Há apenas um infectologista para mais de dois mil pacientes no Centro de Referência, apontam usuários Pacientes atendidos no Centro de Referência em IST/Aids de Vitória, localizado no Parque Moscoso, Centro, reclamam da queda da qualidade do serviço prestado. Entre as queixas estão falta de profissionais, como infectologista, farmacêutico e técnico de laboratório. Segundo o representante municipal de Vitória na Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/Aids e conselheiro municipal de saúde, Sidney Parreiras de Oliveira, a cidade, que era referência em política de Aids entre as capitais, hoje perde inclusive para municípios vizinhos, como Vila Velha e Cariacica. Sidney afirma que existe somente um infectologista para atender mais de 2 mil pessoas, o que causa longa espera para consultas, prejudicando não somente quem já faz o tratamento, mas também quem foi diagnosticado e precisa dar início a ele. O médico, relata o conselheiro, convive com a sobrecarga de trabalho, o que faz os pacientes temerem a possibilidade do profissional abandonar o posto. Além da dificuldade para marcar consulta, os pacientes têm que conviver, muitas vezes, com a impossibilidade de marcar exames devido à falta de técnicos de laboratório. Outro problema destacado por Sidney é a falta de acesso à Profilaxia Pré-Exposição de risco à infecção pelo HIV (Prep). Trata-se de medicamentos antirretrovirais que impedem que o HIV se estabeleça e se espalhe pelo corpo, prevenindo, assim, uma possível infecção. A Prep é utilizada principalmente por pessoas soronegativas que se relacionam com soropositivos, ou seja, que formam um casal sorodiscordante, e também por profissionais do sexo. O acesso ao Prep, segundo Sidney, está dificultado em virtude da ausência de profissionais no Centro de Referência em IST/AIDS. Ele explica que, para fazer uso do medicamento, é preciso uma equipe com trabalhadores como médicos, assistentes sociais, enfermeiro e técnico de laboratório, pois a pessoa necessita de acompanhamento contínuo em virtude dos possíveis efeitos colaterais que o medicamento pode trazer, por exemplo, problemas renais. Diante da falta de profissionais, afirma Sidney, acontecem dois problemas principais. Um é a possibilidade de a pessoa ter a saúde comprometida. O outro, é não poder dar início ao uso dos medicamentos, aumentando a possibilidade de infecção do HIV. Quem já contraiu o HIV e faz o tratamento, também passa pela dificuldade de acesso a medicamentos. O conselheiro municipal aponta que a receita para aquisição de remédios é complexa, sendo esse um dos fatores que fazem com que seja necessário o atendimento de farmacêuticos, para que não haja erro na entrega. Entretanto, os pacientes são atendidos por uma auxiliar de farmácia, que não pode tirar dúvidas, por não ser sua atribuição, e que pode ter dificuldades para compreender a receita. Para ser atendido por farmacêutico, informa Sidney, é preciso marcar uma conversa online devido à pandemia, o que torna o procedimento moroso. O conselheiro acredita que toda essa situação pode fazer com que Vitória não cumpra a meta estabelecida pelo Ministério da Saúde de garantir que pelo menos 95% dos diagnosticados tenham acesso ao tratamento e fiquem com a carga viral indetectável, ou seja, com quantidade de vírus inferior a 40 cópias por ml de sangue, o que impede a transmissão do HIV. A meta é um passo para que, em 2030, o Brasil alcance a porcentagem de 100%. Agravamento da situação Para Sidney, a situação do Centro de Referência em IST/Aids de Vitória, que já passava dificuldades na gestão do prefeito Luciano Rezende (Cidadania), se agravou na atual de Lorenzo Pazolini (Republicanos). “Piorou muito. A gestão está perdida, colocaram pessoas sem preparo para coordenar os serviços”, critica. Ele afirma que levou as reivindicações dos pacientes para a secretária municipal de Saúde, Thais Campolina Cohen Azoury, que disse “estar vendo as possibilidades”, mas sem anunciar algo concreto. Os pacientes já haviam denunciado ao jornal Século Diário, em fevereiro de 2020, a falta de infectologista, que persistia desde dezembro de 2019, com as férias seguidas de aposentadoria da única profissional especializada. Na ocasião, também se queixaram da falta de profissionais preparados no Espírito Santo para aplicar o Prep. Após denúncia publicada por este Século Diário, a Câmara de Vitória, por meio da Comissão de Saúde, convocou a então secretária de Saúde do município, Cátia Lisboa. Sidney recorda que, depois disso, foram contratados dois infectologistas, mas os contratos de ambos foram encerrados no final de 2020, não ocorrendo as devidas substituições.
