Contarato, Neucimar e Jackeline são alguns dos nomes que estão no centro das articulações entre os partidos A menos de um ano das eleições gerais de 2022, lideranças e partidos políticos intensificam as articulações em torno da formação de chapas para a disputa a presidente da República, governadores, um senador, e deputados federais e estaduais. Por ser puxada pelos concorrentes à Presidência, a campanha gera cenários complexos nos estados, onde as alianças em nível nacional encontram barreiras que muitas vezes quebram antigos elos políticos locais. No Espírito Santo, as articulações em andamento marcam o retorno de políticos experientes, entre eles o ex-governador Paulo Hartung (sem partido), o ex-senador Ricardo Ferraço (DEM) e os ex-prefeitos Luiz Paulo Vellozo Lucas (Vitória) e Max Filho (Vila Velha), ambos no PSDB, partido desarticulado por Hartung no último pleito. Com exceção do ex-governador, que desistiu da reeleição, todos foram derrotados em 2018. Luiz Paulo e Max Filho se organizam para concorrer à Câmara Federal, e Ricardo Ferraço, que conduz o novo partido União Brasil no Espírito Santo, fruto da fusão DEM/PSL, aponta para o Senado ou governo do Estado, a depender das conversas no âmbito nacional. Essas articulações passam por alianças relacionadas a uma terceira via para disputar com o ex-presidente Lula (PT) e Jair Bolsonaro (sem partido), que deve se filiar ao PP, comandado no Espírito Santo pelo aliado de Casagrande, Marcus Vicente, atual secretário de Saneamento, Habitação e Desenvolvimento Urbano. Paulo Hartung mira o Senado, em parceria com o prefeito de Linhares, Guerino Zanon (de saída do MDB), que deve concorrer ao governo. Os dois conversam com o PSD, liderado no Estado pelo deputado federal Neucimar Fraga, aliado de Bolsonaro, em desacordo com a Executiva Nacional do partido, presidido por Gilberto Kassab, ex-prefeito de São Paulo. Kassab se afastou de Bolsonaro, conversa com Lula, mas, como tem demonstrado, sempre está disponível a outras articulações. “Sou Bolsonaro e vou apoiá-lo para reeleição, mas no Estado estamos focado na construção do partido e poderemos filiar nomes, que podem fortalecer o PSD na chapa proporcional e majoritária. Tanto Paulo Hartung quanto Guerino já conversaram comigo, assim como outros pré-candidatos”, diz Neucimar. Para ele, essa situação não destoa das conversas com Gilberto Kassab. “Compromisso do Kassab é liberar a bancada nos estados, caso o partido não lance candidatura própria”, explica. O ex-governador quebra o silêncio e divulgou vídeo, semana passada, com um discurso com o tom que o tem caracterizado nos últimos anos, ao bater na mesma tecla que chama para uma mais eficiente organização dos programas sociais de redistribuição de renda, sem, no entanto, apontar caminhos opostos à política neoliberal controlada hegemonicamente pelo mercado. Essa situação ficou demonstrada por Hartung durante sua gestão, ao colocar em prática um programa de governo marcado por cortes que provocaram perdas, principalmente para os servidores públicos, e lucros exorbitantes para o setor empresarial. Um dos frutos de sua administração foi a greve geral da Polícia Militar, em fevereiro de 2017, com um saldo de mais de 200 homicídios no Estado. Do lado do PT, as lideranças buscam uma saída para o impasse sobre a filiação do senador Fabiano Contarato, ainda no Rede, que poderia reforçar o palanque de Lula no Estado, abrindo espaço para que ele concorra ao Palácio Anchieta. Essa conversa enfrenta problemas decorrentes da aproximação do PSB nacional com o PT, que respinga no processo de reeleição de Renato Casagrande. Como o PT decidiu ter palanque para Lula em todos os estados, os bastidores apontam que o partido poderá decidir por um candidato próprio, que não seja Contarato. O nome de Jackeline Rocha, presidente do partido, sempre é citado em notícias de bastidores e, embora ela admita que pretende concorrer a uma vaga na Assembleia Legislativa, seguirá determinações do partido. Jackeline é a primeira mulher a comandar o PT no Estado e exerce uma liderança bem avaliada. O processo O pleito de 2022 será o primeiro em eleições gerais que aplicará a proibição para formação das coligações proporcionais. Os partidos terão que concorrer de forma isolada às vagas na Câmara dos Deputados e nas assembleias legislativas, aumentando a disputa entre os candidatos para os parlamentos federal e estadual. Cada partido ou federação partidária pode inscrever até 31 nomes para estadual e 11 para federal. De acordo com a legislação, poderá participar das eleições o partido político que, até seis meses antes do pleito, tenha registrado o estatuto no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e, até a data da convenção, órgão de direção constituído na circunscrição, esteja devidamente anotado no tribunal eleitoral competente.
