Todo cidadão deve fazer valer seus direitos e deveres civis e políticos A democracia não é perfeita, mas é um regime político que permite ao povo exercer sua soberania, podendo ser o detentor do poder e deliberar que parte dele possa ser exercido pelo Estado, para o qual este povo pode escolher o seu governo, a fim de organizar a sociedade para atender seus interesses, segundo o desejo da maioria. Somente na democracia é permitido ao povo resguardar o seu direito à participação política para as decisões segundo seus interesses. Sem democracia, não há participação nem direitos garantidos. O exercício da cidadania refere-se à utilização de um conjunto de direitos, garantidos por lei ou por mobilização social dos cidadãos de um povo organizado em um país. A cidadania é constituída basicamente de três conjuntos de direitos dos cidadãos, os civis, políticos e sociais. Os direitos humanos não caem do céu, nem nos são dados de bandeja, eles precisam ser conquistados e mantidos pelos cidadãos, ao longo dos anos na história, com o objetivo de consolidar suas conquistas, por meio de garantias constitucionais. Um exemplo no Brasil foram as muitas lutas das mulheres, que só conseguiram o direito ao voto pela primeira vez em 1932. Thomas Humphrey Marshall (1893-1981), um sociólogo britânico, afirma que uma cidadania só é plena quando tem no seu exercício a garantia de três tipos de direitos, que são: os direitos civis, inerentes às liberdades individuais, de expressão e de pensamentos; o direito de contratos e o direito à justiça. Os direitos humanos, civis e políticos, são direitos básicos a qualquer ser humano, sem distinção, seja de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de qualquer natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição, garantidos pela nossa Constituição Federal. Os direitos civis são a nossa garantia das liberdades individuais, à liberdade de expressão, à igualdade perante a lei, à segurança, entre outros. No Brasil, estes direitos estão definidos no Artigo 5º da Constituição, fundamentados pelo seguinte princípio: “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade”. A cidadania é um conjunto de direitos para os indivíduos que vivem em sociedade, no que se refere ao seu direito e poder de intervenção para a utilização de seus espaços e na garantia de seu poder de nele intervir e avançar em suas melhorias. Cidadania é uma palavra que vem do latim civitas, que quer dizer cidade. Cidadão vivendo em cidade, em sociedade. A cidadania é um conceito que nos ajuda a compreender melhor nossa condição de seres humanos que pertencem a uma sociedade de um país. Esse pertencimento deve ser estabelecido por meio de direitos e deveres civis, políticos e sociais, que são assegurados por esses próprios cidadãos em sua Constituição Federal. A ideia de cidadania é muito antiga, surge no século VIII A.C, na Grécia, uma sociedade em que os homens eram considerados livres e iguais, a chamada Polis – Grega, onde mulheres e homens pobres, não podiam ser considerados cidadãos e cidadãs. Nesse período, a cidadania esteve longe de ser universal, apenas era considerado cidadão aquele que possuía riquezas materiais e propriedades de terra. Isso nos mostra a necessidade de uma luta permanente para que sejam garantidos os direitos de todos os seres humanos, sem nenhum tipo de discriminação. Nossa Constituição Federal trata do tema em seu Art. 6º “São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição”. Os direitos humanos, numa democracia com cidadania, são garantidos pela sua Constituição, em que se afirma: “Todo ser humano tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal. Ninguém será mantido em escravidão ou servidão; a escravidão e o tráfico de escravos serão proibidos em todas as suas formas. Ninguém será submetido à tortura, nem a tratamento ou castigo cruel, desumano ou degradante”. No Brasil, após muitas lutas, as meninas conquistaram o direito de estudar além do primário, atual Ensino Fundamental 1, somente em 1827. Em 1879, as estudantes mulheres ganharam finalmente o direito de cursar uma faculdade. O acesso à educação é um dos principais recursos para emancipação das mulheres, antes relegadas à esfera doméstica. Numa democracia com cidadania, os direitos humanos são um conceito que trata os direitos que dizem respeito a todo ser humano, independentemente de sua raça, cor, sexo, língua, religião ou classe social. São as garantias da manutenção da vida humana e indicam as condições básicas para um mínimo de recursos necessários para que um ser humano possa sobreviver em uma sociedade à qual pertença. No Brasil, os direitos humanos são garantidos pela Constituição Cidadã de 1988 em seu artigo 5.º, que trata do direito à vida, à privacidade, à igualdade, à liberdade, além de outros, conhecidos como direitos fundamentais, que podem ser divididos entre direitos individuais, coletivos, difusos e de grupos. Qualquer ser humano tem os mesmos direitos que nós temos. Todo ser humano cidadão deve fazer valer seus direitos e deveres civis e políticos, e exercer a sua cidadania. A democracia, a cidadania e os nossos direitos exigem de, cada um de nós, organização, mobilização e luta permanente, para sua conquista, garantia, manutenção e avanços para sua atualização e melhoria.