Professores de Guarapari oficiam prefeitura e conselhos municipais
Recomposição inflacionária e auxílio tecnológico estão entre as demandas, diz Adriano Albertino, do Sindiupes Auxílio tecnológico, recomposição inflacionária, eleição para diretores de escola, prestação de contas por parte do Conselho Municipal do Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) e realização da Conferência de Educação são algumas das reivindicações do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Espírito Santo (Sindiupes) em Guarapari. Elas estão contidas em um ofício entregue nesta semana à secretária de Educação, Tamili Mardegan da Silva, e aos conselhos municipais de Educação e do Fundeb. As demandas, segundo o diretor do sindicato, Adriano Albertino, são fruto de um processo de escuta feito junto à categoria por meio de encontros virtuais, como reuniões e assembleias. A recomposição inflacionária pleiteada, explica, deve ser de acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Ele destaca que os trabalhadores relatam perda do poder de compra diante da inflação. O auxílio tecnológico trata-se do ressarcimento do investimento feito pelos professores, como aquisição de computador e internet, para que fosse possível a realização de aulas online durante a pandemia. Adriano destaca que é preciso que os docentes sejam ressarcidos, porque os equipamentos “foram aquisições feitas em virtude da atividade laboral”. Quanto às eleições para diretores de escola, o dirigente sindical recorda que elas pararam de ser realizadas há cerca de 10 anos. Adriano afirma que, em 2017, foi aprovada uma lei que garante a eleição para diretores, prevendo a realização do pleito no prazo de dois anos, coincidindo com o início da pandemia da Covid-19, o que dificultou a aplicação da legislação. Atualmente, os diretores são indicados pela gestão municipal, do prefeito Edson Magalhães (PSDB). “São professores efetivos da rede municipal de educação, mas acaba havendo um loteamento da gestão da escola por vereadores”, relata. A eleição, acredita Adriano, “garante a transparência e a participação da comunidade, sendo essencial para a qualidade da educação”. Quanto à Conferência Municipal de Educação, ele afirma que sua realização se faz necessária em um contexto de precarização das políticas públicas em âmbito nacional, fazendo-se necessário, ainda mais, “debater a política educacional”. No que diz respeito ao Conselho Municipal do Fundeb, o Sindiupes solicitou um relatório detalhado dos recursos recebidos em 2020 e 2021, com enfoque na valorização dos trabalhadores da educação, além de uma prestação de contas dos convênios de recursos firmados com a gestão pública estadual.
Os cem anos da Academia
Mais do que nunca, temos que homenagear a Academia de Letras do Estado O governador Renato Casagrande, presumo, prevendo o discurso delirante do presidente Jair Bolsonaro na Organização das Nações Unidas (ONU), ofereceu uma resposta adequada: recebeu os membros da Academia de Letras do ES (AEL), na segunda-feira (20), no salão nobre do Palácio Anchieta, para comemorar o centenário da entidade. Sobre o tema, o escritor Pedro J. Nunes, com emoção, diz que se orgulha de pertencer “a essa casa e comungar com os meus confrades a crença num futuro melhor a partir da perspectiva da leitura”. Por sua vez, José Roberto Santos Neves, emocionado, anuncia que “foi uma noite de encontros, reencontros e de celebração”. Como se não bastasse, Francisco Aurélio Ribeiro comunica, nas redes sociais, o lançamento do selo comemorativo do centenário da AEL. A propósito, outro dia comentei nas redes sociais, digo isso sem supressão de qualquer outro nome, que o meu querido professor, na faculdade de Direito de Cachoeiro, magistrado e acadêmico da AEL, Renato Pacheco, era uma das pessoas mais extraordinárias a que conheci. Entusiasta da Academia – um enriquecia o outro -, apenas sussurrava timidamente: “Plantaram um buriti em minha porta, /e plácidas vacas pastam a meu lado. /A realidade não existe, então? / Céu e inferno estão em minha mente. /Mãos e pernas, tae-kwon-do, /o mundo cada vez fica menor, /juntando crianças brasileiras e lutas coreanas”. Nele não havia lugar para qualquer exagero. O exigente jornalista Rogério Medeiros me perguntava: “Wilson, você conhece alguém melhor?”. Renato Pacheco. Era ele elegante no trato, de corpo inteiro, escancarando-nos sua alma, na conclusão de sua vida. Um belo exemplo para ontem, hoje ou amanhã. Já meio adoentado, fui fazer-lhe uma visita. E ele, de corpo inteiro, disse-me que se tivesse que fazer tudo de novo, faria exatamente como fez, apenas com um outro retoque, sem grande importância. Isto porque, no fundo, um eventual desencanto com qualquer luta na vida, fazia parte dela. E me perguntava: “Quantas vezes na história da humanidade o êxito pessoal, a vitória final, foram negados aos melhores ou aos maiores?”. Ele e a Academia nunca foram contemplativos. Pássaros de imensa envergadura. Era uma luta histórica e digna. Lutaram, a seu modo, a favor do regime democrático. Prof. Renato tinha a estatura de Alceu de Amoroso Lima, e a Academia foi sua tribuna. Exatamente porque, em certos momentos, a sociedade tem a pretensão de agir sem a consciência; o resultado de tais inconsciências encontra-se registrado na história de todos os povos, em várias épocas de violência e preconceito. Assim também os descaminhos e abusos de regimes autoritários ficaram registrados, e deles a História do Brasil pedirá contas aos responsáveis. Muitas vezes o próprio acadêmico não percebe que está fecundando a cultura e continua sendo, até o passado mais próximo, infinitamente mais importante do que seria permitido pressagiar diante da profundidade do seu espírito ou a importância de sua personalidade. Ao final, o perfil do professor Renato é desenhado em cores, que eu poderia dizer, com discrição, em cores suaves, como um misto de Dom Quixote, D’Artagnan e Cirano. É o retrato fiel do idealista que não se corrompeu. Mais do que nunca, temos que homenagear os 100 anos da Academia. Sem esquecer da luta de todos.