Campanha Paz e Pão quer atingir 10 mil apoiadores em um mês
Padre Kelder afirma que serão feitas mobilizações com a sociedade civil organizada a partir de terça-feira A Campanha Paz e Pão, da Arquidiocese de Vitória, dará início, na próxima terça-feira (12), à mobilização para passar de 500 apoiadores permanentes para 10 mil em um mês. O início das atividades será marcado pela abertura da Jornada do Pobre, com uma missa presidida pelo bispo Dom Dario Campos, às 16h, na Paróquia Nossa Senhora Aparecida, em Cobilândia, Vila Velha, transmitida pelas redes sociais da paróquia. A Paz e Pão foi lançada em abril deste ano, durante a Festa da Penha. De cunho permanente, é possível se cadastrar como doador no site da ação solidária, contribuindo por um ano com uma quantia fixa para auxiliar na compra de alimentos para famílias em vulnerabilidade social. A data de abertura da Jornada do Pobre, segundo o coordenador do Vicariato para Ação Social Política e Ecumênica, padre Kelder Brandão, foi escolhida por ser dia de Nossa Senhora Aparecida, recordando os pescadores pobres que, segundo a crença popular, acharam a imagem da santa em um rio, dando início à devoção à padroeira do Brasil. Kelder destaca ainda o fato de ser Dia das Crianças. A partir do dia 12 de outubro, as áreas pastorais irão, junto com a sociedade civil organizada, traçar iniciativas para aumentar a quantidade de apoiadores permanentes, tendo até 14 de novembro, Dia Mundial do Pobre, para chegar aos 10 mil. O Dia Mundial do Pobre foi instituído pelo Papa Francisco em 2016, com o objetivo de debater as raízes da pobreza e para colocar em prática formas de combatê-la. Na Arquidiocese de Vitória existem seis áreas pastorais: Cariacica-Viana; Serra-Fundão; Vila Velha; Vitória; Benevente, que abrange os municípios de Guarapari, Alfredo Chaves e Anchieta; e Serrana, que conta com as cidades de Santa Leopoldina, Santa Maria de Jetibá, Domingos Martins, Brejetuba, Marechal Floriano e Afonso Claudio. Ao todo, são 15 municípios, 90 Paróquias e 1.022 Comunidades. Padre Kelder destaca que, embora a Campanha Paz e Pão tenha sido lançada este ano, as ações de solidariedade em virtude da pandemia da Covid-19 são realizadas desde o início da crise sanitária, no começo de 2020. Ele afirma que por meio da Paz e Pão foram distribuídas mais de 10 mil cestas básicas este ano. Em toda a pandemia, foram investidos R$ 170 mil em marmita e cobertor para as pessoas em situação de rua. No dia 14 de novembro, quando se encerra a Jornada do Pobre, em todas as missas e celebrações as ofertas arrecadadas serão destinadas para a compra de cestas básicas, informa padre Kelder.
Jardins da alma: Ruca divulga primeiro mapa de iniciativas agroecológicas urbanas
Comunitárias, institucionais, particulares…hortas formam a maioria das experiências. Mapeamento continua Florescendo nos espíritos que habitam as cidades, as iniciativas de agroecologia urbana no Espírito Santo tiveram seu primeiro mapeamento colaborativo divulgado esta semana pela Rede Urbana Capixaba de Agroecologia (Ruca), trazendo o resultado do cadastro aberto entre abril e agosto de 2021. Foram 44 experiências autocadastradas em 17 municípios das quatro macrorregiões do Espírito Santo, sete delas na região metropolitana. Do total, 25 são de hortas, entre comunitárias, institucionais e particulares. Espaços de educação ambiental (20 respostas) e iniciativas de produção de compostagem, adubo ou fertilizante natural (14) também se destacaram. Na linha do tempo, o primeiro ponto é marcado em 1965, ano de criação da Federação dos Órgãos de Assistência Social e Educacional (Fase), entidade que apoia a Ruca no trabalho, junto a outra entidade, a Misereor, da Igreja Católica Alemã. Aos saltos, surgem outros pontos até o ano de 2011, com os espaços temporais mais próximos, com uma iniciativa por ano até 2015, quando duas ou três anuais são identificadas, incluindo a Horta Comunitária Quintal na Cidade, na Cidade Alta, no Centro de Vitória, uma das principais referências capixabas no assunto. Facebook Em 2018, o início de um pequeno boom, com cinco iniciativas, mais 10 em 2019 e onze em 2020. Em 2021, apenas duas se apresentaram por enquanto. Os temas trabalhados nas iniciativas cadastradas referem-se principalmente à “terra, territórios e ancestralidades”, “alimento, segurança e soberania alimentar”, “educação e construção de conhecimento agroecológico”, “manejo dos agroecossistemas”, “economia solidária e outras economias”. “Como é um conceito novo, em construção no Brasil, a agroecologia está, dentro das cidades, muito nas relações entre as pessoas, para além das práticas de cultivo, que podem ser terapêuticas também”, observa Lucas Sangi, professor de geografia e Polinizador do Grupo de Trabalho (GT) de mapeamento da Ruca. Nessa pegada de socialização, a Ruca, por meio de seus outros GTs atuantes, tem promovido e participado de muitos mutirões de hortas e também cursos e oficinas que estimulam os encontros e trocas de experiências entre os hortelãos e outros jardineiros urbanos de almas no Estado. “Fazemos mutirões itinerantes e assim vamos fortalecendo uns aos outros”. Roicles Coelho Outra ação estrutural da Rede é a incidência sobre políticas públicas. “Trabalhamos muito nas políticas de incentivo às praticas que a gente está mapeando. O mapeamento é para identificar qual o perfil da agroecologia urbana do Espírito Santo, para buscar mais propostas que atendam às necessidades”. Essa atuação dá continuidade à grande mobilização feita em 2020, em função das eleições municipais, quando mais de 30 candidatos às prefeituras e câmaras legislativas assinaram a Carta de Compromisso elaborada pela Articulação Nacional de Agroecologia (Ana), e trabalhada, no Espírito Santo, pela Articulação Capixaba de Agroecologia (Aca) e a Ruca. Entre os assinantes eleitos, estão o prefeito da Serra, Sergio Vidigal (PDT), e a vereadora de Vitória Camila Valadão (Psol), esta, participando ativamente do GT Políticas Públicas, na elaboração de uma minuta de projeto de lei de apoio à agroecologia urbana na Capital. “Vamos fazer também o levantamento de quais políticos eleitos estão implementando a Carta Compromisso”, conta Lucas. Segue também o mapeamento das experiências, cujo autocadastro continua aberto na internet. “Sabemos que há muitas iniciativas por cadastrar”, afirma a Ruca em suas redes sociais, convidando aos novos registros, e destacando: somente na rede estadual de ensino são 24 hortas em funcionamento, segundo dados da Secretaria de Estado de Educação (Sedu) de 2021; e, numa pesquisa simples do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), 52 técnicos disseram apoiar 10 hortas urbanas e/ou institucionais. “Sistematizar experiências é olhar para o caminho percorrido até aqui, assim como para aquele que ainda vai ser trilhado”, projeta. Planos Plurianuais abrem perspectiva de orçamentos dignos para a agroecologia urbana Com carta aberta, Rede Capixaba mobiliza poderes municipais e estaduais para a pauta, ainda mais urgente na pandemia https://www.seculodiario.com.br/meio-ambiente/planos-plurianuais-abrem-perspectiva-de-orcamentos-dignos-para-a-agroecologia-urbana Expansão da agricultura urbana promove quebra positiva de paradigma Ruca e Fase se unem em edital para apoiar hortas comunitárias na periferia da Grande Vitória https://www.seculodiario.com.br/meio-ambiente/expansao-da-agricultura-urbana-promove-quebra-positiva-de-paradigma
‘Aplicar agrotóxicos a distâncias seguras para abelhas pode inviabilizar agricultura’
Agrônomo Edegar Formentini propõe a não pulverização em épocas de floração e maior controle da “deriva” dos venenos Leonardo Sá As abelhas mostram o caminho da conciliação entre a produção saudável de alimentos e a proteção da natureza. Polinizadoras essenciais para a biodiversidade agrícola e florestal – utilizadas até mesmo dentro de monocultivos como os de café, para aumentar a produtividade da lavoura – são sensíveis a agrotóxicos e têm sido vítimas da insistência caduca do agronegócio em produzir com base em químicos letais derivados da segunda guerra mundial. Quer mais abelhas em sua propriedade, em seu território, no planeta? Reduza os agrotóxicos, plante mais frutos e flores, e deixe a natureza prover a abundância de vida que lhe é característica. A Agroecologia segue a cartilha das abelhas – tem a joaninha como símbolo, mas bem que poderia ser uma abelhinha – e já vem mostrando, ano após ano, há umas três décadas, que é protegendo a vida e a biodiversidade que se pode produzir alimentos que realmente saciam a fome dos povos e asseguram a manutenção dos serviços ecossistêmicos essenciais, como produção de água e conservação do solo e do clima, e constroem uma economia criativa, solidária e justa. Sua expansão sobre o território brasileiro e capixaba é um fenômeno potente, conduzido essencialmente pelos movimentos sociais do campo, com apoio dos movimentos sociais urbanos e consumidores conscientes que não querem mais engolir venenos, além de acadêmicos, pesquisadores e técnicos dos órgãos públicos “rebeldes” em relação ao status quo anacrônico, que ainda reza a bíblia dos receituários de venenos. Por que a Agroecologia ainda não se tornou regra, ao invés de ainda ser uma disciplina isolada nos currículos de algumas faculdades e cursos tecnológicos, ou um setor com pouco orçamento e prioridade nos institutos estatais – uma exceção à regra biocida da caquética Revolução Verde? As abelhas e toda a diversidade biológica e humana perguntam. “Viabilidade técnica e econômica já existe. Falta a viabilidade política”, responde, sinteticamente, o agrônomo e especialista em Agroecologia Edegar Formentini, servidor aposentado do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) e ex-presidente da Associação dos Servidores do Incaper (Assin). “Na minha opinião, esses produtos [os agrotóxicos] deveriam ser banidos”, enuncia. “A minha proposta de lei tem três artigos: primeiro, fica proibido o uso de agrotóxicos em todo o território do Espírito Santo; segundo, esta lei entra em vigor na data de sua publicação; terceiro: revogam-se as disposições contrárias”, enuncia, entre gargalhadas, com a anedota utópica. Mas, como isso ainda não é possível, pela falta de “viabilidade política”, é preciso encontrar soluções conciliadoras entre a vanguarda agroecológica e a caducidade agrotóxica, reconhece. Participante dos debates relativos à construção de uma lei estadual que proteja apiários e meliponários das pulverizações de agrotóxicos, Edegar Formentini dedicou-se a analisar, sob essa perspectiva conciliadora, o perfil fundiário e florestal do Espírito Santo. No texto do Projeto de Lei 689/2019, de autoria da deputada Iriny Lopes (PT), constam indicações de distâncias seguras que devem ser estabelecidas entre os apiários e meliponários e as culturas vizinhas, receptoras de venenos. Um raio de dois mil metros de exclusão de agrotóxicos ao redor de apiários e meliponários protegeriam a distância média percorrida diariamente por espécies como mandaçais e uruçus, algumas das nativas sem ferrão mais ameaçadas de extinção. É muito, apontam os produtores convencionais, sugerindo 500 metros como o raio possível de exclusão. É pouco, afirmam meliponicultores e apicultores. Essa discussão, entende Edegar, não tem como chegar a um bom termo. “Uma distância que não mate as abelhas é uma distância que quase cobre o Estado inteiro, inviabiliza a agricultura na maioria dos municípios”, avalia. Tome-se como referência os municípios de Santa Teresa e Santa Maria de Jetibá, na região centro-serrana, Venda