Medida vale para quem está com mais de oito semanas desde a primeira dose da AstraZeneca A partir desta terça-feira (19), todos aqueles que receberam a primeira dose da AstraZeneca (Fiocruz/Oxford) e que tenham mais de oito semanas da D1, poderão receber a segunda dose da vacina da Pfizer (BioNTech) para completarem seu esquema vacinal, em todos os municípios do Espírito Santo. O anúncio do início da vacinação heteróloga foi feito pelo secretário de Estado da Saúde (Sesa), Nésio Fernandes, com base na Resolução nº 174 da Comissão Intergestores Bipartite (CIB). Segundo a Resolução, a D2 da Pfizer deverá ser administrada no intervalo adotado para o imunizante utilizado na D1, o que, no Estado, é de oito semanas (56 dias). “Ainda existe falta da vacina da AstraZeneca para garantir o esquema homólogo para toda a população do Estado. Ao mesmo tempo que existe um excedente de vacinas da Pfizer distribuídas ao Espírito Santo”, explicou o secretário. A decisão, ressaltou, “não vai comprometer nem a disponibilidade de vacinas do reforço heterólogo dos idosos, tampouco a segunda dose da população que precisa receber a D2 da Pfizer”. A intercambialidade de vacinas, ou uso de vacinas heterólogas, é uma orientação do Ministério da Saúde, subsidiada por discussões realizadas na Câmara Técnica Assessora em Imunização e Doenças Transmissíveis, por meio da Nota Técnica Nº6/2021. Esta aponta que, “considerando dados indicando boa resposta imune em esquemas de intercambialidade, bem como dados de segurança favorável, considerando ainda a importância da segunda dose para assegurar elevada efetividade contra a Covid-19, opta por orientar que onde não for possível administrar a segunda dose da vacina com uma vacina do mesmo fabricante, seja por contraindicações específicas ou por ausência daquele imunizante no país, poderá ser administrada uma vacina Covid-19 de outro fabricante”.
’Encaminhamento de novo comandante é um avanço, mas não resolve o problema’
Lino Feletti destaca importância da discussão sobre segurança no Centro de Vitória em audiência nesta quarta As associações comerciais e de moradores da região do Centro de Vitória realizam uma audiência com a temática da segurança pública nessa quarta-feira (20), às 19h, na quadra do Colégio Agostiniano, no Parque Moscoso. As comunidades, que há muito tempo reivindicam melhorias nessa área, tiveram um avanço, que foi o encaminhamento de um novo comandante para a 1ª Companhia da Polícia Militar (PM), mas ainda é insuficiente, como afirma o presidente da Associação de Moradores do Centro (Amacentro), Lino Feletti. “É um avanço, sem dúvidas, quem assumiu o posto conhece a realidade do Centro, tem se aberto ao diálogo. A gente consegue direcionar pontualmente questões de segurança para uma determinada rua, por exemplo, mas não resolve”, diz Lino. Foram convidados para a audiência representantes do Ministério Público do Espírito Santo (MPES), Polícia Militar (PM), Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp), Polícia Civil (PC), Câmara de Vitória, Assembleia Legislativa e Secretaria Municipal de Segurança Urbana. Com a promoção do então comandante a major, o encaminhamento de outro foi discutido no final de setembro em uma reunião com representantes de colegiados das associações comerciais e de moradores com o governador Renato Casagrande (PSB) e o secretário estadual de Segurança Pública, Alexandre Ramalho, na qual foi debatida a necessidade de políticas de segurança para a Regional I, que abrange Centro, Moscoso, Parque Moscoso, Fonte Grande, Piedade, Vila Rubim e Ilha do Príncipe. Na ocasião também foi colocada em pauta a questão da falta de um subcomandante, o que, segundo Lino, ainda não foi solucionado. Para o presidente da Amacentro, a audiência é uma oportunidade de os moradores discutirem com o poder público. “É importante participar, sair das redes e ir para a participação efetiva, para a discussão ampla”, defende. Lino relata que as comunidades do Centro vêm sofrendo com arrombamentos de lojas e tentativas de forçar abertura dos portões dos prédios residenciais. Na reunião do final de setembro, o governador também assumiu o compromisso de agendamento de um diálogo com a secretária estadual de Direitos Humanos, Nara Borgo, para que as associações pudessem fazer suas reivindicações em relação às políticas do Programa Estado Presente, além de ações que englobam áreas como esporte e geração de emprego e renda. A reunião ocorreu em oito de outubro. Segundo Lino, serão necessários mais encontros para traçar ações de acordo com a realidade da região do Centro. Guarda Municipal Recentemente, associações de moradores da região do Centro questionaram a desativação do posto da Guarda Municipal de Vitória, que ficava no Parque Moscoso. Na ocasião, Lino reclamou que o posto contava com toda infraestrutura para os guardas municipais guardarem seus materiais e pertences particulares antes de ir ao trabalho nas ruas. Essa infraestrutura foi desmontada. O posto aumentava a circulação de Guardas Municipais na região, e, consequentemente, a sensação de segurança. Os guardas municipais tiveram até 31 de agosto para tirar seus pertences do local. Segundo Lino, hoje “não se vê mais a presença da guarda no Centro como antes”. Violência Um dos casos mais recentes de violência na região do Centro aconteceu em 11 de julho, no Morro da Capixaba. Houve um tiroteio no momento em que várias pessoas estavam na rua, em uma festa julina. Na ocasião, um homem ficou gravemente ferido e foi levado ao hospital. A violência teve início quando homens encapuzados subiram o morro armados e iniciaram um confronto com traficantes da região. A Amacentro, juntamente com a Associação de Moradores do Parque Moscoso (Ampar), a Associação dos Barraqueiros da Praça do Palmito da Vila Rubim e o Colegiado das Associações de Moradores da Regional 1 (Regional do Centro) Vitória, divulgou uma nota para se posicionar diante do ocorrido. As entidades afirmaram lamentar a violência urbana, “que revela as atividades fim, como é o caso de homicídio e barulho de tiros que encerram o domingo”. A associação aponta como algumas das consequências da violência na região a impossibilidade de garantia do direito de ir e vir das pessoas, pois muitas temem sair de casa. Outro impacto negativo é no comércio, já que muitos deixam de fazer suas compras no Centro em decorrência da criminalidade. O Morro da Piedade é outro local que tem sofrido com a violência. Em 2020, diante de tantos assassinatos de jovens, foi firmado um compromisso entre o Governo do Estado, a Prefeitura de Vitória e a comunidade, que organizou uma lista de reivindicações, dentre elas o retorno do acesso da comunidade ao Centro de Vivência. Entre as demais demandas apresentadas, estão a ampliação do atendimento de saúde no território com mais psicólogos, assistentes sociais, enfermeiros, médicos, agente de saúde e outros profissionais; articulação intersetorial com as redes de educação, saúde e assistência social; criação urgente de projetos e programas sociais com intuito de atender crianças, jovens, adultos e idosos; destinação de recursos públicos para criar e fortalecer projetos de cultura e esporte existentes no território; instalação de câmeras em pontos estratégicos da comunidade; instalação de internet nas praças e vias públicas da parte alta da comunidade; ocupação de terrenos baldios e espaços ociosos, com praças, academias populares e brinquedos infantis; e potencialização das escolas públicas. Associações do Centro cobram políticas de segurança para a Regional I Em reunião com o governador e o secretário Alexandre Ramalho, associações expuseram situações de insegurança https://www.seculodiario.com.br/seguranca/associacoes-do-centro-cobram-politicas-de-seguranca-para-a-regional-i-1
