Fogo destruiu 250 mil m², incluindo plantios da Pastoral da Ecologia Integral. Criação de UC ainda está no papel Rede social Ainda não se sabe os reais impactos do incêndio ocorrido nesse sábado (11) na Lagoa Encantada, na região do Vale Encantado, em Vila Velha. O fogo e a fumaça foram avistados em diferentes pontos da cidade e somente cessaram com a chuva que caiu à noite. Alguns dos vídeos e fotos postados na internet foram compartilhados nas redes sociais da APP Lagoa Encantada e dos grupos que apoiam a proteção da região. “Eu estava no Shopping Vila Velha e senti o cheiro da fumaça”, relata Maria José Oliveira Lima Roque, integrante da Pastoral da Ecologia Integral e do Grupo Fraternidade e Vida da Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, da Praia da Costa, e uma das animadoras do grupo internacional Viva Laudato Si, ligado ao Papa Francisco, que este ano trabalha com o tema “Cuidado com a casa comum”. Pela manhã, horas antes do fogo começar, Maria José havia participado de uma ação ecológica e espiritual no local, que reuniu dezenas de pessoas para o reflorestamento de uma grande área, entremeada com momentos de oração e comunhão. “Fizemos três momentos de oração, primeiro em frente à Igreja Maranata, depois mais dois no local, antes e depois do plantio. Vimos rastros de jacaré, foi muito bonito. Um momento de muito amor”, conta Maria José. Quando soube do incêndio, a tristeza foi enorme. “A gente só tem uma ideia do tamanho da área queimada, mas não se sabe quantos animais morreram”, lamenta. Foto leitor Segundo estimativas de integrantes do Fórum de Desenvolvimento Social, Econômico e Ambiental do Grande Vale Encantado (Desea), cerca de 250 mil metros quadrados foram consumidos pelo fogo, incluindo um taboal e 80% da área reflorestada pelo grupo. No perfil da APP Lagoa Encantada no Instagram, a informação é de que havia “pelo menos sete focos de incêndios”. Para os protetores, o fogo foi criminoso e provavelmente praticado por mais de uma pessoa. Além da biodiversidade local, também sofreram pessoas do bairro que têm problemas respiratórios. “Peço aos amigos que se mantenham vigilantes e denunciem estes criminosos, ou os filmem e mande para nós, está covardia tem que acabar!”, exaltam os protetores da APP Lagoa Encantada. Rede social Para a animadora do Laudato Si, é urgente a ação do município. “Criar a APA [Área de Proteção Ambiental] é pra ontem! Se não, vai acabar, Vila Velha vai perder!”. A riqueza da região, ressalta a ambientalista, é “muito maior do que a maioria das pessoas pensa”, destaca, referindo-se ao debate virtual realizado no último Dia Mundial do Meio Ambiente. “O professor Pablo Azevedo Rocha, da Ufes, mostrou pra gente. Não é só o solo-esponja [que evita os alagamentos comuns no entorno da Lagoa Encantada], é a fauna, a flora”. A proposta de criação de uma ou duas unidades de conservação na região está na Prefeitura de Vila Velha. O estudo técnico sugere dois cenários: um parque natural com 261,63 hectares protegendo a lagoa e seus alagados circundantes, bem como o Morro do Carcará; ou um parque com 137,38 ha na lagoa e uma Área de Relevante Interesse Ecológico (Arie) ao redor do parque, com cerca de 125 ha. Em maio, a prefeitura chegou a anunciar a realização de uma audiência pública sobre o assunto, mas a mesma ainda não aconteceu. Outra medida já reivindicada pelos protetores do local é a instalação de câmeras de segurança para monitorar as pessoas que transitam no local, identificando infratores e, melhor ainda, constrangendo más intenções, evitando que elas sejam levadas a cabo.
Jornalista e marqueteira Bete Rodrigues morre em Vitória aos 69 anos
Bete Rodrigues conduziu as campanhas eleitorais de todos os governadores eleitos a partir de 1990 Redes sociais Condutora vitoriosa da campanha de todos os govenadores eleitos no Espírito Santo a partir de 1990, a jornalista e marqueteira política Bete Rodrigues faleceu na noite desse domingo (12), aos 69 anos, em seu apartamento na Praia do Canto, em Vitória. Bete estava deitada, quando começou a passar mal, sendo o pedido de socorro acionado por um dos seus três filhos, Pedro Roque. O enterro será na tarde desta segunda-feira (13), no cemitério Jardim da Paz, na Serra. Bete Rodrigues foi um das pioneiras no marketing político no Espírito Santo, depois de trabalhar como jornalista em A Gazeta, onde foi editora de Internacional, na década de 80. A partir de 1990, com a eleição de Albuínio Azeredo ao governo do Estado, ganhou projeção no mercado e conduziu as campanhas dos governadores que o sucederam: Vitor Buaiz, em 1990, José Ignácio Ferreira, 1998, e Paulo Hartung em 2002. Com a Casamarela, empresa de marketing político, ela fez campanhas em várias cidades do Espírito Santo e também em outros estados. Entre as últimas, a do ex-prefeito de Vitória João Coser (PT), no ano passado. A jornalista foi ainda uma das fundadoras do curso de Comunicação Social do Espírito Santo (Ufes) e criou, em 2014, um jornal eletrônico chamado Leia-se, que teve um ano de duração. A morte de Bete Rodrigues repercutiu nos meios jornalísticos e político. O governador Renato Casagrande publicou em suas redes sociais: “Recebi com muita tristeza a notícia do falecimento da jornalista e publicitária, Bete Rodrigues. Uma profissional de grande competência, cuja genialidade marcou o marketing político no Espírito Santo. Trabalhamos juntos em duas ocasiões. Meus sentimentos à família e aos amigos”.