Coletivo divulga literatura afro-brasileira capixaba em novo podcast e websérie
Projetos que têm estreia nesta sexta fomentam a produção de escritores e autores negros do Espírito Santo O coletivo Palavra Negra lançará uma websérie e um podcast com autores e autoras negras capixabas. Com estreias previstas para esta sexta-feira (24) e 3 de outubro, os novos projetos do grupo tentam romper um contexto de invisibilização da literatura afro-brasileira, com o fomento e divulgação das produções em diversos gêneros. Adriano Monteiro, um dos fundadores do coletivo, explica que os projetos carregam uma relevância política, artística e cultural. “Temos estudos que comprovam que a produção cultural feita pelo indivíduo negro, trans pretas, trans pretos, é menos divulgada do que a do branco. O nosso objetivo é tentar, de alguma forma, ampliar o acesso a esse material, e divulgar essa literatura afro-brasileira que é rica, bonita e feita com muita dificuldade, às vezes”, ressalta. Com estreia marcada para sexta, a websérie será realizada no formato de um programa de entrevistas e contará com cinco escritores e escritoras de diversos gêneros literários. A exibição será semanal no canal do YouTube do coletivo Palavra Negra. Participam do programa os escritores Douglas Freitas, Gustavo Forde, Larissa Pinheiro, Lavínia Coutinho Cardoso e Marciel Cordeiro. Os episódios também contam com a participação de slamers, como são chamados os poetas que participam de slams, as “batalhas de poesia”. Foram convidados os slamers Afronta, Ira, João Martins e Júpiter. Marciel Cordeiro é o entrevistado do programa de estreia. Foto: Luiz Will Gama O intuito do programa é ouvir as trajetórias e os processos de criação dos autores. No caso dos escritores negros no Espírito Santo, as produções precisam romper com uma dupla invisibilização. Primeiro em razão do racismo, que gera um apagamento dessas narrativas e, depois, por estarem fora dos grandes centros brasileiros e do eixo Rio de Janeiro-São Paulo. “É também uma literatura de resistência, porque são jovens que, na maioria das vezes, estão nas periferias e produzem literatura, fazem o seu corre para dar um jeito de publicar”, destaca Adriano. Divulgar esse trabalho também é o objetivo do Podcast Palavra Negra, que será lançado no dia 3 de outubro e terá 10 episódios. O projeto reunirá conversas com autores e autoras negras sobre as próprias trajetórias, a produção literária e relações raciais no País. São eles: Edson Bomfim dos Santos, Jhon Conceito, Juane Vaillant, Marcéu Rosário, Osvaldo Oliveira, Stel Miranda e Wagner Silva Gomes, além da participação de Adriano Monteiro e Janio Silva. Adriano acredita que, por meio da divulgação da trajetória dos autores, as duas iniciativas podem servir de ferramenta para educadores utilizarem em sala de aula. “É cada um com o seu caminho, com a sua história de como chegou à literatura, de como chegou à faculdade. Então pode servir de exemplos e pode inspirar outros jovens a despertarem o interesse pela literatura, com referências aqui no Estado que continuam sonhando e escrevendo”, ressalta. Tanto o podcast quanto a websérie dão continuidade a um trabalho que já é desenvolvido pelo coletivo desde quando foi fundado, em 2014. Por meio de projetos em diversas áreas, o grupo fomenta a literatura negra com base na Lei federal nº 10.639/2003, que torna obrigatório o ensino da história e da cultura afro-brasileira e africana nas escolas públicas e particulares. Neste sábado (25), o coletivo realizará uma live de lançamento dos dois novos projetos no YouTube. Além dos integrantes do grupo, o evento virtual contará com a participação do escritor e professor do Departamento de Línguas e Letras e do Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal do Estado (Ufes), Jorge Nascimento, e da pesquisadora e gerente de Educação do Campo, Indígena e Quilombola da Secretaria de Estado da Educação (Sedu), Valquíria Santos Silva. A websérie coletivo Palavra