos filmes e contracenou com os maiores nomes de Hollywood. Alguém a viu em Sansão e Dalila? Dizem, não sei se é verdade ou boato, que após ser coroado imperador dos USA, Kennedy partiu para Hollywood: queria dormir com Hedy antes que ela ficasse velha. Infelizmente, a atriz matou a cientista – não lhe davam crédito por ser bonita demais. Hedy teve outras invenções no currículo, rejeitadas por serem muito avançadas para a época. Ela disse: Qualquer mulher pode ser glamorosa. Basta ficar parada, com cara de idiota. * A iletrada. Isabella Baumfree não teve registro de nascimento, por isso seu dia é comemorado em 26 de novembro, quando faleceu. Negra, escrava, iletrada, abolicionista, ativista, feminista, brilhante oradora – sem ter frequentado escola. Isabella mudou seu nome para Sojourner Truth – tradução livre: Verdade Andarilha – e saiu pregando suas ideias nas segregadas cidades americanas. O povo viajava longas distâncias para ouvi-la, entre eles o presidente Lincoln – que não a convidou para ir à Casa Branca: foi onde ela estava. Dizem, não sei se é verdade ou boato, que levantou a blusa e mostrou os seios no famoso discurso: Não sou uma mulher? Ela disse: Deus e uma mulher fizeram Jesus, os homens não têm nada a ver com Ele. * A cientista – Maria Salomea Skłodowska, também de Novembro, foi uma cientista polonesa naturalizada francesa e ficou conhecida com o nome do marido: Madame Curie. A primeira mulher a ganhar o Nobel, a primeira pessoa e a única mulher a ganhar o prêmio duas vezes, e a única pessoa a ganhar o prêmio com dois trabalhos científicos. O marido foi parceiro no primeiro prêmio, e eles se tornaram o primeiro casal a compartilhar a honraria – somando cinco estatuetas. Em 1906, Maria Salomea foi a primeira mulher professora da Universidade de Paris. Lindo filme no Netflix sobre sua tumultuada vida. Ela disse: Você não pode esperar construir um mundo melhor sem melhorar as pessoas. Cada um de nós deve trabalhar para o nosso próprio aprimoramento. * Assim vamos fechando as portas de um ano triste, contando os minutos para que acabe logo. O povo aqui está pulando a tradicional decoração do Thanksgiving e espalhando às pressas nas portas e janelas as luzinhas pisca-pisca e os bonecos infláveis. Sinal inequívoco de que todos têm pressa de chegar em 2022, na esperança de que seja melhor que os dois anteriores. Millôr Fernandes: Em ciência leia sempre os livros mais novos. Em literatura, os mais velhos.

20/11/2021 / 7 Comments
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Exposição fotográfica destaca o legado de mulheres negras em Cariacica