Nova do Imigrante, na sudoeste-serrana, e Atílio Vivacqua, na central-sul. Neles, o tamanho padrão das propriedades familiares tem 250m x 1000 (25 hectares, que foi o tamanho das propriedades distribuídas pelo governo federal na época da colonização). Em propriedades desse tamanho, explica o agrônomo, a exclusão de mil metros em torno de um apiário/meliponário, dependendo da sua localização no terreno, exigiria a proibição de uso de agrotóxico em 16 propriedades no entorno. “Santa Teresa tem duas ou três propriedades com mais de 400 hectares. Atílio Vivacqua também. Santa Maria, nenhuma. Numa propriedade desse tamanho, dois apiários impedem o uso de veneno em toda a propriedade”, prossegue. Há ainda as abelhas fora de produção, nas florestas, que também precisam de proteção. Nos municípios citados, onde há razoável cobertura com fragmentos de Mata Atlântica – a exceção de Atílio, com apenas 15% – o raio de um km em torno das matas remanescentes também inviabiliza a agricultura convencional. Com exceção do norte e noroeste, onde os latifúndios são mais comuns, a realidade desses municípios se repete em praticamente todo o Estado. A solução, portanto, salienta Edegar, passa não por extensas faixas de exceção, mas pela adoção de práticas agrícolas mais inteligentes, mesmo dentro de um universo convencional, baseado em agrotóxicos. Entre elas: pulverizar – com trator, bomba costal ou aeronaves – fora das épocas de florada, dar preferência a produtos menos tóxicos às abelhas e controlar rigorosamente a “deriva” da pulverização (a nuvem de veneno soprada pelo vento e que se dispersa do alvo). “Pulverizar um cafezal florido deveria ser considerado um crime e dar cadeia”, opina. O café, aliás, é a cultura que concentra mais de 70% dos agrotóxicos mais letais às abelhas, os neonicotinoides, já proibidos em vários países do hemisfério norte e nos fumacês do Estado. Oss dois produtos à base de neonicotinoides mais comercializados no Espírito Santo são o lmidacloprido e o Tiametoxan, largamente utilizados na cafeicultura, acentua Edegar, com base na análise ainda preliminar de dados relativos ao primeiro semestre de 2021, disponibilizados pelo Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal (Idaf) ao Fórum Espírito-Santense de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos e Transgênicos (Fesciat), coordenado pelo Ministério Público Estadual (MPES). No caso da manga e da uva que tem um período de floração mais prolongada e sofrem o ataque de uma
O governo que estrangula a ciência em plena pandemia
Pesquisadoras capixabas criticam cortes anunciados para o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações Laís Santana/Ufes No mesmo dia em que o Brasil ultrapassou a marca de 600 mil mortos pela Covid-19, nessa sexta-feira (8), pesquisadores lamentavam uma decisão anunciada no dia anterior: o corte de mais de 90% dos recursos que seriam destinados ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI). A redução, aprovada pelo Congresso Nacional, sob orientação do Ministério da Economia, preocupa pesquisadores capixabas, que temem pelo futuro da ciência no país. “É uma notícia muito triste para o futuro da pesquisa no Brasil. As mentes brilhantes, as pessoas que poderiam estar produzindo aqui, certamente vão buscar outros países para fazer isso. Para nós, que estamos no Brasil, precisando de financiamento, é realmente desanimador. Um dia muito triste para a ciência no país, um dia de luto”, declara a epidemiologista e pesquisadora da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Ethel Maciel. A decisão foi tomada pela Comissão Mista do Orçamento do Congresso Nacional. Uma nota assinada por entidades como a Academia Brasileira de Ciências (ABC) e a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) afirma que o corte foi aprovado após um ofício enviado pelo Ministério da Economia no dia anterior. Dos R$ 690 milhões que seriam destinados ao MCTI, apenas R$ 55,2 milhões foram mantidos, Entidades como a União Nacional dos Estudantes (UNE) estimam que os cortes afetem projetos científicos, bolsas e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). “Com essa medida, o governo Bolsonaro decretou o fim da produção de ciência no Brasil, não podemos aceitar”, diz nota da entidade. A pesquisadora Gabriela Cupertino, engenheira Florestal e mestranda em ciências florestais pela Ufes, lembra que o corte é anunciado durante uma pandemia, que só está em desaceleração por esforços dos cientistas. “Não é só a mim, Gabriela, pesquisadora, que prejudica. Eu não faço pesquisa para mim. Eu não faço pesquisa para minha universidade. Eu faço pesquisa a fim de solucionar um problema, de tentar otimizar um processo e tudo isso gera um benefício para a população como um todo”, ressalta. Os valores que seriam destinados ao MCTI serão realocados em outras pastas do governo. Ethel considera a situação lamentável. “Não tenho nem palavras para dizer o que isso vai representar para milhões de jovens pesquisadores que não vão poder ter uma bolsa de mestrado, doutorado, para fazer suas pesquisas. Isso vai impactar todos os programas de pós- graduação no País”, alerta. A nota das entidades científicas encaminhadas ao presidente do Senado Rodrigo Pacheco (DEM-MG), apela para que a decisão seja revertida. “O argumento utilizado pelo Ministério da Economia afronta a comunidade científica e tecnológica: afirma que os recursos já transferidos para o MCTI não estão sendo utilizados. Cabe lembrar que esses recursos são para crédito, reembolsáveis, e não interessam à indústria. Já nos manifestamos anteriormente sobre a estratégia perversa de alocar 50% do total dos recursos do FNDCT [Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico] para crédito reembolsável, o qual, uma vez não utilizado, será