A Assembleia tem a obrigação de estimular a análise de questões que afetam toda a sociedade Chega ao Espírito Santo mais uma articulação com vistas à construção de uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) para alterar o Pacto Federativo, fruto da Constituição de 1988 – a Constituição Cidadã. Entra no mesmo escopo do chamado Plano Mais Brasil, ou a “PEC da Desigualdade”, cria do ministro da economia, Paulo Guedes, desde 2020 no Congresso Nacional, este com a finalidade de tornar o Estado Brasileiro menor, com favorecimento à área empresarial, o mercado. O plano é estimulado pelo deputado estadual Fabrício Gandini (Cidadania), presidente da Comissão de Justiça da Assembleia Legislativa, que promoveu uma audiência pública híbrida na noite da última quinta-feira (14). O debate estava lançado, mas, ao que parece, a um círculo restrito. A apresentação ficou a cargo do deputado estadual por Santa Catarina Bruno Souza, do partido Novo, defensor ferrenho da ideologia do liberalismo desde a época em que era vereador em Florianópolis. No centro do evento, um projeto que busca permitir maior autonomia legislativa, já acolhido nos estados de Alagoas, Ceará, Mato Grosso, Paraíba, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e Santa Catarina. E está tramitando em outros sete: Bahia, Mato Grosso do Sul, Paraná, Pernambuco, Rio Grande do Sul e Tocantins, além do Espírito Santo. Será necessário o parecer favorável de 14 casas legislativas para se transformar em Proposta de Emenda Constitucional (PEC). O argumento de que o plano trará mais “poder decisório” em determinados assuntos para as unidades da federação, como águas, energia e telecomunicações; trânsito e transporte; e normais gerais de licitação e contratação, entre outros, encanta os incautos. No entanto, se levado em conta o histórico do parlamentar visitante e do seu partido, deve-se ficar de orelha em pé. O banqueiro e ex-bolsonarista João Amoedo, presidente do Novo, é defensor de propostas que resultaram em perdas de direitos da classe trabalhadora e cortes de recursos financeiros que afetam a pesquisa, saúde, segurança e o meio ambiente, na mesma linha do ministro da Economia, Paulo Guedes, que é dono de uma offshore em paraíso fiscal e comanda uma política que arrasta o Brasil para uma de suas mais profundas crises, afetando principalmente os mais pobres. Neste momento não pode ser esquecido o pacote de maldades do governo Jair Bolsonaro, do qual fazem parte as reformas da Previdência, já aprovada, e a Administrativa, objetivo de mobilização dos servidores públicos de todo o País. Esse movimento tenta evitar a precarização do serviço público que afeta a sociedade como um todo, com a ampliação de possibilidades de privatização de empresas atuantes em áreas essenciais à sociedade, entre elas saúde, educação, saneamento e segurança. A Assembleia Legislativa, por, pelo menos em tese, representar o povo, tem a obrigação e o dever democrático de promover a discussão em torno de questões que afetam diretamente a todos, o que, certamente, irá desmascarar as más intenções da gestão Bolsonaro e de seus seguidores país afora. As entidades representativas da sociedade, incluindo os movimentos sociais, da mesma forma, devem cobrar de seus representantes posicionamentos que estão acima de questões meramente identitárias, porque se trata da defesa da Constituição, um conjunto de normas e regras que determina ações para todo o tecido social. A partir de obrigações do Estado estabelecidas na Constituição de 88, que resgata a proteção à parcela mais vulnerável economicamente da população, qualquer alteração no Pacto Federativo deve merecer um debate aberto a toda sociedade. E a Assembleia Legislativa tem o dever de adotar esse tipo de procedimento não apenas em relação à iniciativa de Gandini, mas, igualmente, em temas importantes, que passam batidos no legislativo estadual, com raras exceções. Mas do que necessário, o debate é imperioso.
‘Ruschi: o guardião da floresta’ narra vida e obra do mais ilustre cientista capixaba
Com prefácio do governador Casagrande, livro bilíngue sobre o Patrono da Ecologia no Brasil será lançado nesta terça-feira Rogério Medeiros A vida e obra do mais ilustre cientista capixaba, Augusto Ruschi, acabam de ganhar uma edição bilíngue, cujo lançamento virtual acontece nesta terça-feira (19), às 18h30. Ruschi: o guardião da floresta, narra os principais fatos que preencheram a história do filho de imigrantes italianos que se tornou o Patrono da Ecologia no Brasil e o principal responsável pela proteção de boa parte das unidades de conservação existentes hoje no Espírito Santo. No prefácio, o governador Renato Casagrande afirma que Ruschi “foi bem mais do que um acadêmico” e que “[sua] vida se confunde com a luta em defesa do meio ambiente no Espírito Santo e no Brasil”. Por isso, ressalta, “no momento em que os principais países do mundo buscam estabelecer modelos de desenvolvimento mais sustentáveis e integrados ao meio ambiente, o olhar mais atento sobre o legado de augusto Ruschi ganha relevância especial”. Coordenado pelo editor Antonio de Pádua Gurgel, o livro passeia entre prêmios, medalhas, condecoração pela Rainha Elizabeth II, rosto estampado na cédula de 500 cruzados novos, reportagens nacionais e internacionais, mobilizações políticas memoráveis em prol das florestas e a pajelança para salvar-lhe do envenenamento por sapos dendrobatas. Apresenta, também, uma síntese da vasta produção científica de Gute, como era chamado em sua Santa Teresa (região serrana), cidade onde nasceu, em 12 de dezembro de 1915, produziu a maior parte de sua obra científica e ambiental, e foi sepultado, em cinco de junho de 1986, Dia Mundial do Meio Ambiente. “Foi um dos primeiros a denunciar o desmatamento na Amazônia e em outras regiões do Brasil e era movido por uma intensa paixão na defesa do meio ambiente, chegando a armar-se com uma espingarda para defender uma área de preservação onde se pretendia implantar uma fábrica de palmito”, destaca o editor Antonio Gurgel. ‘O agitador ecológico’ O livro reúne fotografias e trechos de uma entrevista publicada por Rogério Medeiros – fundador do jornal Século Diário – no Jornal do Brasil, sobre a pajelança realizada em janeiro de 1986 no Parque da Cidade, no Rio de Janeiro, em que o pajé Sapaim, dos Camyurá do Alto Xingu, na Amazônia, e o cacique Raoni, dos Txucarramães, se dedicaram a retirar o veneno dos sapos que fragilizava a saúde do cientista há dez anos. Reprodução