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Com autoria de Amanda Bolonha, o projeto é realizado em menção ao Dia da Consciência Negra Divulgação Está em exposição no Centro Administrativo da Prefeitura de Cariacica, o projeto “Minha Consciência Negra”, da fotógrafa Amanda Bolonha. O projeto faz parte da programação do município em menção ao Dia da Consciência Negra, comemorado neste sábado (20), e homenageia o legado de mulheres como Dandara, liderança fundamental na luta contra a escravidão no Brasil. As fotos retratam mulheres negras com pinturas tradicionais dos povos africanos, que são amigas ou mulheres próximas a Amanda, que além de estarem presentes nas imagens, também contaram os próprios casos de violências raciais que sofreram durante a vida. “O intuito da exposição é ocupar espaços e, além de homenagear essas mulheres, colaborar para a luta antirracista”, aponta. Aos 26 anos, Amanda sabe o que é estar nessa luta. Moradora de Campina Grande, em Cariacica, ela conta que o racismo sempre esteve presente nas suas relações, mas se tornou mais perceptível quando foi aprendendo sobre o assunto. “Muito do racismo que eu sofri desde pequena, só fui perceber depois fazendo terapia, estudando, atuando como professora nas comunidades. Foi quando fui identificando diversas situações que passei”, relata. A fotografia passou a fazer parte da vida da artista aos 16 anos, se tornando uma ferramenta de expressão. Desde então, Amanda só fotografa mulheres. “Por ser uma mulher preta, eu sentia a necessidade de inclusão na fotografia, porque é uma profissão muito masculinizada, eu me sentia excluída. E também não via tantas mulheres pretas então foi uma maneira que eu encontrei de me expressar, dentro da profissão, o que eu vivo”, conta. A fotógrafa também é educadora social e atua em diferentes projetos em comunidades da Grande Vitória. Esse contato próximo com crianças também foi um fator de incentivo para o projeto. “As crianças têm muita dificuldade de se enxergarem enquanto pretas, as meninas principalmente, de se enxergarem com autoestima, então eu fui vendo esses casos desde nova e sentia que tinha que fazer alguma coisa”, afirma. Divulgação Ao explicar sobre cada fotografia, Amanda tenta sempre recuperar a importância do trabalho desenvolvido por mulheres pretas nas lutas pelo direito à própria existência. Uma das histórias que está sempre presente é a de Dandara, que lutou com Zumbi dos Palmares contra a escravidão. “Só que ela não é vista como a referência, é pouco citada. Eu faço referência a Dandara, porque ela lutou com Zumbi, mas não é vista na história. Mais uma vez, a mulher é esquecida”, declara. Os impactos dessa violência simbólica, muitas vezes, estão presentes até no momento da exposição, na reação de quem passa pelo local, conta Amanda. “Muitas pessoas não enxergam como uma homenagem, elas passam e questionam o motivo da data, o porquê da exposição, ou passam longe, e isso me dói muito, porque vejo que ainda é uma resistência muito grande”, relata. Além da prefeitura, a exposição está disponível para visitação no Shopping Moxuara até a próxima segunda-feira (22). Neste sábado (20), Amanda Bolonha vai participar de uma roda de conversa sobre o tema, no Centro Cultural Frei Civitella, em Campo Grande. A programação é promovida pela Gerência da Juventude da Secretaria Municipal de Assistência Social (Semas) de Cariacica, com participação das gerências da Mulher e da Igualdade Racial e da Secretaria Municipal de Cultura. 

20/11/2021 / 1 Comment
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‘Queríamos o projeto na íntegra, como foi apresentado pelo senador’

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Sindicatos criticam alterações no projeto do piso salarial da enfermagem, que será votado em 24 de novembro O senador Fabiano Contarato (Rede) divulgou em suas redes sociais, nesta sexta-feira (19), que o Projeto de Lei 2564/2020, de sua autoria e que institui o piso salarial dos enfermeiros, técnicos, auxiliares de enfermagem e parteiras, será votado no Senado Federal na próxima quarta-feira (24). Entretanto, a categoria faz críticas ao fato de que o texto que vai ao plenário se difere do original no que diz respeito aos valores do piso e por não prever a carga horária semanal de 30 horas. “Queríamos o projeto na integra, como foi apresentado pelo senador”, lamenta a presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Saúde do Espírito Santo (Sindsaúde-ES), Geiza Pinheiro. Em suas redes, Contarato incentivou que seja feita uma “mobilização reforçada” para “sensibilizar os senadores pela aprovação desse projeto que é a maior e mais justa homenagem que podemos fazer a esses profissionais!”. E acrescentou: “essa é uma dívida do Brasil com esses guerreiros, imprescindíveis na vida da população”. A proposta apresentada por Contarato previa piso salarial nacional de R$ 7,3 mil mensais para enfermeiros, de R$ 5,1 mil para técnicos de enfermagem, e de R$ 3,6 mil para auxiliares de enfermagem e parteiras. O valor estabelecido pelo projeto, no caso dos enfermeiros, era para jornada de 30 horas semanais. Em caso de jornadas superiores, o piso salarial nacional teria a correspondência proporcional. De acordo com Geiza, para o projeto ir ao plenário foi preciso fazer algumas concessões. O valor do piso para enfermeiros ficou em R$ 4,75 mil para carga horária de 40 ou 44 horas, conforme o contrato de trabalho. Portanto, quem faz carga horária de 30 horas receberá valor inferior ao piso. A remuneração para os técnicos ficou em R$ 3,29 mil ou seja, 70% do valor previsto para os enfermeiros. Já o salário dos auxiliares e parteiras, 50% do que será pago para os enfermeiros, totalizando R$ 2,35 mil. “Caso seja aprovado, vai ajudar. Não é o ideal, mas no momento de sofrimento, principalmente nos municípios, atende em parte. Continuaremos lutando para melhorar”, diz Geiza, que informa que em alguns municípios capixabas, como Nova Venécia, no noroeste do Estado, os técnicos ganham R$ 1mil, ou seja, menos de um salário mínimo. Em sete de novembro o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), já havia sinalizado que o PL seria votado antes do fim do ano. Em conversa com Fabiano Contarato (Rede), autor do PL, Pacheco prometeu pautar a matéria ainda em novembro. Em nota publicada em três de fevereiro pelo Sindicato dos Enfermeiros do Espírito Santo (Sindienfermeiros-ES), a entidade demonstrou preocupação com as alterações no projeto. “Caso esse PL seja aprovado, os enfermeiros que optarem por não aceitar a redução do valor, em especial desvinculado das 30 horas, em locais onde não existem jornada de 30 horas estabelecida, passariam a receber R$ 4,75 mil por 44 horas semanais. Salvaguardando os servidores públicos que recebem mais do que esse valor, entretanto, poderiam ter salários congelados sem reajuste como já acontece na prática de alguns municípios e estados”, disse a entidade. O sindicato também apontou para a ameaça de demissões em contratos, em situações em que o profissional receba acima do piso proposto e não tenha estabilidade. Reforma tributária ‘justa e solidária’ possibilitará piso salarial da enfermagem Fabiano Contarato aponta estudo com propostas que acrescentariam bilhões para a União, estados e municípios https://www.seculodiario.com.br/politica/reforma-tributaria-justa-e-solidaria-possibilitara-piso-salarial-da-enfermagem