A última noite na ópera
Em seus úmidos porões ele se escondia, mascarado, à espera de sua amada Christine… Mesmo afastado de qualquer contato imediato, social ou anti, já assisti espetáculos inesquecíveis em algumas das mais famosas casas de ópera dos quatro cantos do globo terrestre – o que me espanta: se é rotundo, que cantos são esses? As pessoas me perguntam, com tantos operários mal pagos, alguém ainda vai à ópera? Andando à toa numa noite de ventos e tempestades, sem ter onde cair morto ou vivo, deparo com o barzinho mal frequentado e ousadamente denominado Ópera. * Frio, chuva, a opção é entrar ou congelar. A vida nos impõe essas ironias: houve um tempo em que fui assíduo frequentador das melhores casas de ópera, assistindo aos mais famosos espetáculos cantados por renomados e bajulados tenores, barítonos, sopranos, mezzo sopranos, e todas as demais vozes descritas nos libretos. Tive mesmo inesquecíveis momentos com algumas intérpretes famosas, mas já esqueci quais, quando e onde. Algumas, porém… * No La Scala de Milão conheci Babette, mezzo soprano de voz harmoniosa e incrível beleza. Mandei flores, devolveu. Mandei um colar de pérolas legítimas, me ignorou. Já desistindo da conquista, mais por ironia, mandei um Big Mac – caiu nos meus braços. Já tinha ouvido falar, mas não conhecia. O La Scala, na ativa desde 1778, tem uma singularidade que as outras óperas não têm – uma galeria onde se aglomeram os mais cruéis fãs de ópera do mundo – mesmo não sendo profissionais, eles podem destruir ou glorificar a carreira de um artista. * Sem falsa modéstia, confesso ter feito parte dessa elite. Eu estava lá em 2006, quando vaiamos um tenor francês, que cometeu um falsete. Ofendido, ele deixou o palco, e foi substituído por um principiante que nem teve tempo de trocar de roupa – cantou a Aída de jeans e camiseta. O Teatro San Carlo, em Nápoles, construído em 1773, é a mais antiga casa de ópera continuamente ativa na Europa. Ali me apaixonei pela soprano Carmella Austi que cantava La Gioconda. Ah, Carmella, mnha Gioconda, que saudades dos nossos brioches com chá de amêndoas no final das apresentações! Foi-se, como tantas outras que amaram mais o meu dinheiro do que a mim. * Paris dos bulevares…=O belíssimo e imponente Ópera Garnier, construído em 1875, tem um lustre de cristal que pesa sete toneladas. Imagina-se a conta de luz! Esse teatro é o cenário da peça mais famosa do mundo – O Fantasma da Ópera, com o maior tempo de exibição na Broadway e em cartaz até hoje. Em seus úmidos porões ele se escondia, mascarado, à espera de sua amada Christine Daae. Também amei uma Christine, que me deixou por um vendedor de enciclopédias. Não lembro se minha Christine cantava ou faxinava os banheiros. mas fazia um incrível camarão na brasa. Coisas da vida – já não compramos enciclopédias e nem posso me dar ao luxo de comprar camarão. * Brasil sem memória: O Guarani, de Carlos Gomes, foi apresentado no Scala em 1870. Em 1996 essa obra esquecida pelos brasileiros foi cantada na Ópera Nacional de Washington, com nosso Peri na voz de Plácido Domingo. Duas interpresentações do dueto “Sento una forza indomita” foram incluídas nas gravações de Francesco Marconi: uma em 1908 e outra em 1914, essa cantada por Caruso e Emmy Destini. Que outra ópera brasileira correu os melhores teatros do mundo? Carlos Gomes morreu pobre e doente, como muitos outros famosos. Desta vez por miudezas políticas: era amigo de D. Pedro, o 2. A república chegou em péssima hora para Carlinhos. Mas a Emmy…quando foi mesmo que ela me deixou?
