Levantamento da Adufes aponta que 45% dos docentes sinalizaram adoecimento psíquico durante o trabalho remoto Fadiga mental, adoecimento psíquico e problemas ergonômicos. Esses foram alguns dos problemas relatados por professores da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) em uma pesquisa realizada pela Associação dos Docentes da Universidade (Adufes), que avaliou a saúde mental durante o ensino remoto. A entidade cobra a adoção de medidas efetivas para combater o adoecimento psíquico de professores, uma realidade que se acentuou em todo o país durante a pandemia do coronavírus. A pesquisa, realizada pela Comissão de Acompanhamento ao Trabalho/Ensino Remoto na Ufes, foi respondida por 642 professores. Entre os entrevistados, 63% indicaram fadiga mental e 45% sinalizaram adoecimento psíquico durante o ensino remoto. A Adufes cobra que a Universidade adote medidas concretas para combater o cenário de esgotamento mental causado pelas condições de trabalho durante a pandemia. A entidade também ressalta a importância da utilização de ferramentas para monitorar a situação dos professores. “A Ufes não tem levantamento algum sobre o adoecimento psíquico das pessoas que trabalham e estudam na universidade. Parte considerável delas está adoecida e sobre outra grande parte não existem dados. É preciso ouvir as pessoas e saber o que as afeta, para que práticas sejam revistas e as atividades possam continuar com respeito a quem faz com que elas aconteçam”, diz uma nota publicada pela entidade nesse domingo (10). As respostas ao questionário também indicam que a pandemia tem provocado uma rotina de trabalho excessiva. Durante a pesquisa, 48% dos participantes informaram que trabalham diariamente, em média de 8h a 10 horas, enquanto 30% mais de 10 horas diariamente. Além disso, 20% disseram que trabalham, em média, até 8 horas diariamente. Uma das pautas levantadas pela Adufes nos últimos meses é a necessidade de se garantir um recesso de, no mínimo, 30 dias para os professores entre os semestres de aula, tendo em vista que os atrasos provocados no calendário acadêmico durante a pandemia encurtaram os recessos entre os períodos letivos. O semestre 2021/1 foi encerrado nesse sábado (9) e o próximo já começa no dia 3 de novembro. Para os professores, entretanto, o descanso é de apenas 12 dias, já que, após o fim das aulas, os docentes ainda ficam responsáveis por outras atividades, como o período de provas finais e lançamento de notas. A entidade também tem cobrado assistência técnica durante o ensino remoto. Durante a pesquisa, 95,38% dos docentes afirmaram que a infraestrutura utilizada para as atividades remotas foi providenciada por eles mesmos. Em maio deste ano, a Adufes chegou a protocolar um ofício solicitando o ressarcimento de despesas com infraestrutura e equipamentos adequados. Desgaste pandêmico Os problemas identificados na pesquisa da Adufes não se restringem ao Espírito Santo, nem ao ensino superior. Em uma pesquisa realizada pelo instituto Nova Escola com professores de várias partes do Brasil, 72% dos entrevistados afirmaram que tiveram a saúde mental afetada durante a pandemia, tendo como os principais problemas a ansiedade, o estresse e a depressão. No Espírito Santo, a Adufes instituiu a Comissão de Acompanhamento ao Trabalho/Ensino Remoto na Ufes após a implementação do Ensino-Aprendizagem Remoto Temporário e Emergencial (Earte), em agosto de 2020, com o objetivo de verificar as necessidades dos docentes durante as atividades remotas na pandemia. A partir dos relatos dos professores, um dos problemas identificados ao longo desses meses é a tentativa de transferência de todas as atividades que eram realizadas de forma presencial para o ensino remoto, o que é considerado impossível. “Depoimentos dos docentes indicam que o acúmulo de tarefas tem levado centenas à exaustão, no momento mais grave que atravessa a humanidade nos últimos 100 anos: a pandemia da Covid-19. Neste contexto, os gestores da universidade a todo custo tentam forjar um ‘novo normal”, diz a Adufes. Em uma publicação feita nesse domingo (10), Dia Mundial da Saúde Mental, a Adufes reivindica que a Reitoria da Universidade dê atenção aos dados levantados pela pesquisa realizada. “A partir disso, é preciso construir, junto com a comunidade acadêmica, políticas efetivas capazes de enfrentar o problema que também é sentido entre estudantes e trabalhadores técnico-administrativos, que relatam as dificuldades enfrentadas no dia a dia”, ressaltou. Estudantes da Ufes relatam sobrecarga emocional e dificuldades de acesso – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/educacao/sobrecarga-emocional-e-dificuldade-de-acesso-estao-entre-relatos-sobre-ensino-remoto-na-ufes
Não seja um lixo!