Comunidade acadêmica discutirá fragmentação da Ufes na próxima semana
Foram convidados a bancada capixaba do Congresso Nacional e representantes da universidade O Diretório Central dos Estudantes (DCE), a Associação dos Docentes da Universidade Federal do Espírito Santo (Adufes) e o Sindicato dos Trabalhadores da Universidade Federal (Sintufes) realizarão, na próxima sexta-feira (5), uma plenária virtual para debater a proposta de criação de uma universidade federal no sul do Estado, a partir da fragmentação do campus de Alegre. As entidades também reafirmarão, a agentes públicos, sua posição contrária à iniciativa, como já fizeram por meio de notas de repúdio. Foram convidados para o debate a bancada capixaba do Congresso Nacional, além da Administração Central da Ufes; a diretora do Centro de Ciências Agrárias e Engenharias (CCAE), Louisiane Carvalho Nunes; a diretora do Centro de Ciências Exatas, Naturais e da Saúde (CCENS), Taís Cristina Soares; o diretor do Centro Universitário Norte do Espírito Santo (Ceunes), Luiz Antonio Favero Filho; e da vice-diretora desse mesmo centro, Ana Beatriz Neves Brito. Segundo o coordenador geral do DCE, Hilquias Crispim, a direção do Ceunes foi convidada devido à proposta de fragmentação desse centro, que fica em São Mateus, norte do Estado. O Projeto de Lei 1964/2021, do deputado federal Neucimar Fraga (PSD), cria a Universidade Federal de São Mateus (UFSM), mas ainda não avançou como o de Alegre. A proposta de fragmentação no sul é do mesmo parlamentar – PL 1963/2021 – e busca a criação da Universidade Federal de Alegre (UFA). A ela, foi apensado o PL 2.048/2021, do deputado federal Evair de Melo (PP), com o mesmo objetivo, mas denominando a instituição de ensino a ser criada como Universidade Federal do Vale do Itapemirim (UFVI). Hilquias afirma que será realizado “o debate que o governo federal não tem feito”. O estudante classifica a proposta de fragmentação como “um autoritarismo, uma tentativa de intervir na Ufes, dividindo a universidade sem destinar nenhum novo recurso”. Para Hilquias, “é somente para dividir e dizer que fez algo”. O ministro da Educação, Milton Ribeiro, chegou a anunciar, no último dia 20, a criação de novas instituições de ensino superior, entre elas, a UFVI. O anúncio foi feito em reunião da Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara dos Deputados. No dia 19 de outubro, o reitor da Ufes, Paulo Vargas, informou que a instituição de ensino irá encaminhar ao Ministério da Educação (MEC) posicionamento contrário à criação de uma nova universidade. Ele também pontou, na ocasião, que seriam contatados pela universidade agentes políticos, como Casagrande e o presidente da Assembleia Legislativa, Erik Musso (Republicanos), além de representantes da sociedade civil. Em audiência com representantes da instituição de ensino, o governador se propôs a viabilizar uma interlocução com o Ministério da Educação para possibilitar o diálogo e a exposição das preocupações dos dirigentes da Ufes. O DCE, o Sintufes e Adufes se posicionaram contra a fragmentação após a circulação de um vídeo, no início do mês, no qual o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o ex-senador Magno Malta (PL) anunciam a proposta de emancipação do campus. O vídeo também motivou que o Conselho Universitário se posicionasse, destacando sua crença no fato de que a ação não somente impacta o futuro da Ufes, mas também pode resultar na criação de uma universidade sem condições de sustentabilidade. O link para participação na plenária será divulgado nas redes sociais que fazem parte do Diretório Central dos Estudantes. A atividade também será transmitida nesses mesmos canais. Comunidade acadêmica é contrária à fragmentação da Ufes Projeto de Evair de Melo quer dividir centros no sul do Estado, assim como pretende Neucimar Fraga em São Mateus https://www.seculodiario.com.br/educacao/comunidade-academica-demonstra-ser-contraria-a-fragmentacao-da-ufes Ministro anuncia criação da Universidade Federal do Vale do Itapemirim Milton Ribeiro reforçou que unidade será resultado da fragmentação do campus da Ufes de Alegre https://www.seculodiario.com.br/educacao/ministro-anuncia-em-comissao-a-criacao-da-universidade-federal-do-vale-do-itapemirim ‘Proposta é autoritária’, criticam servidores sobre fragmentação da Ufes Técnicos-administrativos defendem que nova universidade deve ser criada https://www.seculodiario.com.br/educacao/proposta-e-autoritaria-criticam-servidores-tecnico-administrativos-sobre-fragmentacao-da-ufes
Dose de reforço para idosos se mantém como empecilho para meta de risco muito baixo
Índice estipulado é de 90%, porém, o máximo até agora é de 60,6%. Novo Mapa tem dois municípios em risco moderado Divulgação A vacinação da dose de reforço dos idosos contra a Covid-19 ainda é empecilho para que as microrregiões do Estado atinjam as metasde risco muito baixo (azul), que passam a valer a partir do próximo dia 8 de novembro. O índice estipulado pelo governo é de 90% para essa grupo, porém, o máximo registrado até agora é de 60,6%, referente à Central Serrana, seguida da Litoral Sul (56%) e da Sudoeste Serrana (54,6%). Os dados foram divulgadas nesta sexta-feira (29), junto com o novo Mapa de Risco, que aponta dois municípios em risco moderado (amarelo) e 76 em risco baixo (verde). A meta dos idosos é o que tem impedido a Sudoeste Serrana de alcançar a classificação, já que cumpriu as demais estipuladas, de 80% da segunda dose para a faixa etária acima de 18 anos e 90% da primeira dose de adolescentes. Já a Central Serrana atingiu o primeiro grupo, está próximo do segundo (88,5%), e embora seja o melhor índice do reforço, ainda está distante dos 90%. A outra microrregião que avançou foi a Litoral Sul, que ultrapassou a meta para adolescentes, registra 77,5% na segunda dose para acima de 18 anos, e 56% no reforço para idosos. Com o risco muito baixo, os municípios passam a ter as atividades econômicas e sociais com capacidades plenamente liberadas, mediante comprovante de vacinação dos participantes. A atual Matriz de Risco de Convivência considera no eixo de ameaça o coeficiente de casos ativos por município dos últimos 28 dias, além da quantidade de testes realizados por grupo de mil habitantes e a média móvel de óbitos dos últimos 14 dias. Já o eixo de vulnerabilidade considera a taxa de ocupação de leitos potenciais de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) exclusivos para tratamento da Covid-19.Os novos critérios acrescentam as metas de vacinação e ainda a obrigatoriedade que cada município da microrregião analisada disponha de ao menos um ponto livre de testagem para a população, independentemente de apresentar sintomas e sem necessidade de encaminhamento médico. O 79º Mapa de Risco Covid-19, que terá vigência desta segunda-feira (1) até o próximo domingo (7), aponta em amarelo as cidades de Ibatiba e Santa Maria de Jetibá. Não há municípios em risco alto. Já as cidades em risco baixo são: Afonso Cláudio, Água Doce do Norte, Águia Branca, Alegre, Alfredo Chaves, Alto Rio Novo, Anchieta, Apiacá, Aracruz, Atílio Vivácqua, Baixo Guandu, Barra de São Francisco, Boa Esperança, Bom Jesus do Norte, Brejetuba, Cachoeiro de Itapemirim, Castelo, Cariacica, Colatina, Conceição da Barra, Conceição do Castelo, Divino de São Lourenço, Domingos Martins, Dores do Rio Preto, Ecoporanga, Fundão, Governador Lindenberg, Guaçuí, Guarapari, Ibiraçu, Ibitirama, Iconha, Irupi, Itaguaçu, Itapemirim, Itarana, Iúna, Jaguaré, Jerônimo