20/11/2021 / 2 Comments
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Juiz eleitoral desfaz comissão do MDB de Colatina nomeada por Rose de Freitas

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Rose de Freitas assumiu o MDB no Estado em janeiro deste ano em meio a conflitos internos no partido Ainda está longe a pacificação prometida pela senadora Rose de Freitas ao assumir a presidência do MDB no Estado, em janeiro deste ano. Os conflitos internos permanecem, como mostra decisão do juiz eleitoral Lindemberg José Nunes, que suspendeu, nesta quinta-feira (18), a nomeação da comissão provisória municipal de Colatina, no centro-oeste do Estado, ignorando o registro e homologação dos nomes eleitos na convenção municipal do partido, realizada no dia 15 de maio. Nomeações para cargos e a prorrogação de mandatos em diretórios municipais do MDB pela senadora Rose de Freitas, presidente da Comissão Provisória Estadual, em desacordo com o estatuto da sigla, vêm sendo objeto de denúncia, acirrando uma nova crise interna no partido. Em maio, Lauristone da Silva foi reeleito presidente da Executiva de Colatina. Ele foi “atropelado pela nomeação de uma comissão, incluindo pessoas que nem são membros do partido”, comentou, e cita o vice-presidente da comissão, Pergentino de Vasconcelos Júnior, diretor do Centro Universitário do Espírito Santo (Unesc), que está filiado ao Cidadania. O recurso administrativo, formulado na época, evoluiu para a judicialização, resultando na decisão do juiz Lindemberg José Nunes. De acordo com a denúncia, “o estatuto prevê que os membros dos diretórios e das comissões executivas, assim como suplentes serão considerados automaticamente empossados, tão logo sejam proclamados os resultados das respectivas eleições”. Nas alegações, acolhidas pela Justiça, afirma que Rose de Freitas, presidenta da Comissão Provisória Estadual, “ao invés de conferir seguimento ao rito processual para o registro e homologação da eleição realizada pelos filiados do partido, simplesmente promoveu nomeação de comissão provisória, sem a apresentação de quaisquer justificativas, por deliberação monocrática, sem formalidades, tão somente pelo manejo de senhas junto ao TRE-ES [Tribunal Regional Eleitoral]”. Ao assumir o MDB no Espírito Santo, Rose ressaltou que a decisão foi “tomada com consciência, vontade de ver o MDB crescer no Espírito Santo, se organizar e superar as dificuldades”. O reingresso de Rose visava acalmar o conflito entre o grupo do ex-deputado federal Lelo Coimbra, que perdeu a presidência da executiva, e o grupo do deputado estadual José Esmeraldo, na disputa pelo controle da sigla no Estado. Rose de Freitas, que foi eleita senadora pelo partido em 2014, é alinhada ao governador Renato Casagrande (PSB) e tenta a reeleição em 2022. Busca manter seus redutos eleitorais no interior, que lhe garantiram vitórias, e trabalha também para fortalecer a pré-campanha do governador junto a prefeitos e vereadores.