A inversão de valores confunde a realidade A sociedade moderna caminha num roteiro dito progressista e deixa um rastro impossível de ser eliminado, não só nas questões ambientais, das quais além de protagonista se torna sua principal vítima, mas principalmente nas questões humanas. Estima-se que cada pessoa gera por dia entre 800 gramas a 1kg de lixo, multiplicando isso pela população do planeta, já dá para se ter uma ideia do estrago, principalmente levando-se em conta de que não existe o “lá fora” para colocar esse lixo. Por outro lado, as estruturas das sociedades, competitivas por excelência, produzem um segundo e ainda mais perverso lixo, a partir de sua própria desumanização. A insensibilidade frente a pobreza, a fome, a miséria e a exclusão, o admitir essa existência sub-humana, ou seja, sem a condição efetiva de existência – ainda mais quando as classes dominantes não só naturalizam essa relação, mas fazem dela uma necessidade para suas estruturas como acontece no capitalismo – acaba fazendo da própria sociedade um lixo, uma vez que o ser humano desumanizado perde sua essência e a única definição que lhe resta é “lixo”. A boa reflexão nos leva a perceber que a perda do sentimento de humanidade, ou do pertencimento ao universal “humano”, deixa a sociedade no vazio da existência e, em sua luta para continuar parecendo humano, piora ainda mais a situação criando categorias para os subprodutos de suas ações, explícitas nos próprios termos: “excluídos”, “periféricos”, “marginais”, etc. numa clara inversão de valores e transferência de sua responsabilidade para suas vítimas. Não seria demasiado perverso se considerássemos que a leviandade dessas classes dominantes chega a implantar, nessa população por ela marginalizada, a denominação que a ela apropriamos anteriormente “um lixo”. É claro que o objetivo é de localizá-la embaixo do tapete, abandonada na invisibilidade das funções desvalorizadas e mais exploradas, ou nas ruas, nas favelas inacessíveis, e nos cárceres, que inclusive são disfarçados de equipamentos de ressocialização, mas no fundo são só uma tentativa de desaparecimento desses “indesejáveis”. Assim como o lixo material, essa classe burguesa já não tem onde ser colocada no mundo humano, precisa viver em suas bolhas, protegidas pelo Estado por meio das forças policiais, mantendo-se cada vez mais acuada. A covardia chega ao extremo quando os custos da manutenção dessa farsa ainda recaiam em suas vítimas, principalmente por meio da manutenção da estrutura do Estado, garantidor desta realidade de privilégios e proteção, que é custeada pelos impostos, inclusive mais incidentes nos produtos essenciais como a cesta básica – entre 12 e 17%, os combustíveis em torno de 17%, e as tarifas públicas como água e energia elétrica, que chegam a 25%. Até quando será suportável e sustentável a manutenção de seus privilégios, em detrimento da desigualdade sem estourar a bolha, talvez seja a preocupação que falta aos protagonistas do caos social que vivemos. Vale ressaltar a falta de uma autocrítica real, que localize as mazelas sociais em suas próprias identidades, ou perda delas, ao se transformarem ao que definimos como lixo. Everaldo Barreto é professor de Filosofia
Propaganda no rádio e na TV ergue nova barreira aos pequenos partidos
Hellen Guimarães, da direção estadual da UP, aponta que os mesmos partidos continuam comandando o processo Os pequenos partidos poderão ter mais uma barreira pela frente, estabelecida na última quinta-feira (7) na Câmara dos Deputados, com a aprovação da proposta que autoriza o retorno da propaganda partidária gratuita em rádio e televisão nas eleições de 2022. O projeto, que ainda será analisado no Senado, estabelece que somente terão acesso a esse meio partidos com um mínimo de votos distribuídos por 1/3 dos estados ou um número mínimo de deputados federais, também distribuídos por um 1/3 dos estados, ou seja, a chamada cláusula de desempenho. “Nosso posicionamento é o mesmo: essas renovações, na prática, não facilitam nada para gente”, comenta Hellen Guimarães, da direção estadual da Unidade Popular pelo Socialismo (UP), um dos mais novos partidos no país, em formação no Espírito Santo. A dirigente partidária acrescenta que “os pequenos avanços dificultam, de fato, a renovação”, porque apesar de haver renovação de pessoas, são os mesmos partidos que comandam o processo. “Não há alternativa política”, enfatiza. O retorno desse tipo de inserção em rádio e TV, extinto pela Lei 13.487/17, foi aprovado por 270 votos a 115, e, pelo texto, em cada semestre, o partido que cumprir a