As crianças como sujeitos de direitos
Vereadora Camila Valadão iniciou projeto que vai ouvir ideias de crianças para a Capital Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad contínua), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2018, já indicavam que o Brasil possuía 35,5 milhões de pessoas com até 12 anos de idade. Apesar desse universo de brasileirinhos, o reconhecimento das crianças como sujeito de direitos e a criação de espaços onde elas de fato fossem ouvidas só foi possível após longos processos de luta pelo direito à infância, como aponta Maria Emilia Passamani, coordenadora do Núcleo de Estudos da Criança e Adolescente da Universidade Federal do Espírito Santo (Neca-Ufes). “Os direitos da infância e adolescência ao longo da história passaram por vários processos de mudanças. O reconhecimento dessa população como sujeitos de direitos, pessoas em processo de desenvolvimento em todos os níveis, que devem ser protegidas pela família, pela sociedade e pelo Estado, se deu a partir de lutas de vários atores pela regulamentação de leis internacionais e nacionais, tais como a Convenção dos Direitos da Criança e do Adolescente da ONU (1989), a Constituição Federal de 1988 e o Estatuto da Criança e do Adolescente (1990)”, explica Maria Emília. O cenário, entretanto, nem sempre foi assim. Segundo a pesquisadora, antes desses avanços, crianças e adolescentes, especialmente as de famílias pobres, eram meros “objetos de intervenção estatal”. “O ECA estabeleceu, entre os direitos fundamentais, que crianças e adolescentes têm direito à liberdade, ao respeito e à dignidade como pessoas humanas, que, entre outros aspectos, garantem direito de opinião e expressão, participar da vida política, brincar, praticar esporte, e etc”. Um projeto da vereadora de Vitória, Camila Valadão (Psol), tenta recuperar esse protagonismo da infância em Vitória. Por meio da iniciativa “Fogo no parquinho: infâncias no debate público”, ela desenvolve o “Comitê das Crianças” nas comunidades, espaço onde os pequenos podem expor suas necessidades e ideias para uma cidade melhor. “A proposta é trazer as crianças para o centro da política. É realmente escutá-las, porque afinal, elas têm muito o que dizer sobre seus direitos, seus desejos e sonhos”, diz Valadão Essa é uma das prerrogativas da Convenção sobre os Direitos da Criança, adotada pela Assembleia Geral da ONU em 1989, e em vigor desde 1990. O tratado, que orienta a proteção de crianças em todo o mundo, defende o direito da criança expressar as próprias opiniões e, mais do que isso, afirma que essas opiniões devem ser consideradas em todas as decisões que as afetam. “Para tanto, a criança deve ter a oportunidade de ser ouvida em todos os processos judiciais ou administrativos que a afetem, seja diretamente, seja por intermédio de um representante ou de um órgão apropriado, em conformidade com as regras processuais da legislação nacional”, diz o documento no artigo 12. Outro ponto destacado na convenção é o reconhecimento do direito da criança à liberdade de pensamento, de consciência e de crença religiosa. “Os Estados Partes devem assegurar à criança que é capaz de formular seus próprios pontos de vista o direito de expressar suas opiniões livremente sobre todos os assuntos relacionados a ela, e tais opiniões devem ser consideradas, em função da idade e da maturidade da criança”, destaca o tratado. O principal marco da convenção é o reconhecimento da criança como um sujeito de direitos, assim como os adultos, rompendo com o contexto de invisibilização das garantias na infância, como informa um relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). “Nos países industrializados do início do século XX, não havia padrões de proteção para as crianças. Era comum elas trabalharem ao lado de adultos em condições insalubres e inseguras. O crescente reconhecimento das injustiças de sua situação, impulsionado por uma maior compreensão das necessidades de desenvolvimento das crianças, levou a um movimento para melhor protegê-las”, informa o documento. Escuta atenta em Vitória O primeiro Comitê das Crianças aconteceu no último sábado (16), com crianças que moram no Romão, em Vitória. Um dos problemas apontados nesse primeiro encontro foi a falta de espaços recreativos no bairro, o que faz com que os pequenos moradores recorram às escadarias da comunidade e a um terreno abandonado para se divertirem. Enquanto isso, o parquinho da região está sucateado, aponta a vereadora. “O comitê que aconteceu no Romão foi nossa primeira experiência em levar a campanha aos territórios e ver de perto como estão os espaços para as crianças nesses lugares. O resultado que tiramos dessa movimentação é que nós, políticos, nós, os adultos, precisamos ouvir mais o que meninos e meninas têm a dizer sobre a cidade que querem viver”, pontuou. A ideia é que mais encontros como esse aconteçam em outras localidades de Vitória. Após os comitês, que serão realizados até o final de outubro, os temas levantados pelas crianças poderão dar origem a projetos de lei, indicações e moções na Câmara de Vitória. Para a coordenadora do Neca, Maria Emília Passamani, reconhecer as várias realidades vivenciadas pelas crianças, criar e oportunizar espaços de participação onde elas possam se expressar em um ambiente de liberdade e dignidade, é fundamental. “É importante também considerar os contextos familiares, sociais e culturais em que ela está inserida a partir de um ambiente seguro e de confiança, no qual possa recorrer quando precisar, por exemplo em situações de violência doméstica”, destaca. Ela prossegue: “Favorecer a escuta de crianças e adolescentes possibilita o seu protagonismo e cria condições para que ela se expresse espontaneamente em seu ambiente. Dessa forma, crianças e adolescentes exercitam valores tão indispensáveis à convivência democrática, aprendendo o respeito às diferenças, à tolerância e a viver em comunidade”, conclui.