O “defensor intransigente das florestas” estaria com seu fígado “irremediavelmente comprometido”, alertou Rogério Medeiros na reportagem, sensibilizando o país em torno de sua cura, incluindo o então presidente da República, José Sarney. A entrevista foi reproduzida pela primeira vez em 1995, no livro Ruschi, o agitador ecológico, de Rogério Medeiros, que teve prefácio de Fernando Gabeira e introdução do jornalista Stenka Calado – também fundador de Século e já falecido – que o percebeu como “o repórter de Ruschi”, tamanha a confiança que o cientista depositava no jornalista e amigo. Ao ser perguntado se sentia traído pela natureza, por ter sido envenenado pelos sapos, Ruschi responde: “Jamais. A floresta me deu tudo e nunca exigiu nada de mim. Eu que fui imprudente com o sapo, e o tempo que me restar de vida vou continuar o mesmo: defendendo a floresta brasileira e brigando por ela, porque sei que também estou defendendo a humanidade”. Sobre como conseguia produzir sentindo as terríveis dores que o envenenamento e comprometimento do fígado lhe causava, o cientista disse: “quando fico tono pelas dores é que paro de escrever. Quando passa, volto. E, por causa das hemorragias, que me obrigam a dormir menos, é que sobra mais tempo para escrever o que já tenho pesquisado (…). Se a doença permitir mais um ano de vida, eu acabo os trabalhos Macacos do Espírito Santo, Orquídeas do Espírito Santo, que são dois volumes, e Beija-flores do Brasil. Vou deixar naturalmente de concluir outros trabalhos”. Produção científica e homenagens Ruschi foi professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e pesquisador do Museu Nacional. Realizou 259 expedições científicas em várias partes do mundo, publicou mais de 450 trabalhos científicos e 22 livros, reunindo informações inéditas sobre diversas espécies, especialmente de beija-flores (Ruschi classificou 80% das espécies brasileiras de colibris) orquídeas e bromélias, além de conhecimentos fundamentais para o controle de pragas agrícolas e para a esquistossomose. Rogério Medeiros Também criou instituições científicas importantes, como o Museu de Biologia Professor Mello Leitão – fundado em 1949 na Chácara Anita, onde nasceu e residiu por toda a vida, sendo o primeiro Museu de História Natural do Estado – posteriormente incorporado pelo Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA) de forma repudiada pela viúva e filho caçula, Piero Ruschi, criadores do Memorial Augusto Ruschi –, a Estação de Biologia Marinha Augusto Ruschi e a Fundação Brasileira de Conservação da Natureza. Ao título de Patrono nacional da ecologia, outras homenagens póstumas incluem a nomeação de unidades de conservação como a Reserva Biológica Augusto Ruschi e o Parque Florestal Augusto Ruschi, em Santa Teresa; a Reserva Ecológica Augusto Ruschi, em São José dos Campos/SP; o Parque Municipal Augusto Ruschi, em Vitória; de instituições como a Estação de Biologia Marinha Augusto Ruschi, em Aracruz; e o Museu Zoobotânico Augusto Ruschi, na Universidade de Passo Fundo (UPF), no Rio Grande do Sul; e de espécies da fauna e da flora, como o rato Abrawayaomys ruschii, a rã Dendropsophus ruschii e a Begonia ruschii; condecorações, como a medalha que a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) concede desde 1996 a cidadãos brasileiros que deram contribuição relevante nas áreas de ecologia e ciências da natureza, além de inúmeras escolas, ruas, avenidas, prédios e praças pelo Brasil afora. Seus estudos contribuíram ainda para que governo federal reconhecesse, em 2018, Santa Teresa como a primeira cidade fundada por italianos no Brasil. Município, inclusive, que elegeu como seu símbolo o beija-flor Lophornis magnificus, um dos preferidos de Augusto Ruschi. Divulgação Ruschi: o guardião da floresta foi viabilizado por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, tendo apoio do Grupo Autoglass e da Biancogres. A obra é editada em português e inglês. O
Indenização de indígenas de Comboios tem atendimento inédito a demandas coletivas
Acordo com a Renova foi fechado após um ano de negociações decorrentes de protesto nos trilhos da Vale Indenização igual para todas as famílias. A cláusula, estabelecida no acordo firmado entre a Terra Indígena Comboios, em Aracruz, norte do Estado, e a Fundação Renova, é inédita em toda a Bacia do Rio Doce e mostra a importância da união das comunidades atingidas e do assessoramento independente a quem elas têm direito, para o alcance de acordos minimamente justos com as mineradoras autoras do crime ocorrido em cinco de novembro de 2015. A equidade dos valores das indenizações foi uma exigência da comunidade Tupinikim, ressalta a defensora pública estadual Mariana Sobral. “Serve de aprendizado”, pondera, ao considerar o intenso grau de esgarçamento dos tecidos sociais das comunidades atingidas, em grande parte, decorrente do esforço empenhado pela Samarco, Vale e BHP Billiton e sua Fundação Renova em implantar intrigas, disputas e desinformação entre as famílias, num típico exemplo da máxima de guerra “dividir para conquistar”. Divulgação A Defensoria Pública Estadual (DPES) é uma das instituições de Justiça a assessorar a TI Comboios para o alcance de medidas de compensação e reparação de danos, ao lado da Defensoria Pública da União (DPU) e Ministério Público Federal (MPF/ES). Em síntese, o acordo, que beneficia 303 famílias, “buscou soluções que respeitassem o direito de autodeterminação das comunidades indígenas, a pluralidade de atividades afetadas, a necessidade de um programa específico de retomada das atividades econômicas e um compromisso de construção e efetivação do plano básico ambiental indígena, que prevê medidas de reparação de caráter imaterial e coletivo, com enfoque em ações de natureza estruturante para garantir a autonomia econômica da comunidade”, destacou a DPES. Esse resultado é fruto de onze meses de negociações, deflagradas no final de outubro de 2020, às vésperas do “desaniversário” de cinco anos do crime, quando os indígenas ocuparam os trilhos da ferrovia da Vale, no trecho em que corta a aldeia Córrego do Ouro, exigindo o pagamento de indenizações e do lucro-cessante às famílias já cadastradas, e a inclusão de mais 40 famílias que haviam tido o cadastro negado pela Renova. Divulgação A ocupação teve início logo após uma reunião dos indígenas com a Vale, a Fundação Nacional do Índio (Funai) e as instituições de justiça, quando ficou demonstrada, conforme os registros em ata, a “quebra de