Em desobediência civil, famílias reivindicam direito de proteger os filhos
Tribunal de Justiça negou liminar em ação da Assopaes contra o retorno obrigatório das aulas presenciais “Somos um grupo de pais e mães que resolveu não aderir às aulas presenciais obrigatórias. E entramos com uma ação civil pública e um Mandado de Segurança junto com a Assopaes para garantir nosso direito de reivindicar o direito à vida de nossos filhos, que é um direito constitucional, ou pelo menos deveria ser”. Vem de Linhares, norte do Estado, esse relato de uma mãe que, como muitas outras em diversas regiões do Espírito Santo, busca apoio da Justiça para suspender os efeitos da Portaria Conjunta nº 6-R, publicada em julho de 2021 pelas Secretarias de Saúde e Educação (Sesa e Sedu), que proibiu a continuidade das Atividades Pedagógicas Não Presenciais (APNPs) na rede pública estadual desde 26 de julho – exceto para estudantes com comorbidades comprovada – sendo seguida, em cascata, por boa parte das redes municipais e privada. Geísa Carvalho Gomes Giuberti, mãe de duas meninas matriculadas na Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio (EEEFM) Paulo Damião Tristão Purinha, no Assentamento Sezínio, afirma que o grupo de famílias do qual ela faz parte tem convicção de que não irá mandar os filhos nesse contexto pandêmico. “A gente não se sente seguro. Não é questão da escola, ela está tomando todos os cuidados possíveis. Mas a gente sabe como estão as praias e lagoas e botecos: lotados e todo mundo sem máscara. E a gente tem uma variante circulando no Estado”, pondera. Sem as APNPs, tem sido difícil manter uma mínima rotina de estudos das crianças e adolescentes. “A gente observa que as crianças é que perdem mais com isso. Muitos pais não conseguem acompanhar a aprendizagem. Já era difícil com as APNP, agora sem nenhuma atividade, fica perdido mesmo. É angustiante”, conta. Foto Leitor Cada um faz atividades como pode, ela diz. Com uma experiência pretérita como professora, Geíza e outras famílias têm lançado mão da criatividade para propor tarefas para as filhas, utilizando fatos da realidade política para atividades de matemática, português, história e outras disciplinas. “Se a gente tivesse apoio do Estado, poderia compartilhar essas atividades com outras famílias que não conseguem criar atividades assim”, sugere. É o caso de Claudia da Silva Fernandes, que tem um filho na EEEFM Paulo Damião. “Meu filho está sem estudar, porque a escola não deixa trazer tarefa para casa. Então ele fica muito na internet, fica nervoso. Tenho medo dele reprovar. Mas se for para ir à escola e correr risco, prefiro que fique reprovado. A gente está se prevenindo desde o começo da pandemia, não vai na cidade, então não vou arriscar de colocar na escola, porque os professores, mesmo vacinados, podem trazer o vírus pros alunos. Eu acho justo que mandassem as atividades para as crianças que não vão pra escola. E o governo vacinar as crianças. Depois querem que a educação vá pra frente desse jeito!”, lamenta. Desobediência civil Geíza e Claudia, assim como outras famílias que não concordam com a obrigatoriedade do retorno presencial das aulas, entregaram um termo de desobediência civil nas escolas, em que afirmam os motivos pelos quais não têm enviado seus filhos, citando a Ação Civil Pública que a Assopaes impetrou para garantir esse direito de escolha. “Já tem mais de 30 dias que a gente está nessa luta de desobediência civil. Mesmo movendo uma ação, ela não foi apreciada pelo Tribunal de Justiça. Quando é caso para julgar questões políticas, por exemplo uma pessoa que está com ficha suja e não consegue se candidatar a um caso, os desembargadores rapidamente apreciam e emitem liminar imediatamente, mas no nosso caso, desde lá de trás, entramos com a ação e até agora não saiu nenhum resultado. E a Sedu não autoriza enviar atividades pedagógicas não presenciais, mesmo com a ação”, repudia Geíza. “A gente aguarda o Conselho Tutelar e o Ministério Público para questionar nossa desobediência civil”, ironiza, em apelo por apoio da Justiça nesse movimento de famílias. Leonardo Sá Mandado de Segurança Além da ação, a Assopaes também impetrou um Mandado de Segurança – MS nº 0020276-24.2021.8.08.0000 – para suspender os efeitos da portaria conjunta. Neste, afirma que é inconstitucional obrigar o retorno presencial dos estudantes no momento pandêmico atual, por atentar ao direito das famílias de protegerem a vida e a saúde de seus filhos. O MS cita estudo divulgado pela Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) sobre o risco de aumento da contaminação pelo novo coronavírus entre 18% e 270% com o retorno das aulas presenciais, e afirma que não há um plano de testagem sistemático da comunidade escolar, como forma de medir o avanço das contaminações e tomar medidas rápidas de controle de surtos. No Tribunal de Justiça, no entanto, o relator do caso, desembargador Arthur José Neiva de Almeida, desconsidera os argumentos e nega a liminar requerida pela Assopaes. Em sua decisão, ele aponta que “a concessão de liminar e mandado de segurança depende da presença de dois requisitos legais: (1) relevância dos motivos em que se assenta o pedido da inicial e (2) a possibilidade de ocorrência de lesão irreparável ao direito do impetrante, se vier a ser reconhecido na decisão de mérito”, condições, que, segundo o desembargador, não são atendidas. Advogado da Assopaes responsável pelo mandado, André Moreira entende que “a negativa da liminar tem um elemento técnico-jurídico muito pequeno diante da gravidade do risco a que as crianças estão submetidas” e que, “como a situação é muito grave, talvez seja melhor adotar outras medidas judiciais ao invés de manter uma discussão técnico-jurídica enquanto as crianças estão em risco”. A saída, pondera, pode ser impetrar outra ação civil pública, que reflita o momento de maior organização das famílias dentro da Assopaes. Nessa próxima, sublinha, é importante que ela possa ter uma adesão ainda mais ampla da sociedade, de forma a apoiar o pleito de tantas famílias que, diretamente, contribuem para o controle da disseminação do vírus, com efeitos positivos para toda a população. “Tem uma forma hoje da sociedade participar dos processos, que é entrar como amicus curiae, para colaborar na discussão do direito
Audiência pública na Assembleia debate déficit de pessoal na Polícia Civil