Estratégia na eleição na OAB
Disputa da Ordem dos Advogados é o primeiro ensaio com vistas às eleições do próximo ano As próximas eleições para a Ordem dos Advogados do Brasil no Estado (OAB-ES) serão, induvidosamente, o primeiro ensaio com vistas às eleições do próximo ano. Ganhou volume na imprensa e nas redes sociais. Incomodou políticos ao mesmo tempo em que, por óbvio, os atraiu. Tudo hoje é muito análogo. Os métodos de publicidade são, em tese, os mesmos de todas eleições. Isso contribui para deixá-las parentes para o grande público. E não poderia ser diferente, pois os temas se resvalam e se encontram. Mesmo que os eleitores sejam advogados? Claro que não são coisas autônomas ou independentes. A família toda influencia, de uma maneira ou de outra, no voto do eleitor-advogado. Virou assunto do dia. O pai que conversa com a mãe, que, por sua vez, comenta com o filho/a. Por exemplo, a OAB esteve no front da fusão das comarcas. Matéria eminentemente política no interior e que direta ou indiretamente pede a participação do espectro de convivência do profissional. O atual presidente, José Carlos Rizk, que se confrontou com o Tribunal de Justiça, soube captar eleitoralmente a matéria para si. No final das contas, decisões judiciais, daqui e dali, serviram de material programático de sua campanha para reeleição. Aprendeu a entrar na boa: um fracasso não lhe prejudicaria. Aliás, há três anos, afirmei aqui nesta coluna, que Rizk pretendia ser o “novo” na política capixaba. Rogério Medeiros, que buscava freneticamente um nome para análise, entre Paulo Hartung e o governador Renato Casagrande, refutou. Logo depois me procurou e disse que eu tinha razão. Acho que você acertou”, disse. Rizk começava a trilhar o caminho que poderia ser o novo político surgido no ventre da OAB. Casagrande, de antena ligada, registrou a especulação. Bem, o tempo passou. Rizk acreditou e saiu em busca de sua pretensão. Traçou pautas e fez política o tempo inteiro do seu mandato que se encerra no final do ano. Mas, por enquanto, no âmbito da advocacia. Não entro no mérito se as políticas foram boas ou ruins. Habilidoso, enfatizou os temas, selecionando-os, nada que pusesse respingar num julgamento ideológico e, portanto, que lhe trouxesse desgastes. Como um experiente político, transformou as subseções da OAB em feudos seus, bases de sua campanha. Trouxe adversários para seu lado, geralmente jovens ambiciosos, e, paralelamente, tentou preservar amigos. Há poucos dias foi visto no Palácio Anchieta, com o governador Renato Casagrande, comemorando um eventual aumento da remuneração dos advogados dativos. Temas escolhidos para lhe trazer prestígio eleitoral. Assim se apresenta. Fazendo campanha 24 horas por dia. Por outro lado, o seu adversário com história, que trabalha no espaço aparentemente mais ideológico, é Homero Mafra, embora a candidata de frente, puxando a ala, seja a advogada Erica Neves, que foi secretária-geral adjunta da OAB-ES. Faz campanha com o slogan: “A Ordem que a gente quer tem que ter a sua cara”. Pretende gestão inovadora, transparente e participativa. Quer trazer um novo conceito para a OAB, pois acredita que Rizk estaria postergando as lutas ideológicas. Principalmente num momento em que a própria democracia vive riscos, com um governo federal autoritário e incompetente. Por fim, a candidatura do advogado Alexandre Rossoni, mais veemente, se apresenta também com um crítico da gestão atual e procura, com temas mais enfáticos, desfazer tudo que Rizk teria consolidado no seu mandato. Acredita que os advogados são vítimas de projetos pessoais e que a advocacia vem “há mais de uma década em franca decadência moral e profissional”. Faz parte do jogo democrático. Com tudo isso, claro que Rizk sai bem na frente. As subseções, esmagadoramente, lhe ancoram, servem de base eleitoral, depois de um trabalho de três anos. O interessante, porém, é que as chapas tentam também um caminho seguro para trazer ao debate os temas políticos, como a atuação do presidente Bolsonaro e o fracasso dele nas pesquisas. Homero Mafra, mais experiente e que não tem nada de bobo, articula engenharia sofisticada para colar a imagem de Rizk na do presidente. Sabe que nesse lado do campo ele não vai. Quer dizer, com isso, que não se pode perder de vista a missão institucional da OAB de, entre outras, defender a Constituição, a ordem jurídica do Estado democrático de direito, os direitos humanos, a justiça social. A oposição quer debater, por exemplo, para fugir das pautas de Rizk, ascensão das fake news no governo Bolsonaro. Acham que os temas falam mais alto no momento. No entanto, os seguidores de Rizk, a rigor, entendem que o presidente nunca fugiu à luta, principalmente com a história de seu passado. Ao mesmo tempo em que convocam o favorito Rizk para o debate, os opositores elaboram, nesses trinta dias, um trabalho inspirado em Guimarães Rosa, ou seja, como se fosse “um vaga-lume lanterneiro que riscou um psiu de luz”.