recolhido ao Tesouro no final do ano. Dá-se com uma mão, para retirar com a outra. Nesse processo, agoniza a ciência nacional”, afirmam. A quem interessa o fim da ciência? Aluna do mestrado, Gabriela Cupertino percebe uma redução no número de bolsas ano após ano. Produzir conhecimento nesse contexto é um desafio diário, conta a pesquisadora. “A gente tem que se virar em mil e tentar arrumar parcerias, o que não é fácil (…) A gente rala muito e faz coisas muito boas com pouca verba (…) A ciência vai persistir. Vamos continuar pesquisando, tentando trazer bons resultados, mas é muito mais exaustivo”, afirma. Mais do que a falta de verba, os cortes representam também um projeto de apagamento de qualquer senso questionador. “Temos governantes que não querem formar cidadãos críticos, porque sabem que vamos bater de frente com muitas medidas erradas. Por isso existe corte na educação, falta de incentivo à educação, porque, para eles, não é vantajoso fazer cidadãos críticos”, destaca Gabriela. Ethel Maciel lembra que os ataques à ciência são uma marca desde o início da gestão Bolsonaro, e também uma estratégia comum em governos ditatoriais. “A forma mais eficiente de você acabar com aquilo que te incomoda, no caso a ciência, que produz evidências que combatem as fake news e a desinformação, é sufocar o financiamento”, enfatiza. Mas ainda há resistência. Apesar dos ataques e dos golpes diários, Gabriela segue com uma esperança quase teimosa na ciência brasileira. “Nós temos muito potencial. Eu acredito muito no pesquisador brasileiro. Costumo dizer que tiramos leite de pedra. Não podemos deixar a ciência morrer”, reverbera a pesquisadora.
Sarau vai movimentar Porto Histórico de São Mateus
Na coluna: Cantata Dadaísta, relato em livro da migração italiana 120 anos depois, e Bar do Pantera sob nova direção DIVERSIDADE E TERRITÓRIO Sarau do Porto em São Mateus Evento aguardado na cena cultural do norte capixaba, o Sarau do Porto acontecerá no dia 15 de outubro no Largo do Chafariz do Porto de São Mateus, importante sítio histórico do Espírito Santo. O evento acontecerá de 15h às 21h, contando com atrações como dança, teatro, música, cinema, teatro e capoeira, além de exposições de arte e fotografia. O evento faz parte do projeto Porto Criativo, iniciativa que busca a valorização, preservação e restauração do local por meio de atividades criativas e culturais que movimentem o espaço público e os casarões do porto. Mais informações no Instagram e no site do projeto. Caio Perim/ Governo ES Aplicativo registra pontos turísticos e culturais de São Mateus Diversas expressões culturais materiais e imateriais e pontos turísticos fazem parte do APP Diversidade Cultural, um aplicativo gratuito lançado em setembro, que está disponível nas lojas de aplicativos para sistemas Android e IOS. Segundo Thiago Mosaico, idealizador da iniciativa, a proposta é promover conexões e intercâmbios entre artistas, produtores culturais, moradores locais e turistas. MEMÓRIA Biografia retrata vida e obra de Augusto Ruschi Ruschi: o guardião da floresta é o nome do novo livro coordenado por Antonio de Pádua Gurgel sobre o ilustre capixaba Augusto Ruschi, considerado Patrono da Ecologia no Brasil. O lançamento será online e ao vivo, no dia 19 de outubro, às 19h30, no canal da Secult no YouTube. Ruschi foi professor da UFRJ e pesquisador do Museu Nacional, tendo realizado diversos estudos, catalogado espécies, realizado expedições científicas, criado reservas ecológicas e denunciado ações de desmatamento, entre tantos feitos de sua trajetória. O livro foi editado em português e inglês e conta com prefácio do governador Renato Casagrande, colaboração do jornalista Bartolomeu Boeno de Freitas, do fotógrafo Leonardo Merçon e de Gabriel Ruschi, neto do biografado. Mais informações no site www.paduagurgel.com.br. Relato sobre imigração italiana será publicado 120 anos depois Divulgação Outro lançamento recente é Viagem às Colônias do Espírito Santo: Onde estão e como vivem os camponeses italianos no Espírito Santo – 1902, publicação de número 28 da Coleção Canaã, realizada pelo Arquivo Público do Estado do Espírito Santo (Apees). Trata-se da tradução de um relatório produzido pelo comissário oficial da Itália, Arrigo De Zettiry, após visitar o Estado praticamente 120 anos atrás, em fevereiro de 1902. No relato, o comissário mostra o progresso de algumas famílias e as grandes dificuldades de outras, que enfrentavam doenças e dívidas por conta da baixa do preço do café. A obra conta com tradução de Nerina Bortoluzzi Herzog e prefácio do sociólogo Renzo M. Grosselli. O livro será disponibilizado em PDF ainda este mês no site do Arquivo Público, junto às outras obras da Coleção Canaã. EVENTOS Cantata Dadaísta no Dia do Saci Facção In-Versa Um dos mais insanos coletivos culturais do Espírito Santo, o Facção In-versa realiza no dia 31 de outubro, Dia do Saci (ou Dia das Bruxas na versão original e colonial), mais uma edição da Cantata Dadaísta. “Você que é artista de talentos medianos e produções de gosto duvidoso, chegou a sua hora!!!”, diz o chamado. Quem se identificou pode se inscrever preenchendo este formulário. Serão selecionados 15 artistas e/ou grupos culturais para se apresentarem com direito a cachê. O evento será no Centro de Artes Trupe Maratimba, em Guarapari, com início no sugestivo horário de 16h20. Bar do Pantera reabre em Cariacica sob nova direção Boa notícia para os amantes do underground e especialmente do rock’n’roll. Com 30 anos de história, o Bar do Pantera, em Cariacica, será reinaugurado neste sábado (9), sob nova direção, com o nome de Bar do Lennon. A primeira noite terá como atração a banda MPBlues, que toca a partir das 19h. Pra quem não conhece, fica na Rua Coronel Olímpio Cunha, 33, em Campo Grande.
