Propósito de fazer greve, porém, “continua de pé”, afirma Valnísio Hoffmann, do Sindipetro/ES As assembleias para deliberação sobre a greve dos petroleiros tiveram que ser adiadas pela segunda vez. Nessa sexta-feira (12) aconteceria a reunião do Conselho Deliberativo da Federação Única dos Petroleiros (FUP), onde a possibilidade de paralisação seria discutida para, posteriormente, os sindicatos, inclusive o Sindicato dos Petroleiros do Espírito Santo (Sindipetro/ES), deliberarem em suas bases. Entretanto, por problemas de saúde de um coordenador da Federação a reunião não pôde ser realizada e ainda não foi marcada nova data. Entretanto, apesar do novo adiamento, segundo o coordenador geral do Sindipetro/ES, Valnísio Hoffmann, o propósito de fazer greve “continua de pé”. “A cada semana, Bolsonaro e Paulo Guedes dão declarações no sentido de que não querem e não irão mexer na política de preços e irão privatizar a Petrobras”, diz. Hoffmann destaca o novo aumento da gasolina, do diesel e do gás. Na última semana, o preço médio do litro da gasolina ficou em R$ 6,753, uma alta de 0,64% se comparado ao registrado anteriormente, que era R$ 6,710. No caso do diesel, nas duas últimas semanas o valor passou de R$ 5,339 para R$ 5,356, aumentando, portanto, 0,3%. O preço do gás de cozinha subiu de R$ 102,48 para R$ 102,52, elevando, portanto, em 0,03%. Hoffmann também faz críticas às declarações de Bolsonaro (sem partido) e Paulo Guedes sobre a privatização da Petrobras. Para o diretor do sindicato, a venda da estatal pode ser uma fonte de recursos para a campanha eleitoral 2022, aumentando o número de emendas parlamentares na tentativa de convencer a população de que está fazendo algo em prol dela. A reunião do Conselho Deliberativo da FUP foi marcada pela primeira vez para cinco de novembro, mas foi adiada para o dia 12 do mesmo mês para disponibilizar mais tempo de diálogo dos sindicatos com as bases sobre a possibilidade de deflagrar uma paralisação. Algumas entidades, a exemplo das localizadas nos estados do Rio de Janeiro, Bahia e Minas Gerais, não conseguiram realizar as setoriais, ou seja, o diálogo com os trabalhadores sobre a possibilidade de uma greve da categoria. O impedimento foi devido à necessidade de realização de assembleias sobre mudanças de escala impostas pela Petrobras em algumas localidades. No Espírito Santo, foi possível realizar as setoriais, que ocorreram em Linhares e Aracruz, no norte do Estado, e com petroleiros embarcados, em Vitória. Nessas atividades, segundo Hoffmann, foi perceptível que os petroleiros capixabas “estão com sangue nos olhos e vontade de defender a Petrobras e o povo”. Essa realidade, afirma, não é diferente em petroleiros de outros estados. Hoffmann afirma que entre os capixabas foi perceptível nas setoriais que “estão com sangue nos olhos e vontade de defender a Petrobras e o povo”. Essa realidade, afirma, não é diferente em petroleiros de outros estados. ‘Estamos no abismo, ou a gente reage, ou cai e morre’ Petroleiros se mobilizam para https://www.seculodiario.com.br/direitos/estamos-no-abismo-ou-a-gente-reage-ou-cai-e-morre-diz-sindipetro ‘Com as novas declarações de Bolsonaro, vontade de fazer greve é maior’ Reunião da Federação dos Petroleiros para deliberar sobre greve foi remarcada para esta sexta https://www.seculodiario.com.br/direitos/com-as-novas-declaracoes-de-bolsonaro-nossa-vontade-de-fazer-greve-e-maior
‘Hoje vivemos um verdadeiro faroeste na floresta’, relata gestora de RPPN
Impunidade tem aumentado tráfico de fauna silvestre, avalia Renata Bomfim, que pede debate sobre o tema na Assembleia Instituto Reluz “Na condição de gestora ambiental, como ultrapassar o mal-estar que leva à ânsia de vômito e transformar a revolta em ação?” A provocação indignada é da ambientalista Renata Bomfim, gestora da Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Reluz e presidente do Instituto homônimo, localizados em Marechal Floriano, região serrana do Espírito Santo. Atravessada pelo Braço Sul do Rio Jucu, principal rio a abastecer a região metropolitana da Grande Vitória, a RPPN está incrustrada na região de maior concentração de pequenos fragmentos de Mata Atlântica do Estado, no município que tem a segunda maior cobertura percentual de remanescentes florestais (35% do território), atrás apenas de Sooretama (42%), na região norte, que sedia a maior parte da área da Reserva Biológica de Sooretama, unidade de conservação que, somada à contígua Reserva Natural da Vale, forma o maior fragmento de Mata Atlântica de Tabuleiro do País e é fundamental para sustentar a biodiversidade desse bioma, considerado um dos mais ameaçados e ricos do planeta, um hotspot. Instituto Reluz O aparente “paraíso natural tropical”, no entanto, se revelou, desde o início da aquisição da Reserva, em um grande desafio para Renata e o marido. “Assim que chegamos, percebemos que o caçador estava mais próximo do que imaginávamos. A presença de pessoas na floresta caçando, extraindo palmito e capturando pássaros não tinha nenhum tipo de freio”, conta, ressaltando, no entanto, uma grande vitória, em 2008, que foi o desmantelamento de uma quadrilha que vendia carne de caça para restaurantes, a partir da denúncia feita pela Reserva. Ao longo de mais de uma década de trabalho de proteção, sensibilização e educação ambiental no entorno da RPPN e também nas instâncias legislativas do Estado e junto à sociedade civil, Renata observa que foi possível viver “uma queda paulatina dessas invasões na mata”, mas “de uns anos para cá a situação se reverteu”. Hoje, lamenta, “vivemos um verdadeiro faroeste na floresta. Não são raras às vezes em que ouvimos os tiros e nos sentimos, embora temerosos, impelidos a entrar na floresta para coibir os caçadores”. Reprodução/Instituto Reluz Praticante e militante do veganismo, Renata entende que “a retirada de animais silvestres do habitat natural é uma desumanidade que escancara o quanto ainda precisamos evoluir enquanto sociedade”. Teia da vida Além de toda a sua importância “na teia da vida”, os animais são seres sencientes, ressalta. “Ou seja, sentem, assim