Nacionalmente
Na realidade, muitos não querem Bolsonaro nem Lula, mas quem? Quando delegado de trânsito em Vitória, o senador Fabiano Contarato (Rede) se destacou por sua atuação firme e repreensiva, mas sem perder a ternura. Isso chamava a atenção da imprensa e, principalmente, dos familiares envolvidos nos acidentes de trânsito. Lembro que o entrevistei para a SIM umas duas vezes, inclusive uma para a TV. Chamava a atenção da imprensa na época. Hoje ele chama atenção da imprensa nacional, principalmente pela sua atuação como senador da República. Na época da eleição, confesso que fiquei surpreso com o número de votos, dele e do outro capixaba, que depois sumiu na senadoria. Mas por que estou escrevendo sobre o Contarato? É que em meio a essa balbúrdia política com respingos mundiais, vimos o que se pode definir o governo de Bolsonaro friamente, não para os opositores, muitos menos para os bolsonaristas, mas para as pessoas com senso de análise fria, porém preocupadas com o futuro. Em recente entrevista à Veja, assim falou, quando foi questionado sobre “O que vai ser decisivo nas eleições de 2022? “Quem contrapor melhor ao discurso de Bolsonaro tem possibilidades de se sair melhor. Há uma má administração, que cortou recursos da saúde, das pesquisas e fez um aporte no Ministério da Defesa. Na Educaçao tivemos um ministro que queria que os alunos filmassem o professor dentro da sala de aula, outro que queria tirar recursos de cursos de sociologia e filosofia, um não assumiu por problemas de currículo e o atual falou atrocidades sobre alunos com deficiência. O desmonte na área ambiental impacta as relações exteriores. Isso fica muito visível, agravado pelo comportamento do presidente na pandemia;” Na realidade, muitos não querem Bolsonaro nem Lula, mas quem? Essa é a preocupação política nacional no momento. Ninguém tem a maioria dos votos; não se tem um candidato certo. Será que aparecerá até as eleições? Há! E como serão essas eleições? PARABÓLICAS Com maior idade de mais de 20 anos, o primo Maurício Mignone continua redigindo o seu bem sucedido jornal O Mirante em Cachoeiro. www.miranteonline.com.br Em São Mateus, fora as peripécias nacionais do prefeito, a excelente locutora Sueli Oliveira continua falando e coordenando a Musical FM . As rádios da Tribuna precisam de uma sacudidela. Parecem abandonadas pela direção geral ou a direção de Recife. Uma pena. Nosso Jornal é um excelente trabalho de jornalismo online, onde se destaca o Jorge BUBU Buery. Vale á pena ler. ACESSEhttp://jrm50anos.blogspot.com.br/O rádio do ES na visão de JRM ACESSE: TRADUÇÃO JRM YOUTUBE Leo Sayer When I Need Youhttps://www.youtube.com/watch?v=oCA6BU24pyM MENSAGEM FINAL“Eu vejo a Playboy pela mesma razão que vejo a National Geographic: gosto de dar uma olhada em lugares que sei que nunca vou visitar.” Da Internet
MDB não consegue se reerguer e fica mais distante da prometida pacificação
Rose de Freitas busca reeleição ao Senado, mas encontra restrições no partido que preside no Estado A menos de um mês de encerrar seu mandato e 10 meses depois de assumir a presidência da Executiva do MDB no Espírito Santo, desbancando o ex-deputado federal Lelo Coimbra, ainda no partido, a senadora Rose de Freitas está longe de cumprir a promessa de pacificação, feita em janeiro deste ano. O crescimento previsto também não ocorreu e o partido segue em baixa, caminhando para perder o prefeito de Linhares (norte do Estado), Guerino Zanon, que deve confirmar filiação em outra sigla. A insatisfação ocorre, de acordo com integrantes do partido, porque a senadora ignora as lideranças locais, centrando seus movimentos em assegurar espaços para a reeleição no ano que vem, o que a levou a “entregar o partido ao governador Renato Casagrande”, do PSB, gerando reclamações e ações na Justiça. Rose se movimenta para ganhar espaço visando à reeleição, considerada das mais difíceis no mercado político. Desgaste do mandato, investigação da Polícia Federal e articulações do deputado federal Da Vitória (Cidadania), voltadas para uma filiação ao PP, mais do ex-senador Magno Malta (PL) e do ex-prefeito de Colatina Sergio Meneguelli, representam barreiras ao projeto. Sem conta que permanecem em silêncio o ex-senador Ricardo Ferraço (DEM) e o ex-governador Paulo Hartung (sem partido). “Rose ainda não explicou o que pretende e a que veio”, comenta Lauristone da Silva, da executiva de Colatina, noroeste do Estado. No início desse mês, ele impetrou ação cível na Justiça requerendo respostas ao ato de desrespeito ao estatuto, segundo ele, que possibilitou sua substituição no cargo de presidente, por escolha de convenção partidária, por uma comissão provisória indicada por Rose. A presidência foi assumida pelo diretor do Centro Universitário do Espírito Santo (Unesc), Pergentino de Vasconcelos Júnior, da família do deputado estadual Renzo Vasconcelos (PP), que deve assumir o Pros com a janela partidária, em 2022, sinalizando articulação com o ex-prefeito de Colatina Sergio Meneguelli. “Rose está muito enganada se acha que terá o apoio de Casagrande”, afirma um emedebista. Essa situação é registrada desde 2018, em decorrência do retrocesso provocado pelo recuo do então governador Paulo Hartung de concorrer à reeleição. A partir desse fato, foi deflagrada uma crise entre seus aliados, que levou o partido a deixar de ter a maior bancada na Assembleia, hoje resumida a um parlamentar, Dr. Hércules Silveira. O deputado estadual José Esmeraldo, que foi expulso, permanece sem partido. O retorno de Rose de Freitas ao MDB aconteceu em 12 de janeiro deste ano, como forma de acabar com o conflito entre o grupo do ex-deputado federal Lelo Coimbra, que perdeu a presidência da executiva, e aliados do deputado estadual José Esmeraldo, na disputa pelo controle da sigla no Estado. Segundo o estatuto do partido, o mandato de Rose acaba em 19 de dezembro próximo e a formação atual da Executiva não poderá ser renovada. Cinco meses depois de assumir o MDB, pondo fim ao conflito interno do partido, a senadora Rose de Freitas iniciou um processo de nomeações para cargos e prorrogação de mandatos em diretórios municipais. Esses atos foram objeto de denúncias à Executiva Nacional, acirrando uma nova crise interna no partido. Os questionamentos permanecem sem respostas. Procurada, a senadora Rose de Freitas não se pronunciou, até o fechamento dessa matéria.