Negra foi selecionada pela Lei de Emergência Cultural Aldir Blanc, do Ministério do Turismo, por meio da Secretaria de Estado da Cultura (Secult-ES). Já o podcast foi aprovado em um edital de Incentivo à Leitura da própria pasta estadual. SERVIÇO Websérie Palavra Negra: Entrevista Datas: 24 de setembro (estreia), 1, 8, 15 e 22 de outubroHorário: 19hOnde assistir: Canal do Palavra Negra no YouTube * Live de Lançamento: 25 de setembro, às 19h, no canal do Palavra Negra no YouTube Podcast Palavra Negra Datas: 3 de outubro (estreia), 6, 10, 13, 17, 20, 24, 27 e 31 de outubro; 3 de novembro. Horário: 19hOnde acompanhar: Spotify Fan page oficial Palavra Negra E-mail: negrapalavra@gmail.comInstagram: https://www.instagram.com/palavranegra/
Assumção cita discurso de Bolsonaro na ONU e aponta: ‘É melhor contrair o vírus’
Deputado estadual condenou na Assembleia a adoção do passaporte sanitário da Covid-19 “A melhor vacina é você contrair o vírus”. Foi o que disse o deputado Capitão Assumção (Patri) nesta quarta-feira (22), ao criticar da tribuna da Assembleia Legislativa o programa nacional de vacinação, defender a contaminação da população com o vírus da Covid-19 como a melhor forma para evitar a propagação da doença, e declarar que estava fazendo o mesmo que o presidente Jair Bolsonaro. Assumção referia-se ao bizarro discurso do presidente proferido na abertura da sessão geral da Organização das Nações Unidas (ONU) nesta terça-feira (21), em Nova Iorque, nos Estados Unidos. O parlamentar ignorou os dados distorcidos e inverdades da fala presidencial e condenou o passaporte sanitário que começa a ser exigido em vários locais e instituições e deve fazer parte do rol de documentos pessoais em todo o mundo. O parlamentar disse esperar dos deputados apoio para indicação que irá apresentar visando proibir esse documento e flexibilizar recomendações sanitárias no Espírito Santo. Esse foi justamente um dos motivos de um dos maiores vexames da visita presidencial e que obrigou a comitiva brasileira a comer pizza na calçada e jantar em um cercadinho improvisado em uma churrascaria nos Estados Unidos, fatos que causaram repercussão negativa na imagem do Brasil e constrangimento nos meios políticos e diplomáticos em esfera mundial. Eles foram barrados por alguns não estarem vacinados, inclusive o presidente da República, e não usarem máscaras de proteção. O comportamento negacionista dos brasileiros causou mal-estar e levou o prefeito de Nova Iorque, Bill de Blasio, a criticar Bolsonaro e dizer que ele não era bem-vindo à cidade, onde ocorreram protestos contra a política bolsonarista, principalmente relacionada ao meio ambiente. O presidente da República foi apontado como criminoso climático pela destruição da Amazônia. Ao defender a indicação que irá formalizar na Assembleia para proibir o passaporte sanitário no Estado e a estimular a rejeição às vacinas, o deputado Assumção destacou: “Foi o que fez o presidente Jair Bolsonaro lá no seu discurso da ONU”, dando como exemplo o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, que, apesar de vacinado, pegou Covid e se encontra em período de quarentena em Nova Iorque, onde ele e a comitiva foram hostilizados e reagiu com um gesto obsceno, com repercussão negativa nos meios de comunicação e políticos. “Quem contrai a doença tem a melhor vacina no seu corpo”, afirmou Capitão Assumção no discurso. Com essa fala, ele contraria as recomendações da comunidade médico-sanitárias e científicas de todo o mundo, além de líderes políticos e chefes de Estado, e ignora as quase 600 mil mortes provocadas pela Covid-19 no Brasil, grande parte atribuída à falta de vacinas. Da mesma forma, contradiz pronunciamento do deputado Rafael Favatto, presidente estadual do seu partido, o Patri, que na mesma sessão defendeu a campanha de vacinação e as outras recomendações. Segundo Favatto, que é médico, mesmo quem já tomou duas doses deve seguir as recomendações de distanciamento e o uso de máscara.