Diretora do Sindiperito Nathalia Dalvi vai apresentar dados sobre a situação precária do setor O déficit de pessoal na Polícia Civil é o tema de audiência pública que será realizada nesta segunda-feira (13) na Comissão de Segurança Pública e Combate à Organização Criminosa da Assembleia Legislativa. Os dados serão apresentados por diretores do Sindicato dos Peritos Oficiais no Espírito Santo (Sindiperitos-ES), com destaque para os concursados ainda não nomeados para seus respectivos cargos. “Estamos pleiteando a nomeação, tendo em vista o déficit histórico de efetivo”, informa documento da comissão que representará o Sindicato dos Peritos. A abordagem do tema será feita pela diretora da entidade Nathalia Dalvi e o candidato ao cargo de perito criminal, Norberto Louvem. Como ocorre com outras categorias profissionais do quadro da Polícia Civil, a carência de peritos prejudica o andamento dos serviços prestados à população. “A região sul, que compreende 21 municípios, possui apenas oito peritos que se dividem entre funções administrativas, comparecimento aos locais dos crimes, plantões e postos de identificação”. Segundo o Sindiperitos, “a demora na expedição de documento de identidade, na entrega de um laudo de um carro adulterado ou roubado, liberação de um corpo para o Departamento Médico Legal (DML/SML), dentre outros problemas, se dá por falta de efetivo”. No último levantamento, foi constatado prejuízos na persecução penal, produção de provas e na investigação de crimes. Críticas As medidas adotadas pelo governo do Estado na área de segurança pública, aprovadas em agosto pelos deputados estaduais, vêm merecendo críticas por parte das entidades representativas dos servidores. Os delegados de Polícia reclamam da Indenização de Escala Suplementar Operacional (Iseo) e da criação da Central de Teleflagrantes. Pleiteiam um valor maior do que os R$ 436 estabelecidos nas novas regras e apontam que, depois dos descontos, a gratificação dá menos da metade da hora extra normal. As mudanças fazem parte do Programa Estado Presente em Defesa da Vida, que atinge, principalmente, a Polícia Militar. Foi autorizado um novo concurso público para preenchimento de 671 vagas, sendo 560 praças combatentes; 20 oficiais médicos; 20 oficiais dentistas; cinco oficiais farmacêuticos/bioquímicos; dois oficiais médicos veterinários; 10 oficiais enfermeiros; 30 praças especialistas da saúde; dois oficiais músicos e 22 praças músicos. ‘Lastimável esperar sete meses e depois dizer que a obra não será feita’ – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/seguranca/lastimavel-deixar-sete-meses-esperando-uma-obra-e-depois-dizer-que-nao-podera-ser-feita-naquele-espaco Delegados da Polícia Civil apontam falhas na reestruturação do setor – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/seguranca/delegados-da-policia-civil-apontamfalhas-na-reestruturacao-do-setor
Capixabas relatam dificuldade de fazer testes em terminais e unidades de saúde
Nos terminais, usuários afirmam não encontrar oferta do serviço. Nas unidades, há exigência de consulta prévia O Espírito Santo, conforme afirmou o governador Renato Casagrande nessa sexta-feira (10), tem taxa de testagem de 478 mil/1 milhão de habitantes, ou seja, superior à média nacional, que é de 266 mil/1 milhão. Entretanto, algumas pessoas têm relatado dificuldades de conseguir fazer o teste nos terminais e nas unidades de saúde, locais mais próximos de suas residências e que facilitariam o acesso daqueles que não têm internet para marcar o teste RT-PCR por meio do agendamento online. No caso dos terminais, usuários afirmam não encontrar oferta do serviço, como registrado nessa sexta-feira (3), quando uma moradora relatou ao Século Diário ter ido aos terminais de Itaparica e Vila Velha, após ter tido contato com uma pessoa positivada para Covid-19. Relatos semelhantes têm sido recorrentes, além de dificuldades de encontrar informações claras sobre os horários e terminais que realizam os testes. Já nas unidades municipais de saúde, para fazer a testagem, tem sido exigido que a pessoa passe por uma consulta antes e, necessariamente, no serviço que atenda ao próprio bairro onde mora. Além disso, munícipes de Vila Velha se queixam do fato de essa cidade ser o único grande município da Grande Vitória onde não há local para realização de teste RT-PCR gratuito por meio do agendamento online, devendo ser feito em outra cidade, o que muitas vezes inviabiliza o processo. As situações vão de encontro aos sucessivos pedidos e declarações do governador e do secretário de Estado da Saúde, Nésio Fernandes, que exaltam a ampla testagem como uma das estratégias prioritárias de combate à transmissão da doença no Espírito Santo. Questionada por Século Diário, a Secretaria Estadual de Saúde (Sesa) informou que a testagem com antígeno é feita nos terminais de Jardim América, em Cariacica; Laranjeiras, na Serra Serra; e Itaparica, em Vila Velha. Mas esse serviço “foi suspenso na última sexta-feira (3) devido a um problema operacional”. Ainda segundo a secretaria, entre segunda-feira (6) e terça-feira (7), os atendimentos não foram realizados devido ao ponto facultativo e feriado da Independência do Brasil, respectivamente. Entretanto, foram retomados nessa quarta-feira (8). “O resultado do teste sai em 15 minutos após a coleta do material e é entregue ao paciente no local”, diz a Sesa, informando ainda que a testagem nos terminais acontece de segunda a sexta, sempre de 12h às 20h, sem necessidade de agendamento.Já os agendamentos online são realizados no aeroporto e no Hospital Estadual Central (HEC), em Vitória; no Hospital Estadual Dr. Jayme dos Santos Neves (HEJSN), na Serra; no Hospital Roberto Arnizaut Silvares (HRAS), em São Mateus; na Unidade Mista de Saúde “São João Batista”; em Laranja da Terra; e na Policlínica Venda Nova do Imigrante, em Venda Nova do Imigrante. Já na Ceasa, em Cariacica, diz a secretaria que a testagem é por livre demanda, das 8h às 16h. Entretanto, a partir da próxima semana, também atenderá por agendamento prévio. De acordo com a Sesa, novos pontos de testagem serão disponibilizados na próxima semana, quando serão divulgados os locais da prestação do serviço. No que diz respeito às unidades de saúde, “a Sesa esclarece que desde o início da pandemia, os locais de testagem foram definidos pelas secretarias municipais de Saúde”, mas não especificou se há alguma orientação por parte do governo do Estado de realização dos testes sem precisar de consulta prévia.