cláusula de desempenho da Emenda Constitucional 97/17 contará com tempos totais de 5, 10 ou 20 minutos, sempre em inserções de 30 segundos. Informações da Agência Câmara explicam que o partido que tiver eleito até nove deputados federais nas eleições anteriores poderá usar 5 minutos por semestre; aqueles com 10 a 20 deputados poderão usar 10 minutos; e as legendas com mais de 20 deputados, terão tempo de 20 minutos. O tempo é assegurado para inserções nas redes nacionais e em igual quantidade nas emissoras estaduais. Em cada rede, poderá haver apenas dez inserções de 30 segundos por dia. Nessa propaganda partidária, que não se confunde com a propaganda eleitoral, os partidos deverão destinar um mínimo de 30% das inserções anuais a que têm direito para promover e difundir a participação política feminina. A finalidade da propaganda partidária é diferente da eleitoral, pois visa à divulgação dos programas partidários; da posição do partido em relação a temas políticos e ações da sociedade civil; o incentivo à filiação partidária; a promoção da participação política das mulheres, dos jovens e dos negros; e a transmissão de mensagens sobre a execução do programa partidário e de atividades relacionadas. Nas inserções, será proibida a prática de atos que incitem a violência e qualquer tipo de preconceito racial, de gênero ou de local de origem; e a utilização de matérias que possam ser comprovadas como falsas (fake news). As inserções ocorrerão entre as 19h30 e as 22h30 a pedido dos partidos e com autorização dos tribunais eleitorais (TSE nas inserções nacionais e TREs nas locais). Em anos eleitorais, esse tipo de propaganda será transmitida somente no primeiro semestre. Na primeira das três horas de veiculação, podem ser veiculadas três inserções; na segunda hora, também três inserções; e na terceira hora, quatro inserções. Obrigatoriamente, deverá haver um intervalo de dez minutos entre cada veiculação. A emissora que não exibir as inserções perderá o direito à compensação fiscal e ficará obrigada a restituir o tempo ao partido nos termos definidos em decisão judicial. Essa compensação será calculada pela média do faturamento dos comerciais dos anunciantes no horário das 19h30 às 22h30. Para os partidos que descumprirem essas restrições, haverá punição, no semestre seguinte, de cassação do tempo equivalente a dois a cinco vezes o da inserção ilícita. A exemplo do que ocorria até 2017, não poderá haver propaganda de candidatos a cargos eletivos e a defesa de interesses estritamente pessoais ou de outros partidos políticos. Todos esses casos serão julgados pelos tribunais regionais eleitorais em caso de propagandas divulgadas em redes estaduais e pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) se forem em redes nacionais.
Somos um arquivo
Na vida, temos de formar bons conteúdos e um bom arquivo. É um investimento próprio No mundo cibernético, arquivos são movidos quando necessário. Tipo, fazer uma limpeza no disco ou nos arquivos pessoais. Aí, se vai lá, apaga-se conteúdo, imagens, etc, etc. Na vida da empresa é a mesma coisa. Cada funcionário é um arquivo, seja ativo ou passivo. Nós não deixamos de ser arquivos. Por isso que no mundo do crime existe a máxima “Queima de Arquivo”. Que não é caso de uma empresa. Mas na vida própria, temos de formar bons conteúdos e um bom arquivo. É um investimento próprio. É no saber, no espiritual, no relacionamento. Não adianta ser apenas um arquivo. Tem de ter bom conteúdo, do qual se possa extrais boa coisa. Não existe arquivo rejeitado ou arquivo afastado. Ou é ativo e imprescindível ou então é deletado, descartado. Somos a mesma coisa no decorrer da vida. Tem gente querida e tem gente rejeitada, principalmente gente esquecida. Para ser um bom arquivo, alguém nos criou, nos guiou, nos supriu. Podemos então ser bons ou apenas relevantes. Por isso é sempre bom a gente saber do nosso conteúdo. Quantas vezes passamos alguma coisa de uma pasta para outra? E dependente do conteúdo, às vezes pode ser ruim ou um ótimo conteúdo. Mesmíssima coisa na vida. Por isso é bom estarmos sempre bem atentos, principalmente sobre quem nos rodeia e o que quer. A comparação não é muito exagerada, apenas serve para ver que nós, os humanos, somos como arquivos. Somos criados, educados (preenchidos), movidos e até mesmo deletados. Assim é no mundo virtual, assim é no mundo real. PARABÓLICASO último Ibope trouxe relevantes mudanças na edição. Postos novos, umas rádios caindo e outras subindo…como surpresa. Talvez a Festa da Penha possa receber fiéis em 2022, mas tudo dentro de rígidos protocolos.E a ESPN, agora da Disney, tem a exclusividade da Libertadores. A Globo perdeu muito com a não transmissão. Paulo Duarte mantém uma intervenção diária no seu Facebook, com notícias da cidade e do Brasil, sempre escorreito na apresentação. ACESSEhttp://jrm50anos.blogspot.com.br/ ACESSE TRADUÇÃO JRM YOUTUBEAdele – Hellohttps://www.youtube.com/watch?v=bbuU8YflV5U MENSAGEM FINAL“O mundo é 1% bom, 1% mau, 98% neutro. Ele pode ir para um lado ou outro, dependendo de que lado está empurrando. Esta é a razão porque o que um indivíduo faz é importante”. Hans Habe