Monteiro, João Neiva, Laranja da Terra, Linhares, Mantenópolis, Marataízes, Marechal Floriano, Marilândia, Mimoso do Sul, Montanha, Mucurici, Muniz Freire, Muqui, Nova Venécia, Pancas, Pedro Canário, Pinheiros, Piúma, Ponto Belo, Presidente Kennedy, Rio Bananal, Rio Novo do Sul, Santa Leopoldina, Santa Teresa, São Domingos do Norte, São Gabriel da Palha, São José do Calçado, São Mateus, São Roque do Canaã, Serra, Sooretama, Vargem Alta, Venda Nova do Imigrante, Viana, Vila Pavão, Vila Valério, Vila Velha e Vitória. O Mapa de Risco segue as orientações dos boletins epidemiológicos do Ministério da Saúde e recomendações da equipe de especialistas do Centro de Comando e Controle (CCC) Covid-19 no Espírito Santo, que é composto pelo Corpo de Bombeiros Militar, Defesa Civil, Secretaria da Saúde (Sesa), Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN) e Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). As decisões adotadas pelo Governo do Estado seguem parâmetros técnicos. Sudoeste serrana atinge meta de vacinação de adolescentes para risco muito baixo – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/saude/sudoeste-serrana-atinge-meta-de-vacinacao-de-adolescentes-para-risco-muito-baixo
Cimi apresenta relatório sobre violências sofridas pelos povos indígenas em 2020
Os Tupinkim e Guarani do Espírito Santo relatam casos de óbito por Covid e desassistência à saúde Leonardo Sá O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) lançou o relatório “Violência Contra os Povos Indígenas do Brasil – dados de 2020”. Em um cenário de aumento da violência contra os povos originários no Brasil, o documento publicado anualmente também traz registros de violações às comunidades tradicionais no Espírito Santo, com casos de desassistência na área de Saúde, violência contra o patrimônio e pendências na demarcação de terras. Em todo o Brasil, foram registrados 89 casos de desassistência à saúde dos povos indígenas em 2020, realidade que atingiu pelo menos 66 povos em 38 terras indígenas. O Espírito Santo é um deles. O relatório descreve o caso da Tupinikim Jacieli Pego, da aldeia Caieiras Velha, em Aracruz. No ano passado, a indígena foi contaminada pela Covid-19, sofreu um aborto espontâneo, e recebeu o feto em um frasco de soro para levar para casa. “Ela e o esposo relatam várias situações em que foram negligenciados e desrespeitados, mas o que os levou ao desespero foi o fato de uma profissional do hospital ter entregado à mãe um frasco de soro fisiológico com o material expelido no aborto (placenta e feto). Jacieli, aos prantos, perguntou o que faria com o feto, ao que a profissional de saúde respondeu: ‘A única coisa que a gente pode fazer é te dar uma sacolinha pra senhora levar consigo’, descreve o relatório. Além do Espírito Santo, foram registrados casos de desassistência à Saúde nos estados de Alagoas, Amazonas, Ceará, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraná, Rio de Janeiro, Rondônia, Roraima, Santa Catarina, São Paulo e Tocantins. “Os casos de desassistência na área de saúde, que atingiram pelo menos 66 povos em 38 terras indígenas, referem-se principalmente à falta de adoção de ações emergenciais, por parte do governo federal, para minimizar os efeitos do coronavírus sobre as comunidades indígenas. As comunidades indígenas também reclamam que surtos de malária têm sido recorrentes devido a invasões de garimpeiros em suas terras; há falta de água potável, o que tem causado muitos casos de diarreia; faltam medicamentos ou são ofertados medicamentos vencidos; além da falta de saneamento básico em muitas comunidades”, aponta o relatório. O levantamento também apresenta o número de mortes causadas pela Covid-19 entre os povos indígenas. Com base em dados da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), o documento registra um óbito causado pelo coronavírus nas aldeias do Espírito Santo em 2020. Já os casos de contaminação pela Covid-19 estão divididos por Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei). O Dsei de Governador Valadares, responsável pelas comunidades de Minas Gerais e do Espírito Santo, registrou 288 casos de Covid-19 entre indígenas no ano passado. Violência contra o patrimônio O relatório também aborda a paralisação dos procedimentos demarcatórios no Brasil, determinada pelo governo Jair Bolsonaro, bem como a violência contra o patrimônio indígena e o direito à terra. O Espírito Santo está entre os estados que possuem terras indígenas com alguma pendência administrativa. No Estado, três terras indígenas estão na categoria “Sem providências”, que são aquelas reivindicadas pelas comunidades sem nenhuma providência administrativa para sua regularização: Aldeia Ita Pará (Caparaó), do povo Guarani, localizada nos municípios de Divino de São Lourenço e Dores do Rio Preto; a Chapada do A, dos povos Tupinikim, localizada em Anchieta, sul do Estado; e a Serra Caparaó, dos povos Guarani-Mbyá, também localizada em Dores do Rio Preto e Divino São Lourenço. “Com o pior desempenho desde o fim da ditadura militar, o governo de Jair Bolsonaro não demarcou e nem ao menos iniciou nenhum processo de demarcação de terra indígena ou quilombola. O presidente da República continua cumprindo a sua promessa eleitoral de ‘não demarcar um centímetro de terra indígena’ – ainda que regularizar e proteger as terras indígenas seja uma obrigação constitucional do poder Executivo. Como fez com outros órgãos federais, militarizou a Funai [Fundação Nacional do Índio] e nomeou um delegado para presidir o órgão indigenista”, diz o relatório. Desencarceramento Outro apontamento do relatório é o encarceramento em massa no Brasil e os impactos desse problema para as comunidades indígenas. Em 2020, 1,2 mil indígenas estavam em privação de liberdade no país, sendo três no Espírito Santo. Para o Cimi, um dos fatores que contribuem para a inserção destas pessoas nas malhas do sistema de justiça criminal brasileiro é a falta de políticas públicas básicas para indígenas e a não garantia das demarcações de terras. “É urgente intensificar o envolvimento dos movimentos indígenas e indigenistas à questão antiprisional no Brasil. Assim, conjuntamente, uniremos nossas forças em prol do desencarceramento e em busca do respeito a formas próprias de resolver problemas coletivos sem recorrer ao cárcere e à privação de liberdade”, aponta o documento. A falta de políticas públicas básicas também contribui para o alto índice de suicídio entre jovens. Em 2020, foram registrados 110 suicídios de indígenas em todo o país, enquanto um caso foi registrado no Espírito Santo. No Brasil, 2020 também foi o ano que apresentou um aumento de casos de violência contra a pessoa, com 304 registros que incluem casos de abuso de poder, ameaça de morte, ameaças várias, assassinatos, homicídio culposo, lesões corporais dolosas, racismo e discriminação étnico cultural, tentativa de assassinato e violência sexual. “As violências contra os povos indígenas repetiram-se com uma dolorosa gravidade. Propagadas, incentivadas ou naturalizadas por agentes do Estado, explicitam que a opção pela violência se faz necessária para atender às pretensões econômicas e políticas em vigor no país. A crise sanitária expôs a vulnerabilidade a que estes povos estão submetidos – em seus territórios, pressionados por invasores, ou em luta pela terra, resistindo em condições precárias”, alerta o documento.