Emaranhado eleitoral
Casagrande até vai…mas Audifax Barcelos tem palanque irreversível ao governo do Estado? Leonardo Sá Dos nomes que aparecem nas intensas movimentações políticas ao governo do Estado em 2022, somente dois são apontados, por ora, como planos prioritários das nacionais dos respectivos partidos: Renato Casagrande, do PSB, e o ex-prefeito da Serra Audifax Barcelos, da Rede Sustentabilidade. Essa condição pressupõe que o palanque é irreversível, apesar das muitas conversas que nortearão o mercado político até as definições do próximo ano. No caso de Casagrande, não tem como conceber, mesmo, que ele não será candidato à reeleição. O que pega nesse campo são as alianças, principalmente a negociada com o PT, o que já rola há meses, com o governador tentando se manter o mais afastado possível, para evitar respingos antecipados. Já Audifax, não é novidade, se movimenta para todo canto para pavimentar sua chapa, mas integra o grupo do ex-governador Paulo Hartung (sem partido), adversário de Casagrande, e que joga com outras peças no mesmo páreo, como o prefeito de Linhares (norte do Estado), Guerino Zanon (de saída do MDB), e o presidente da Assembleia Legislativa, Erick Musso (Republicanos). O partido que Audifax comanda no Estado não tem quadros, vai perder o senador Fabiano Contarato, e não atingiu a cláusula de barreira em 2018. Precisa, de fato, recuperar peso e espaço. Mas a composição que sairá daí, ao contrário do cenário definido do PSB, ainda é uma incógnita. Até mesmo porque, o próprio Guerino sinaliza não recuar, assim como Erick investe pesado nas articulações, sem falar em Hartung, eterno cotado a disputas eleitorais, desta vez, com apostas mais altas para o Senado. Nesse emaranhado eleitoral, apesar de a Rede repetir aos quatro cantos que não tem recuo na candidatura, permanece a dúvida: Audifax conseguirá se garantir rumo ao Palácio Anchieta como cabeça de chapa: sim, não, jamais ou com certeza? Sozinho Em situação oposta, Guerino Zanon não tem nada de prioridade partidária. Tanto que terá que deixar o MDB para levar adiante o projeto de disputar o governo do Estado. O possível destino do prefeito, por enquanto, ainda é um mistério. PlanosO Republicanos, de Erick, ainda não colocou prioridade nos estados. Enquanto se movimenta no campo nacional em torno da disputa à Presidência da República e ao Congresso Nacional, a legenda deixou as executivas regionais livres para definir palanques ao governo do Estado. É o que povo daqui tem feito, com holofotes voltados para o deputado. Vai, não vaiOutro que se movimenta, mas paralelo a esse bloco, embora também seja aliado de Hartung, é o tucano César Colnago. Teria apoio de lideranças da Nacional, mas o próprio ninho capixaba não tem endossado sua candidatura ao governo. O presidente da legenda, deputado Vandinho Leite, inclusive, se alinhou ao governo Casagrande. Sem abrigoPara fechar, tem o ex-deputado federal Carlos Manato. Prioridade do bolsonarismo, porque partido mesmo…ele sequer tem ainda! Bloco umAliás, dos 54 deputados da bancada atual do PSL na Câmara Federal, 23 já confirmaram que deixarão a legenda na abertura da janela partidária, devido à fusão com o DEM – União Brasil. Outros 16 permanecerão e nove não responderam. O levantamento, do jornal O Globo, não nomina os parlamentares, mas, quem adivinha em qual bloco está Soraya Manato? DireçõesA deputada, a única do PSL capixaba na Câmara, é bolsonarista e, tudo indica, poderá seguir o presidente no partido ao qual se filiar – hoje o mais próximo é o PP. Além do União Brasil viabilizar um candidato à Presidência em 2022 contra Bolsonaro, Soraya é mulher de Manato, candidato ao governo, e também na espera para se filiar. Mas tem um problema… Direções II…O PP capixaba é aliado de Casagrande, quem os bolsonaristas querem abater. Ao mesmo tempo, tem nos quadros o seguidor do presidente, deputado federal Evair de Melo. Não se sabe como ficará a executiva com uma filiação de Bolsonaro, nem se o casal Manato conseguiria espaço. Se não vingar, porém, o PTB já está garantido. Enfim, o reforçoApós um mês de espera, idosos acamados da região da Unidade de Santa Luíza começaram a receber a dose de reforço da vacina contra a Covid-19. A Prefeitura de Vitória, enquanto a própria unidade informava aos familiares de problemas com a equipe de enfermagem, simplesmente negava o problema e atraso. Fala sério! Por falar nisso……o governador Renato Casagrande garantiu a sua dose de reforço nesta segunda-feira (18), na Unidade de Saúde de Santo Antônio, em Vitória. Ele tem 60 anos e tomou a D2 da Coronavac há mais de cinco meses, tornando-se, portanto, apto a receber o reforço. Nas redes“Criança tem muito o que falar e o que falta para elas é espaço e, para nós, os adultos, é a sensibilidade de ouvi-las. Nos próximos dias, vamos circular pela cidade com mais Comitês para ouvirmos as demandas das pequenas e dos pequenos. #FogoNoParquinho”. Camila Valadão, vereadora de Vitória pelo Psol. FALE COM A COLUNA: medeirosmanaira@gmail.com Audifax na estrada Sem mandato e cotado para a disputa de 2022, Audifax sai das redes sociais e começa a rodar o Estado https://www.seculodiario.com.br/socioeconomicas/audifax-na-estrada Nas internas Embora com movimentos públicos discretos, Guerino Zanon também coloca gás nas amarrações para o governo em 2022 https://www.seculodiario.com.br/socioeconomicas/nas-internas-1-1 As andanças de Erick Presidente da Assembleia amplia movimentações no Estado e indica voos mais altos para 2022 https://www.seculodiario.com.br/socioeconomicas/as-andancas-de-erick Manatinho, ‘paz e amor’? Candidato ao governo em 2022, Carlos Manato tenta ampliar aceitação do seu nome para além do eleitorado bolsonarista https://www.seculodiario.com.br/socioeconomicas/manatinho-paz-e-amor Nas ruas A lista de 2022, por enquanto, só aumenta: Casagrande, Erick, Manato, Audifax, Guerino Zanon e agora…César Colnago! https://www.seculodiario.com.br/socioeconomicas/nas-ruas-1
Sem o ES, distribuição gratuita de absorventes já é adotada em 13 estados