confiança, ausência de diálogo, desgaste da relação e necessidade de restabelecer ambiente negocial”. O protesto nos trilhos durou mais de uma semana e forçou o estabelecimento de um “ambiente negocial” mais transparente, que desaguou no acordo assinado há poucos dias. Nele, foi possível garantir uma “pluralidade de danos”, sendo três por família, dentro da matriz de danos reconhecidos no território, que inclui pesca, artesanato e agricultura. Para além da equidade nas indenizações individuais, o acordo prevê ainda um valor a ser repassado pela Renova para que as comunidades implementem um plano coletivo de retomada de atividades econômicas, em conjunto com as ações que estão sendo elencadas no Plano Básico Ambiental Indígena (PBAI). O Plano já consta com cronograma aprovado e consultoria contratada, também com aprovação da TI, para sua elaboração. Mas as comunidades, ressalta Maria Sobral, ainda aguardam a contratação da Assessoria Técnica Independente (ATI), prevista no último acordo macro assinado pela Renova e as mineradoras com as instituições de Justiça – o Termo de Ajustamento de Conduta para a Governança (TAC-Gov), de 2018 – e sistematicamente descumprido, como os anteriores. “A falta de ATI foi sentida na mesa de negociação e os indígenas ainda esperam que esse direito seja implementado para auxiliar na construção do PBAI”, relata a defensora. Enquanto isso, a assessoria jurídica prestada pela DPES, com apoio da DPU e do MPF, se mostrou essencial para a conquista de um acordo com menos injustiças e também para a blindagem de Comboios contra o assédio da chamada “advocacia predatória”, em que escritórios de advocacia têm inundado a bacia do Rio Doce em busca de representar os atingidos em troca de honorários milionários. “Contar com a Defensoria possibilitou que os indígenas tivessem efetivado o direito à assistência jurídica integral e gratuita, tanto na construção de toda matriz de danos, quanto na tomada de decisões importantes para a comunidade”, observa. Interrupção de trilhos da Vale em Comboios segue até que famílias sejam cadastradas Secretaria de Direitos Humanos pede que Renova apresente os critérios próprios alegados para a negativa https://www.seculodiario.com.br/cidades/interrupcao-de-trilhos-da-vale-em-comboios-segue-ate-que-familias-sejam-cadastradas Comunidades exigem da Renova respeito à união territorial das Terras Indígenas – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/meio-ambiente/comunidades-exigem-da-renova-respeito-a-uniao-territorial-das-terras-indigenas
Projeto do Território do Bem reforma comércio e contribui para o desenvolvimento local
Doze pontos comerciais foram contemplados com R$ 7,8 mil aplicados em reformas. Quatro já foram reformados Quatro pontos comerciais do Território do Bem, em Vitória, reabriram as portas de cara nova. Os locais foram reformados por meio do Prêmio de Empreendedorismo, realizado pelo Ateliê de Ideias, com recursos da Prefeitura de Vitória. A iniciativa, que está em sua segunda edição, fortalece todas as comunidades da região, pois possibilita variedade de produtos no comércio local, aumento das vendas e geração de emprego, ressalta o coordenador de Desenvolvimento Comunitário do Ateliê, Cosme Santos de Jesus. Doze pequenos comércios do Território, que abrange as comunidades de Itararé, Jaburu, Bairro da Penha, Bonfim, Engenharia, Consolação, Floresta, São Benedito e Gurigica, foram contemplados com R$ 7,8 mil, aplicados em reformas e melhorias do espaço de trabalho do empreendedor, com projeto e acompanhamento de arquitetos. Para isso, os empreendedores passaram por duas etapas. A primeira contemplou oficinas virtuais. Na segunda, os participantes foram avaliados por uma banca examinadora, que fez a seleção. Até agora, quatro pontos comerciais já foram reformados. Em outros dois, as obras estão na reta final. Os arquitetos realizam o projeto dos restantes. Entre os benefícios para as comunidades, Cosme aponta que as reformas possibilitam que os consumidores possam ser atendidos com mais conforto, além de propiciar o aumento da variedade de produtos no comércio, o que torna os preços mais acessíveis, maior volume de vendas e contratação de funcionários. Ele recorda que, na edição de 2019 do Prêmio, houve pontos comerciais no alto dos morros que, com o espaço renovado, puderam oferecer mais variedade de produtos. “Hoje muita gente fica sem comer por falta de dinheiro para comprar comida, mas já aconteceu de, no alto dos morros, dependendo do horário que a pessoa chega, ela ter que comer chips por não ter onde consumir alimento de fato. O Prêmio ajudou a suprir essa necessidade”, relata. Redes Sociais A possibilidade de diversificação de produtos já é uma realidade para Lorrayne Monteiro Nascimento, uma das ganhadoras do Prêmio, na edição de 2021. Ela é proprietária da Lorrayne Monteiro Confeitaria Artesanal, em Itararé. Seu carro-chefe, informa, sãos os brigadeiros e o bolo para festa, feitos por encomenda na cozinha de sua casa. Com a reforma em um ponto comercial que não estava sendo utilizado e foi inaugurado em 28 de setembro, agora é possível “colocar a não na massa” na cozinha do imóvel, não mais na de sua residência. Ela também pode oferecer outros produtos, como bolo de pote e tortas, para pronta entrega. As encomendas de bolo e brigadeiro, destaca, permanecerão. A reforma do ponto comercial também já está fazendo diferença no bolso, uma vez que as vendas aumentaram e, inclusive, ela tem atendido pessoas de bairros vizinhos, além daqueles que pedem delivery. Lorrayne tem planos para o futuro. Um deles é oferecer cursos de confeitaria a preços acessíveis. O outro é vender seus produtos em carrinhos pela cidade de Vitória, contratando pessoas da comunidade para isso. Redes Sociais A Mercearia du Zé Gordinho, em Gurigica, que funcionava em um espaço inacabado, também mudou completamente o visual, possibilitando ao seu proprietário, José Paulo Cordeiro Farias, o Zé Gordinho, uma possibilidade de renda, o que havia sido impossibilitado pela pandemia da Covid-19. Ele recorda que, como trabalhava como autônomo, teve que fechar a mercearia por não conseguir conciliar as duas tarefas. Entretanto, a pandemia o impossibilitou de ir até a casa das pessoas para prestar serviços de reparos. A saída foi reativar o ponto comercial, mesmo em um imóvel sem infraestrutura para isso. Com o Prêmio, o espaço foi completamente reformado, possibilitando condições melhores para trabalhar e receber os clientes, destaca.