Campanha divulga Nota Técnica contra decreto que favorece agrotóxicos
Ato de Bolsonaro antecipa piores pontos do “Pacote de Veneno”. No ES, café e eucalipto consomem 75% dos agrotóxicos Marcelo Camargo/Abr A Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e pela Vida recolhe assinaturas de entidades, grupos e coletivos ligados à agricultura, saúde e meio ambiente, em apoio à sua Nota Técnica contra o Decreto nº 10.833, publicado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no último dia oito de outubro. A normativa presidencial, afirma a campanha, é capaz de provocar “graves impactos para a saúde humana, o meio ambiente, os trabalhadores, as comunidades e a agricultura brasileira”, ao alterar, para muito pior, a regulamentação da Lei de Agrotóxicos até então vigente, formada pela Lei de Agrotóxicos nº 7.802/1989, e o Decreto 4.074/2002, que a regulamenta. “Ambos conquistados após amplos debates com a sociedade brasileira”. “Nosso mercado, que já é o paraíso dos agrotóxicos, vai ser ‘o paraíso dos agrotóxicos mais tóxicos, ineficazes e obsoletos ainda’. Vai piorar o que já é ruim”, exclama o técnico e consultor agrícola agroecologista no Espírito Santo Moysés Galvão Veiga, citando um trecho da Nota Técnica. “Coloca a grana na frente da saúde”, ironiza o especialista, que assinou o documento por meio de sua empresa de consultoria. Entre os graves retrocessos, estão “jogar a pouca informação sobre agrotóxicos que temos hoje para debaixo do tapete” e “não diferenciar produtos que têm grave potencial de induzir câncer, por exemplo, jogando tudo num mesmo balaio, uma salada venenosa para confundir, permitindo o registro mais fácil [dos agrotóxicos]”. No Espírito Santo, comenta, o maior consumidor de agrotóxicos é a cafeicultura, concentrando mais de 50% dos venenos comercializados em território capixaba, seguido da silvicultura, com quase um quarto do total. “Em primeiro lugar é a cafeicultura, disparado. Entre 53 e 58%. Silvicultura, em torno de 18%. Isso, dados de 2015, mas que devem ter aumentado até agora [segundo o Atlas da Mata Atlântica do Espírito Santo, a cafeicultura tem aumentado sua área de cobertura e o monocultivo de eucalipto é o uso do solo que mais cresce no Estado]. Depois vêm as outras monoculturas, com exceção das pastagens, que usam mais adubação. O controle de pragas em pastagens é baixíssimo no Espírito Santo”, expõe. Uso amplo no urbano e no rural Na Nota Técnica de repúdio, a campanha informa que o decreto de Bolsonaro altera o ordenamento jurídico que estabelece as normas para o uso, a comercialização, a fabricação de agrotóxicos, seus componentes e afins. A atual legislação, sublinha, define que o termo “agrotóxicos” refere-se a produtos de uso agrícola e não agrícola, como os usados nos jardins das residências, em ambientes domésticos, urbanos, hídricos e industriais e para controle de plantas ao longo de estradas, ferrovias e redes de transmissão, tendo diferentes aplicações como controle de insetos, fungos e plantas indesejáveis. “Esse amplo uso permite que esses produtos tenham mais chances de causar danos aos diferentes biomas brasileiros e a uma enorme proporção da população brasileira, exposta a essas substâncias tóxicas dispersas na água, solo e alimentos, como vegetais, carne, leite e derivados”, alertam os signatários da nota. A legislação atual – lei de 1989 e decreto de 2002 – permitiu o avanço econômico da indústria de agrotóxicos “com algum controle da liberação de produtos biocidas”, garantindo, por outro lado, “que a agricultura orgânica e os sistemas agroecológicos pudessem se desenvolver como modelos alternativos à dependência química na produção agrícola no Brasil”. Existe, no entanto, há quase duas décadas, uma movimentação para a alteração dessa base legal, visando diminuir o controle do registro e uso de agrotóxicos, em especial daqueles que vêm tendo restrições em outros mercados por serem muito tóxicos. Pacote de Veneno O Projeto de Lei nº 6.299/2002, conhecido como “Pacote do Veneno”, é a principal arma da bancada ruralista no Congresso Nacional. Ele visa alterar a Lei de Agrotóxicos em quatro quesitos importantes: flexibiliza a proibição de produtos associados a doenças incapacitantes, irreversíveis e/ou letais; retira o poder de atuação das áreas de saúde e meio ambiente para gestão de aprovação de novos agrotóxicos; compromete o acesso a informações importantes sobre o registro e os produtos usados no país; e deixa aberta a fabricação de produtos sem registro no Brasil. Por conta das graves consequências apresentadas em tais propostas, instituições de ensino e pesquisa, como Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Instituto Nacional de Câncer (INCA) e instituições governamentais como Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Instituto Nacional de Meio Ambiente e de Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Ministério Público Federal (MPF), Ministério Público do Trabalho (MPT), Defensoria Pública da União (DPU), bem como a Organização das Nações Unidas (ONU) e diversas organizações acadêmicas e da sociedade civil, se manifestaram contra a aprovação do projeto, que aguarda votação em Plenária na Câmara de Deputados. O livro Dossiê Contra o Pacote do Veneno e Em Defesa da Vida, lançado em julho passado, contém os posicionamentos e as respectivas análises técnico-científicas desses documentos e das mudanças previstas. Pois são exatamente os pontos mais críticos do “Pacote de Veneno” que constam no decreto de Bolsonaro. “Agora, o uso de agrotóxicos torna-se ainda mais ameaçador para a saúde e o meio ambiente. Além disso, o decreto coloca a agricultura brasileira mais longe de alcançar as exigências de importantes