Disputa por vaga para concorrer em 2022 movimenta os bastidores
Deputado estadual Renzo Vasconcelos e o ex-prefeito Sergio Meneguelli: parceria para as eleições? Ales/Redes sociais A última sexta-feira (8) foi movimentada nos meios políticos, por conta de conversas entre o deputado estadual Renzo Vasconcelos, comandante do Pros no Espírito Santo, anunciado como pré-candidato à Câmara Federal, e o ex-prefeito de Colatina Sergio Meneguelli (Republicanos), apontado como postulante ao Senado. Do entendimento das duas lideranças, resultará alterações na formação de chapas para as eleições do próximo ano, a partir da troca de partido pelo ex-prefeito. Tudo depende da permanência de Meneguelli no Republicanos, ameaçada caso não receba a garantia de que será candidato ao Senado. Caso contrário, Meneguelli se mudará para o Pros, como afirmam os meios políticos. Renzo permanece no PP até a janela partidária, mas já atua à frente do Pros, após assumir a executiva estadual seu chefe de gabinete, Kauê Oliveira. A mudança gerou polêmica interna, ao tirar do cargo o então presidente do partido, Sandro Locutor. O deputado e Meneguelli possuem reduto partidário em Colatina, noroeste do Estado, mesmo município dos deputados federais Josias da Vitória (Cidadania) e Paulo Foletto (PSB) – licenciado para assumir a Secretaria de Estado de Agricultura -, candidatos potenciais à reeleição. Essa situação os coloca frente a frente com Renzo, um deputado estadual em primeiro mandato e sem grandes atuações na Assembleia Legislativa. No entanto, ele poderá contar com a popularidade do ex-prefeito, ampliada em redes sociais para todo o país, e tentar seu projeto de âmbito nacional. Por meio de redes sociais, Meneguelli mantém discursos e oposição à classe política, o mais recente contrário às federações partidárias, união de partidos por um período de até quatro anos, às quais ele chama de fruto da “ganância dos nobres parlamentares”. Em vídeo, ele lembra que a medida, aprovada em 27 de setembro com a derrubada de veto presidencial, é a “legalização da falta de respeito”. A candidatura ao Senado do ex-prefeito encontra resistências no Republicanos, acrescentam os bastidores políticos, que sinalizam entre outros empecilhos a própria movimentação do presidente do partido, deputado estadual Erick Musso, que passa por indicações que vão de candidatura à Câmara, ao Senado e até ao governo do Estado. Segundo os meios políticos, Musso teria que se contentar em concorrer à Câmara Federal ou a mais uma reeleição, pois apesar de estar no terceiro mandato na Presidência da Assembleia Legislativa, não conseguiu construir cacife eleitoral abrangente que permita voos mais altos. Com a aliança do Republicanos com o PP em nível nacional, a situação fica ainda mais complicada para ele. Isso ocorre porque envolve aliados e adversários do presidente Jair Bolsonaro, mesma corrente de Erick Musso, e do governador Renato Casagrande. O PP estadual é comandado pelo ex-deputado federal Marcus Vicente, atual secretário de Saneamento, Habitação e Desenvolvimento Urbano, aliado do governador, que é do PSB, opositor de Bolsonaro. Erick Musso segue com a campanha “Poder e Fé”, atuando no meio evangélico. Para isso conta com grupos de pastores alinhados ao discurso religioso/populista do presidente Jair Bolsonaro, entre eles o ex-deputado Esmael de Almeida, diretor de Infraestrutura e Logística da Assembleia Na última quinta-feira (7), ele recebeu em seu gabinete vários pastores, que oraram e entoaram o cântico “Deus, sara esta nação”, da pastora e cantora gospel Fernanda Brum. A cantora esteve nessa sexta-feira em Brasília, na CPAC Brasil, o maior evento conservador do Brasil. É seguidora do presidente Jair Bolsonaro, na articulação liderada pela também pastora e ministra da Mulher, Damares Silva. Brum e o esposo, pastor Emerson Pinheiro, foram convidados para cantar o Hino Nacional na abertura do evento. Dezenas de artistas, políticos, influenciadores digitais e simpatizantes do presidente Jair Bolsonaro participaram.