como nós, alegrias, tristezas, dores, pavor, medo, saudade, enfim, há que se ter empatia e respeito. Os animais também possuem as suas famílias, portanto, prender um pássaro em gaiola, por exemplo, além de ser crime ambiental, é alijá-lo do convívio com o bando, do acasalamento, do canto livre e feliz”, profere, destacando o Ravi, macaco-prego que vive na RPPN Reluz. A respeito da Operação Aveas Corpus, deflagrada na última terça-feira (9) pela Polícia Federal, em conjunto com servidores do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) para reprimir a ação de uma organização criminosa especializada no tráfico de animais silvestres que atuava no norte capixaba e na baixada fluminense, a ambientalista comenta a dor profunda em saber do assassinato de mães macacas-prego para tráfico de seus filhotes. Divulgação/Polícia Federal “As macacas e os demais animais não entregam os seus filhotes de boa vontade para ninguém, ao contrário, lutam para defendê-los e, assim, são mortas pelos caçadores. Quem compra um filhote de animal silvestre, talvez não saiba que esse gesto alimenta o terceiro maior comércio ilegal do planeta, além de contribuir com a dor e a morte de muitos outros animais. Comprar um animal silvestre é sujar as mãos de sangue! É por isso que toda a sociedade precisa se engajar na causa ambiental e do bem-estar animal”, convoca. Segundo a PF, o grupo investigado pela Operação existe há pelo menos 15 anos e somente no ano de 2020 foram capturados cerca de 55 filhotes de papagaios, o que os investigados consideraram uma temporada muito fraca, pois os números eram bem superiores no passado. Impactos a longo prazo “Esse número gera, ao longo do tempo, um grande impacto na procriação, comprometendo, de maneira significativa, a perpetuação de uma espécie que já é ameaçada da extinção”, destaca a Polícia, que estimou o impacto na redução no nascimento de papagaios, utilizando o número de 55 capturas: menos 4,2 mil aves em dez anos; 20 mil em 15 anos; e menos 86 mil aves na natureza em 20 anos. Segundo a Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas), essa é a terceira maior atividade ilegal no mundo, atrás apenas do tráfico de armas e de drogas. No Brasil, é responsável pela retirada de 38 milhões de animais anualmente, 90% deles mortos antes de chegar às mãos do consumidor final, devido aos maus-tratos sofridos no caminho entre a floresta e a cidade. Estima-se que esse comércio ilegal movimente US$ 2 bilhões por ano no país. “Pode parecer um contrassenso, mas estou certa que apenas os animais têm o poder de resgatar a nossa humanidade perdida. Cuide, cuide, cuide de um cão, ou gato abandonado, esses podem, pois são animais domésticos, mas defenda a liberdade dos pássaros, seja você o instrumento que lhes possibilitar cantar livres, defenda a árvore na calçada da sua casa. Acredito que esse é o único caminho possível para a luz do fim do túnel”, profetiza Renata. Pedido de debate público O pedido de debate sobre o assunto foi feito ao presidente da Comissão Permanente de Proteção ao Meio Ambiente e aos Animais, deputado Rafael Favatto (Patriota), mas ainda não foi atendido. A primeira resposta, informa a gestora ambiental, foi negativa. “Proteger a floresta da ação de caçadores e traficantes só é possível com o apoio do poder público”, justifica, no pedido formal de inclusão da pauta nos debates da Comissão. Operação Aveas Corpus A Operação cumpriu 13 mandados de busca e apreensão, expedidos pela 1ª. Vara Federal Criminal de
A resistência negra para além da sala de aula
Professor mostra nova perspectiva das lutas étnico-raciais com visitas a pontos históricos da Grande Vitória Arquivo Pessoal Com 15 anos de experiência em sala de aula, o professor de filosofia Gessé Paixão decidiu apresentar os conceitos de relações étnico-raciais de forma diferente aos alunos do ensino médio da Escola Irmã Maria Horta, em Vitória. Em uma disciplina eletiva, o educador tem desenvolvido projetos de visita a pontos históricos da Grande Vitória, mostrando o legado e a resistência do povo preto ao longo da história. As atividades fazem parte da disciplina eletiva “Lado Negro da Força”, disponibilizada desde 2019 para os alunos da instituição. A matéria está baseada nas leis federais nº 10.639 e 11.645 que, entre outras coisas, tornam obrigatória a temática “História e Cultura Afro-Brasileira” nos currículos oficiais das redes de ensino. “A intenção dessa disciplina é pautar o debate da educação e das relações étnico-raciais no ambiente escolar porque a gente tem uma ausência desse debate sistemático. O que se faz nas escolas é muito pontual, é em novembro, como se durante o ano essa discussão não tivesse relevância”, explica o professor. Ao longo da disciplina, os alunos são expostos a conceitos e noções da educação para relações étnico-raciais. Além disso, para colocar em prática o que os estudantes aprendem em sala de aula, o professor mobiliza visitas a espaços históricos importantes na Grande Vitória. A última atividade foi no dia nove de novembro, quando os alunos visitaram o Centro Histórico de Vitória, observando o legado da mão de obra não-branca para a construção e invenção da capital capixaba. “O que nós queríamos era apresentar a concretude disso e mostrar que é possível apresentar programaticamente essa vivência aos alunos e não só de forma pontual”, aponta o professor. Arquivo Pessoal Lucas Januário, de 17 anos, está matriculado na disciplina e participou da visita. Segundo ele, a programação foi diferente de todas as atividades que já tinha participado durante a trajetória escolar. “Quando ouvimos falar de visitas como essas, nos vem à mente algo supérfluo, algo que apenas nos livrará de obrigações escolares. Foi a primeira saída verdadeiramente pedagógica que tive em 17 anos”, relata. Para o aluno, essa também foi uma oportunidade de ver o Centro de Vitória de uma outra forma, observando estátuas que nunca tinha notado e conhecendo a história dos monumentos. “Toda a nossa caminhada pela igreja, a subida pelas escadas, o palácio Anchieta e o museu do negro foram, de longe, experiências