mercados consumidores preocupados com as crises hídrica, energética e climática e com a proteção da saúde e do meio ambiente”, ressalta a Nota. Ilegal e inconstitucional A antecipação dos retrocessos pleiteados no PL via decreto presidencial “é inconstitucional e ilegal em forma e conteúdo”, afirmam as instituições signatárias do repúdio, citando que o ato ultrapassa as competências do Poder Executivo (Capítulo II da Constituição Federal), imiscuindo-se nas do Legislativo. Afronta, ainda, os incisos V e VI do artigo 170, que versam sobre a defesa do consumidor e do meio ambiente, os artigos 196 (direito à saúde) e 225 (direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado) da Constituição Federal. Em resumo, a campanha elencou 16 pontos que resultam “na redução na capacidade do Estado em proteger a saúde humana e os ecossistemas”, agrupados em cinco tópicos: prejudica a atuação dos órgãos essenciais para a proteção da saúde e
Arrecadação do Estado cresce e põe despesa com pessoal abaixo do nível de alerta
Levantamento do Tribunal de Contas confirma dados divulgados por entidades de servidores públicos O Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) permanece em nível elevado, confirmando documento reivindicatório dos servidores públicos por recomposição salarial apresentado ao governo do Estado nessa quinta-feira (28). O Boletim da Macrogestão Governamental, divulgado pelo Tribunal de Contas do Espírito (TCE-ES) nesta sexta, demonstra que a despesa total com pessoal para fins da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) de todos os órgãos estaduais está abaixo dos limites de alerta, mesma situação observada nos municípios. Esse dado também foi demonstrado por entidades que reivindicam recomposição salarial referente aos anos de 2020 e 2021, para pagamento em janeiro de 2022, inclusive por meio de tabelas anexadas a documento encaminhado ao governador Renato Casagrande. No próximo dia 8, a Frente Unificada de Valorização Salarial, formada por entidades da área de segurança pública, vai realizar um ato em frente à Assembleia Legislativa, com essa mesma finalidade. No acumulado até setembro, o ICMS atingiu R$ 6,5 bilhões, aumento de 31% em relação a igual período do ano passado. O desempenho do imposto em 2021 mostra recuperação frente a 2020, ano marcado por grandes impactos da pandemia da Covid-19 na economia. O imposto arrecadado em setembro (R$ 822 milhões) representa um aumento de 31% em relação a setembro de 2020 e mantém o patamar elevado observado em agosto deste ano. Mantendo a tendência de aumento iniciada em junho de 2020, a Receita Corrente Líquida, importante parâmetro fiscal para a observância de limites, atingiu R$ 17,7 bilhões (acumulada em 12 meses) em setembro de 2021. O mesmo acontece com a Receita Total que, no acumulado até o mês de setembro, vem mantendo valores superiores à arrecadação do ano anterior. O que foi arrecadado pelo Estado em setembro de 2021 (R$ 1,7 bilhão) e no acumulado até setembro deste ano (R$ 14,3 bilhões) apresentaram variação de 0,9% e 4,3%, respectivamente, se comparadas com o mesmo período do ano passado. A arrecadação própria do Estado correspondeu a 66,9% em setembro de 2021 e a 62,8% até setembro, seguida pelas transferências da União (27,7% em setembro e 34,4% no acumulado até setembro). O recebimento das compensações financeiras do petróleo, R$ 89 milhões, registrou aumento de 46% em relação ao mesmo mês de 2020. No acumulado até setembro (R$ 1,6 bilhão), a receita aumentou 44%. A partir de abril deste ano, tais receitas operam acima das observadas nos meses de 2020, inclusive com a trimestralidade das participações especiais, como aponta o TCE. As despesas liquidadas no mês passado (R$ 1,5 bilhão) representam um acréscimo de 14% em relação a setembro de 2020, porém houve decréscimo (-0,7%) no acumulado do ano (R$ 11,9 bilhões). A função Saúde continua respondendo pelo maior gasto (R$ 288 milhões), seguida da Previdência (R$ 276 milhões), Educação (R$ 170 milhões) e Segurança Pública (R$ 141 milhões), hierarquia de funções também observada nos dados acumulados no ano. O resultado orçamentário do Estado no acumulado até setembro de 2021 também continua positivo: foi superavitário (R$ 2,4 bilhões), com um considerável acréscimo de 40% em relação ao superávit do mesmo período de 2020 – fruto, essencialmente, da estabilidade das despesas (-0,7%) e do aumento da receita total (+4,3%) no período. O Resultado Primário superavitário (R$ 1,8 bilhão) até setembro de 2021 “é um bom sinal do esforço fiscal do governo do Estado no controle do endividamento”, avalia o Tribunal. Municípios Os municípios capixabas mostraram, no conjunto, uma arrecadação maior (+9%) no acumulado até setembro de 2021 (R$ 11,8 bilhões), em relação ao mesmo período de 2020 (10,8 bilhões). As principais origens de arrecadação no acumulado do ano são as transferências do Estado (41%) e da União (29%), demonstrando a dependência (70%) dos entes municipais em relação a outros entes federados. A arrecadação própria atingiu 26%. Com relação às despesas liquidadas, os municípios mantiveram até setembro de 2021 o mesmo patamar em relação ao mesmo período de 2020, com destaque para a participação da Função Educação (R$ 2,5 bilhões) e Saúde (R$ 2,1 bilhões). Os municípios obtiveram um superávit orçamentário no acumulado até setembro de 2021 (R$ 2,6 bilhões) consideravelmente superior (+62%) ao do mesmo período do ano passado (R$ 1,6 bilhão), diante de um acréscimo na receita (+9%) e pequeno acréscimo na despesa liquidada (0,2%). A grande maioria (63 municípios, ou 81%) está abaixo de todos os limites dos gastos com pessoal e apenas um município está acima do limite legal.