Vereador Gilvan da Federal é denunciado por agressões verbais a jornalistas
Gilvan da Federal vem se notabilizando por procedimentos agressivos na Câmara de Vitória As frequentes agressões verbais do vereador de Vitória Gilvan da Federal (Patri) proferidas na Câmara Municipal contra jornalistas no exercício profissional, que atingem toda a imprensa, motivou o Sindicato dos Jornalistas do Espírito Santo (Sindijornalistas-ES) a apresentar uma representação contra o parlamentar, com pedido de instauração de processo disciplinar, ante o abuso das prerrogativas constitucionais. Os atos do vereador, incompatíveis com o decoro parlamentar, são questionados em denúncias encaminhadas ao corregedor- geral da Câmara, Anderson Goggi (PTB), com data dessa segunda-feira (20), fazendo referência a fatos ocorridos nas sessões plenárias dos dias 3 de maio, 17 de julho e 25 de agosto deste ano. “Entendemos que é preciso coibir com todos os mecanismos legais o discurso de ódio infundado contra o jornalismo profissional e qualificado. É dever dos demais parlamentares fazer com que as leis sejam cumpridas, sendo inaceitável justificarem ataques e ofensas como liberdade de expressão”, comenta Douglas Dantas, coordenador-geral do Sindijornalistas e diretor da Federação nacional da categoria – Fenaj. O dirigente sindical argumenta que “todas as medidas estão sendo tomadas para evitar novos ataques aos profissionais jornalistas”, ressaltando, na denúncia, que “houve julgamento sobre a conduta profissional em que se pretendeu imputar a jornalistas vieses políticos partidários quando em exercício profissional para empresas de comunicação na qual são vinculados por relação empregatícia”. Gilvan tem se notabilizado por um comportamento agressivo e desrespeitoso nas sessões da Câmara de Vereadores, no estilo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), de quem é seguidor. Além dos jornalistas, já protagonizou agressões às vereadoras Camila Valadão (Psol) e Karla Coser (PT), sempre com o objetivo de criminalizar atos em defesa de direitos dos trabalhadores. O vereador, segundo a denúncia do Sindijornalistas-ES, “durante o discurso em plenário proferiu diversas agressões verbais e imputações ofensivas à honra e reputação direcionadas a uma jornalista e à classe jornalística como um todo”. A representação do órgão sindical, amparada no artigo 8º, III, da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, e no Regimento Interno da Câmara de Vitória, pede que a “presente representação seja encaminhada ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar desta Casa ou ao órgão competente para deliberar a respeito, para que esta adote as medidas previstas nos dispositivos legais”. Destaca o documento o papel da imprensa, que é “proporcionar notícia à população segundo ditames da empresa comunicadora, ou seja, as pautas e colunas publicadas são de propriedade das empresas jornalísticas e passam pelo crivo de diretoria, razão pela qual é injusto o ataque ao jornalista trabalhador”. O sindicato aponta que o vereador, ao “imputar prática política partidária no exercício da função com a acusação de parcialidade da classe jornalística ofende a reputação, dignidade e honra daqueles que exercem a profissão seguindo os preceitos éticos entabulados para a profissão”. Comenta, ainda, que por meio de frases como “não é jornalista”, “deve voltar à faculdade” ou “que está a serviço de determinado político”, o vereador abusa do direito à imunidade parlamentar, pois ofende a honra e a dignidade do trabalhador contidos nos artigos 1º, incisos III e IV da Constituição. E destaca: “A Carta Magna ainda estabelece como garantia fundamental a livre manifestação do pensamento, expressão de atividade de comunicação e o exercício de qualquer trabalho (artigo 5º, incisos IV, IX, XIII). Vale mencionar que a imunidade parlamentar também é direito constitucionalmente previsto no artigo 53. Neste sentido, as garantias constitucionais devem coexistir e ninguém poderá abusar de seu direito sob pena de infração constitucional”. Na conclusão, a denúncia pontua: “Ademais, resta claro que as manifestações ocorridas nas respeitáveis sessões plenárias no tocante à classe jornalística em nada se coadunam com as pautas do dia, ou seja, são completamente diversas das matérias legislativas e debates, o que ofende inclusive o Regimento Interno da Câmara”.
Casagrande participa de ato de entrega das doses da Coronavac no Butantan
200 mil doses foram entregues ao Estado no último sábado e outras 300 mil chegarão ainda nesta semana O governador Renato Casagrande (PSB) participou da solenidade de liberação de doses de vacinas no Instituto Butantan, em São Paulo, na manhã desta quarta-feira (22), juntamente com os governadores do Ceará, Camilo Santana (PT); do Piauí, Wellington Dias (PT); e do Pará, Helder Barbalho (MDB). A solenidade marcou a aquisição de 500 mil doses pelo Espírito Santo, sendo que 200 mil foram entregues no último sábado e 300 mil, de acordo com Casagrande, chegarão ainda nesta semana. Foto: Divulgação O secretário estadual de Saúde, Nésio Fernandes, também esteve no ato. Embora o estado do Mato Grosso também tenha adquirido doses da Coronavac, o governador Mauro Mendes (DEM) não compareceu. O total de imunizantes adquiridos por todos estados foi de 2,5 milhões. Durante o evento, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), destacou que a Coronavac é a vacina mas aplicada no mundo, sendo utilizada em 32 países e que, até o momento, 100 milhões foram destinadas ao Plano Nacional de Imunização (PNI). Casagrande