Cinco pessoas são indiciadas por assassinato de detento em Viana
Detento foi assassinado na Penitenciária de Segurança Máxima 1, durante o banho de sol Fontes que não quiseram se identificar, por medo de represálias, afirmam que cinco detentos foram apontados como responsáveis pelo assassinato de um presidiário nessa quinta-feira (7), na Penitenciária de Segurança Máxima 1, em Viana. A informação foi confirmada pela Secretaria Estadual de Justiça (Sejus), que em resposta a Século Diário, afirma que “a Polícia Civil [PC] indiciou cinco presos pelo homicídio”. Segundo a Sejus, o assassinato – a vítima não teve o nome revelado – “foi imediatamente comunicado às autoridades policiais para a devida apuração dos fatos”. A secretaria diz ainda que “também deu ciência do ocorrido aos órgãos que compõem o sistema de Justiça, como o Poder Judiciário, Ministério Público [MPES] e Defensoria Pública Estadual [DPES], e abriu uma sindicância para apurar as circunstâncias da morte”. O crime ocorreu na manhã dessa quinta-feira. Na ocasião, a Sejus informou que o interno foi agredido durante o banho de sol, sendo constatado o óbito no local, mas não deu detalhes. O ocorrido chamou atenção da Pastoral Carcerária da Arquidiocese de Vitória. Seu diretor espiritual, padre Vitor Noronha, afirmou que, em parceria com outras organizações da sociedade civil, será cobrada a apuração do caso. O sacerdote também defendeu a exigência de mudanças no sistema penitenciário, para que torturas e mortes não mais ocorram. “Não é somente saber quem foi o fulano que agrediu, seja ele detento ou agente. Temos que saber? Sim, pois a família tem esse direito, mas é preciso repensar o sistema penitenciário”, defende o sacerdote. Segundo o padre Vitor, percebe-se o aumento das torturas e mortes no sistema penitenciário. “Esta morte, por exemplo, foi por meio de tortura, mas nem todas levam a óbito. A tortura é uma prática que está normalizada no sistema, que a possibilita, por exemplo, por causa da superlotação, da falta de agentes penitenciários e da falta de formação em direitos humanos para esses profissionais”, destaca. Para ele, por ter como um de seus objetivos a promoção da dignidade humana, a Pastoral acredita que tortura no cárcere “é um escândalo”. “Cada pessoa encarcerada é um irmão para quem queremos vida, e vida em abundância”, afirma. ‘Vamos cobrar para que se apure o caso’, diz Pastoral sobre assassinato de detento Padre Vitor Noronha defende mudanças no sistema penitenciário, para que torturas e mortes não mais ocorram https://www.seculodiario.com.br/seguranca/vamos-cobrar-para-que-se-apure-o-caso-diz-pastoral-sobre-assassinato-de-detento Cerca de 20 detentos sofreram mortes violentas durante a pandemia no Estado Restrição de visitas e a própria infraestrutura dos presídios contribuem para o problema, aponta advogado https://www.seculodiario.com.br/seguranca/cerca-de-20-detentos-sofreram-mortes-violentas-durante-a-pandemia-no-estado
Sugestões Netflix
Bravura Indômita; Tempo Compartilhado; Amor a Prazo; e Errementari BRAVURA INDÔMITA Remake de clássico da década de 60, uma garota 14 anos junta suas economias para contratar o oficial Reuben Cogburn um bêbado problemático. A mistura de humor e suspense funciona bem neste filme alguns críticos acharam esta versão melhor que a primeira. TEMPO COMPARTILHADO Duas famílias entram por engano no programa de tempo compartilhado do resort Everfields International, o protagonista Pedro descobre tarde demais que foi enganado pela propaganda e além de não receber o dinheiro de volta ainda é obrigado a conviver com estranhos que odeia, suas férias estão um inferno e para piorar sua família a cada dia que passa se afeiçoa mais com os outros hóspedes. AMOR A PRAZO Um malandro cobrador de impostos apaixona-se pela filha de um devedor em estado terminal, mesmo sendo pressionado pela chefe ele faz um acordo com a garota para perdoar suas dívidas. Se ela, após um número determinado de encontros não se apaixonar a dívida será perdoada. ERREMENTARI Terror-Comédia baseado no folclore Basco, um ferreiro misterioso guarda um segredo dentro de sua casa, ninguém sabe o que se esconde lá, a verdade é que o povo da região diz que ele fez um pacto com o diabo. Uma órfã incauta entra na casa e revela o mistério.