Moradoras desviam trânsito da ES-010 para ruas internas da Praia do Sauê
Ato foi encerrado sob promessa de que Erick Musso vai garantir as obras de saneamento e calçamento do bairro Redes sociais Ao invés de bloquear a passagem, um grupo de moradoras da Praia do Sauê, em Aracruz, norte do Estado, optou por desviar o trânsito de veículos na ES-010 para dentro do bairro, a fim de que os motoristas pudessem “sentir na pele” o que passam os moradores diariamente, com as péssimas condições das ruas esburacadas e não pavimentadas, que impedem o acesso ao transporte coletivo e em alguns casos até do escolar. O protesto iniciou na aurora desta sexta-feira (29) e foi concluído por volta das 9h, após a promessa feita pela vereadora Adriana Guimarães, líder do Republicanos no município, de que seu colega de partido e presidente da Assembleia Legislativa, deputado Erick Musso, irá receber a comunidade para encontrar soluções para as pautas de transporte, saneamento e pavimentação. “A audiência vai ser marcada até o dia 15 de novembro. Vamos quatro moradores do bairro, mais a vereadora Adriana e um secretário municipal, representando a prefeitura”, relata Sueli dos Reis Abrantes, uma das articuladoras da manifestação. O objetivo do encontro é conseguir que o deputado, que é morador da Praia do Sauê, consiga intervir junto à Companhia Espírito-Santense de Saneamento (Cesan), para garantir o cronograma das obras de tratamento de esgoto. O convênio, conta a moradora, foi assinado com a prefeitura para tratar a orla toda. Mas ao invés de começar no Rio Preto (limite sul) ou na Vila do Riacho (limite norte), começou pela Barra do Sahy. “O líder do prefeito [Dr. Coutinho – Cidadania] na Câmara é o vereador Jean Pedrini [Cidadania], que mora na Barra do Sahy. Ele puxou o começo da obra pra lá”, conta, reproduzindo o entendimento dos moradores sobre o favorecimento político ao balneário próximo. Redes sociais “Nós não queremos passar na frente de ninguém, mas também não queremos que ninguém passe na nossa frente. Queremos um cronograma justo. Tinha que começar no Rio Preto ou na Vila do Riacho. Agora, se começou na Barra do Sahy, como vai ficar? Praia do Sauê é o bairro mais pobre e humilde, com pessoas em risco social alto”, argumenta. Além do cronograma das obras da Cesan, os moradores querem “um compromisso assinado pelo deputado Erick Musso de que, acabada a obra da Cesan, esteja garantida a urbanização do bairro”, complementa. “Não temos um metro de calçamento aqui, é tudo barro e lama”, aponta. Redes sociais Durante o protesto desta manhã, conta Sueli, um caminhão derrubou a fiação do poste em frente à casa do presidente da Assembleia e “em meia hora a EDP chegou e consertou tudo”. Em ocasiões pretéritas, compara, “demorou seis horas para arrumar a fiação”. Esse poder político do deputado, acentua, precisa ser usado para benefício de toda a população. O saneamento e a pavimentação, explica, são necessários para atender a outra pauta crucial da comunidade, que é o transporte. Por conta das más condições das ruas, o ônibus coletivo não cumpre a rota acordada com a comunidade há três dias e até o transporte escolar não está funcionando como devia. “Na terça-feira o ônibus largou as crianças no asfalto, incluindo uma de doze anos! A mãe ficou esperando no ponto e a filha chegou andando lá do asfalto. De quem seria a responsabilidade se acontece alguma coisa com essa criança? Do prefeito? Da empresa de transporte?”, questiona, acrescentando que o processo que tramitava na prefeitura para licitação emergencial de ônibus exclusivamente para estudantes foi arquivado. “Ou seja, vai chegar ano que vem e vamos continuar sem ônibus escolar”, reclama. Há mais de dois meses, um acordo informal foi fechado com a prefeitura, para garantir um novo traçado do transporte coletivo dentro do bairro, já que o atual é inviável para a circulação dos ônibus. Mas até hoje não foi implementado. “Não tem desembargador, não tem juiz, ninguém toca na Expresso Aracruz [empresa que executa a concessão do serviço de transporte coletivo na orla do município]. Eles são inatingíveis”, ironiza. A justificativa dada pela prefeitura para o atraso, relata Sueli, é a demora do Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal (Idaf) em emitir a autorização para a poda de algumas árvores num trecho do novo traçado. “É o que a prefeitura diz. Já tem o material, tudo, mas depende da autorização do Idaf”. Prefeitura de Aracruz fará obras para novo trajeto de ônibus na Praia do Sauê Continuam pendentes: fim do contrato com viação Expresso, solicitada pelo MPES; e pautas de outros bairros da orla https://www.seculodiario.com.br/cidades/anchieta-fara-obras-para-novo-trajeto-de-onibus-reivindicado-na-praia-do-saue
Suspensão de reintegração de posse mantém 540 pessoas em área de Linhares
Reivindicado pela Suzano, terreno abriga um acampamento do MST, que produzir e distribui alimentos orgânicos Foi suspensa, por intermédio da Defensoria Pública do Estado (DPES), a reintegração de posse de um terreno reivindicado pela Suzano Papel e Celulose (ex-Fibria e ex-Aracruz Celulose) em Linhares, norte do Estado. Conhecido como Fazenda Nossa Senhora da Saúde, o espaço abriga, desde 2016, 180 famílias acampadas, totalizando cerca de 540 pessoas. Segundo o defensor público Vinícius Lamego, havia uma liminar em aberto, por isso, o juiz expediu mandado para cumprimento. Entretanto, a empresa estava em mesa de diálogo com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). A decisão de suspensão foi baseada na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamenta nº 828, determinada em junho pelo ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), que suspende por seis meses ordens ou medidas de desocupação de áreas que já estavam habitadas antes de 20 de março do ano passado, quando foi aprovado o estado de calamidade pública em razão da pandemia da Covid-19. “A decisão dará tranquilidade a essas famílias pelo menos até o fim do ano”, diz Vinícius. Na decisão judicial, consta que “remoção ou despejo de ocupações coletivas envolve o deslocamento de um número considerável de pessoas, o que inevitavelmente prejudica o isolamento social”. Esse prejuízo, de acordo com o documento, acontece pelo fato de que as pessoas “são desalojadas de suas residências e nesse momento encontram maior dificuldade de encontrar um lugar para morar, sendo certo que a recomendação é praticar o isolamento social e ficar em casa”. Outro ponto é que “a execução da ordem de reintegração de posse, em si, envolve de maneira inevitável a exposição tanto das pessoas removidas, quanto dos agentes públicos”. De acordo com a decisão, “existem diversos relatos nos autos de casos com emprego de violência e mobilização de aparato policial. Em terceiro lugar, porque a execução dessas ações incrementa o risco de contaminação da população em geral, sendo que é preciso reunir esforços para achatar a curva de contágio”. Assim, conforme consta na decisão, “diante de uma crise sanitária sem precedentes e em vista do risco real de uma terceira onda de contágio, os direitos de propriedade, possessórios e fundiários precisam ser ponderados com a proteção da vida e da saúde das populações vulneráveis, dos agentes públicos envolvidos e também com os riscos de incremento da contaminação para a população em geral. Se as ocupações coletivas já se encontram consolidadas há pelo menos um ano e três meses, não é esse o momento de executar a ordem de despejo”. Um dos integrantes da direção estadual do MST, Marco Antônio Carolino, relata que as famílias construíram suas moradias no terreno, que o movimento chama de acampamento Paulo Damião 2. “O local tem produções coletivas e individuais, com alimentos para subsistência e destinação para cestas da reforma agrária na Grande Vitória, que são entregues em domicílio, além de doar parte para ações de solidariedade”, ressalta.