Festa Capixaba do Livro acontecerá em novembro na Prainha
Na coluna: Slam e cineclube no Mucane, lançamentos na música e literatura capixaba, fotografia nas ruas de Cachoeiro e Bogotá LITERATURA Fecali confirma data oficial A Prainha de Vila Velha será sede da primeira Festa Capixaba do Livro (Fecali). Prevista inicialmente para setembro, o evento confirmou a nova data oficialmente: será entre os dias 16 e 21 de novembro. Além de contar com uma feira com venda de livros diversos, a Fecali terá uma programação cultural em paralelo com oficinas, rodas de conversa, contação de história, teatro e exibição de filmes, além de visita aos diversos monumentos histórico e culturais do entorno da Prainha. Slam e cineclube no Mucane De volta às atividades, o Museu Capixaba do Negro – Veronica da Pas (Mucane) terá novos projetos em funcionamento, trazido por coletivos culturais. Um deles é o Slam de Cria, com estreia neste domingo (12), por iniciativa conjunta do Coletivo de Performance Itinerante, de Vitória, e o Coletivo Empoetem-se, de Vila Velha. A outra novidade é que o Cine Pop Rua – Pipoca e Direitos Humanos terá exibição de filmes e debates mensais no Mucane, toda segunda quarta-feira do mês. O calendário deste ano será dias 6 de outubro, 10 de novembro e 8 de dezembro, com filmes com temas como moradia, cidade, saúde mental, raça, gênero e classe. Além disso, no dia 13 de novembro haverá um circuito cineclubista com programação durante todo o dia. Ingrid Carrafa lança ‘E quando borboletas carnívoras dançam no estômago’ Divulgação A escritora Ingrid Carrafa lança, na próxima quinta-feira (16), o livro de poesia E quando borboletas carnívoras dançam no estômago, publicado pela Editora Maré. A obra será apresentada numa live da autora às 20h, no Instagram da editora, em que Ingrid fará um bate-papo com a jornalista e escritora Lívia Corbellari. A publicação aborda temas como solidão sexo, família, amor, morte e vida, com histórias íntimas porém comuns a muitas pessoas. A obra tem prefácio da escritora Bernadette Lyra e capa ilustrada pelo artista plástico Caio Cruz. A artista também explora a poesia de forma visual por meio de autorretratos em sua rede social. Poesia na penitenciária O livro de Ingrid Carrafa conta com apoio da Secult-ES por meio do Fundo Estadual de Cultura (Funcultura). Uma das contrapartidas oferecidas é a doação de 100 edições para a Penitenciária Feminina de Cariacica – Bubu, onde também serão exibidos dois vídeos-poemas de textos que estão no livro, interpretados e encenados pela autora com imagens de Heitor Righetti. Estes vídeos também serão publicados no Instagram da Maré. FOTOGRAFIA Coletivo 028 lança concurso fotográfico internacional As ruas das cidades de Cachoeiro de Itapemirim, sul do Estado, e de Bogotá, capital da Colômbia, receberão impressões em “lambe-lambe” das fotografias selecionadas pela Mostra Internacional Luz del Fuego de Mulheres Brasileiras na Fotografia. A iniciativa é do Coletivo 028, de Cachoeiro, que traz o tema “Mulher Brasileira Presente”, na busca de mostrar o protagonismo feminino em movimentos culturais, sociais, religiosos e políticos. Cada inscrita poderá apresentar até 10 fotografias e serão 60 vagas selecionadas, com reserva de vagas para mulheres LGBTQIA+, comunidades indígena, mulheres negras e para fotógrafas estreantes. Inscrições e mais informações no site oficial: https://luzdelfuego.com. Livro de fotografia lançado em assentamento capixaba Rodrigo Rossoni Mais de duas décadas de trabalho envolvem o livro Olhares comprometidos: fotografia e identidades no MST, lançado pela Edufba. Nele, o professor e fotógrafo Rodrigo Rossoni trabalhou junto com moradores do assentamento Piranema, em Fundão, em registros fotográficos do local e das pessoas que lá habitam. A obra foi publicada no início deste ano, mas agora teve lançamento presencial neste domingo (12), às 10h, em evento aberto no assentamento, seguindo as normas de prevenção à Covid. O livro e outros registros relacionados