salientou que as doses adquiridas irão complementar o PNI e serão utilizadas em pessoas maiores de 18 anos, permitindo que as da Pfizer sejam destinadas para adolescentes de 12 a 17 anos. O mesmo imunizante, junto com o da Astrazeneca, também irá compor as doses de reforço para os maiores de 60 anos. “Vidas serão salvas”, afirma o governador, destacando que, em meio à pandemia, “o SUS [Sistema Único de Saúde] tem cumprido um papel extraordinário”. O gestor também recordou a visita ao Instituto Butantan, em abril deste ano, quando o Espírito Santo manifestou interesse na aquisição de quatro milhões de doses da Butanvac, fabricada pelo Instituto. “Assim que houver autorização da Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária] para uso emergencial, queremos adquirir”, disse. Entretanto, ainda não se sabe em quais grupos e faixas etárias as vacinas serão utilizadas. O governador informou ainda sobre uma parceria do Espírito Santo com o Instituto em um estudo que avalia a eficácia da Coronavac em crianças de três a 11 anos, uma vez que ela já é usada em crianças e adolescentes em outros países. Outros estados Camilo Santana informou que mais de 90% da população adulta do Ceará está vacinada com a primeira dose e que, no momento, começou a imunização de adolescentes. “Não descansarei enquanto não vacinar toda a população do estado do Ceará. Somente através da vacinação vamos voltar à normalidade”, disse. Foto: Secom Wellington Dias, em sua fala, destacou a motivação que os levou a tomar a decisão de adquirir as doses diretamente com o Instituto Butantan. “Somos governadores de diferentes regiões e de diferentes partidos. O que nos une? Um pacto pela vida, um pacto para salvar vidas. Seguir a ciência é o que nos une. Ao seguir a ciência, temos compromisso com o Plano Nacional de Imunização”, afirmou. O governador do Piauí encara a solenidade desta quarta como um momento histórico, pois, conforme recorda, sua gestão “fez de tudo para suprir a falta de vacinas” causada por falhas na coordenação nacional. Ele destaca que, embora os estados tenham adquirido a vacina diretamente com o Instituto, é preciso cobrar a manutenção do contrato do Ministério da Saúde com o Butantan e a aquisição de imunizantes de outros fabricantes. Para Helder Barbalho, a solenidade desta terça-feira foi “mais um passo da união de esforços a favor da vida, da proteção dos brasileiros”. O governador do Pará acredita que a vacina é “a única alternativa para que possamos nos proteger e virar a página deste momento tão dramático da história mundial”. Ele destacou que “em face da grandiosidade da pandemia”, não se deve esperar pelo governo federal e pela iniciativa privada. “Hoje é um dia histórico em que o Pará e os demais estados fazem aquisição direta de vacina para acelerar a imunização”. Doses recolhidas Devido ao envasamento de mais de 12 milhões de doses da Coronavac em fábrica não autorizada pela Anvisa, a Agência, que já havia determinado a interdição dos imunizantes no início de setembro, determinou, nesta quarta-feira, seu recolhimento. Segundo o governador João Doria, o estado de São Paulo já havia orientado nesse sentido. De acordo com ele, isso não significa que estão proibidas de serem utilizadas ou que serão destruídas, mas sim, que a gestão aguarda a inspeção da nova fábrica, em Pequim, na China, onde foi feita a produção. O presidente do Butantan, Dimas Covas, explicou que a qualidade dos lotes não está comprometida, e sim, que “o que se discute é o procedimento”, pois as vacinas foram produzidas em uma nova fábrica, não inspecionada pela Anvisa. Butanvac Dimas Covas também informou que foi publicado, na Indonésia, o estudo da fase 1 com uma vacina correspondente à Butanvac, produzida pelo Instituto. Associado com o estudo brasileiro dessa mesma fase, será possível partir para a fase 2, que é de aplicação da vacina. Dimas destacou que a Butanvac é mais barata e que os estudos apontam que sua imunogenicidade é superior a das outras vacinas que estão sendo utilizadas. Governo do Estado sinaliza compra de 4 milhões de doses da Butanvac Manifestação de interesse foi oficializada em visita de Casagrande ao Instituto Butantan, São Paulo https://www.seculodiario.com.br/saude/casagrande-sinaliza-para-possibilidade-de-compra-de-4-milhoes-de-doses-da-butanvac
Cidadania e participação
A sociedade que queremos e merecemos só será construída com a nossa participação democrática A cidadania e a participação na defesa de direitos, interesses e necessidades só ocorrem no regime democrático, sem democracia não há cidadania. Os interesses de cada indivíduo e de seu grupo devem ser acompanhados e debatidos entre os seus iguais, na família, com amigos, com colegas, na sua sociedade. A democracia permite a existência de instituições e grupos que tratam de interesses comuns, nos locais de moradia, na prática religiosa, na escola, no trabalho, na prática de esportes, cultura e lazer, enfim, em todas as áreas de convivência humana. Os seres humanos são diferentes em cultura, em desejos e faltas, as diferenças constituem nossas identidades e também podem fazer surgir divergências e conflitos que são naturais e exigem uma decisão, que pode ser democrática e pacífica ou litigiosa, e nos cobra um posicionamento e uma tomada de partido entre as partes divergentes. Não tomar parte, se omitir, significa ficar do lado do mais forte e permitir que este massacre o mais fraco. É importante para os seres humanos participar das instituições que atuam no fortalecimento e na defesa de seus interesses e necessidades, se