que não ficarão nas fotos, mas sim na memória, como reais aprendizados pedagógicos”, afirma. A próxima visita será no dia 19 de novembro, quando os alunos conhecerão as ruínas da Igreja de Queimado, na Serra, palco da maior insurreição negra no Espírito Santo. Esse inclusive foi o tema da disciplina eletiva na última sexta-feira (12), quando os alunos puderam saber mais sobre os movimentos de resistência negra no Brasil e no mundo. “Foi uma aula de preparação pra eles entenderem melhor esses movimentos. O Espirito Santo, muitas vezes, é colocado à margem desse processo, mas a luta dos negros no Espírito faz parte de um processo de luta no Brasil, na América Latina e no mundo”, destaca. Os alunos também assistiram ao documentário Queimado – A luta pela liberdade, produzido pelo professor e produtor cultural na Serra, Rogério Morais. Lançado na quinta-feira (11), o filme retrata a revolta de Queimado e é justamente voltada para a exibição em salas de aula. Com depoimentos e encenações locais, o filme está disponível no Youtube. Para Gessé Paixão, esse tipo de atividade faz com que, no processo formativo do estudante, se promova uma compreensão complexa e integral da história na qual ele está inserido. “Ele pode entender a realidade e o mundo a partir do jogo de forças e conflitos étnico-raciais que devem, sim, ser considerados. O estudante não pode olhar pro mundo da história, da política, da arte, da literatura sem ter essa compreensão estrutural”, enfatiza. Arquivo Pessoal Apesar de se formalizar por meio da disciplina eletiva, essas discussões já estavam presentes entre os alunos por meio de coletivos e organizações estudantis mobilizadas por Gessé Paixão na escola Irmã Maria Horta. “Se esse tipo de coisa fosse passado nas escolas desde muito tempo, talvez muito provavelmente a sociedade teria uma visão completamente diferente, podendo fazer até mesmo com que o racismo não fosse tolerado da forma que é hoje e não fosse tão invisível”, aponta Lucas. Nesse processo, o que se tenta é contar uma história diferente daquela que sempre é contada nas salas de aula. Uma perspectiva que não é branca, mas afrocentrada. “A história oficial sempre foi a história dos dominadores. O nosso objetivo é fazer com que eles possam aprender a partir daquelas pessoas que o tempo todo resistiram e ousaram lutar pela liberdade”, declara o professor.
Infográfico mostra que excluir agrotóxicos em torno de abelhas é inviável
Edegar Formentini alerta que cafeicultura concentra, no Estado, 90% de agrotóxico com alta letalidade Leonardo Sá O engenheiro agrônomo Edegar Formentini literalmente “desenhou” sua argumentação sobre a inviabilidade, hoje no Espírito Santo, de ser implementada uma lei que proíba o uso dos agrotóxicos letais para abelhas ao redor de apiários ou meliponários. Especialista em Agroecologia, servidor aposentado do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) e ex-presidente da Associação dos Servidores do Incaper (Assin), Edegar chama atenção para a estrutura fundiária de boa parte dos municípios capixabas, onde predominam as pequenas propriedades familiares, com média de 25 hectares (250 x 1000 metros), tamanho padrão concedido pelo governo federal no início da colonização europeia no Estado. A partir desse perfil fundiário, ele considerou uma zona de exclusão com um quilômetro de raio, um meio termo entre os 500m propostos pelo agronegócio e os 2 km reivindicados pela meliponicultora. Nessas condições, um único apiário ou meliponário produz uma área de proibição que impediria o uso de agrotóxicos equivalente a dezesseis propriedade ao redor, inviabilizando, portanto, a continuidade das atividades de produtores ainda baseados no uso de venenos. No infográfico (figura abaixo), é possível ver que oito propriedades, quatro à direita e quatro à esquerda da criação de abelhas, ficam impossibilitadas de aplicar agrotóxicos quase que na totalidade de sua extensão. Acima, quase metade de outras oito e, abaixo, outra área de exclusão semelhante. “Esses produtores, há 30 anos usando agrotóxicos, vão ter que parar de uma hora para outra? Têm direito adquirido ou não? Têm prioridade ou não sobre apiários ou meliponários estabelecidos mais recentemente? Esse é o questionamento”, explana o agrônomo, uma das referências em pesquisas sobre Agroecologia no Espírito Santo. Longe de fazer o papel de “advogado do diabo” ou defensor do agrotóxico sobre a vida, Edegar quer, com os dados apresentados e os questionamentos levantados, expor a situação real da agricultura capixaba nesses municípios onde predomina a pequena propriedade familiar. Impor a proibição total de agrotóxicos imediata é inviável. O processo de transição para a Agroecologia e a Agricultura Orgânica é lento, tem mais de 30 anos no Estado, e ainda envolveu um percentual muito pequeno. Os certificados, por exemplos, são apenas 300, metade deles em Santa Maria de Jetibá, na região serrana. Ao invés de publicar uma letra morta, Edegar defende uma normatização realista e que contribua com o processo de retirada progressiva dos agrotóxicos. “Precisa fazer um trabalho apurado de verificação dos produtos mais utilizados, em que culturas e de que forma são aplicados, para restringir o que é mais prejudicial para as abelhas, até onde for possível em cada momento”, argumenta, lembrando que essa solução exige maior investimento, por parte do Estado, nas atividades de extensão rural do Incaper e de fiscalização do Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal (Idaf), esta, recentemente reconhecida com o status de fiscalização, atendendo a uma reivindicação antiga da categoria. Audiência pública Essas argumentações serão levadas até a audiência pública virtual que a Comissão de Meio Ambiente da Assembleia Legislativa agendou para a próxima quinta-feira (18), às 18h30. A audiência contará ainda com apresentação do também engenheiro agrônomo Ricardo Miranda Braga, fundador da Associação de Meliponicultores do Espírito Santo (AME-ES) e abordará o assunto à luz do Projeto de Lei (PL) 639/2021, de autoria da deputada Iriny Lopes (PT), que visa regulamentar