Todo o Estado ficará em risco muito baixo até novembro, projeta secretário
Na pior das hipóteses, acredita o gestor, na primeira semana de dezembro as microrregiões estarão com essa classificação O secretário de Estado de Saúde, Nésio Fernandes, acredita que, até novembro, todo o Espírito Santo estará classificado em risco muito baixo, de acordo com o Mapa Covid-19. Segundo o gestor, em coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira (11), ainda neste mês poderá haver microrregiões com essa classificação. “Na pior das hipóteses, na primeira semana de dezembro as últimas microrregiões alcançarão o risco muito baixo”, acredita. A nova classificação foi anunciada em seis de outubro, em uma reunião extraordinária da Sala de Situação de Emergência em Saúde Pública, por meio de videoconferência. A nova Matriz de Risco terá a cor azul no Mapa. Os pré-requisitos para atingir a classificação, segundo Nésio, podem ser alcançados a qualquer momento, sendo que ainda nesta semana será divulgada a portaria que trata do tema. Entre os critérios para que as microrregiões alcancem o risco muito baixo, estão a disponibilidade de pontos de testagem em massa para a população individualmente, 90% dos adolescentes vacinados com a primeira dose, 90% dos idosos com a dose de reforço, e 80% dos adultos com as duas doses. Esses critérios, acredita o secretário, podem ser alcançados em todas microrregiões até outubro. As microrregiões serão Metropolitana; Central-Serrana; Sudoeste-Serrana; Litoral Sul; Central Sul; Caparaó; Rio Doce; Centro-Oeste; Nordeste e Noroeste. Uma vez alcançada a classificação de risco muito baixo, a microrregião não retorna mais para riscos mais altos, a não ser diante de novas crises e variantes. Em relação às medidas para cidades em risco baixo, ou seja, em cor verde no Mapa de Risco, que dizem respeito ao limite de 1,2 mil pessoas ou até 50% dentro do limite em eventos, terão vigência a partir de oito de novembro. Nésio também informou que haverá aumento do número de pontos de testagem. Entre os locais estão a rodoviária de Colatina, no noroeste do Estado; o Terminal de Campo Grande, em Cariacica; e a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), mas não especificou o campus. Também na Ufes haverá posto de vacinação.
Cerca de 88% dos que não voltaram para a segunda dose não são idosos
Dos 312 mil que não retornaram, 88% têm menos de 59 anos. Nesse grupo, 72% têm idade inferior a 49 anos Em coletiva de imprensa realizada na tarde desta segunda-feira (11), o secretário estadual de Saúde, Nésio Fernandes, informou que 312 mil pessoas não voltaram para tomar a segunda dose da vacina contra Covid-19. Desse total, 88% são não idosos, ou seja, têm até 59 anos. Nesse grupo, 72% têm menos de 49 anos. Diante disso, o subsecretário de Vigilância Sanitária, Luiz Carlos Rebin, alertou que a vacinação diminui a circulação do vírus, protegendo os idosos que, por um motivo qualquer, não foram imunizados, apesar de terem sido vacinados. O subsecretário informou também que o Espírito Santo tem cobertura vacinal de 92% em pessoas acima de 18 anos com primeira dose ou a única da vacina da Janssen. Nesse mesmo grupo, a cobertura é de 63% com a segunda dose. Já entre os idosos, a dose de reforço já atingiu 65%. Entretanto, afirma Nésio, a velocidade da vacinação tem caído no Espírito Santo, o que é motivo de preocupação. “Vamos mobilizar familiares, vizinhos, conhecidos, para convencê-los de forma afável, preocupada, de que devem se vacinar”, recomendou. Para o gestor, se não fosse a vacinação, o Espírito Santo estaria na quarta grande onda da pandemia da Covid-19. “Caminhamos para vencer a pandemia”, afirma, mas salienta que é necessário vencer o negacionismo e os movimentos contrários à vacinação, sendo esse um dos maiores desafios do Plano Nacional de Imunização (PNI). O secretário também informou que a expectativa é de que ainda este ano “a ampla maioria da população já tenha recebido as duas doses”. Contudo, alerta Nésio, a Covid-19 trata-se de mais uma doença infectocontagiosa que fará parte das doenças transmissíveis. O vírus, explica, continuará circulando, mas com potencial menor diante da aplicação das duas doses e do reforço, sendo que os não vacinados serão um percentual maior entre os casos, internações e óbitos. Quanto às festividades de fim de ano e chegada de turistas, principalmente aos balneários, o secretário acredita que isso pode aumentar a curva de casos, mas sem causar um “desastre epidemiológico” que leve ao comprometimento da rede assistencial de saúde pública e a restrições sociais e econômicas. Nésio afirma, ainda, que o Espírito Santo, inclusive, tem condições de vacinar turistas. O secretário também informou que, ainda nesta semana, será divulgada uma portaria que trata da limitação de pessoas não vacinadas em atividades econômicas e sociais, além da portaria que exige a imunização para que os servidores públicos possam “acessar espaços públicos de cuidado da população”. Vice-presidente da região Sudeste no Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), Nésio informou que o Conass irá se mobilizar para que, até o fim do ano, a vacinação contra a Covid-19 seja prevista como obrigatória no Plano Nacional de Imunização (PNI), fazendo com que, conforme consta na legislação estadual, seja exigida para matrículas nas escolas, apresentando comprovante.