ao projeto podem ser encontrados no site www.olharescomprometidos.com. MÚSICA Raya lança segundo single de seu EP Marcela Bicalho Sozinha é o nome do segundo single da cantora Raya, que fará parte de seu primeiro EP. Ela aborda a solidão da dita “mulher forte”. O EP contará com cinco músicas, entre elas Primeiro Amor, a primeira a ser lançada nas diversas plataformas de streaming. A gravação de Sozinha teve produção do músico e compositor Luri, e contou com Maria Gabriela Oliveira, na guitarra, Thaysa Pizzolato, no teclado, Douglas Vidal, no baixo, e Matheus Estrela, na mixagem e masterização. Ouça as canções no Spotify ou outras redes. A César o que é de César! Divulgação Ainda na música, se alguém perdeu, o grande lançamento da semana foi o primeiro disco de César MC, Dai a César o que é de César, com sete canções, cinco delas inéditas. O rapper do Morro do Quadro, em Vitória, vem ganhando expressão nacional e seu álbum conta com participação de dois dos maiores nomes do rap nacional atual, Emicida e Djonga. Ouça aqui. Mais informações sobre o disco aqui em matéria aqui do Século Diário. TECNOLOGIA Mapa Cultural em App Plataforma online que conecta fazedores de cultura do Espírito Santo, o Mapa Cultural agora também está disponível em aplicativo para celular. Além de acessar pelo site mapa.cultura.es.gov.br, o usuário poderá baixar o aplicativo aqui. O app foi idealizado pelo grupo cultural Osviajero, desenvolvido pela Devix e direcionado pela Inorama. O projeto foi realizado por meio do edital Cultura Digital, lançado pela Secretaria de Cultura do Espírito Santo com recursos federais oriundos da Lei Aldir Blanc.
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Invasores aborda crimes cibernéticos e tem final bem criativo O filme começa com o interrogatório de Benjamin na seção de crimes cibernéticos da polícia. Ele começa a contar sua infância típica de personagens inseguros de filmes americanos, do menino órfão que sofre bullying na escola, não tem amigos e passa horas no computador, aprendendo a ser hacker. Benjamin explica para a agente Hanne como entrou pela primeira vez na deep web e que, para sobreviver, também trabalhava como entregador de pizza, mesmo sendo um gênio da informática. Um dia ele entrega uma das pizzas na biblioteca de uma universidade e encontra sua musa da infância e ensino médio com os amigos. Ela precisa do gabarito da prova de direito para passar de ano e pede a Benjamin que consiga as respostas. Ele acredita que, roubando o gabarito no armazém da faculdade, conseguirá conquistar Marie. Infelizmente, Benjamim é descoberto em flagrante por um segurança e, pouco tempo depois, é sentenciado a fazer serviço comunitário. Durante sua pena, conhece Max, que o introduz a outros hackers. Juntos eles criam o grupo CLAY para ridicularizar políticos, organizações e pessoas públicas. O grupo fica famoso nas redes sociais e na televisão com suas brincadeiras invadindo sistemas de segurança cada vez mais complexos. Mesmo assim, o grande hacker MFX ainda os considera meros palhaços amadores. A reação do ídolo irrita-os profundamente, a ponto de decidirem hackear o sistema de segurança do governo alemão. Inicialmente, o plano era outra troça, mas Benjamin rouba também os registros dos agentes que trabalham para o estado. Durante a comemoração da invasão bem-sucedida, Max e Benjamin brigam e, num acesso de raiva, Benjamin libera para MFX o nome dos agentes que trabalham para a polícia. No outro dia, um hacker contratado pelo centro de inteligência é assassinado e a culpa cai sob o CLAY. Benjamin reconhece o erro e assume a responsabilidade de tentar limpar o nome do grupo. Primeiro, ele tenta enganar MFX com um cavalo de troia virtual, mas o tiro sai pela culatra e sua localização e identidade são reveladas. Para escapar, ele decide se entregar e pede a Hanne que o coloque na lista de proteção de testemunhas. O filme parece bem bobinho no começo, mas vai melhorando gradativamente, até um final bem criativo.