a convivência entre as abelhas e a agricultura convencional no Espírito Santo. No evento, Edgar Formetini também apresentará algumas sistematizações preliminares levantados pela Comissão de Saúde e Meio Ambiente do Fórum Espírito-Santense de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos e Transgênicos (Fesciat), coordenado pelo Ministério Público Estadual (MPES), a partir de dados brutos fornecidos pelo sistema de registro eletrônico de receituários agronômicos, o e-Idaf. Cafeicultura Já foi possível identificar o Imidacloprido e o Tiametoxan como dois dos neonicotinoides (princípios ativos altamente letais para abelhas) mais utilizados no Espírito Santo. No caso do Imidacloprido, somente no primeiro semestre deste ano, foram aplicados pelo menos 175 mil kg nas lavouras convencionais, 91% deles (quase 160 mil kg) concentrados na cafeicultura (veja gráfico abaixo). Teoricamente, o inseticida é aplicado apenas nos pés das plantas e no solo, o que reduz sobremaneira a contaminação das flores tocadas pelas abelhas. Já no caso de tomateiros, geralmente a aplicação é por pulverização, o que amplia o risco de morte das polinizadoras. Por isso, a necessidade de verificação, em campo, da forma de aplicação, para devida orientação dos produtores, além de fiscalização rigorosa. “É mais eficiente, ao invés de estabelecer um raio de exclusão, aumentar o controle do uso de agrotóxicos para todo mundo”, orienta. Os benefícios, ratifica, reverberam das abelhas para todo o meio ambiente, as pessoas e os processos produtivos. “Com abelhas, a produção agrícola é maior”. ‘Aplicar agrotóxicos a distâncias seguras para abelhas pode inviabilizar agricultura’ Agrônomo Edegar Formentini propõe a não pulverização em épocas de floração e maior controle da https://www.seculodiario.com.br/meio-ambiente/aplicar-agrotoxicos-a-distancias-seguras-para-abelhas-pode-inviabilizar-agricultura
Professores da Serra cobram recomposição de perdas salariais históricas
Sindiupes enviou ofício à gestão de Sérgio Vidigal pontuando as reivindicações prioritárias O Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública no Espírito Santo (Sindiupes) tenta uma negociação com a Prefeitura da Serra para que perdas salariais históricas dos professores do município sejam corrigidas. A entidade ressalta que o abono financeiro de final de ano – que ainda não foi anunciado pela prefeitura – não é a única demanda da categoria, que tem outras reivindicações prioritárias, como o cumprimento da Lei do Piso. Paulo Loureiro, coordenador do Sindiupes na rede municipal da Serra, explica que a negociação com a prefeitura pela pauta salarial conta com três cenários principais: as perdas históricas no plano de carreira, a defasagem no piso salarial inicial e o descumprimento da revisão anual da inflação. Em relação ao plano de carreira, um monitoramento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) aponta para uma perda salarial de 62,7% desde o ano de 1994, quando houve a última alteração no plano dos servidores. “Esse tempo todo acumula perdas durante anos e anos. Essa discussão está em nível judicial. Nós já ajuizamos a ação e aguardamos a decisão”, informa. Outra demanda da categoria é a correção da diferença do piso salarial em relação à Lei do Piso, sancionada em 2008 pelo governo federal. Paulo explica que, quase 14 anos depois, o município da Serra não conseguiu cumprir a legislação da forma correta, como em relação à carga horária de planejamento. “A lei prevê que um terço da carga horária deve ser destinada ao planejamento, e não à interação com os estudantes. E na Serra essa proporção ainda é de um quinto”, enfatiza, acrescentando que o município também não cumpre o que a legislação determina sobre o vencimento salarial, com uma desproporção na ordem de 47%. O terceiro ponto de discussão é a falta de revisão anual da inflação, prevista na Constituição, mas descumprida desde a gestão Audifax Barcelos (Rede). “A legislação vinha sendo cumprida e, anualmente, os municípios e estados faziam a atualização. A partir de 2012, 2013, começou-se a descumprir essa legislação. Isso ocasionou uma perda inflacionária hoje na ordem de 34,6%”, informa. O abono salarial de fim de ano, que está sendo anunciado em diversos municípios da Grande Vitória e outras regiões do Espírito Santo, também é um desejo dos professores, apesar de não resolver todos esses outros problemas. Na contramão das outras administrações, a Prefeitura da Serra concedeu apenas folgas remuneradas para os profissionais, sem oficializar nenhuma bonificação financeira. Para Paulo, a política de abonos é importante como forma de reconhecimento do trabalho dos servidores, mas não é suficiente. “Nós entendemos que ela é uma política compensatória, não resolve o problema. É claro, todos os municípios estão concedendo abono, é claro que nossa categoria também deseja um abono para passar um fim de ano mais tranquilo, mas não resolve o problema”, reitera. O sindicato enviou um ofício à prefeitura pontuando as reivindicações salariais, que, para Paulo, são fundamentais para que os profissionais da educação no município tenham melhores condições de vida. “Principalmente nesse momento em que o supermercado está pela hora da morte, a gasolina impraticável. A nossa política, a nossa luta, é para que seja dado o abono, mas nós desejamos, prioritariamente, uma recomposição salarial, algo que vá diminuir essa perda histórica”, declara. Professores de Vitória e Serra ainda sem previsão de receber abono – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/educacao/professores-de-vitoria-e-serra-ainda-sem-previsao-de-receber-abono
Semana da Consciência Negra terá protestos e atrações culturais no Estado