Pedida impugnação da chapa liderada pelo presidente da Ordem dos Advogados
José Carlos Rizk Filho foi denunciado por suposto uso da estrutura da instituição paras fins eleitorais Redes sociais A chapa do presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-ES), José Carlos Rizk – “Pra frente OAB-ES” -, que concorre à reeleição, é objeto de pedido de impugnação eleitoral apresentado nesta sexta-feira (8) pelo advogado Leonardo Ferreira Bidart, que aponta uso da estrutura do órgão para favorecimento pessoal. A denúncia foi protocolada junto à Comissão Eleitoral, com “provas materiais” e pedido de cassação com indeferimento da inscrição. O requerimento solicita que a chapa de Rizk Filho seja “proibida de fazer propaganda até o julgamento do presente caso, como modo cautelar de se tentar ao menos amenizar os danos causados às demais chapas, com pena de multa diária de R$ 30 mil”. Pede ainda que a chapa “Pra frente OAB-ES” seja intimada a fim de exercer o direito de defesa. O documento afirma que os fatos dão conta de um “meticuloso plano de perpetuação do poder por meio do uso da instituição, tendo como meio conduta vedada com vistas à obtenção de vantagem eleitoral ilícita”. Diz, ainda, que “a parte impugnada, desde o início da gestão, optou por um plano ardiloso de inculcar um slogan (nome da chapa) em publicações oficiais em diversas ocasiões no site da OAB-ES, em redes sociais da Ordem e aplicativos de mensagens”. O advogado denunciante cita que esse expediente é utilizado com conjunto com o símbolo da instituição e candidatos a cargos eletivos, e cita Silvia L. Hansen, que disputa a secretária-geral adjunta; Edilamara Rangel, como conselheira estadual; Anderson Felis, tesoureiro; e Benhur Farina, candidato à presidência da CAAES. Segundo a denúncia, o prestador de serviço “Eduardo Caliman, cuja empresa presta serviços de marketing para a instituição, aparece distribuindo material de campanha para o candidato tesoureiro na chapa 1, Anderson Ferreira Felis, ostentando, inclusive um botom da campanha referida, com a foto do atual presidente e candidato com os dizeres: “Hoje foi o dia de buscar o material de campanha e iniciar a divulgação com os demais amigos e amigas da chapa1 (…)”. Eleição O processo eleitoral para a diretoria da OAB-ES foi deflagrado a partir de 1º de outubro, cuja votação ocorrerá no dia 18 de novembro, das 9 às 17 horas. Serão eleitos, para um mandato de 2022 a 2024, a diretoria do Conselho Seccional, os conselheiros seccionais titulares e suplentes, conselheiros federais titulares e suplentes, as diretorias das subseções, e a diretoria da Caixa de Assistência dos Advogados. Uma das chapas a ser formalizada é liderada por Erica Neves, integrada também por Elisângela Melo e Ricardo Brum, que concorreram com Rizk em 2018, com o apoio do ex-presidente da instituição Homero Mafra. Nota O jornalista Eduardo Caliman informa que, “ao contrário do que afirma o pedido de impugnação, a empresa da qual é sócio não presta serviços para a OAB-ES. O contrato foi rescindido em 30 de julho de 2021″. Ele acrescenta que “todos os esclarecimentos serão prestados à Comissão Eleitoral da OAB-ES”. OAB-ES publica edital e deflagra processo para escolha de diretoria – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/justica/oab-es-publica-edital-e-deflagraprocesso-para-escolha-de-diretoria Advogados formam chapa para concorrer à presidência da OAB-ES – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/justica/advogados-formam-chapa-paraconcorrer-a-presidencia-da-oab-es
Distribuição gratuita de absorventes também foi vetada no Espírito Santo
Projeto de Rafael Favatto com foco nas escolas, aprovado na Assembleia, não foi sancionado pelo governador Tati Beling/Ales O veto do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) à proposta de distribuição de absorventes para pessoas em vulnerabilidade provocou discussões em todo o Brasil sobre a garantia de acesso a esses itens de higiene essenciais. No Espírito Santo, uma proposta semelhante do deputado estadual Rafael Favatto (Patriota), para distribuição de absorventes em escolas públicas, foi aprovada em regime de urgência na Assembleia Legislativa, mas vetada pelo governador Renato Casagrande (PSB). A proposta foi protocolada em maio deste ano, por meio do Projeto de Lei 165/2021. A matéria instituía o Programa de Fornecimento de Absorventes Higiênicos (PFAH) nas escolas públicas de ensino fundamental e médio. Um dos objetivos era “combater a precariedade menstrual, identificada como a falta de acesso ou a falta de recursos que possibilitem a aquisição de produtos de higiene e outros recursos necessários ao período da menstruação feminina”. No dia 3 de agosto, a matéria foi aprovada em uma votação simbólica, no plenário da Assembleia Legislativa, mas foi barrada ao chegar no Executivo. O governador Renato Casagrande (PSB) se posicionou pelo veto total da matéria, justificando que, apesar de considerar “justo propósito da iniciativa parlamentar, a Procuradoria Geral do Estado (PGE) teria encontrado barreiras ao analisar aspectos constitucionais”. Na justificativa