20/11/2021 / 0 Comments
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Resistência e diálogo na permanente luta pela inclusão de PCDs na educação

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Família de estudante com deficiência intelectual consegue compromisso da Ufes em adaptar atividades em sala de aula Redes sociais Resistência, persistência, diálogo, diálogo, diálogo. A verdadeira inclusão de pessoas com deficiência (PCDs) na educação requer uma luta permanente. As famílias que buscam a garantia desse direito vivem cotidianamente a necessidade de ensinar professores e gestores da educação como perceber o mundo a partir da perspectiva de quem não tem desenvolvimento físico ou intelectual “típicos”. As histórias se avolumem em infinitas expressões de vitórias, avanços, retrocessos, da educação infantil ao ensino superior. O relato de agora vem da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), que se destaca em diversos aspectos da educação inclusiva no Estado, mas, como qualquer outra instituição de ensino brasileira, constitui um campo de desafios cotidianos para as PCDs. “A gente tem que lutar mesmo, colocar a boca no trombone. Tem que cutucar, incomodar, dizer ‘ei, eu estou aqui’”, comenta Mariana Saturnino de Paula, integrante da Comissão de Educação do Coletivo Mães Eficientes Somos Nós (MESN), e participante de uma reunião realizada nesta quinta-feira (18) para atender à demanda da família de Samuel dos Santos Martins, a primeira pessoa com deficiência intelectual a ingressar no curso de Ciências Sociais da Ufes. “Foi uma reunião longa, com mais de três horas de duração, de muito embate, mas também de muita vitória”, pondera. Pelo Coletivo, também participou a coordenadora-geral e mãe do Samuel, Lucia Mara Martins – ele não pode ir porque estava trabalhando – e outras mães do Coletivo com seus filhos. Pela Ufes, a coordenadora do Núcleo de Acessibilidade da universidade (Naufes), Déborah Provetti Scardini Nacari; a diretora do Centro de Ciências Humanas e Naturais (CCHN), Edinete Maria Rosa; o chefe do Departamento de Ciências Sociais, Marcelo Martins Vieira; e o coordenador do curso de Ciências Sociais, Igor Suzano Machado. Mariana conta que Samuel vem enfrentando problemas nas matrículas, devido aos critérios do sistema –coeficiente, pré-requisito de disciplina, quantitativo de vagas – o que faz com que suas matrículas sejam rejeitadas, e também problemas em sala de aula, devido à falta de métodos adaptados de ensino por parte dos professores. “Falta diálogo entre o Naufes e os centros e departamentos. O Samuel fica invisibilizado”, resume a integrante da Comissão de Educação do MESN. “Pensei várias vezes em desistir” “Não consigo ter paz em relação à Ufes. Todo semestre é o mesmo problema: matrícula negada. Quando começou o Earte [Ensino-Aprendizagem Remoto Temporário e Emergencial – programa implementado durante a pandemia de Covid-19], tive rejeitada por causa de vagas. No segundo semestre, mesma coisa. Quase no final do semestre eu soube que ainda não tinha sido matriculado, por falta de vagas. Tinham dito que estava resolvido e eu acreditei, mas um professor ligou pra minha mãe e perguntou se eu tinha desistido do curso, porque ele não me encontrava na lista de alunos”, conta Samuel. Em relação ao aspecto pedagógico, Mariana ressalta que o Earte evidenciou as deficiências metodológicas da Ufes para atender às PCDs. “Os professores não pensam em práticas pedagógicas nem metodologias que atendam às especificidades de alunos como o Samuel. O Earte só expôs mais isso”, afirma, citando como exemplo as atividades de seminário e podcast, ambos em grupo, em que Samuel ficou excluído, pois não conseguiu participar de nenhum grupo dentro da sala. “Quando você tem um aluno com autismo, com dificuldade de verbalizar, que tem a timidez, não querer aparecer … nenhuma dessas atividades consegue contemplá-lo, pra que ele seja avaliado. Fora as falas da professora durante a aula, onde ele é completamente invisibilizado”, aponta. Como parte dos “jeitinhos” pra caminhar no curso, Samuel e a mãe precisam investigar, a cada semestre, quais professores são mais inclusivos pra poder tentar a matrícula dele. Quando não há nenhum, acontecem episódios de exclusão como esse. “A professora não conversou comigo. Eu me identifiquei quando começou a aula, que sou pessoa com deficiência, e ela não se prontificou em ter metodologias diferentes nessas atividades”, expõe Samuel. “Eu tenho dificuldade. Já pensei várias vezes em desistir do curso porque eu estou cansado de tanto problema que está acontecendo comigo e meu irmão. Meu curso não se adapta a mim. As pessoas são amigas, mas eu não me sinto à vontade em relação à turma. Eu tenho medo de perguntar, de tirar dúvidas. Na hora da prova, eu entro em crise. Eu tenho muito medo. Minha família me dá força pra continuar, mas é difícil segurar essa barra sozinho, contra a Ufes toda”, relata. Especificamente sobre o Earte, Samuel sente que as dificuldades se exacerbaram. “O Earte já é complicado para as pessoas ditas normais, e é pior ainda para as pessoas com deficiência; qualquer tipo de deficiência, mas a intelectual é ainda mais. Esse Earte é praticamente o ensino pra morte”, desabafa. Encaminhamentos dialógicos Durante a longe reunião, Mariana e Lucia contam que conquistaram mais alguns avanços para a inclusão de Samuel, abrindo as portas para que as adaptações beneficiem outros estudantes com deficiências. A diretora do CCHN se comprometeu a resolver os repetidos problemas com as matrículas. “As matrículas são sistematizadas. Mas se não tem condições de mudar os critérios do sistema, o Centro vai entrar e solucionar”, relatam. Para preencher as lacunas pedagógicas no semestre em curso, o entendimento foi pela promoção de diálogo entre a professora, Samuel e sua família, para que sejam encontradas atividades e métodos que contemplem as especificidades do aluno. Para os próximos semestres, a proposta do Coletivo é de que os centros e departamentos sempre identifiquem quais os professores mais preparados para a inclusão dos estudantes com deficiência. Tendo como referência a história de Samuel, as mães relataram o longo processo de exclusão que ele vem sofrendo desde que ingressou no curso e como isso tem impactado na relação dele com a universidade e com os estudos. Além disso, o CCHN e o Departamento do curso precisam ajudar a organizar o currículo dos estudantes, de forma não deixarem gargalos. “Eles têm condições de fazer isso. Já fazem com os alunos típicos. Por