Folha de pessoal de 2022 será R$ 80 milhões menor em Vitória
Alerta é do Sindsmuvi, que no Dia do Servidor, foi às ruas com pautas municipais e nacionais Pela revisão da reforma da Previdência e reposição das perdas inflacionárias. Duas reivindicações à gestão do prefeito Lorenzo Pazolini (Republicanos) foram destacadas no ato realizado pelo Sindicato dos Servidores Municipais de Vitória (Sindsmuvi), em alusão ao Dia do Servidor, nesta quinta-feira (28), que contou com a participação de diversas outras representações sindicais. A concentração foi na porta da Prefeitura de Vitória, de onde os manifestantes seguiram até a beira-mar, fechando duas faixas no sentido centro da cidade até o final da manhã, com distribuição de panfletos aos motoristas sobre as pautas de luta. Divulgação O Sindicato destaca que a previsão de orçamento enviada pelo Executivo à Câmara de Vereadores, para a folha de pagamento de pessoal de 2022, é R$ 80 milhões menor que a deste ano. “O prefeito vai reduzir em quê? Tirar ticket? Reduzir número de profissionais?”, questiona a entidade, na comunicação enviada aos trabalhadores e à população. “Pois uma coisa é certa, repor inflação não vai, publicar edital e deixar os servidores dos quadros da saúde, geral e guarda terem progressão no plano de cargos e salários, também não”, aponta. Sobre concursos até 2024, complementa, estão previstos apenas para três categorias profissionais: educação especial, intérprete de libras e agente comunitário de saúde. A revisão da reforma da Previdência Municipal, outro ponto de destaque na luta, precisa ser feita para sanar danos impostos pela forma autoritária com que foi votada na Câmara no primeiro dia do mandato de Pazolini, “sem diálogo, sem estudo dos impactos na vida dos servidores”, resultando em uma medida “cruel”, classifica o Sindsmuvi. As reivindicações locais dialogam com pautas nacionais, como a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 32. “A reforma administrativa apresentada pelo governo federal atinge mais uma vez os servidores pequenos, excluindo juízes, desembargadores, políticos, dentre outros”, alerta a entidade sindical. “O que eles querem é referendar o famoso jogo do toma lá, dá cá, também conhecido como rachadinhas, favorecimentos de políticos, em troca de sujeira nos bastidores onde decidem a vida do povo”. A contextualização nacional das lutas municipais também foi ressaltada pela presidente do Sindsmuvi, Waleska Timoteo, em fala realizada nessa quarta-feira (27), na sessão solene em homenagem aos servidores municipais. “Em nível nacional [o ato de quinta-feira] é a luta contra a PEC 32 a reforma administrativa. A nível local, representa nossa voz ecoando dentro da prefeitura. Vamos fazer em algum momento Pazolini nos escutar. Vamos fazer em algum momento os vereadores, que aqui já afirmaram que o magistério sequer merece ganhar metade do salário, entenderem que nós, servidores, merecemos ser valorizados”. Linneker Almeida/CSP Conlutas O papel do sindicato, sublinhou Waleska Timoteo, “é explicitar a política que está dada no governo federal” e isso, acentua, “não é partidarizar o debate; é afirmar que a política em nível federal é política de extermínio sim: extermínio da população pobre, extermínio ao negar uma vacina, e agora por fim até falar que a vacina transmite HIV”, criticou, referindo-se a falas recentes do presidente Jair Bolsonaro nas redes sociais. O grito “Fora Bolsonaro!”, ratificou, vai continuar ecoando nas manifestações da entidade. “Quando a gente coloca a necessidade de enfrentar o governo, ir para atos públicos, independente das retaliações, é porque acreditamos que o nosso poder é nas ruas, junto com o povo, lutando e defendendo as nossas bandeiras. Porque as perdas já estão aí explícitas. O ‘não’ como resposta já temos. A nossa conquista só vai vir de fato avançando dia após dia, construindo a consciência de classe e somando força com as entidades, com cada trabalhador e conscientizando”. A folha de pagamento municipal de 2022, menor em R$ 80 milhões que a de 2021, aponta para uma “política de extermínio do nosso servidor público”, classificou. “Quem aposentar, ele não vai repor, vai reduzir pessoal. Além do sucateamento, vai cada vez mais nos explorar, exploração que já existe. Já vemos isso no PA [Pronto Atendimento], nas escolas…”, relatou. Atualmente, informou, são 15 mil servidores na prefeitura da Capital, entre ativos e aposentados, “todos com processo de sucateamento de seus cargos e locais de trabalho”. A atual gestão, apontou, sequer publicou o edital do plano de cargos e salários, para minimamente garantir os planos da guarda, da saúde e do quadro geral”. Só nessas três categorias, disse, “são oito mil servidores” com suas carreiras estagnadas. As perdas salariais, por sua vez, já acumulam 30% somente na gestão passada de Luciano Rezende (Cidadania). “E a atual gestão sequer fala em repassar a inflação acumulada”. Os atos públicos são fundamentais na luta pelos direitos, destacou Waleska. “A política de Pazolini não tem mesa de negociação, não responde a ofício”, atacou, citando o caso da manutenção das grávidas em trabalho remoto, só atendida mediante sentença favorável da justiça. “Porque para eles, é porta fechada. Mas se eles não nos escutam, nosso movimento é nas ruas, ecoa nas ruas, se dá com trabalhadores de outras categorias e com a população. Esse é o nosso papel. Servidores estaduais, federais, de qualquer município”, disse. Gilvan diz que aposentados ‘merecem estar onde estão: ferrados e lascados’ Fala foi feita após ato dos servidores, que pediram apoio dos vereadores contra a reforma da Previdência de Vitória https://www.seculodiario.com.br/politica/gilvan-diz-que-aposentados-merecem-estar-onde-estao-ferrados-e-lascados