No Espírito Santo, a Sedu ainda levanta o número de alunas em situação de pobreza menstrual Na contramão do veto do governo federal, ao menos 13 estados brasileiros, e o Distrito Federal, adotaram alguma medida para combater a pobreza menstrual. Um levantamento do jornal Estadão junto às secretarias estaduais identificou unidades federativas que anunciaram oficialmente programas de distribuição de absorventes. Fora da lista, o Espírito Santo ainda está na fase de levantamento de dados sobre o tema, após o governo ter vetado um projeto de lei semelhante aprovado na Assembleia Legislativa. De acordo com a Secretaria de Estado da Educação (Sedu), um levantamento para quantificar o número de alunas que estão em situação de pobreza menstrual em breve será concluído. “Nos próximos dias, serão anunciadas medidas para atender a este público”, informou nesta segunda-feira (18). O levantamento do Estadão aponta que os programas já foram anunciados oficialmente em São Paulo, Rio de Janeiro, Acre, Amazonas, Bahia, Ceará, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Pernambuco, Santa Catarina e no Distrito Federal. As iniciativas incluem ações voltadas para instituições de ensino, pessoas em vulnerabilidade e, em alguns casos, para pessoas privadas de liberdade. Além dos locais citados, iniciativas de combate à pobreza menstrual também são adotadas no Piauí e Amapá. No último dia 8, um dia após a decisão do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) de vetar a distribuição gratuita dos absorventes, o Governo do Piauí anunciou que faria a distribuição dos itens íntimos para estudantes da rede estadual, com expectativa de alcançar 107 mil meninas, a partir de 9 anos. No Amapá, a campanha Dignidade Menstrual foi lançada em julho, inicialmente em formato informativo. Realizada por meio dos bolsistas do Amapá Jovem, programa estadual de formação e transferência de renda, as primeiras etapas da campanha foram de capacitação e realização de rodas de conversa sobre a pobreza menstrual. Em seguida, o estado iniciou a arrecadação de absorventes, coletando 9 mil unidades só na primeira semana. Os absorventes arrecadados pelos bolsistas são destinados a pessoas em vulnerabilidade social. Com coordenação da Secretaria Extraordinária de Políticas Para a Juventude (Sejuv), os bolsistas realizam atividades onde o requisito para participação é a doação de um pacote de absorvente. Em São Paulo, o programa Dignidade Íntima completou quatro meses em outubro. A iniciativa já investiu mais de R$ 30 milhões na distribuição de absorventes para alunas da rede estadual. Os recursos são do Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE-SP) e os valores para a compra dos produtos são destinados às escolas de acordo com a quantidade de pessoas elegíveis para receber o item. Os estados adotam as medidas por conta própria, enquanto o governo federal segue inerte ao tema. No início de outubro, a publicação do Programa de Proteção e Promoção da Saúde Menstrual, aprovado no Congresso Nacional, excluiu a distribuição dos absorventes, mantendo apenas ações informativas em torno do tema. Estado, municípios e o veto No Espírito Santo, medidas começam a ser promovidas a nível municipal. Em agosto, a prefeitura de Ibatiba, na região serrana, incluiu o absorvente nas cestas básicas distribuídas para pessoas em vulnerabilidade social. A iniciativa partiu do projeto Ibatiba D’Elas, realizado pela prefeitura com o objetivo de melhorar a qualidade de vida das mulheres por meio de programas de saúde, capacitação, cultura e geração de renda. Em Vitória, uma lei sancionada em janeiro de 2020, pelo então prefeito Luciano Rezende (Cidadania), já determina a distribuição gratuita de absorventes em escolas municipais. A Lei Nº 9.613 aponta que os insumos deveriam ficar disponíveis nos banheiros das escolas da Rede Municipal de Ensino, em quantidade adequada às necessidades dos estudantes. No dia 8 de outubro, a Prefeitura de Vitória informou que instruiu as unidades de ensino quanto à aquisição de absorventes menstruais. De acordo com o município, a compra “pode ser realizada com a verba do Conselho de Escola, na rubrica custeio, mediante a três orçamentos e nota fiscal”. Em nível estadual, um programa de combate à pobreza menstrual e a consequente evasão escolar chegou a ser aprovado na Assembleia Legislativa em agosto deste ano, mas foi barrado pelo Governo do Estado. Uma proposta do deputado estadual Rafael Favatto (Patriota) previa a distribuição de absorventes em escolas públicas, instituindo o Programa de Proteção e Promoção da Saúde Menstrual por meio do Projeto de Lei 165/2021. A justificativa para o veto foi que a proposta assumia uma competência privativa do governo do Estado, interferindo na execução dos serviços prestados pelas escolas públicas, ao elevar seus custos cotidianos. Na época, o projeto também foi contrariado pela Secretaria de Estado da Educação (Sedu), que alegou não ter dados indicativos que correlacionassem o período menstrual à evasão escolar. O posicionamento da pasta alega que o projeto era nobre, mas exigiria “estudo fundamentado em dados reais”, além do planejamento de investimentos e de protocolos de implementação. Entretanto, em uma pesquisa realizada pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), 62% das entrevistadas que menstruam responderam que já deixaram de ir à escola ou a outros locais em razão do período menstrual, enquanto 71% disseram que nunca tiveram acesso a palestras ou aulas sobre os cuidados menstruais na escola. Distribuição gratuita de absorventes também foi vetada no Espírito Santo – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/saude/distribuicao-gratuita-de-absorventes-tambem-foi-vetada-no-espirito-santo
Comunidade acadêmica é contrária à fragmentação da Ufes