20/11/2021 / 0 Comments
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PSB condiciona apoio a Lula em troca de alinhamento à reeleição de Casagrande

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Governador é uma das apostas do PSB para as eleições de 2022, embora ainda não se declare candidato  O apoio do PT estadual à reeleição do governador Renato Casagrande (PSB) está entre os temas das conversas desenvolvidas entre as cúpulas do PSB e do PT, que incluem a filiação do ex-governador paulista Geraldo Alckimin, de saída do PSDB e apontado com o provável vice na chapa presidencial de Lula, para desagrado da esquerda mais autêntica e de uma parcela de petistas. Renato Casagrande  ainda não se declarou candidato, mas é apontado como conorrentre natural em 2022.   Na noite dessa quarta-feira (17), informa a imprensa de circulação nacional, o assunto foi tratado em reunião entre os dirigentes da sigla, com a participação de Casagrande, para debater o apoio aos candidatos dos governos do Espírito Santo, São Paulo, Rio Grande do Sul, Pernambuco, Acre e Rio de Janeiro. No Espírito Santo, a direção do PT permanece em silêncio sobre o assunto, apesar de sua relevância. Nos bastidores, correntes internas rejeitam a abertura para filiação de Geraldo Alckmin ao PSB e defendem uma candidatura própria no Estado. A presidente do PT no Estado, Jackeline Rocha, é o nome apontado, mas já afirmou estar à disposição do partido, preferindo concorrer à Assembleia Legislativa, até mesmo porque não possui densidade eleitoral para disputar o governo. As outras lideranças petistas  no Estado, o deputado federal Helder Salomão, a deputada estadual Iriny Rocha e o ex-prefeito de Vitória João Coser, cuidam cada um de seus projetos. Helder e Iriny buscam a reeleição e João Coser quer se eleger para a Assembleia, mas é cotado também à Câmara  dos Deputados. Apesar desse cenário, parte do partido, segundo o mercado, não esboçaria resistência em apoiar Casagrande. No entanto, há correntes alinhadas ao lado do senador Fabiano Contarato (Rede), que já manifestou simpatia em se filiar ao PSB, mas encontra barreira na candidatura à reeleição do atual governador, o que impede seu projeto de chegar ao Palácio Anchieta, conforme ele mesmo já afirmou. Articulações No campo da direita, as articulações apontam Carlos Manato já com a filiação acertada com o PTB, mas ainda em suspenso, à espera da definição do presidente Bolsonaro, que, depois de muitos xingamentos com presidente do PL, Valdemar Costa Neto, deve se filiar ao partido. No Estado, o PL é comandado pelo ex-senador Magno Malta, que trabalha para retornar ao cargo e conta com prestígio junto ao presidente, que inclusive o levou para os Emirados Árabes, nessa viagem sem muitas justificativas, encerrada neste fim de semana. “Eu só vou me posicionar depois da filiação dele, fico muito honrado de o PTB reinterar o convite, mas há dois anos estou esperando o presidente. Vou aguardar mais um pouco”, disse Manato. Já o ex-prefeito da Serra Audífax Barcelos (Rede) prossegue suas investidas pelo interior do Estado, mantendo contatos com prefeitos e vereadores. Nesta semana, ele visitou São Mateus, Boa Esperança, João Neiva e Jaguaré.