Projeto que destina recursos a bolsistas é aprovado em comissão e vai ao plenário
Rose de Freitas, presidente do colegiado, era cobrada por estudantes para aprovação da matéria, que também envolve a Ufes A Comissão Mista de Orçamento (CMO) do Senado aprovou, nesta quinta-feira (28), o Projeto de Lei 17/2021, de autoria do Executivo, para abertura de crédito suplementar. A análise da matéria, que agora será apreciada no plenário do Congresso Nacional, é aguardada por mais de 60 mil estudantes brasileiros, sendo mais de 400 da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), que estão com as bolsas do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (Pibid) e Residência Pedagógica (RP) atrasadas desde setembro. Isso porque o Projeto de Lei 17/2021 propõe readequação orçamentária e destina R$ 43 milhões para bolsas de estudo da Educação Básica, o que inclui os programas atrasados. A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), responsável pelo financiamento dos programas, justifica que não havia mais permissão legal para a suplementação orçamentária por ato do Executivo, por isso o crédito precisou ser encaminhado por meio de projeto de lei. De acordo com a Ufes, 210 alunos recebem bolsas do Pibid e 192 do Programa Residência Pedagógica. O projeto seria analisado pela CMO nessa quarta-feira (27), mas os parlamentares aguardavam que o governo também garantisse o pagamento das bolsas dos próximos meses. Os valores destinados por meio do Projeto de Lei 17/2021, aprovado na CMO, garantem apenas o pagamento dos valores de setembro e parte dos valores de outubro, sendo necessários mais R$ 124,4 milhões para garantir as bolsas até o fim do ano. Nesta quinta, o senador Izalci Lucas (PSDB-DF), vice-presidente da CMO, informou que, após reuniões com o Ministério da Economia e com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o Executivo garantiu analisar as demandas dos estudantes Com base no acordo, os parlamentares que integram a comissão decidiram aprovar a proposta para que os valores atrasados sejam pagos com urgência aos bolsistas, sob a garantia de que tanto a complementação dos recursos quanto outras demandas no campo da ciência e da tecnologia sejam resolvidos antes da votação final do texto no Congresso, prevista para a próxima semana. Rose de Freitas garantiu que não haverá acordo antes que esses problemas sejam resolvidos. “Nós não fizemos um voto de confiança ao governo. Nós fizemos um voto de compromisso. (…) Não haverá nenhuma indicação de qualquer relator para qualquer PLN nesta Casa sem antes aferirmos, em reunião, o que está proposto, o que precisa ser feito e aonde queremos chegar”, apontou. Outra reivindicação da comissão é a reposição dos R$ 690 milhões previamente destinados ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), por meio do PLN 16/2021. No início de outubro, após orientações do Ministério da Economia, o Congresso aprovou o projeto, mas apenas R$ 55,2 milhões foram mantidos, representando um corte de mais de 90% dos recursos. Na ocasião, entidades como a União Nacional dos Estudantes (UNE) estimaram que os cortes afetariam projetos científicos, bolsas e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Primeiro passo A aprovação prévia do projeto na CMO foi comemorada pela União Nacional dos Estudantes (UNE) nas redes sociais. “Vitória dos estudantes (…) Vamos seguir em luta e mobilizados para garantirmos o pagamento efetivo das bolsas do Pibid e Residência Pedagógica e na defesa da educação”, disse a entidade. O Diretório Central de Estudantes da Ufes (DCE) destacou que o resultado é apenas o começo. Uma página foi criada no Instagram para reunir bolsistas do Pibid e da Residência Pedagógica no Espírito Santo. “A aprovação da PLN 17/2021, na Comissão Mista de Orçamento e Finanças, é o primeiro passo para que as bolsas que estão atrasadas sejam pagas. No entanto, não há garantia alguma sobre a continuidade dos pagamentos até o fim do ano e, muito menos, do próximo ano. Por isso, convocamos todes a se somarem na luta e denúncia pública desse absurdo e em favor da Educação. Siga @pibid.rp.resiste.es e fique por dentro das próximas ações!”. Na reunião da CMO nesta quinta, o deputado federal Carlos Zarattini (PT-SP) destacou a falta de organização e planejamento do governo federal para concessão das bolsas aos alunos. “Eu só tenho a lamentar que o governo, que sabe que tem uma despesa com bolsas, deixe essa situação em que a gente tem que ficar brigando aqui por uma coisa que deveria ser consagrada. Nós não estamos falando de uma coisa que é uma novidade. É uma despesa corrente do governo e tem que estar no orçamento. Não tem nem que ser discutido. É um absurdo a gente estar aqui debatendo esse assunto”, ressaltou. Atraso no pagamento das bolsas da Capes afeta 400 alunos da Ufes – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/educacao/alunos-da-ufes-sao-afetados-por-atraso-no-pagamento-das-bolsas-da-capes