essas não existirem, se faz necessário sua criação. É assim que surgem as instituições, são frutos da criação humana para o seu bem-estar. No contexto histórico de nossa sociedade, a expressão de ideias de participação política tem infinitas possibilidades. Na nossa cultura ocidental, em que muitos lutam para implantar e aprimorar uma democracia forte e que seja respeitada, o conceito de participação política tem uma abrangência muito grande. A participação começa no nosso ambiente de vivência, entre os iguais em interesses e necessidades, e deve ir galgando outros patamares dentre as diversas instituições sociais e políticas existentes. A participação significa conquistar e manter direitos para o exercício da cidadania. Segundo Bobbio em seu dicionário de política, essa participação começa pela presença, seguido da participação nas diversas instituições democráticas, até a tomada de decisões nas ações políticas, elegendo seus representantes para em patamares mais altos representarem seus interesses, direitos e necessidades. A democracia ideal pressupõe uma participação política cada vez maior, passando da democracia representativa para uma democracia direta, em que cada cidadão atue diretamente nas tomadas de decisões. A nossa participação na vida política da sociedade, para que atenda os interesses e necessidades da maioria e não apenas de alguns, depende de estruturas políticas que forneçam estas oportunidades e incentivos. Atualmente, o ato de votar é o mais importante de nossa participação, mas ainda insuficiente, pois não controlamos todo o processo que implica a ato de votar e ser votado, já recebemos o processo em seu estágio final. A participação popular na vida política não deve se dar somente pelas instituições formais existentes, mas a população organizada e mobilizada na defesa de seus direitos e interesses, principalmente nos direitos humanos, para atender as necessidades básicas para sua sobrevivência. No Brasil, a nossa vivência e a história recente nos mostram a importância da participação democrática para evitar a violência de uma ditadura que instala um regime violento, abolindo todas as formas de participação do cidadão na vida política. Das instituições formais existentes, o cidadão reconhece os partidos políticos como referência de participação na vida política, mas é preciso ter a clareza que o ser humano é um ser político por natureza e exerce sua política, seu poder, na defesa de seus desejos, interesses e necessidades em todos os locais por onde passa, vive e sobrevive. Identifiquemos nossos iguais e vamos juntos defender os nossos direitos, fortalecendo nossa democracia, para que não retornemos aos períodos autoritários de nossa história, onde só alguns participavam da nossa política e o povo era manipulado como massa de manobra para atender os interesses de uma elite. Cada cidadão deve perceber que o poder para a defesa de seus interesses está em si mesmo e no seu grupo e, por isso, deve buscar as instituições que melhor o represente e lhe proporcione as melhores oportunidades de participar da vida política e exercer a democracia, fortalecendo sua cidadania. A sociedade que queremos e merecemos só será construída com a nossa participação democrática. Participar para avançar, retroceder jamais.
Servidores do Incaper aguardam resposta de Casagrande sobre ‘reunião urgente’
Entre as reivindicações estão a destituição da diretoria e nomeação de trabalhadores efetivos para o cargo O Sindicato dos Trabalhadores e Servidores Públicos do Espírito Santo (Sindipúblicos) e a Associação dos Servidores do Incaper (Assin) aguardam resposta do governador Renato Casagrande (PSB) quanto à realização de reunião com a comissão de servidores do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper). O pedido de diálogo, em caráter de urgência, foi protocolado nesta semana pelas entidades. A comissão foi instituída em assembleia realizada no dia dois de setembro, ocorrendo após a diretoria da autarquia, por meio do ofício nº 149/2021 Incaper/DP, solicitar ao governo do Estado correção no percentual de acréscimo no subsídio dos pesquisadores, excluindo as demais categorias da reivindicação. Segundo a presidente da Assin, Maisa Costa, os servidores querem entregar pessoalmente para o governador o documento “O Incaper que queremos”, no qual constam as reivindicações elencadas em seminário de mesmo nome, realizado em 2019. Assembleia do servidores do Incaper. Foto: Sindipúblicos Entre as reivindicações, está a realização de concurso público, reestruturação do Plano de Cargos e Salários e melhores condições de trabalho. Além dos apontamentos feitos no seminário de 2019, os trabalhadores querem a exoneração “de seus cargos de diretoria, o diretor presidente Abraao Carlos Verdin Filho, a diretora técnica Sheila Cristina Prucoli Posse e o diretor administrativo financeiro Cleber Bueno Guerra, visto que apresentaram proposta que cria grande cisão interna no Incaper, comprometendo a unidade entre pesquisa e ATER [Assistência Técnica e Extensão Rural]”. As exonerações foram deliberadas na assembleia, bem como a solicitação para que os cargos de diretoria sejam ocupados por servidores efetivos do Incaper, escolhidos após confecção de lista tríplice feita trabalhadores da entidade. Após a repercussão do pedido de correção no percentual de acréscimo no subsídio dos pesquisadores, a Assin recebeu um ofício da diretoria do Incaper no qual os gestores afirmam que o propósito do pedido feito ao governo do Estado foi “remover uma distorção histórica relativa à diferença percentual entre