19/11/2021 / 6 Comments
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Sem surpresas, governador anuncia Eder Pontes como novo desembargador

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Ex-procurador-geral do MPES ocupará a vaga aberta do quinto constitucional no Tribunal de Justiça Redes sociais Como já previsto pelo mercado político e jurídico capixaba, o governador Renato Casagrande (PSB) escolheu o procurador de Justiça Eder Pontes como futuro desembargador do Tribunal de Justiça (TJES). “Da lista enviada pelo TJES à vaga do MP de desembargador pelo 1/5 constitucional, o ex-procurador-geral do MPES, Eder Pontes, será nomeado. Agradeço aos doutores Josemar Moreira e Maria Clara Mendonça, que tão bem se apresentaram na escolha para essa importante missão”, declarou Casagrande, em suas redes sociais, na tarde desta sexta-feira (19). A escolha se deu poucas horas após o envio da lista tríplice pelo TJES, que foi definida em votação realizada pela manhã. A lista foi encabeçada pelo próprio Eder e o também procurador Josemar Moreira, empatados com 21 votos, e foi completada pela promotora Maria Clara Mendonça, em segundo lugar, com 16 votos. Eder Pontes foi procurador-geral de Justiça durante três períodos, iniciando em 2012. Depois se reelegeu e fez, em 2016, uma sucessora, Elda Spedo. Ele voltou a disputar em 2018 e venceu a lista tríplice por um voto de diferença de Marcello Queiroz, sendo então o escolhido do ex-governador Paulo Hartung. No ano passado, já em plena campanha eleitoral para permanecer no comando do Ministério Público Estadual (MPES), surpreendeu os membros do órgão ministerial e comunicou sua desistência em concorrer ao pleito, passando a apoiar Luciana Andrade, sua ex-secretária-geral de gabinete e ex-coordenadora da Assessoria de Gestão Estratégica, eleita na lista tríplice e nomeada por Casagrande. A atual procuradora de Justiça criou um cargo exclusivo para Eder, de assessor de Integração e Relações Externas (ASRE). Após o recuo do procurador, ganharam ainda mais força nos bastidores os comentários de que a decisão já seria parte do projeto de buscar uma cadeira no Tribunal de Justiça, agora consolidada. Mobilização Não foi desta vez, portanto, que a Corte capixaba contará com uma mulher oriunda do Ministério Público. As únicas presenças femininas até hoje vieram da magistratura, ou seja, as únicas desembargadoras mulheres que atuam ou já atuaram eram juízas antes de ocuparem o cargo máximo no Judiciário. A primeira, foi eleita após 114 anos de jejum feminino na Corte. Maria Clara foi uma das quatro mulheres presentes na lista sêxtupla do MPES, que contou ainda com as promotoras Vera Lúcia Murta Miranda, Adriana Dias Paes Ristori e Sueli Lima e Silva. Foi a partir desses seis nomes que o TJES elegeu os três indicados para a escolha do governador Renato Casagrande. Em favor da única mulher que subiu à lista tríplice, diversas entidades se manifestaram, como o Movimento Nacional de Mulheres do Ministério Público (MNMMP) e o Instituto Mulheres no Poder (IMP), sob coordenação geral da ex-prefeita de Mimoso do Sul Flavia Cysne (PSB). Magistratura e advocacia A segunda escolha se deu no âmbito do TJES, com a indicação, entre os juízes e juízas em atividade, dos mais propensos ao cargo máximo. Os magistrados Júlio César Costa de Oliveira e Helimar Pinto foram eleitos pelo critério de merecimento, enquanto a magistrada Rachel Durão Correia Lima, promovida pelo critério de antiguidade, teve seu nome confirmado à unanimidade pelo Pleno do Tribunal. O governador Renato Casagrande também receberá, em breve, a lista tríplice da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Espírito Santo (OAB-ES), para escolha do desembargador ou da desembargadora oriunda da advocacia.

19/11/2021 / 0 Comments
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