‘Fora Bolsonaro’ não sai às ruas neste domingo e anuncia novo ato para 2 de outubro
O MBL formou na linha de frente em 2016 na ação que depôs a ex-presidente Dilma Rousseff Leonardo Sá Partidos de esquerda que integram a campanha “Fora Bolsonaro” realizarão novos protestos no dia 2 de outubro, anunciou a Central de Movimentos Populares (CMP), sediada em São Paulo, confirmado em Vitória por dirigentes partidários, militantes e representantes de centrais sindicais. “Não acreditamos no Bolsonaro, ele é um mentiroso contumaz, bate e recua. É o modus operandi dele. Seguiremos nas ruas até derrubá-lo”, afirma Raimundo Bonfim, coordenador nacional da CMP, apoiado pelo escritor e ativista Perly Cipriano (PT), do movimento Geração 68 e um dos coordenadores do movimento no Espírito Santo. A campanha “Fora Bolsonaro” não participará do ato deste domingo (12), organizado pelo Movimento Brasil Livre (MBL), que em 2016 formou na linha de frente da ação que depôs a então presidente Dilma Rousseff. O grupo alinhou-se ao então presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (MDB), e Aécio Neves, candidato derrotado à Presidência da República pelo PSDB, entre outros defensores da política neoliberal – que entrega as riquezas do País e promove as privatizações – implantada na gestão de Michel Temer, que tomou o lugar de Dilma. Essa política é mantida no governo Bolsonaro. “Todo movimento contra Bolsonaro é válido, mas não iremos participar porque eles não apresentam bandeiras sinalizando mudança na política econômica e nem apresentam um projeto para o Brasil”, argumenta Perly, destacando que o movimento reúne campos da direita que visam identificar a chamada terceira via para as eleições de 2022. “O que interessa neste momento é a população estar reunida no ‘Fora Bolsonaro’ fazendo pressão pelo fim deste governo genocida e criminoso, responsável pelo desemprego, fome, inflação miséria e a morte de quase 600 mil pessoas”, diz Perly, lembrando que a maioria dos partidos e movimentos de oposição ao governo fez circular notas esclarecendo sobre a não participação das manifestações domingo. Nota do Psol afirma: “Não pouparemos esforços para conquistar a unidade com quem partilha deste objetivo. No entanto, a Executiva Nacional informa que o partido não é organizador, não convoca e nem participará da manifestação do dia 12 de setembro. Nosso partido faz parte da campanha nacional pelo Fora Bolsonaro” e destaca que o partido “vem atuando para construir a mais ampla unidade para derrotar Bolsonaro, a exemplo do amplo pedido de impeachment recentemente protocolado”. Já a Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD), que também não participará dos atos deste domingo, aponta: “O ato é convocado, divulgado e organizado pelo Movimento Brasil Livre (MBL), sem qualquer participação da sociedade civil organizada em seus diversos movimentos, entidades, coletivos plurais. Um convite para aderir a eles, com diversas limitações sobre identificação, não guarda coerência com a estruturação horizontal que defendemos”. Mais adiante, enfatiza que “toda manifestação contra o governo autoritário e genocida de Jair Bolsonaro pedindo seu impeachment é legítima em si mesma. As divergências entre as forças políticas e seus diversos segmentos, próprias do regime democrático, não devem ser combustível para que se promovam ataques a esse ou aquele ato público com essa pauta”. “Nas lutas populares, a Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD) compõe, como entidade, a campanha nacional “Fora Bolsonaro”. As manifestações de rua, nesse caso como em regra, acontecem como consequência do aprofundamento do debate coletivo em defesa das pautas que interessam à sociedade brasileira. A construção coletiva, portanto, além das bandeiras que se leva para o espaço público, precede as ações”, conclui o comunicado. Além do protesto de outubro, a campanha Fora Bolsonaro anunciou novo protesto para 15 de novembro, dia da Proclamação da República. Em Vitória, o ato de domingo, realizado pelo MBL e Vem pra Rua, será uma carreata que atravessará a Terceira Ponte, às 10h, sentido Vitória-Vila Velha.Arrependimento A organização de atos contra Bolsonaro por movimentos da direita, como o MBL e o Vem Pra Rua, que mudaram de lado ao constatarem a má gestão de Bolsonaro, encontra resistência no campo da oposição ao governo. As razões incluem ressentimentos decorrentes do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, concretizado em uma grande articulação, com muitas ações desenvolvidas com recursos internacionais, alinhamento a figuras como Sergio Moro, Michel Temer, Eduardo Cunha e o próprio Bolsonaro, que, na época, já fazia parte do grupo, conforme mostram fotografias, matérias jornalísticas e postagens em redes sociais. Redes sociais Em 2017, o jornal inglês The Guardian, porta-voz do liberalismo mundial, publicou uma matéria sobre o crescimento da direita no Brasil. Um trecho menciona a ligação do MBL com os irmãos David e Charles Koch, bilionários estadunidenses que financiam grupos de direita na América Latina, ligados a ações de dominação econômica na região. Entre os valores e princípios do MBL, destacam-se pontos colocados em prática na gestão Jair Bolsonaro, por meio do ministro da Economia, Paulo Guedes, cujos resultados vêm gerando inflação perto dos 10%, desemprego, fome e miséria: “Fim dos monopólios estatais e privatização de empresas públicas e sociedades de economia mista, fim de toda forma de discriminação oficial instituída por meio de cotas raciais ou de gênero; progressivo aumento da participação do setor privado em serviços públicos passíveis de serem privatizados, tais como educação, saúde, infraestrutura, administração de serviços penitenciários, dentre outros; e fim dos monopólios estatais e privatização de empresas públicas e sociedades de economia mista”.