Lua branca em céu apagado
Um sarcástico escrivão grafou o nome errado no livro dos vivos Tem lua azul, tem lua vermelha, tem lua branca. Nesta semana celebramos a vida e obra de Chiquinha Gonzaga, minha xará. Francisca Edwiges Neves Gonzaga nasceu em 17 de outubro de 1847. Carioca. Minha xará porque me chamo Wanda Eduvirges, o segundo nome uma homenagem à minha avó, Edwiges. Um sarcástico escrivão grafou o nome errado no livro dos vivos. Tais erros eram comuns naqueles idos, por isso meu pai levou o nome escrito num papelzinho que minha mãe pôs no bolso da camisa. Mesmo assim… * Acho que essas mudanças eram propositais – precisavam quebrar a monotonia de registrar recém-nascidos o dia todo. Se meu pai esqueceu de mostrar ou perdeu o papelzinho no trajeto casa-cartório, jamais saberemos. A gente só descobre que está usando um nome falso quando vai tirar o primeiro passaporte. Ou nunca. Uma sobrinha tem diploma de faculdade e título de doutora, votou em todas as eleições disponíveis, casou, tem uma filha, viajou para o exterior muitas vezes, e só depois dos 50 fica sabendo que não se chama como sempre se chamou. O interessante é que ela gostou mais do nome errado. * O que é um nome, no contexto da nossa breve existência? Tive um professor chamado Elizabeto, gente boa. Ficou exultante quando soube que meu nome era Eduvirges, tipo, Ah, finalmente achei um pior que o meu! Seria? Devo admitir que no curso primário o segundo nome me pôs em algumas encrencas, não faltava quem debochasse, ou pelo menos risse. Ou gargalhasse. Hoje levo numa boa, apesar do gritante erro gráfico. Parece até título de filme: O segundo nome. * Ao adquirir a cidadania americana, temos a opção de mudar de nome – escolha como quer se chamar: mudança de vida e de personalidade. Cheguei a pensar em mudar para Wanda Gates, ou Wanda Jolie – isso de parentesco sempre atrai bons contatos, ou bom papo. Tirar o Eduvirges, única pessoa com esse nome no mundo? Tirar o Sily, que em inglês não soa bem? Que nada! Achei melhor manter o nome de pia e o nome do marido, traçados ambos pelo destino. * O nome mais usado pelos asiáticos quando recebem a cidadania americana é Clark. Não juro que é por causa do Super Homem, não há estudos fidedignos a respeito dessa preferência, mas deixo aqui o fato registrado. De volta ao passado, Chiquinha Gonzaga nos deixou canções ainda hoje gravadas pelos grandes intérpretes modernos. Oh lua branca, por quem és, tem dó de mim… foi musicista, maestrina, compositora – Oh, abre alas… Foi feminista, abriu muitos caminhos na época vedados às mulheres. Mas o segundo nome deve ter lhe trazido problemas – pesquisando sobre sua vida, encontro o nome grafado com w e com v – erro do escrivão?