Projeto de Evair de Melo quer dividir centros no sul do Estado, assim como pretende Neucimar Fraga em São Mateus Diante da possibilidade de criação da Universidade Federal do Vale do Itapemirim (UFVI), no sul do Estado, o movimento estudantil, a Associação dos Docentes da Universidade Federal do Espírito Santo (Adufes) e o Conselho Universitário se posicionaram contra a iniciativa, proposta pelo deputado federal Evair de Melo (PP), por meio do PL 2.048/2021. O parlamentar defende que a nova instituição de ensino seja criada a partir da fragmentação do Centros de Ciências Agrárias e Engenharias (CCAE) e do Centro de Ciências Exatas, Naturais e da Saúde (CCENS), localizados, respectivamente, em Alegre e Jerônimo Monteiro. A possiblidade de fragmentação da Ufes ganhou mais repercussão quando, no início de outubro, o ex-senador Magno Malta (PL) postou em suas redes sociais um vídeo no qual conversa com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sobre a criação de uma nova universidade no Espírito Santo, mas não especifica onde. No vídeo, o presidente afirma que existem 72 universidades no Brasil e 49 “puxadinhos”, termo que utiliza para se referir pejorativamente aos campi. De acordo com Bolsonaro, seis “puxadinhos” irão virar universidade, “quase sem nenhum custo”. A Adufes, por meio de nota, classifica a iniciativa como arbitrária. “Trata-se de uma proposta autoritária, que fere a autonomia universitária, uma vez que impõe um projeto que não resulta do interesse da comunidade acadêmica, principalmente em relação a docentes, técnicos administrativos e estudantes do CCAE e do CCENS da Ufes em Alegre”, critica. Para o entidade, a proposta não se trata, de fato, da criação de uma nova instituição de ensino, mas sim da “amputação da universidade já existente, em nome de deslumbres eleitoreiros para enganar o povo nas eleições de 2022”. A Adufes afirma ainda que o projeto de lei “emerge como um rolo compressor sobre o exercício da democracia e da autonomia universitária”, destacando que a criação de uma nova universidade “não pode gerar insegurança, desequilíbrio orçamentário e irresponsabilidade para com a vida de uma comunidade acadêmica de quase quatro mil pessoas do campus sul da Ufes”. Nessa sexta-feira (15), o Conselho Universitário divulgou seu posicionamento sobre o assunto, dando seu parecer contrário à forma como a discussão sobre o tema tem sido feita, uma vez que a proposta não foi apresentada e dialogada com a universidade. “Cabe esclarecer à sociedade que essa proposta de criação de uma ‘nova’ universidade, ‘com muito pouco custo’, como tem sido divulgado, a partir do fracionamento da Ufes, sem a previsão dos devidos investimentos em termos de pessoal e infraestrutura, pode trazer impactos negativos tanto para a Ufes quanto para a universidade que se pretende criar”, alerta. O Conselho Universitário acredita que a ação não somente impacta o futuro da Ufes, mas também pode resultar na criação de uma universidade sem condições de sustentabilidade. “Há que se entender que a criação de uma nova universidade no nosso Estado não pode se dar pela mera separação de dois Centros da Ufes para formar uma outra instituição federal de ensino superior, sem um projeto claro, associado a uma estratégia de desenvolvimento regional, que preveja a criação de novos cursos, a expansão de vagas e um aporte significativo de investimentos, tanto em termos de infraestrutura quanto de pessoal”, defende a nota. De acordo com o Conselho, sem esses requisitos, o projeto de Evair de Melo “configura-se pura e simplesmente a divisão ou o desmantelamento da única universidade federal existente no nosso Estado”, não contribuindo “para a expansão do sistema de educação superior no Espírito Santo e no Brasil, como seria desejável, de forma a atender mais estudantes, ampliar a formação profissional e a produção de pesquisa e extensão no nosso Estado”. Na nota também são resgatados exemplos de criação de novas universidades a partir da separação de campus fora da sede e que o Conselho afirma não terem sido “abonadoras”. Essas novas instituições de ensino são Universidade Federal de Jataí (UFJ), Universidade Federal do Agreste de Pernambuco (Ufape), Universidade Federal de Rondonópolis (UFR), Universidade Federal do Delta do Parnaíba (UFDPar) e Universidade Federal de Catalão (UFCat). Todas elas foram criadas em 2019 e, como aponta o Conselho Universitário, em sua maior parte permanecem dependentes das universidades que as originaram, com dificuldades para o estabelecimento de estrutura administrativa própria e constituição de quadro adequado de docentes e técnicos. O Movimento Estudantil demonstrou contrariedade à criação da UFVI e da Universidade Federal de São Mateus (UFSM). Esta última é uma proposta do deputado federal Neucimar Fraga (PSD), por meio do Projeto de Lei 1964/2021, que cria a nova instituição de ensino a partir da fragmentação do Centro Universitário Norte do Espírito Santo (Ceunes), no norte capixaba. Na nota “Pela Ufes fortalecida e não dividia: contra o fatiamento em 3 partes!”, assinada pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE) e mais 25 diretórios e centros acadêmicos, o Movimento Estudantil afirma que a proposta é “autoritária”, além de se tratar de “uma afronta aos estudantes, servidores docentes e técnicos-administrativos”, salientado também que “não beneficiará a sociedade capixaba”. Para o movimento estudantil, os projetos de lei criarão “Universidades Fake”, já que “não há por parte do Governo de Bolsonaro e Mourão e de seu Ministério da Educação o interesse em construir um projeto de expansão que seja viável. Querem apenas separar e dizer que teremos duas novas instituições, com objetivo puramente eleitoreiro e que visa enganar o povo capixaba”. Os estudantes também fazem críticas à falta de inclusão da comunidade acadêmica na discussão sobre a criação das novas instituições de ensino. “Continuaremos as nossas articulações junto às comunidades, lideranças, prefeituras e entidades, para reafirmar que a comunidade da Ufes não aceitará essa intervenção federal, conduzida por deputados federais do Espírito Santo que destinam poucos ou nenhum recurso financeiro à existência da nossa Universidade”, afirmam. O Sindicato dos Trabalhadores da Universidade Federal do Espírito Santo (Sintufes) ainda não se posicionou publicamente sobre o assunto, mas sua diretoria se reunirá na tarde desta segunda-feira para discutir o tema e se posicionar por meio de nota. Projetos Na justificativa de seu projeto, Evair de Melo defende que “a proposta possibilitará
‘Todo capixaba minimamente informado sabe diferenciar deserto verde de floresta’