do veto, Casagrande argumentou, baseado no entendimento da PGE, que a proposta assumia uma competência privativa do governo do Estado, interferindo na execução dos serviços prestados pelas escolas públicas, ao elevar seus custos cotidianos. A proposta também foi contrariada pela Secretaria de Estado da Educação (Sedu), que alegou não ter dados indicativos que correlacionassem o período menstrual à evasão escolar. O posicionamento da pasta alega que o projeto era nobre, mas exigiria “estudo fundamentado em dados reais”, além do planejamento de investimentos e de protocolos de implementação. Apesar das justificativas apresentadas, esses dados já existem. Em uma pesquisa realizada pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), 62% das entrevistadas que menstruam responderam que já deixaram de ir à escola ou a outros locais em razão do período menstrual. Na justificativa do projeto de lei, o deputado Rafael Favatto, que também é médico ginecologista, ressaltou que a precariedade menstrual é um problema real para as adolescentes. “A falta de acesso a produtos de higiene para lidar com o período menstrual traz enormes riscos à saúde dessas jovens, muitas vezes em virtude das soluções precárias e insalubres a que recorrem. Ademais, na falta de absorventes higiênicos, muitas perdem dias letivos, chegando a abandonar os estudos por constrangimentos vividos”, descreveu o parlamentar. Elias Costa/Unicef Um relatório divulgado em maio deste ano pela Unicef sobre a pobreza menstrual no Brasil mostra que, sem acesso a absorventes menstruais, pessoas em situação de vulnerabilidade utilizam métodos alternativos para conter o fluxo menstrual, utilizando pedaços de pano usados, roupas velhas, jornal e até miolo de pão. A entidade enfatiza que, além de representar um risco à saúde, a pobreza menstrual interfere em toda a socialização e participação dessas pessoas em atividades cotidianas. “É evidente que entraves para acessar direitos menstruais representam barreiras ao completo desenvolvimento do potencial das pessoas que menstruam. Por isso, é fundamental que se investigue mais profundamente o tamanho do impacto econômico na vida delas, que pode gerar reflexos ao longo da vida adulta. Faz-se urgente entender, ainda, a importância das perdas econômicas (ou não ganhos) implicadas, não só para elas como para toda a sociedade”, pontua o documento. Discussão nacional e legislação em Vitória A pobreza menstrual tem sido debatida em várias partes do mundo, mas ganhou destaque no Brasil nessa quinta-feira (7), quando o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) vetou a distribuição gratuita de absorventes para estudantes de baixa renda, pessoas em vulnerabilidade socioeconômica, mulheres em situação de rua e presidiárias. A sanção do Projeto de Lei 4968/19, já aprovado no Congresso Nacional, foi publicada no Diário Oficial, excluindo o fornecimento desses itens de higiene. A decisão foi criticada por políticos e entidades que defendem o direito das mulheres. Em Vitória, uma lei sancionada em janeiro de 2020, pelo então prefeito Luciano Rezende (Cidadania), já determina a distribuição gratuita de absorventes em escolas municipais. A Lei Nº 9.613, aponta que os insumos deveriam ficar disponíveis nos banheiros das escolas da Rede Municipal de Ensino, em quantidade adequada às necessidades dos estudantes. Nesta sexta-feira (8), a vereadora Karla Coser (PT) enviou um requerimento ao executivo municipal pedindo informações sobre o cumprimento do projeto de lei. Procurada por Século Diário, a Prefeitura de Vitória informou que instruiu as unidades de ensino quanto à aquisição de absorventes menstruais. De acordo com o município, a compra “pode ser realizada com a verba do Conselho de Escola, na rubrica custeio, mediante a três orçamentos e nota fiscal”. Divulgação “A escola precisa informar que os absorventes estarão disponíveis às estudantes que necessitarem e, para além da informação, a Seme orienta que diante da relevância e da urgência da temática, as unidades de ensino devem incorporar a discussão nos diversos espaços de diálogo do coletivo escolar, objetivando um processo educacional em torno do tema”, diz a nota. No requerimento, Karla Coser ressalta a importância da garantia da dignidade menstrual e questiona se a legislação é cumprida em todas as unidades escolares. A vereadora também questiona se os absorventes são disponibilizados também em banheiros utilizados pelo gênero masculino, tendo em vista que a lei estabelece que os insumos fossem disponibilizados a todas as estudantes do sexo biológico feminino, independentemente da identidade de gênero. “Em um país com milhões passando fome e filas para pegar osso, as pessoas têm que escolher o que comprar e, infelizmente, muitas vezes o que fica de fora são itens básicos como os absorventes”, afirma Karla. Em abril, ela e a vereadora Camila Valadão (Psol) também enviaram uma indicação à Prefeitura de Vitória, solicitando a inclusão de absorventes menstruais em cestas básicas distribuídas pelo município. Segundo a vereadora Camila Valadão, até essa quinta-feira (7), o