Alexandre Ramalho é chamado para debate sobre escalada da violência policial
Audiência pública na Assembleia abordará, nesta quinta-feira, casos recentes registrados no Estado A Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Assembleia Legislativa realiza, nesta quinta-feira (14), uma audiência pública para discutir os casos de violência em abordagens policiais no Espírito Santo. Com o secretário de Segurança Pública, Alexandre Ramalho, entre os convidados, o encontro também abordará a escalada do fascismo no Brasil e os últimos casos investigados no Estado. O encontro foi proposto pela deputada estadual Iriny Lopes (PT) e debaterá os registros de excesso de força policial, como o ocorrido em setembro no município de Guarapari, em que um policial agrediu uma mulher em surto psicótico. Logo após a repercussão do caso, a parlamentar já tinha anunciado que promoveria debates em torno do tema. Os números indicam que o registro em Guarapari não se trata de um caso isolado. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), presentes no Anuário 2021, indicam um aumento da violência policial no Espírito Santo. A pesquisa aponta 35 óbitos causados por ações de policiais em serviço em 2019, número que passou para 39 em 2020. Quando contabilizado os números de mortes por intervenções de PMs fora de serviço, o levantamento aponta cinco mortes em 2019 e seis em 2020. Os dados do anuário são baseados em informações disponibilizadas pelas secretarias de segurança pública estaduais, pelas polícias civis, militares e federal, entre outras fontes oficiais da Segurança Pública. Além do responsável pela Secretaria de Segurança Pública (Sesp), a expectativa é que a audiência pública conte com a presença da secretária estadual de Direitos Humanos, Nara Borgo, bem como representantes do Ministério Público e de entidades sociais. O encontro será realizado de forma virtual, às 15h30, com transmissão pelo canal da Assembleia no YouTube. Casos recentes Um inquérito policial militar investiga uma abordagem realizada no dia 25 de setembro, em Guarapari. Dois policiais foram filmados agredindo uma senhora que estava em surto psicótico no bairro Lameirão. A investigação pode durar até 60 dias, mas os dois policiais já foram afastados. O caso teve repercussão após a circulação de um vídeo nas redes sociais que mostrava os militares dando socos, joelhadas e tapas na mulher. Além das notas de repúdio de diversas entidades, uma manifestação foi realizada pelo Coletivo Feminista Mulheres que Lutam em frente ao 10º Batalhão da Polícia Militar (PM), no bairro Aeroporto. Nas redes sociais, o governador Renato Casagrande (PSB) afirmou que a situação era inaceitável. “Determinei ao Comando Geral da Polícia Militar a apuração rigorosa e providências imediatas referente aos fatos registrados em Guarapari, no último sábado [25/9], que tiveram os vídeos divulgados hoje [28/9]. A conduta em evidência não representa os valores da nossa polícia”, afirmou. Também em setembro, entidades divulgaram uma nota denunciando a invasão da casa do produtor cultural Stel Miranda por policiais militares. Morador do bairro São Pedro, em Vitória, o ativista afirmou que os policiais entraram na residência sem mandado, alegando averiguar uma denúncia de tráfico de drogas. “O que nos incomoda é o modus operandi da PM do Espírito Santo. Será que se essa denúncia fosse contra algum morador das áreas nobres da cidade, o procedimento seria o mesmo? (…) Não podemos admitir a criminalização da pobreza. Por isso, exigimos da PM uma resposta para mais essa violação de direitos humanos”, diz uma nota divulgada na ocasião pela Unidade Negra Capixaba. Morros de Vitória A atuação da Policia Militar em bairros periféricos também tem sido constantemente denunciada por coletivos e moradores, como no Território do Bem (Bairro da Penha, Itararé, Engenharia, Gurigica, Bonfim, Floresta, São Benedito, Jaburu, Consolação) e na região da Piedade, Fonte Grande, Moscoso e Capixaba, no Centro de Vitória. Além do registro de mortes e abordagens violentas, a comunidade denuncia abandono do Estado e falta de políticas públicas. Mulheres protestam contra agressão da PM em Guarapari – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/seguranca/mulheres-protestam-contra-agressao-da-pm-a-mulher-em-guarapari Entidades repudiam invasão à casa de produtor cultural pela Polícia Militar – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/seguranca/entidades-repudiam-invasao-a-casa-de-produtor-cultural-pela-policia-militar Instituto denuncia violência nos morros do Centro e descaso do poder público – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/seguranca/instituto-denuncia-violencia-nos-morros-do-centro-e-descaso-do-poder-publico