Comemorado em 20 de novembro, o Dia da Consciência Negra resgata as lutas históricas do povo negro O Dia da Consciência Negra é comemorado em 20 de novembro, data em que Zumbi, líder do Quilombo de Palmares, em Alagoas (região Nordeste), foi assassinado, mas as atividades em alusão à data ocorrem no Estado no decorrer de toda a semana ou até mesmo a extrapolam. As programações englobam manifestações, atrações culturais, concurso de beleza e outras ações, realizadas por entidades do Movimento Negro Capixaba, e também atividades organizadas pelo poder público. Ramon Matheus, diretor do núcleo de Viana do Fejunes e presidente do Conselho Estadual de Juventude (Cejuve), aponta que Zumbi é uma das referências históricas da luta contra a escravidão e salienta a importância da data. “O Movimento Negro e outras organizações da sociedade civil, nesse dia, abordam as questões raciais de forma bem abrangente, destacando as lutas do povo negro”, ressalta. Uma das ações que têm essa proposta é a Marcha Contra o Extermínio da Juventude Negra, que este ano chega a sua 14ª edição. Organizada pelo Fejunes, a manifestação acontecerá no próximo sábado (20). O tema é “Por todo e qualquer meio necessário”, frase utilizada pelo ativista norte-americano Malcon X em seus discursos contra o racismo, ao afirmar que são necessárias todas as formas de políticas públicas para vencer as mazelas causadas pelas desigualdades raciais. Foto: Leonardo Sá A coordenação do movimento “Fora, Bolsonaro!” também irá integrar a marcha, destacando a necessidade de tirar o presidente do poder, informa o presidente estadual do Fejunes, Felipe Gutemberg Costa Lima. Nos anos anteriores a Marcha foi realizada no Centro de Vitória. Este ano ocorrerá no Território do Bem, com concentração às 15h, na praça de Gurigica, e chegada na praça de Itararé. A mudança de local, segundo a organização do evento, se deu por causa do crescimento da violência nas comunidades periféricas da Grande Vitória. Foto: Leonardo Sá “O Fejunes, em sua construção, deliberou a necessidade de um diálogo maior com comunidades que vêm sentindo no seu dia a dia esse extermínio de jovens negros e periféricos, que atinge a todas e todos”, diz Ramon Matheus. Em Vila Velha, das 10h às 14h, o Movimento Negro, a Nação Zumbi Ojab e a Central das Comunidades organizam um ato na quadra da escola de samba Unidos de São Torquato, onde será entregue à gestão do prefeito Arnaldinho Borgo (Podemos) um documento com reivindicações da comunidade negra do município. Entre as demandas, afirma Isomar Vidal, da Nação Zumbi Ojab, estão a criação da Secretaria de Igualdade Racial e a implementação da Lei 10.639, que prevê o ensino de história e geografia da África nas escolas. Também acontecerão atividades culturais, como apresentações de capoeira, dança afro e da bateria da escola de samba Unidos de São Torquato. Já o Movimento Negro Unificado (MNU) deu início à campanha “Todo Mês Sangra”, por meio da qual pretende atingir a meta de distribuição de 500 pacotes de absorventes. A iniciativa foi motivada pela sanção do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), no início de outubro, ao Projeto de Lei 4968/19, que previa a distribuição gratuita de absorventes para estudantes de baixa renda, pessoas em vulnerabilidade socioeconômica, mulheres em situação de rua e presidiárias. Até o dia 15 de dezembro, o MNU irá arrecadar dinheiro para a compra dos absorventes por meio do Pic Pay @vanda.souza.vieira. Quem quiser doar os pacotes, em vez do dinheiro, pode entrar em contato por meio do telefone (27) 99760.4276. “Bolsonaro vetou, mas os estados e municípios estão aprovando, porém, somente para quem tem cadastro no CadÚnico. Militantes do MNU, que atuam em diversos coletivos nas periferias, irão fazer a distribuição dos absorventes. Nos coletivos trabalhamos majoritariamente com mulheres negras, já que elas são maioria nas periferias, locais das atividades desses grupos”, diz a militante do MNU, Vanda Vieira. Também integra as atividades referentes ao Dia da Consciência Negra a Noite da Beleza Negra, realizada pela Nação Zumbi OJAB e pelo Bloco Afro Kizomba. O concurso está na 31ª edição e, este ano, excepcionalmente, em vez de ser realizado em 20 de novembro, acontecerá em quatro de dezembro, às 19h, na quadra da escola de samba Novo Império, em Caratoíra, Vitória. A venda de ingressos, que custam R$ 25,00, está sendo feita pelo sympla ou na Thelema, Centro de Vitória. Além do concurso de beleza, o evento contará com dança afro, hip hop, apresentação das baterias do bloco Afro Kizomba e da escola de samba Novo Império, além de feira com produtos com culinária afro, artesanato e indumentárias. As inscrições para concorrer estão abertas até que cada categoria alcance o número de 20 inscritos. As categorias são infantil (crianças negras de 6 a 14 anos), adulto feminino (mulheres negras trans, travestis e cisgêneras a partir de 15 anos), adulto masculino (homens negros trans e cisgêneros a partir de 15 anos) e agênero/não binário (pessoas de gênero neutro, não binário ou que não se encaixam em nenhum gênero, a partir de 15 anos). O Museu Capixaba do Negro (Mucane), no Parque Moscoso, também está com uma programação que começou nesse sábado (13) e vai até o dia 20. Trata-se da “Semana da Consciência Negra – Resistência, Cultura & Arte”, que conta com a colaboração de militantes do Movimento Negro e de outras entidades da sociedade civil. Na terça-feira (16), que é o segundo dia de programação, acontecerá a oficina “Vivência de Dança Afro”, a partir das 9 horas. Na parte da tarde, às 16 horas, começa a atividade “Diálogos com Mulheres Negras”, que propõe um bate-papo com reflexões sobre racismo, resistência, lutas e desafios da mulher negra no Brasil. A quarta-feira (17) será marcada por atividades como a oficina de confecção de bonecas, das 13h às 14h, e a de Cultura Alimentar, das 15h às 18h, além do Encontro dos Mestres de Bateria de Escola de Samba. A programação da quinta-feira (18) conta com oficina livre de percussão, das 14h às 16h, sendo que os produtos das oficinas serão apresentados a partir das 19h30. Das 15h às 18h, será realizada a oficina
Carta de amor não dói