Ocupação marca novo ciclo de luta por moradia em Vitória
Escola inativada no Romão abriga 20 famílias que ficaram sem teto após fim do aluguel social “É hora da retomada da luta pela moradia em Vitória!”, disse um chamado das Brigadas Populares, entidade que junto com o Movimento Nacional de Luta pela Moradia (MNLN) coordena a nova Ocupação Chico Prego, resgatando o nome de antigas ocupações que vêm ocorrendo no Centro de Vitória desde 2017. Ao todo são 20 famílias e 54 pessoas, incluindo 16 crianças, oito adolescentes e quatro idosos que ocupam desde a última sexta-feira (3) a antiga escola pública Irmã Jacinta Soares de Souza Lima, no Romão, que foi fechada em 2013 para obras que ainda não tiveram início. “A gente não viu outra opção. Estávamos para ser despejados, com três meses de aluguel atrasado, fora contas de água e luz. Entre ficar num espaço desse jeito ou morar na rua, preferimos ficar aqui com nossas famílias”, diz a técnica de enfermagem desempregada Rafaela Caldeira, liderança da ocupação. Vitor Taveira Ela conta que a escola se encontrava em condições deploráveis, com muito lixo, artefatos utilizados para uso de drogas, janelas e fiação roubadas. Segundo conta, a comunidade afirma que com o total abandono, a escola passou a ser ponto para uso de drogas e também para crimes ou fuga de criminosos. “No começo, a população do entorno ficou um pouco desconfiada, porque não conhecia o movimento de luta por moradia. Viram a movimentação e acharam que era um bando de invasores. Mas depois que vieram aqui e conversaram, perceberam a situação das pessoas, que lutamos por moradia digna, que está na Constituição e é um direito nosso. Então tem vindo ajudar e prestar apoio ao nosso movimento”, afirma Rafaela. Os ocupantes fizeram uma sala de cozinha onde guardam os mantimentos doados por sindicatos e igrejas do entorno. As famílias permaneciam inicialmente na quadra de esportes da escola. Mutirões durante o final de semana com apoio de movimentos sociais ajudam na limpeza do local para que as antigas salas de aula possam abrigar as famílias conforme suas demandas. Imóvel abandonado se deteriora A Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) Irmã Jacinta Soares de Souza Lima está há oito anos sem utilização e já gerou protestos dos moradores do Romão. Em 2017, eles realizaram uma manifestação no local, pedindo início das obras prometidas para que a escola voltasse a funcionar ali. A EMEF havia sido transferida provisoriamente para a Ilha de Santa Maria, onde permanece funcionando até hoje. Os moradores do Romão também protestaram para que fosse oferecido transporte escolar, já que incluía alunos de 6 a 14 anos, num caminho a pé de cerca de quase 20 minutos com avenidas e cruzamentos, exigindo o deslocamento de pais, mães e responsáveis. A antiga escola, hoje ocupada, se encontra dentro da comunidade do Romão, rodeada de uma área verde, e marca parte das lembranças de muitos adultos que vivem no bairro. Rafaela Caldeira é uma das que estudou no Irmã Jacinta no Romão, assim como sua mãe, seus filhos e outros parentes. Vitor Taveira Vitor Taveira Vitor Taveira Não foi fácil voltar ao local de tantas lembranças, conta ela. “A gente sente um descaso ao ver uma escola tão bonita no nosso bairro nessa situação, em pleno abandono. É triste ver a história da sua infância sendo perdida, indo para o ralo, com tudo depredado, abandonado”. Ela lembra que, durante anos, o posto de saúde do bairro funcionou também dentro da escola, que era um lugar de referência para os moradores. Agora o desafio dos ocupantes é trabalhar coletivamente para melhoria do espaço, para continuar abrigando provisoriamente as famílias sem-teto e deixando a quadra, onde ficam à intempérie, para ocupar as salas e espaços fechados. “É difícil se manter com as crianças por conta do frio, mosquitos e outros bichos que às vezes assustam elas. Está sendo uma experiência nova, pois da outra vez que estivemos morando em ocupação, não tínhamos filhos pequenos”, diz Miriam de Souza Santos, uma das ocupantes, junto com o marido e quatro filhos, duas crianças, de 1 e dois anos de idade, e dois adolescentes de 13 e 15 anos. Ela, cuidadora de idosos, e ele, ajudante de pedreiro, estão desempregados e haviam estado em outras ocupações até conseguirem o aluguel social. A única renda fixa que possuem é um auxílio de R$ 91 reais do Bolsa Família. Nos últimos dias de gestão, o ex-prefeito Luciano Rezende (Cidadania) assinou a escritura do espaço da EMEF Irmã Jacinta no Romão. O local foi doado pelo Governo do Estado para a construção de um novo colégio com recursos provenientes do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), após a demolição da atual estrutura. Segundo a prefeitura, a nova escola terá 12 salas de aula, refeitório e quadra para atender 500 estudantes. Rafaela pondera que as famílias que estão na EMEF Irmã Jacinta querem chamar atenção para a situação de falta de acesso à moradia digna. E que não pretendem prejudicar o início das obras, caso essa de fato venha a ocorrer. Anos de luta sem solução As famílias que hoje ocupam a escola no Romão estão há quase cinco anos na luta por moradia digna em Vitória. A maioria participou da grande ocupação na Fazendinha, no bairro Grande Vitória, no final de 2016, que marca o início de um ciclo de lutas. Depois seguiram para uma ocupação na Casa do Cidadão, em Maruípe. De lá seguiram para ocupar o prédio do IAPI, na Praça Costa Pereira, abandonado há décadas em pleno Centro de Vitória, bairro que passou a ser o principal ponto das ações dos movimentos de luta por moradia. De lá, as famílias foram retiradas para que o prédio fosse reformado e destinado ao Programa Minha Casa, Minha Vida – Entidades, o que acabou não acontecendo devido aos cortes do governo federal durante a gestão de Jair Bolsonaro para subsídios para a faixa mais baixa de renda do programa. Edifício Santa Cecília foi um dos imóveis ocupados por famílias sem-teto em Vitória. Foto: Leonardo Sá Do IAPI, famílias seguiram para outras ocupações no Centro, a mais longa no edifício Santa Cecília,