Columba livia
O vaso de begônias deu a eles a base ideal para o futuro lar – já estava mobiliado Às vezes desconfio que amar caiu de moda. Vai morrendo devagar, que nem receita caseira de frango com quiabo. Eu sei, tem muita gente se casando, a população mundial continua crescendo. Mesmo assim, olhando a lista de filmes do Netflix, Amazon, Hulu e similares, só tem filme de pancadaria. Umas comedinhas românticas, dessas que a gente sabe que vai acabar bem não importa quais sejam os obstáculos, estão no final da lista, depois do Que tal ver de novo. Com um adendo – Tem certeza? * Mas o que move o mundo é o amor, e não a pancadaria, e se revela nas formas menos imaginadas. Em um dos muitos apartamentos que ocupei na vida, um casalzinho de pombos recém-casados se instalou sem cerimônia na minha varanda. Estive fora por algum tempo, e portanto eles concluíram que o local era inabitado. O vaso de begônias secou, dando a eles a base ideal para o futuro lar – já estava mobiliado. * Pombos são aves bonitas e simpáticas, mas não muito asseadas, e quando regresso minha varanda está um horror. Reclamo com o condomínio, e eles sugerem retirar o vaso de planta – Sem o mobiliário eles vão embora, disseram. Limpei a área, e ao retirar a ex-begônia, qual não é minha surpresa ao ver alguns ovinhos amadurecendo ali dentro. Quem disse que o amor está morrendo? Tranquei a varanda, corri as cortinas – deixem os filhotes nascerem e tomarem rumo. * A Columba livia, ou seja, o pombo ou rola, é uma ave simbólica, cultuada desde tempos antigos, sendo homenageado em muitas canções. Teve papel importante na bíblia e em muitos momentos da história e da ficção. Pombos-correio ajudaram os aliados nas duas grandes guerras. Enfeitam praças e jardins, mas têm o inconveniente de transmitir doenças: 70 diferentes micro-organismos perigosos para os humanos, e o pior deles é a salmonella. Portanto, por mais que me doesse, quando os filhotes nasceram, chamo o serviço de remoção de animais. * Preço mínimo: $ 2.000,00. Por uma familiazinha de pombos? Nem tem que subir no telhado, estão ali na varanda. Não deram desconto. Segunda opção: bota lá veneno de rato. Recusada. Me deram o telefone do serviço de proteção aos animais em vias de extinção. Tenho um probleminha…Pombo não está na nossa lista. Mesmo assim vieram, olharam – Não podemos remover, tem uns ovinhos no vaso de planta…Quando nascerem, remova o vaso de plantas. Aguardei a segunda leva, limpei a varanda, retirei o vaso de plantas. Foram-se? * Voltaram. Um vizinho no elevador trouxe a salvação, Tem pombo na varanda? Conto que já fiz de tudo, já tirei tudo…Ele: Tira o foco de luz da parede. Nunca mais voltaram, mas às vezes sinto falta daquele arrulhar constante, soando quase como uma declaração de amor.
Deborah Sabará: de primeira porta-bandeira trans a ativista LGBT
[Podcast] Coordenadora da Associação Gold fala sobre preconceito, memória das travestis e políticas públicas Facebook Importante ativista da causa LGBTQIA+ no Espírito Santo, Deborah Sabará é atualmente coordenadora de Ações e Projetos da Associação Grupo Orgulho, Liberdade e Dignidade, a Gold, que atua desde 2005 na defesa dos direitos humanos. Em entrevista ao Século Diário, ela falou de diferentes questões como ativismo, preconceito, políticas públicas, pessoas trans na política, memória LGBTQIA+ no Espírito Santo, e seu envolvimento com o carnaval, tendo sido a primeira porta-bandeira trans no Estado. A entrevista pode ser lida abaixo em versão resumida em texto ou ouvida em formato de podcast no player a seguir ou por plataformas de áudio como Spotify e Anchor. Os registros em vídeo das histórias do Ponto de Memória LGBTQIA+ citados na entrevista podem ser vistos no YouTube da Associação GOLD. Queria que contasse um pouco da sua trajetória como militante. Como você começa a atuar nessa esfera política e social? Eu iniciei a minha vida na militância nos questionamentos através de todas as negações que foram colocadas para mim já na infância, adolescência. Fui uma criança que sofreu muita perseguição, muitos insultos, apanhava, tudo isso me fazia questionar o por quê apanhava, porque eu era diferente, qual problema eu tinha, o que fiz de errado. Todas essas coisas me faziam me questionar. Tenho uma família que boa parte dela é religiosa, naquela época, na infância, eu era muito participativa. Mas fui buscar outra religião que