Coordenador da Fase, Marcelo Calazans situa o ES na luta latino-americana e mundial contra monocultivos de árvores Divulgação A sociedade civil capixaba é uma das mais influentes no debate nacional e mundial sobre os impactos socioeconómicos e ambientais da indústria baseada em monocultivos de árvores. A percepção é do coordenador estadual da Federação dos Órgãos para Assitência Social e Educacional (Fase/ES), Marcelo Calazans. Em entrevista a Século Diário, ele situa o Espírito Santo no contexto latinoamericano e mundial das lutas contra os desertos verdes, tendo como pano de fundo a participação de dois quilombolas do norte capixaba no debate virtual que acontece nesta quinta-feira (21) em função do Dia Internacional de Ação sobre Biomassa em Grande Escala. Flávia Souza e João Guimarães, lideranças nas comunidades do Angelim 2 e 1, respectivamente, em Conceição da Barra, norte do Estado, falarão no mesmo dia que lideranças do Chile e do Paraguai, relatando como os desertos verdes impactam os territórios e os povos em seus países. Organizado por ONGs como a Environment Paper Network – que realizam ações no Hemisfério Norte contra empresas papeleiras e suas consumidoras, como Protcor and Gamble e Kimberly Klark – e a Global Forest Coalition – rede global que atua nos EUA e Alemanha e também na África e Ásia, monitorando plantações de eucalipto para biomassa –, o evento terá interpretação simultânea em espanhol, português e inglês. Para se inscrever, clique aqui. Confira a entrevista com Marcelo Calazans: Como o Estado se insere nesse debate mundial sobre os impactos sociais e ambientais da economia dos monocultivos de eucalipto? Quais são as principais entidades que fazem esse debate e como o ES se insere nele? O Espírito Santo pode ser pequeno, imprensado entre Bahia, Rio de Janeiro e Minas, três estados que abrigaram cortes, que estiveram no centro da economia colonial e pós colonial, mas a sociedade civil capixaba é das mais influentes no que tange ao debate nacional e mundial sobre os impactos das monoculturas de eucalipto e fábricas de celulose. Tem uma histórica resistência dos povos tradicionais indígenas, quilombolas, da pesca artesanal, como também de importantes movimentos sociais do campo, como MST [Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra], MPA [Movimento dos Pequenos Agricultores], Fetaes [Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares do Estado], sindicatos, mais dezenas de organizações sociais e eclesiásticas, ambientalistas, defensores de direitos humanos, grupos de mulheres, pesquisadoras e acadêmicos, jornalistas, artistas, agroecologistas, estudantes etc. Essa longa resistência, que deu origem à Rede alerta contra Deserto Verde, na primeira década do século, já desconstruiu bastante da imagem “verde” deste tipo de plantio e latifúndio, que gasta milhões em publicidade (e pesquisa) e lobbie, para se afirmar como “floresta”. E, no entanto, qualquer capixaba minimamente informado, quer dizer, que não esteja na realidade paralela que a empresa [Suzano, ex-Fibria e ex-Aracruz Celulose] cria, com apoio do Estado e alguns municípios, e mesmo de ONGs e consultores de mercado; enfim qualquer capixaba sabe muito bem diferenciar uma floresta de uma monocultura de eucalipto. Sabe da tragédia que se deu no final dos anos 60 e ao longo de todo 70 e 80, que foi a apropriação de territórios indígenas e quilombolas. Sabe também da grave crise hídrica que o eucalipto gera no norte do Estado, destruindo nascentes, aterrando córregos, justo onde habitam quilombolas, camponeses, pescadoras e sem-terras. Também é bem conhecida a crise hídrica ao redor da planta industrial, em Barra do Riacho por exemplo. A geração um pouco mais velha, que nasceu nos anos 50, ainda viu de pé a mata atlântica. E esse é um grande trunfo para a sociedade civil capixaba, pois a memória ainda está aí, viva, transitando nas reuniões presenciais, nas redes capilares de WhatsApps, nos blogs, páginas da web, em artigos, filmes, em teses e dissertações acadêmicas, em toda parte. O mega passivo da velha Aracruz Celulose, por seus crimes contra a natureza e contra os povos, segue ativo com a Fibria, agora com a Suzano. A Rede Alerta contra o Deserto Verde transbordou do Espírito Santo e se articulou com outras lutas de resistência contra monocultivos, na Bahia, no norte de MG, no Rio Grande do Sul, no Rio de Janeiro, no Maranhão…o fortalecimento e articulação de lutas locais nos diferentes estados e regiões também se articulou com redes internacionais, como Recoma, uma rede latino-americana contra monocultivos de árvores, WRM, Movimento Mundial de Florestas. O Espírito Santo é uma referência pela tragédia do deserto verde, mas sua sociedade civil é uma referência de resistência. Considerando o mercado mundial e, principalmente, latino-americano, baseado em monoculturas de eucaliptos, a produção de celulose é apenas um uso potencial do deserto verde implantado no norte e noroeste do Estado? Pelo menos em âmbito nacional é o que o Ibá, de Paulo Hartung, já defende. Sim, importante entender as estratégias empresariais do setor, diante dos novos mercados e mercadorias globais que vêm sendo criadas. Claro, no Espírito Santo, a monocultura de eucalipto foi pensada para produção de celulose, com o norueguês Lorentzen e o apoio que sempre teve, de todos os governos desde os militares. Já nas Gerais, como se chama o norte de Minas, a monocultura foi planejada para abastecer os fornos de ferro gusa da siderurgia da região. Entretanto, essas mesmas monoculturas podem ser ofertadas ao mercado global, seja para o de carbono, seja para programas de “reflorestamentos”, “manejo florestal”, “recuperação de áreas degradadas”….todo esse jargão da economia “verde” e suas falsas soluções para a crise climática e o colapso ambiental do planeta. Então a monocultura é um ativo em abstrato, que por enquanto vai pra celulose, mas dependendo da variação dos preços internacionais das commodities, pode se transformar em celulose, carvão, ferro-gusa, ou créditos de carbono, energia, biomassa, o que for. O Ibá, onde está Paulo Hartung, é um ótimo exemplo. Um instituto que se ancora nas próprias empresas, na articulação com governantes e investidores, atualizando sempre a velha mágica discursiva, as figuras de linguagem, para transformar plantios em larga escala, de uma só cultura, de rápido crescimento, curto ciclo e de estabilização química em uma “floresta”! Hoje Paulo Hartung está no Iba, amanhã pode voltar ao