Projeto recupera memória de lutas camponesas em Cotaxé
VI Seminário de Humanidades acontecerá em novembro, em formato híbrido, no distrito localizado em Ecoporanga Uma importante parte da história da resistência camponesa no Espírito Santo passa pela localidade de Cotaxé, um pequeno e tranquilo distrito de Ecoporanga, no noroeste do Estado, na região que foi chamada anteriormente de Contestado, por conta dos conflitos entre o Estado capixaba e Minas Gerais em tornos da divisa e dos tributos devidos pelos moradores do entorno. As histórias de enfrentamentos entre posseiros e latifundiários ficaram por muito tempo esquecidas e permeadas por alguns mitos. Nos últimos anos, novas pesquisas e a criação do Seminário de Humanidades de Cotaxé tem ajudado a entender melhor o que foram esses conflitos e a preservar a memória em torno da história da região. Entre 12 e 15 de novembro de 2021, acontece a sexta edição do seminário, de forma híbrida, com o tema “Cotaxé: Histórias, Diversidade e Recursos Hídricos”. A programação terá mesas redondas, apresentações culturais, oficinas e exibição de filmes, com parte dela transmitida pela página Memória Cotaxé no Instagram. Pequeno distrito de Ecoporanga, Cotaxé foi epicentro de revoltas camponesas. Foto: Divulgação A mesa mais importante no que se refere à história do local trará como tema “O Contestado Capixaba e os Conflitos Pela Posse da Terra em Cotaxé e Região”, com palestras de Élio Ramires, mestre em História pela Universidade Federal do Estado (Ufes), Victor Lage, mestre em História pela Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop) e Ueber de Oliveira, professor de História da Ufes. Na atividade também serão lançados os livros O Contestado Capixaba, organizado pelos integrantes da mesa, e Palavras do Cotaxé: Relatos Sobre os Seminários das Humanidades, que apresenta diversos materiais produzidos por participantes de edições anteriores do seminário, organizados por Vander Costa. O Seminário de Humanidades teve sua primeira fagulha acesa em 2009, quando Vander Costa, filósofo e poeta nascido em Ecoporanga, e seu amigo historiador Márcio Morais decidiram realizar uma caminhada pela região em busca de entender melhor a história do local. “O Márcio propôs inicialmente um seminário de História, mas logo pensamos em chamar de Seminário de Humanidades, que seria mais abrangente. Fomos juntando material e também estimulando pessoas a produzirem outros materiais a partir da experiência do seminário”, conta Vander. A primeira edição aconteceu em 2013 e a última em 2017, sendo que outras atividades derivadas socioambientais e culturais ainda ocorreram a partir das articulações do seminário desde então. Em 2019, o projeto foi contemplado no edital de Ponto de Memória da Secretaria de Estado da Cultura (Secult), porém, a realização das atividades tiveram que ser adiadas por conta da pandemia de Covid-19. “O ponto de memória é sempre algo em construção. Não necessariamente é um ponto fixo. Temos muito material que reunimos em nossa página na internet, vamos juntando e criando arquivos dentro de uma visão de museologia social, a partir do conhecimento que adquirimos. Queremos que cada vez mais pessoas conheçam a história dos enfrentamentos pela posse da terra e dos massacres ocorridos em Ecoporanga, numa luta camponesa que entendo como uma das mais importantes do Espírito Santo”, comenta Vander Costa. No site Memória Camponesa Cotaxé, é possível encontrar textos, crônicas, artigos e teses acadêmicas, fotografias, vídeos e outros registros sobre a história de Cotaxé e o Seminário de Humanidades. Como se pode observar nas fotos e também na programação, ao contrário do que possa sugerir seu nome, o evento passa longe de ter um caráter meramente acadêmico, promovendo atividades de celebração e confraternização, incluindo ações lúdicas e educativa com crianças e jovens e apresentações de grupos de cultura popular e artistas locais e visitantes. O coordenador do Seminário de Humanidades aponta a necessidade de o município de Ecoporanga valorizar sua história e construir museus e espaços de memória sobre a luta camponesa, os tropeiros e o meio ambiente, de forma que permitam refletir não só sobre o passado, mas especialmente sobre o presente e projetos de futuro. “Na minha opinião, é um feito importante para nossa história, porque ali de fato houve um movimento organizado e a ousadia dos camponeses de se levantar contra toda aquela opressão. A partir dessa história de resistência, podemos pensar um projeto de desenvolvimento para Cotaxé, para Ecoporanga, e para além de lá. Um projeto para valorização de uma cultura diferente, de um meio ambiente preservado, da juventude. O seminário, dentro de seus limites, nos coloca para pensar um modelo de desenvolvimento diferenciado, não só do ponto de vista local, mas também nacional e global. De forma modesta, busca contribuir para uma construção coletiva”, aponta Vander Costa. Confira a programação do VI Seminário de Humanidades, que poderá ser acompanhado também pelo Instagram. “Cotaxé: Histórias, Diversidade e Recursos Hídricos” 12 de novembro – 23h – Saída dos participantes residentes na região metropolitana de Vitória – Local: Em frente ao Teatro da Ufes 13 de novembro – 6h às 6h30 – Café da manhã – 7h às 7h30 – Apresentação da Banda Xé (banda marcial composta pelos estudantes da EEEF “Cotaxé”). Local: Praça – 11h30 – Almoço (Leve seu prato e talher! Temos que combater a cultura do descartável em todas as suas formas) – 13h– Mesa Redonda “Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) e Recursos Hídricos”. Debatedores: Ivani Vieira Damaceno (bióloga com mestrado em Agricultura Tropical – Ceunes/Ufes, bióloga do município), Sebastião Francisco Alves (biólogo com especialização em Ecologia, presidente da Associação Capixaba do Patrimônio Natural – ACPN, proprietário da RPPN Remy Luiz Alves) e Sueli Soares (Pedagoga – Iniube, Formada em Artes Visuais com especialidade em Filosofia e Psicanálise – Ufes, Agente Multiplicadora da Cáritas, Paróquia São José Operário, Ecoporanga – Diocese de São Mateus, que desenvolve o projeto “Adote uma Nascente”) – Local: Espaço do Júnior – 15h30 – Lanche – 16h – Oficina com atividade de Leitura/Releitura e Bordado – Construindo Possibilidades, Tecendo Identidades. A partir do conto: “A Moça Tecelã”. Oficineira: Flávia Soares (Mestre em Literatura, com ênfase em estudo de gênero – Ufes). Local: Espaço do Júnior – 16h – Oficina “Culinária de Salgados”. Oficineira: Karla Vilela (ex-moradora local). Local: Praça – 18h – Jantar –
Marcha Contra o Extermínio da Juventude Negra será no Território do Bem