Sua importância dependia não apenas do que se escrevia, mas da interpretação dada aos textos nelas inseridos “Moça Lendo uma Carta à Janela”, de Vermeer Em havendo papel e caneta-tinteiro, as pessoas escreviam cartas. Não tanto pela necessidade de dizer alguma coisa, enviar uma informação, pedir ou receber notícias – o ato de escrever a carta era mais importante do que o que nela se inseria. Sem telefones e emails, a profissão de carteiro – e de carteira – era das mais procuradas: Devolve ao remetente que o selo já foi usado. Eram cartas e cartas, longas ou breves – Sua importância dependia não apenas do que se escrevia, mas da interpretação dada aos textos escritos. E que textos! * Prezado Senhor Eleutério Somil. É com muita pena que pego na pena para informar a Vosso Senhorio que as galináceas que o senhor mantém em regime de liberdade estão prejudicando minha horta. O estrago provocado aos meus legumes alteram a qualidade da minha alimentação. Com renovada insistência lhe peço tomar as necessárias providências, sem mais delongas. Agradeço penhoradamente a atenção dispensada. *Prezada Senhora Mariana De Matos. Em respeitosa atenção à missiva redigida e enviada por Vossa Senhoria em 03/03/03, tenho a informar que as galinhas criadas sem fronteiras são mais saudáveis, produzem mais ovos, e dão melhor canja. Da mesma forma, tenho observado que seus legumes estão mais verdosos graças ao constante adubo adicionado aos canteiros pelas minhas penosas. Suplico, pois, a gentileza de reconsiderar a solicitação, em respeito às normas da boa vizinhança. *Prezado Senhor Eleutério. Conseguinte sua missiva datada de 04/03, não me escapou o fato de Vossa Senhoria estar tão bem informado sobre o estado de meus legumes, uma vez que um alto muro separa nossas propriedades. Suas galinhas não o respeitam, e não as culpo, por serem irracionais. Peço que vosmecê esclareça essa inadmissível invasão visual à propriedade alheia, em acintoso desrespeito à privacidade individual. Para demonstrar meu empenho em preservar as referidas normas da boa vizinhança, envio-lhe por meio desta missiva algumas folhagens do meu cultivo diário. Caso aprecie, posso adicionar alguns limões – o pé está carregado. * Prezada Senhora Mariana – Muito me ofendeu a missiva enviada por Vossa Mercê em 05/03, numa insinuação de impropriedade quanto aos limites das propriedades limítrofes. Tal ato não me ocorreria, uma vez que até lhe enviei mensagem de condolências quando do falecimento do vosso estimado esposo. Suas acusações são incompatíveis com meu estado de viúvo. Não disse que sua horta está, apenas insinuei que deve estar se beneficiando do adubo adicionado por minhas penosas. Retribuindo a remessa das verdosas, envio por meio desta alguns ovos colhidos no meu quintal. P.S. Os limões serão bem vindos. * Carta vai, carta vem…Prezado Eleutério, Bati uma broa de fubá com os ovos que vosmecê me enviou, e devo admitir, as galinhas em livre circuito deram novo sabor à receita – um segredo de família. Carta vem, carta vai…Prezada Mariana, a torneira de seu tanque está pingando, um desperdício que devemos evitar, haja vista o alto valor das contas de água. Se a senhora me coar um café, levo a rapadura para adoçar e conserto a torneira. No aguardo…
Ex-prefeito de Manaus busca votos do PSDB no Espírito Santo
Arthur Virgílio Neto, crítico do bolsonarismo, concorre com o governadores Eduardo Leite (RS) e João Doria (SP) Com reduzidas chances de vitória, de acordo com previsões do mercado político, o ex-prefeito de Manaus Arthur Virgílio Neto traz para a Capital do Estado sua campanha nas prévias do PSDB para escolha do candidato à presidência da República. Crítico atuante do bolsonarismo, transmite live neste domingo (14), a partir das 18 horas, sob o título “Conversa com o Espírito Santo”, com a participação do presidente estadual da sigla, deputado Vandinho Leite. Arthur Virgílio, que inclui entre seus diplomas os de ex-prefeito, deputado federal e senador, além de diplomata, concorre com os governadores Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, e João Doria, de São Paulo, donos das maiores pontuações nas pesquisas, com vantagens para Leite, a considerar as manifestações de apoio da cúpula do partido. Nessa relação se insere também Vandinho, segundo notícias de bastidores. Eduardo Leite e Doria também já realizaram encontros em Vitória. As prévias tucanas estão marcadas para o próximo domingo (21) e poderão ir a segundo turno, em 28 deste mês, entre os dois candidatos mais votados, caso nenhum deles supere os 50% dos votos. Na votação, o eleitorado é dividido em quatro grupos, cada um com peso unitário de 25% do total de votos válidos. Poderão votar os filiados ao partido; prefeitos e vice-prefeitos; vereadores, deputados estaduais e distritais; governadores, vice-governadores, senadores, deputados federais; ex-presidentes e o atual presidente da Comissão Executiva Nacional. Os três pré-candidatos voltaram a se encontrar, nessa sexta-feira (12), para mais um debate, desta feita promovida pelo jornal O Estado de S.Paulo. Nesse debate, Virgílio criticou os outros dois concorrentes, apontando equívocos no apoio dado a Bolsonaro e confessou ter votado, em 2018, em Henrique Meirelles (MDB-GO) e em Fernando Haddad (PT-SP) no segundo turno. O político faz o mea-culpa do partido e defende o legado do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Para Arthur Virgílio, não se justifica a aproximação da bancada federal da sigla com o bolsonarismo, posicionamento que o coloca em desvantagem, por conta do alinhamento de dirigentes ao presidente nas eleições de 2018. O partido Com um desempenho abaixo do esperado em nível nacional, com o então candidato a presidente Geraldo Alckmin alcançando apenas o quarto lugar, o PSDB também foi desmantelado no Espírito Santo nas eleições de 2018. Deixou à míngua o então senador Ricardo Ferraço, derrotado ao concorrer à reeleição, o vice-governador César Colnago, o ex-prefeito de Vitória Luiz Paulo Vellozo Lucas e o ex-prefeito de Vila Velha Max Filho, que perdeu a reeleição em 2020. Todos ensaiam um retorno em 2022. Ricardo Ferraço tenta disputar o Senado pelo União Brasil, criado com a fusão PSL-DEM, Colnago busca achar um lugar para se acomodar e já chegou a anunciar que irá disputar o governo, apesar de não haver qualquer abertura no partido, que só mantém, pelo menos até agora, a pré-candidatura de Max Filho.