mestrado e doutorado, que no Incaper é de 5%, enquanto em outras instituições similares chega a 40%”. A diretoria prossegue explicando que “em momento algum tratou-se de propor reajustes salariais, muito menos para uma única categoria, o que seria uma temeridade, tanta pela falta de cabimento em si, quanto pela restrição legal imposta pela Lei Federal 173/2020, acrescida da Nota técnica expedida pela PGE [Procuradoria Geral do Estado] – E-Docs 2020 – CNN09”. Os gestores disseram ainda que irão reconstruir o ofício encaminhado para o governador, ampliando seu escopo, e que, para isso, quer “instalar um processo de construção coletiva, com vistas a ampliar o leque de reivindicações dos servidores, preservando-se o interesse público”. O documento que gerou a insatisfação dos servidores foi assinado pelo três diretores do Incaper. Eles destacaram que o cargo de agente de Pesquisa e Inovação em Desenvolvimento Rural “está sujeito a uma gravíssima distorção no tocante à valorização da titularidade da carreira de pesquisador, penalizando, sobretudo, os servidores com o título de doutorado”, o que inviabiliza a permanência de pesquisadores na autarquia, além de não despertar nas pessoas o interesse em prestar concurso para essa função. Entretanto, os servidores afirmam que o acréscimo de 5% do doutorado sobre o mestrado não é aplicado somente para os pesquisadores, mas também para os demais servidores, que, portanto, também estão sendo desvalorizados. Pedido de reajuste somente para pesquisadores revolta servidores do Incaper Diretoria da autarquia solicitou que o https://www.seculodiario.com.br/meio-ambiente/reivindicacao-de-reajuste-somente-para-pesquisadores-revolta-servidores-do-incaper Servidores do Incaper querem destituição da diretoria da autarquia Pedido que atinge Abraao Carlos Verdin Filho e mais dois diretores foi aprovado em assembleia da categoria nesta quinta-feira https://www.seculodiario.com.br/meio-ambiente/servidores-do-incaper-querem-a-destituicao-da-diretoria-da-autarquia
MPES lança canal para atender denúncias de violência doméstica
A Ouvidoria de Mulheres é um canal especializado da Ouvidoria Nacional do Ministério Público O Ministério Público do Espírito Santo (MPES) lançou, nesta quarta-feira (22), a Ouvidoria das Mulheres, um canal específico para atender denúncias de violência doméstica e demais crimes cometidos contra as mulheres. Trata-se, segundo o MPES, de um canal especializado da Ouvidoria Nacional do Ministério Público (ONMP) e será coordenado pela procuradora de justiça Karla Dias Sandoval Mattos Silva. As denúncias podem ser feitas, inclusive de forma anônima, pelo telefone 127, pelos e-mails ouvidoria@mpes.mp.br e ouvidoriadasmulheres@mpes.mp.br, pelo site e pelo aplicativo MPES Cidadão, além das Promotorias de Justiça das cidades capixabas e da sede do MPES, na Procuradoria-Geral de Justiça, em Vitória. Para Karla, a ouvidoria contribuirá com “ações de prevenção e erradicação de crimes contra a mulher”. De acordo com a procuradora, a iniciativa contará com “atendimento humanizado”, feito por mulheres. Também participou da solenidade o procurador de justiça e ouvidor do MPES, Eliezer Siqueira de Sousa. Ele destacou a necessidade de a ouvidoria “estar preparada para o acolhimento” e que a Lei Maria da Penha “ainda não foi capaz de erradicar a violência contra a mulher”. “Precisamos educar nossos filhos ensinando desde cedo que devemos respeitar a todos seres humanos, independente de sexo, fazendo com que se tornem adultos melhores”, disse, destacando as características de um possível agressor, que, de acordo com ele, são o fato de interferir na vestimenta da mulher, controlar suas redes sociais, humilhar e xingar, tomar sozinho decisões que afetam o casal, e interferir nas relações sociais. O procurador de justiça do Ministério Público do Acre (MPAC) e ouvidor nacional do Ministério Público, Oswaldo D’albuquerque, informou que em 2020 ocorreram 1,3 mil casos de feminicídio no Brasil, segundo o Fórum Nacional de Segurança Pública, “o que evidencia o agravamento da violência de gênero”. No Espírito Santo, segundo dados do MPES, o número de feminicídios aumentou 12% de 2019 para 2020. A procuradora-geral de justiça do MPES, Luciana Andrade, defendeu que as ações de combate à violência contra a mulher não devem ser somente para reprimir, mas também “para prevenir, educar e reeducar”. A vice-governadora do Espírito Santo, Jaqueline Moraes (PSB), também participou da solenidade. Para ela, a ouvidoria “é um instrumento de escuta ativa da sociedade e do Ministério Público”. Ela destacou que a violência contra a mulher acontece em todas as classes sociais. Como exemplo, destacou as mulheres cujas famílias tiveram condição de investir nos estudos de suas filhas, como no caso da médica Milena Gottardi, assassinada em setembro de 2017 a mando do marido e do sogro. A governadora falou também da “violência política de gênero”, que, segundo ela, se expressa no “silenciamento histórico” e na ausência das mulheres nos espaços de poder e decisão. Mulheres realizam atos contra o feminicídio em quatro cidades capixabas Em Vitória, Guarapari, Alegre e Cachoeiro, mulheres protocolaram reivindicações ao Judiciário https://www.seculodiario.com.br/direitos/mulheres-realizam-atos-contra-o-feminicidio-em-quatro-cidades-capixabas Cruzes fincadas próximo à Segunda Ponte denunciam violência contra a mulher Mulheres também reivindicam vacinação para todos, https://www.seculodiario.com.br/seguranca/cruzes-fincadas-proximo-a-segunda-ponte-denunciam-violencia-contra-a-mulher