A organização da Marcha afirma que a ideia é dialogar com as comunidades periféricas sobre violência policial O Fórum Estadual da Juventude Negra do Espírito Santo (Fejunes) já deu início aos preparativos para a 14ª Marcha Contra o Extermínio da Juventude Negra, que acontecerá em 20 de novembro, Dia da Consciência Negra. A novidade da edição de 2021, segundo o diretor do núcleo de Viana do Fejunes e presidente do Conselho Estadual da Juventude (Cejuve), Ramon Matheus, é que a Marcha será realizada no Território do Bem, em Vitória, e não no Centro. Foto: Leonardo Sá O Fejunes já realizou uma reunião para discutir os preparativos da Marcha. A próxima será na quarta-feira (20), às 18h30, na paróquia Santa Teresa de Calcutá, em Itararé. De acordo com Ramon, a construção da Marcha está aberta à contribuição dos movimentos sociais. O Território do Bem contempla as comunidades de São Benedito, Bairro da Penha, Itararé, Bonfim, Consolação, Gurigica, Jaburu, Floresta e Engenharia. Ramon informa que o trajeto ainda não foi definido e que a escolha do local se deu por causa da necessidade de diálogo com as comunidades periféricas sobre violência policial. “A violência policial tem crescido nas comunidades e queremos dialogar sobre isso com quem sofre”, destaca. O militante do Fejunes afirma que as principais vítimas da violência policial são os jovens negros. Também destaca que esse problema sempre foi debatido dentro do Fórum, uma vez que faz parte de um projeto de extermínio da juventude negra. Ramon salienta ainda que está sendo preparada para a edição deste ano uma homenagem para o militante dos Direitos Humanos Lula Rocha, falecido em 11 de fevereiro deste ano. Lula Rocha. Foto: Redes Sociais Lula Rocha foi um dos fundadores do Fejunes e um dos idealizadores da Marcha Contra o Extermínio da Juventude Negra. “A gente vê o quanto o Lula foi gigante, o quanto o Fejunes é gigante no Espírito Santo. Queremos continuar o que foi construído pelo Lula, temos um sentimento de continuidade”, diz. Violência policial no Espírito Santo Levantamento feito pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), publicado no Anuário 2021, aponta um elevado índice de mortes decorrentes de intervenções da Polícia Militar (PM) no Espírito Santo. Segundo a pesquisa, em 2019 foram 35 óbitos causados por ações de policiais em serviço. No ano de 2020, o número aumentou para 39. Dados de falecimentos decorrentes de intervenções da PM fora de serviço também são apontados. Em 2019 foram cinco e, no ano seguinte, seis. No que diz respeito à Polícia Civil (PC), os números referentes às mortes decorrentes de intervenções dessa corporação em serviço no ano de 2019, segundo o Anuário, não foram disponibilizados. Em 2020, aponta o documento, ocorreu uma morte. Já o óbito decorrente de intervenções da PC fora de serviço é considerado pela pesquisa um fenômeno inexistente no Espírito Santo no ano retrasado. Em 2020, houve uma morte que se enquadra nesse quesito. Para Cryslaine Zeferina, integrante do Coletivo Beco, entidade da sociedade civil que atua no Território do Bem, em Vitória, o Espírito Santo tem “uma Polícia Militar despreparada e truculenta, que sempre sobe os morros procurando os mesmos alvos”. Ela afirma que as comunidades estão cansadas “e gritando que essa violência estrutural e institucional é um plano genocida para nossos corpos”. O Território do Bem, além de outras comunidades de Vitória, a exemplo de Nova Palestina e as da região do Centro, como os morros da Piedade, Capixaba e Fonte Grande, tem sofrido com a violência policial. No bairro Bonfim, por exemplo, em 24 de junho, uma ação policial culminou na morte do adolescente Danilo Cândido de Jesus, de 16 anos, e deixou outro jovem baleado na perna. Nesta semana, moradores da região afirmaram terem tido suas casas invadidas por policiais, que, sem mandado, adentraram as residências procurando drogas, embora as pessoas tentassem dialogar para deixar claro que não são envolvidas com o tráfico. Os moradores afirmam que tiveram seus móveis quebrados, colchões rasgados e, até mesmo, cesta básica destruída sob a alegação de que era preciso saber se ali continha droga. Comunidades periféricas se mobilizam contra a violência policial em Vitória Cryslaine Zeferina, do Coletivo Beco, cobra diálogo com o governo e relata aumento da violência policial https://www.seculodiario.com.br/seguranca/comunidades-populares-se-organizam-por-dialogo-com-o-governo-contra-a-violencia-policial Estado registrou 74 mortes decorrentes de ações policiais nos últimos dois anos Ações da PM resultaram em 35 óbitos em 2019 e 39 em 2020, segundo Anuário da Segurança Pública https://www.seculodiario.com.br/seguranca/espirito-santo-registrou-74-mortes-decorrentes-de-acoes-policiais-nos-ultimos-dois-anos
Política indigenista será apresentada às comunidades de Aracruz nesta semana
Projeto proposto por vereador Jaguareté foi analisado por representantes do MPF e da Defensoria Pública da União A comissão especial que elabora a política indigenista na Câmara de Aracruz, no norte do Estado, começará a apresentar o projeto às comunidades locais nesta semana. A ideia é que os moradores das aldeias analisem e façam sugestões para o desenvolvimento da proposta, que irá orientar e definir as políticas públicas para os povos tradicionais no município. Nessa sexta-feira (15), o projeto foi analisado por representantes do Ministério Público Federal (MPF), Defensoria Pública da União (DPU) e Fundação Nacional do Índio (Funai), que fizeram contribuições técnicas. A reunião híbrida também contou com representantes da procuradoria da prefeitura e da Câmara de Aracruz. As contribuições envolveram temas como o plano diretor municipal, a criação do conselho indigenista e os protocolos de consulta às comunidades. Novas reuniões devem ser realizadas com o procurador da República Malê de Aragão Frazão, para debater as sugestões apresentadas. “Foram absorvidos importantes contribuições dos convidados, que nos deram preciosos apontamentos para nossa proposta”, exaltou o vereador Vilson Jaguareté (PT), presidente da comissão especial e autor do projeto. O prazo de encerramento das atividades da comissão especial também deve ser prorrogado. Com expectativa inicial de finalizar o projeto no final deste ano, o período deve ser ampliado em seis meses. Nesta segunda-feira (18), um requerimento será apresentado na Câmara pedindo a extensão do período, caso necessário. O objetivo da prorrogação é possibilitar maior análise do projeto, bem como um contato mais efetivo com as comunidades que, segundo Jaguareté, têm aderido ao projeto. A proposta, que teria a apresentação concentrada inicialmente em cinco aldeias, será levada para as doze comunidades Tupinikim e Guarani de Aracruz. A consulta prévia dialoga com a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que garante aos povos originários o direito de participar de decisões que possam afetar seus bens ou direitos. Além das consultas presenciais, nas próximas duas semanas, as sugestões também chegarão pela internet. Uma versão digitalizada do projeto está disponível no site da Câmara de Aracruz e as sugestões dos moradores têm sido enviadas por email. Na quinta-feira (14), o projeto foi apresentado na Comissão de Caciques de Aracruz, preparando as lideranças para as reuniões com as comunidades. “Essa reunião foi de suma importância para que os caciques e lideranças conhecessem o teor da proposta e pudessem dar suas contribuições”, disse o vereador. Aprovada no dia 26 de abril, a comissão especial ainda está no processo de consulta a todos os órgãos e, principalmente, pessoas afetadas e interessadas no projeto. Nos últimos meses, os vereadores verificaram aspectos jurídicos do texto, como a constitucionalidade e legalidade da matéria. Além de Vilson Jaguareté, o colegiado é formado pelos vereadores Etienne Coutinho Musso (Cidadania) e Leandro Rodrigues Pereira (DEM). Desde o início da comissão, a proposta já foi levada para entidades como a articulação dos Povos Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo (Apoinme) e representantes regionais da Fundação Nacional do Índio (Funai). O objetivo é construir um arcabouço jurídico que irá orientar a construção de políticas públicas para as comunidades indígenas em campos como Saúde, Educação e Cidadania. “A proposta irá desmontar o argumento político de alguns prefeitos que já passaram pelo município nessas longas décadas, que sempre tiraram o corpo fora, dizendo que a política indigenista é de responsabilidade federal. Isso não é verdade”, ressaltou Vilson na ocasião da apresentação da proposta.