Pronto Atendimento de Flexal II é fechado por problemas na fiação elétrica
Moradores terão que buscar atendimento em Trevo de Alto Lage, Bela Vista e Nova Rosa da Penha I Com menos de um ano de funcionamento, o Pronto Atendimento (PA) Abelar Corrêa Neto, em Flexal II, Cariacica, foi fechado nessa sexta-feira (12), por problemas na fiação elétrica. Comunicado oficial da prefeitura informa que o fechamento é provisório, “para adequações em suas instalações elétricas, em cumprimento à determinação de interdição feita pela Polícia Civil no âmbito das investigações da Operação Elétron”. Foto: Ailton Pereira Parecer emitido pela PC aponta que, durante a perícia no imóvel, foram identificados “fios da marca Luzzano, instalados pela empreiteira Engma, fato acompanhado por representantes da empreiteira Engma e da PMC [Prefeitura Municipal de Cariacica], em diligência realizada pela Delegacia Especializada de Defesa do Consumidor e Comissão de Defesa do Consumidor, presidida pessoalmente pelo Ilmo Deputado Vandinho Leite [PSDB], sendo amostras recolhidas e analisadas”. O documento destaca ainda que o laudo do Instituto de Pesos e Medidas (Ipem), feito em conjunto com a Polícia Civil, “apontou irregularidades na fabricação da fiação recolhida, e que a instalação dos fios elétricos da Luzzano na UPA de Flexal pode gerar o aumento do consumo de energia elétrica e risco de incêndio no local”. A Unidade Básica de Saúde (UBS) Padre Gabriel Maire, instalada no mesmo imóvel, passará a funcionar temporariamente em um espaço cedido pela igreja Presbiteriana, conforme informa o assistente social e liderança comunitária Ailton Pereira. De acordo com ele, a informação foi repassada pelo prefeito Euclério Sampaio (DEM) em reunião com a comissão de moradores da região da Grande Flexal, que abarca os bairros Flexal I, Flexal II e Nova Canaã, quando o gestor se comprometeu a trocar a fiação para que o equipamento volte a funcionar dentro de 60 dias. Os atendimentos de urgência e emergência serão realizados nos PAs do Trevo de Alto Lage, de Bela Vista e Nova Rosa da Penha I. Tanto o PA quanto a UBS foram inaugurados em dezembro de 2020. O projeto foi feito no final da gestão do ex-prefeito Helder Salomão (PT). No primeiro mandato de Geraldo Luzia de Oliveira Júnior (Cidadania), o Juninho, chegou verba federal e o equipamento foi construído, porém, inaugurado somente no final do segundo mandato. Antes mesmo do problema na fiação, o PA correu o risco de ser fechado. Ailton relata que, em reunião com a comunidade, a gestão municipal alertou sobre essa possibilidade diante do alto custo do equipamento, que não tem a procura que deveria ter um equipamento de grande porte. Porém, os moradores apontaram algumas alternativas, como a redução no número de funcionários depois das 22h, quando a demanda é menor, e a busca por emendas estaduais e federais. Diante da possibilidade de fechamento, o Conselho Municipal de Saúde enviou, na semana passada, solicitação à prefeitura para obter informações sobre os serviços, buscando entender como o equipamento está funcionando, sua organização e gastos, e aguarda resposta. “A gente quer entender como foi o gasto em 2021 mês a mês, com tudo. Flexal é um território muito carente de serviços públicos, não só de saúde. Queremos o retorno dos serviços, mas também o debate. Flexal não pode ficar sem nada”, reforça o presidente do Conselho Municipal de Saúde, Hudson Vazzoler.