tivesse mais a ver com esses questionamentos da vida que a gente quer descobrir. Fui encontrar as comunidades eclesiais de base, com um olhar diferenciado para as pessoas pobres, um olhar diferenciado de evangelizar. Desde a adolescência aprendi a respeito do racismo, da defesa da terra, da moradia, das matas e florestas, dos povos indígenas, de cuidar da população em situação de rua. E nessa minha vida percebo que tudo que defendo hoje, que trago para Associação Gold, tudo eu aprendi nas comunidades eclesiais de base, por ter participado delas e das pastorais da juventude e da criança. E eu utilizo hoje na minha militância. Um das funções desenvolvidas pela Gold é servir como um espaço de referência para pessoas trans e LGBTQIA+. E você já falou também da proposta de se ter casa de acolhida com dormitório, o que tem acontecido em outros municípios do Brasil, o que é uma questão muito sensível, que envolve acolher pessoas em situação de muita vulnerabilidade por uma série de questões, e demanda uma estrutura e profissionais qualificados. Qual a importância de um espaço como esse para acolher e receber pessoas LGBTQIA+? Diversos estados atuam com esse tipo de casa, é muito importante. Como no caso das crianças e adolescentes, permite retirar pessoas de suas casas caso haja um conflito por causa da sua orientação sexual ou por sua transição. É muito frequente as solicitações desse tipo de pedido. Nos chamou atenção na Gold, recentemente, duas solicitações vindas de Nova Venécia. A gente queria debater a criação dessa casa LGBT, que poderia ser em Vitória na Associação Gold, com recursos do Estado, porque se for do município, poderia fechar só para munícipes de Vitória. A gente vai se deparar com a falta de política nesses municípios do interior, que nem tem Centro Pop, abrigo noturno, não têm essas políticas lá. Então a gente recebe demanda do norte do Estado para a capital, para a Associação Gold. Muita gente discute quais os direitos da população trans, porque na sigla LGBT, a população que mais vai sofrer desde sua infância é a população T. Deborah Sabará trabalhando na Gold durante a pandemia. Foto: Divulgação Isso traz traumas muito grandes e a gente não tem essa casa no Espírito Santo, o que para mim é muito ruim, é algo muito urgente que a gente tenha essa casa para tirar essas pessoas das agressões, ter um tempo para estruturar um diálogo, criar um novo vínculo com a família, colocar família em formação sobre o que é LGBT, sobre o que é ser pai e mãe de LGBT, juntar os parceiros, acho que isso que a gente precisa com urgência. Outro projeto bem interessante da Gold é a criação do Ponto de Memória “Aquenda as Indacas” para trazer um pouco da história e trajetória das pessoas e movimentos LGBTQIA+ no Espírito Santo. Gostaria que você contasse um pouco dessa iniciativa e dessas histórias. Com esse projeto tenho uma satisfação muito grande. Sempre gostei de ouvir pessoas, ouvir histórias. Na minha transição sempre parava para ouvir as histórias das travestis. Queria conhecer essas histórias, mas queria ofertar para as pessoas ouvirem também. Foi um sucesso de participação, teve reencontro de amigos que não se viam há 20 anos, foram diversas histórias que a gente tentou trazer. Em alguns momentos ouvimos pessoas falarem “fez bem para minha saúde, fez bem vir contar minha história, me senti valorizada por vocês”. E quais dessas histórias te marcaram mais? Quais gostaria de contar? Eu falo que nós temos pressa, temos uma população idosa LGBT. A gente tá com pressa de contar essas histórias. Mas eu acho a Cleópatra marcante. Era uma pessoa idosa muito conhecida pelo público jovem, que as pessoas riam muito dela, dos áudios que ela gravava no WhatsApp, das brigas e tretas que ela arranjava com as pessoas. Era uma pessoa idosa que sofria por querer estar dentro do público jovem. Isso é outra coisa, que temos que discutir: a padronização dos corpos, que padrão de corpo é esse que as pessoas querem? Precisamos fazer debate dentro do público LGBT, porque lutamos contra preconceito, mas temos uma população que reproduz o tempo todo preconceito e violência. A gente quer que pessoas LGBT sejam antimachistas, antirrascistas, antifascistas, que não sejam gordofóbicas, que não sejam capacitistas, que seja um movimento realmente livre e adepto a todas as pessoas. A história da Cleópatra chama bastante atenção porque a gente nunca tinha conseguido um vídeo. Marcamos um dia e ela não veio. Mas no dia do Ponto de Memória ela compareceu, foi muito legal. A Cleópatra morreu em plena pandemia. Atividade