Articulação entre PP, PL e Republicanos embola disputa ao Senado em 2022
Deputado federal Da Vitória tenta articular seu nome, mas encontra Magno Malta à frente Uma federação partidária de direita formada pelos partidos Republicanos, PP e PL, em gestação em nível nacional, no âmbito de influência do presidente Jair Bolsonaro (na sala de entrada do PP), traz à cena política do Estado articulações que envolvem o deputado federal Da Vitória (ainda no Cidadania) e o ex-senador Magno Malta (PL). As conversas entre lideranças do “centrão” estão em andamento e, caso a federação seja consolidada, estaria garantida a Magno a indicação para concorrer ao Senado. “O Magno é próximo a Bolsonaro e isso confirma sua vaga na chapa”, comenta liderança envolvida nas articulações, alertando sobre a importância de manter-se no anonimato, “coisa preciosa nesta fase do ano eleitoral”. Da consolidação dessas articulações, o ex-prefeito de Colatina (noroeste do Estado) Sergio Meneguelli (Republicanos) consumaria sua saída do Republicanos, considerando que sua pré-candidatura ao Senado estaria rifada. Por essa lógica, também naufragariam os movimentos do deputado Da Vitória que apontam para o Senado, obrigando-o a se contentar com um disputa à reeleição, ganhando, em contrapartida, a ampliação de apoios, apesar de concorrentes fortes. Entre eles os também deputados federais Amaro Neto (Republicanos), que desistiria do Senado, e Evair de Melo (PP), alvo de campanha contrária dos servidores públicos. E ainda o ex-deputado federal e atual secretário estadual de Saneamento, Habitação e Desenvolvimento Urbano, Marcus Vicente (PP), atualmente amarrado à aliança com o governador Renato Casagrande (PSB), que ocupa o campo mais à esquerda da disputa, e o deputado estadual Erick Musso (Republicanos), cujos movimentos apontam para a Câmara Federal, ora ao Senado e até ao governo do Estado, mas poderá terminar concorrendo à reeleição à Assembleia Legislativa. As conversas deverão chegar a um acerto até o final deste mês, antes das festas de final de ano. Nesse período, deverá estar definida a pré-candidatura do ex-prefeito Sergio Meneguelli, que acerta mudança do Republicanos para o Pros, comandado pelo deputado estadual Renzo Vasconcelos, a fim de ter chance de disputar o Senado, já que, para ele, não há lugar no seu partido. As articulações carregam forte base entre os evangélicos seguidores de Jair Bolsonaro, lideradas por Magno Malta, que tenta se reabilitar depois da derrota eleitoral de 2018 e de escândalos envolvendo abusos quando, em 2017, presidia a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Maus Tratos e Crianças e Adolescentes, denunciada por Século Diário. Malta se movimenta junto a esse público, que também já contabiliza baixas decorrentes da ineficiência da gestão presidencial e, de quebra, de conceitos morais e teológicos por parte do presidente da República. Nesse contexto, o ex-senador procura lançar o nome do pastor Marinelshington da Silva, ex-presidente da Convenção das Assembleias de Deus no Estado do Espírito Santo e Outros (Cadeeso), entidade que reúne parte das Assembleias de Deus e na qual ele transita com facilidade, juntamente com outros seguidores de Bolsonaro. De outro lado, afirmam conversas de bastidores, enfraquece a reeleição da ex-esposa, a deputada federal Lauriete, hoje no PSC, em prosseguimento a uma desavença que a obrigou a deixar o PL. Disputa por vaga para concorrer em 2022 movimenta os bastidores – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/politica/disputa-por-vaga-para-concorrer-em-2022movimenta-bastidores-politicos
Novo aplicativo divulga informações sobre o Carnaval de Vitória
Na coluna: parcerias na música capixaba, dramaturgias femininas, Carmélia transferido, fotografias pomeranas e cinema experimental CARNAVAL App Viva Samba está no ar! Já está disponível o Viva Samba, aplicativo oficial do Carnaval de Vitória, que pode ser baixado gratuitamente nas plataformas para celulares. O projeto é fruto da parceria da Liesges e da Liga ES, responsáveis pelo grupo especial e divisão de acesso dos desfiles de escolas de samba de Vitória, e foi desenvolvido por meio de seleção da Secretaria de Estado da Cultura, com recursos da Lei Aldir Blanc. O app ganhou até um samba próprio, cantado por Kléber Simpatia, intérprete da Novo Império e um ícone do carnaval capixaba. No aplicativo, é possível encontrar as últimas notícias do carnaval, programação dos desfiles para 2022, os sambas-enredo, informações das escolas e um programa de benefícios chamado Viva Pontos. Além disso, votar no júri popular do prêmio Faisão de Ouro 2021 até o dia 21 de outubro, elegendo os destaques do carnaval. Nos dias 29 e 30 deste mês, a Liesges realiza o “Festival Vitória, Samba e Carnaval”, no qual se apresentarão as diversas escolas na Quadra da Escola de Samba Novo Império, em Caratoíra, na Capital. O evento será transmitido pelos canais da Liesge e da Prefeitura de Vitória, que apoiou o evento direcionando recursos da Lei Aldir