Instituto Continental em Ação prepara reabertura após dois anos fechado
Única ONG formalizada na região de Cidade Continental, na Serra, ICA atendia a 200 famílias antes da pandemia Única ONG formalizada na região de Cidade Continental, na Serra, o Instituto Continental em Ação se (ICA) prepara para reabrir as portas em janeiro, após dois anos fechado devido à pandemia do coronavírus, com um evento de solidariedade no início de dezembro, o Voluntários em Ação. Antes de suspender as atividades, atendia a cerca de 200 famílias com projetos de esportes e artes, atendimento psicológico e de assistência social, além de oficinas de capacitação profissional e festas comunitárias – boa parte delas a partir de trabalhos voluntários de professores e colaboradores. “Juntamos uma equipe boa de voluntários, mães, meninos de projetos que foram ficando maiores de idade. Fizemos festas, rifas, recebemos pequenas doações”, descreve Rubiamara Costa, fundadora, presidente e coordenadora de projetos do ICA, considerada por todos como a mãe da entidade. Assim, em contínuos mutirões, a ONG seguiu sua trajetória. Divulgação/ICA “Conseguimos manter o ICA mesmo quando perdemos o patrocínio da ArcelorMittal”, conta, referindo-se à siderúrgica vizinha ao Instituto, que apoiou a formalização da entidade como forma de compensação socioambiental pela poluição e outros impactos provocados na saúde e qualidade de vida dos moradores. A entidade fez história e falta nesse período de distanciamento social. Os relatos misturam experiências pessoais com o reconhecimento do alcance coletivo. “Entrei no ICA com uns dez anos, no karatê. E a partir daí o ICA veio agregando muita coisa para minha vida: o esporte, o foco nos estudos, porque sempre pedia pelo menos a média e passar de ano para continuar no karatê, e eu sempre busquei as melhores notas possíveis. Tive que dar um tempo do esporte e do ICA para estudar e voltei assim que possível, porque é muito importante para mim. Sempre que a comunidade precisou de algo, o ICA esteve envolvido para ajudar. Hoje estamos reestruturando o ICA, para que ele possa mudar a vida de muito mais pessoas”, declara Mateus Sena Salles, instrutor de karatê na faixa marrom, estudante de Engenharia Mecânica na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e membro da diretoria do instituto. Divulgação/ICA Shandlyne Cristina Pinheiro conta uma trajetória parecida, mas que começou com seu filho, na época com seis anos, quando iniciou as aulas de judô. “Me apaixonei por tudo no ICA. Fui conhecendo as crianças, o projeto. Na apresentação de balé no final do ano, trabalhei como voluntária para ajudar no espetáculo, que foi no Teatro do Sesi, em Vitória. Depois veio o projeto de dança do ventre, resgatando a autoestima das mulheres…os próprios alunos, vendo que eu queria algo mais, me convidaram para participar das aulas de karatê. Hoje eu sou graduada, faixa vermelha. Nesse decorrer do tempo, a Rubia me convidou para participar da diretoria e, num consenso me indicaram para ser a vice dela. Eu aceitei”, depõe Shandy. Braço direito de Rubia bem antes de assumir a vice-presidência, ela se orgulha de dizer que foi uma das idealizadoras da quadrilha anual que a entidade sempre fez, em forma de festival. “Nessa época a gente estava passava por dificuldade, mas o quão grande o ICA é, o poder que ele tem de entrar nas casas das famílias, de ajudar as crianças com problemas… á gente vê isso, recebe de volta o carinho deles. É uma coisa muito mágica, vindo das crianças, a gente sabe que é verdadeiro. É muito importante o trabalho do ICA dentro da comunidade. Não é por falta de patrocínio que vamos deixar esse sonho morrer. Estamos aqui para levantar”, exulta. Divulgação/ICA Atuação ampliada Ao lado de Shandy e Mateus, dezenas de outros colaboradores apaixonados e comprometidos se mobilizam para o retorno das atividades, nos preparativos do Voluntários em Ação e para as medidas burocráticas necessárias, como a alteração de estatuto que vai permitir a participação da ONG em conselhos com os quais informalmente já trabalha, como o de Direitos da Criança e do Adolescente e de Assistência Social (Comcase e Comasse), além da renovação dos alvarás de Corpo de Bombeiros e Vigilância Sanitária e da retirada de taxas municipais que se acumularam nesses dois anos pandêmicos. “Vamos poder encaminhar famílias necessitadas pro CRAS [Centro de Referência em Assistência Social]. Antes da matrícula em qualquer projeto, a pessoa vai passar pela assistência social e o psicólogo, se precisar. Queremos saber o que aconteceu com as famílias durante a pandemia. Sabemos das crianças viciadas em celular, ficando bobas, pais e mães desempregadas, famílias em luto. Casos de depressão e suicídio infantil, sendo tratado no Hospital Infantil, mães muito alteradas, precisando de atendimento médico, crianças autistas sem medicação, com surtos, dificultando permanência na escola, e muitas famílias que têm passado fome”, narra, tocando nos pontos mais delicados da vulnerabilidade social que se intensificou durante a pandemia em todo o país. Divulgação/ICA “Vamos começar a atender mulheres violentadas com assistente social, fazer bazar uma vez por mês e distribuir cestas básicas para mulheres com medida protetiva”, enuncia Rubia. “Já temos voluntários que se apresentaram para dar cursos de bolos, doces, sobrancelhas e contação de histórias para crianças especiais”, elenca. As despesas de cartório, conta, foram pagas com doações captadas por uma voluntária moradora de Jacaraípe, que de real em real, reuniu todo o montante. A ONG também tem ganhado objetos para rifas e sorteios, como roupas, bicicleta, conjuntos tuperware. “Temos 40 voluntários de toda a Serra, recolhendo roupas, pedindo doações em dinheiro. Quero lutar pra levantar o ICA e não deixar cair mais”, afirma, contando que, o chamado final para o grande mutirão de agora aconteceu no Dia das Crianças. ‘A gente quer brincar’ Como a ONG estava desativada, Rubia aceitou o convite para fazer uma atividade com as crianças do bairro Solar de Anchieta, da Serra. A partir de doações dos comércios locais, conseguiram oferecer brincadeiras e guloseimas. “Corrida de saco, corrida de ovo na colher, bambolês, corda, pula-pula, algodão doce, pipoca, cachorro quente, picolé, lembrancinhas de bala…”, recorda. Divulgação/ICA A festa foi um sucesso. “Elas gostaram tanto, que mesmo quando acabaram as lembrancinhas, continuaram brincando. ‘A gente não quer prêmio, não,