Blanc. MÚSICA Artistas capixabas se interpretam no Conexão 027 Seis atrações capixabas interpretando músicas de outros artistas. Tal como ciranda, o projeto Conexão 027 será assim: Bella Nogueira canta Cainã, que toca canção de A Transe. A Transe interpreta Izar, que dá voz e arranjo à música de Thainá Lopez. Thainá, por sua vez, canta Manfredo, que fecha o ciclo e declama uma canção de Bella Nogueira. O resultado disso serão seis episódios no YouTube, um EP coletivo e um documentário. Os dois primeiros virão ao ar no dia 22 de outubro, o primeiro canal do projeto Explicanção no YouTube e o segundo nas plataformas digitais de música. Já o documentário, será lançado no dia 29 de outubro, também no YouTube. Divulgação LIVROS Cinema experimental capixaba é tema de publicação Novo livro do professor e pesquisador Erly Vieira Jr., Rasuras – 40 anos de Vídeo Experimental no Espírito Santo, terá lançamento virtual na próxima segunda-feira (18), às 19h, no perfil da Editora Cousa no Instagram. A versão impressa da obra iniciará a pré-venda após a live, enquanto o e-book será disponibilizado gratuitamente na mesma ocasião. A publicação é fruto de uma pesquisa feita desde 2003 por Erly, que mapeou 217 obras do gênero realizadas entre os anos 1979 e 2020, incluindo videoinstalação, videoarte, videodança, videoperformance, filme-dispositivo e filme-ensaio. Além de lançar a publicação, Erly Vieira Jr. promove, nos dias 3, 4 e 5 de novembro, de 15h às 18h, o minicurso gratuito e online Rasuras, abordando o tema do livro. As inscrições podem ser feitas no site https://rasuras.tumblr.com, onde também será possível baixar o e-book. Dramaturgias femininas capixabas em novo livro O projeto “Elas Tramam” acaba de lançar a pré-venda de seu terceiro livro, Outras Tramas, editado pela Editora Maré, com entregas até 31 de outubro. A obra, como as duas anteriores, reúne dramaturgias escritas por mulheres do Espírito Santo. As três coletâneas estão à venda no site www.editoramare.com, por R$ 40 cada uma, preços promocionais para dois livros (R$ 75) ou para a coleção completa (R$ 100). Além dos livros, outras produções do “Elas Tramas” têm sido em áudio, por meio de podcasts no Spotify. Vale muito ouvir a série Escute as Manas – Cenas Sonoras e Disparos Feministas. AUDIOVISUAL Cine.Ema divulga programação de cinema ambiental Em sua sétima edição, a mostra de cinema ambiental Cine.Ema realiza este ano uma versão semi-presencial, com o tema “A natureza é a nossa escola”. De 18 de outubro a 5 de dezembro, estarão disponíveis online os filmes da Mostra Competitiva Nacional Cine.Ema, Mostra Cine.Eminha e Mostra Paulo Freire. Outras atividades como palestras, oficinas e bate-papo com realizadores dos filmes acontecerão online ou presenciais, no interior do Espírito Santo. Confira a programação completa em: https://cineema.com.br/programacao POLÍTICAS PÚBLICAS Carmélia transferido oficialmente para o governo do Estado Instagram Imóvel da União que estava cedido para a Prefeitura de Vitória, o Centro Cultural Carmélia foi oficialmente cedido para o governo do Estado. O local, que é atual sede da TV Educativa, autarquia estadual, foi abandonado nos últimos anos pela prefeitura, pese o importante histórico que teve como espaço cultural, principalmente nos anos 80 e 90. No ano passado, a Superintendência de Patrimônio da União (SPU) cogitou usar o local para armazenamento de café e grãos, recuando após manifestação contrária de artistas, ativistas e políticos. A Secretaria de Estado da Cultura (Secult) pretende reativar o complexo cultural, que continuará sediando com a TV Educativa e futuramente também a Rádio Espírito Santo. Investimentos de R$ 5 milhões em patrimônios históricos Casa da Cultura de Fundão. Foto: Secult/ES Nos últimos dois meses, a Secult assinou convênios com municípios para obras de reforma e restauro de quatro imóveis tombados pelo Conselho Estadual de Cultura. Juntos, os investimentos totalizam R$ 5 milhões. Os imóveis que estarão em obras são a Casa da Cultura, em Fundão, o Palácio Bernardino Monteiro, onde funciona a prefeitura Cachoeiro, a sede da Prefeitura Municipal de Muqui e a Igreja Matriz de Castelo. Vila Velha abre inscrições para projetos culturais Com o saldo remanescente dos recursos federais da Lei Aldir Blanc não aplicados no ano passado, a Prefeitura de Vila Velha lançou novos editais para atividades culturais. São 102 prêmios de R$ 1,1 mil para propostas de diversos segmentos para apresentações online, oficinas, workshops, cursos ou palestras com duração entre 30 e 50 minutos. Outro edital vai premiar Mestres e Mestras das Culturas Populares e Tradicionais, com 20 prêmios de R$ 5 mil. As inscrições vão até 3 de novembro. Mais informações aqui. DIVERSIDADE E TERRITÓRIOS Exposição registra fotografias de famílias pomeranas A Mostra Itinerante Família Pomerana está em cartaz até 19 de novembro na Casa da Cultura de Domingos Martins. A exposição com curadoria de Paulo de Barros apresenta fotografias de Francisco Seibel tiradas entre