Antes da votação, Erick Musso apontou pressões de membros do PSB em torno do projeto Com 23 votos favoráveis e nenhum contrário, a Assembleia Legislativa aprovou, na tarde desta segunda-feira (23), o Projeto de Lei Complementar (PLC) 20/2021, que reestrutura o Hospital da Polícia Miliar (HPM) e as gestões operacionais da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros, comandadas por oficiais, transformando 88 vagas de praças em 39 de oficiais, e criando mais 24 funções gratificadas nas duas corporações. As emendas que contemplam outras patentes, como cabos e soldados, ficaram de fora. O assunto será tema de uma reunião das entidades representativas da área de segurança, prevista para esta quarta-feira (25), com o secretário de Segurança, Alexandre Ramalho, e de Economia e Planejamento, Álvaro Duboc, segundo o presidente da Associação dos Oficiais Militares do Espírito Santo (Assomes), Marcos Aurélio Capita da Silva, que pela manhã participou de reunião com o presidente da Assembleia, Erick Musso (Republicanos). Antes da votação, Musso apontou pressões de membros do partido do governador Renato Casagrande, o PSB, em torno do projeto. “Tenho grande respeito pela pessoa do governador, mas o que membros do seu partido, alguns deles parte do governo, fizeram com esta Casa de quarta-feira passada para hoje é falta de respeito. Quero tirar dessa discussão os deputados Bruno Lamas, Freitas, Dary Pagung e Sergio Majeski, que fazem parte da ala boa do PSB”, disse. O deputado complementou ressaltando: “Esta Casa, na quarta-feira passada [18], iniciou um debate. Uma casa que tem 30 colegas eleitos pelo povo e que muitos desses colegas me pediram, ‘Erick, você pode segurar um pouco esse projeto, para que a gente possa debater com o governo’ (…), porque não é meia dúzia de gente do PSB que vai decidir o que a gente aprova, não. Quem vai decidir são os deputados. Esse projeto vai beneficiar muito, mas vai beneficiar 41 oficiais, e a gente quer discutir com o governo se pode chega na base, nos cabos e soldados, no sargento, no bombeiro militar”. Para o coronel Capita, o projeto aprovado possibilita a reestruturação do Hospital da Polícia Militar, atualmente em situação precária, por meio da contratação de quase 80 funcionários, entre médicos, auxiliares de enfermagem e odontólogos, acabando com o período de espera de mais de sete anos, desde a gestão do então governador Paulo Hartung. Apesar disso, o oficial aponta para a necessidade de um reestruturação das outras categorias e órgãos da PM. Na justificativa para o projeto, o governo destaca: “O objetivo é a redução dos índices de criminalidade e violência, em especial, o crime de homicídio. (…) E um atendimento mais eficiente a todas as ocorrências, inclusive, aquelas de grande complexidade, que demandam esforço e empenho dos bombeiros e de outros órgãos envolvidos”. Na reestruturação operacional da PMES, 76 vagas em aberto de soldados deixarão de existir, gerando 34 de oficiais, divididas entre os quadros de combatentes, administrativos, administrativos da saúde e músicos. Serão criadas, ainda, 21 funções gratificadas voltadas para os oficiais. Nos Bombeiros, as 12 vagas de soldados em aberto serão transformadas em cinco vagas de oficiais dos quadros de combatente e administrativo. Também serão criadas três funções gratificadas de major. Ao todo foram apresentadas 14 emendas ao projeto, 12 do deputado Capitão Assumção (Patri), uma de Marcos Mansur (PSDB) e outra de Coronel Alexandre Quintino (PSL). As propostas alteravam o quantitativo de cargos entre as diversas funções exercidas pelos militares das variadas áreas da PMES e dos Bombeiros.
Articulação paralela
Em movimento oposto ao de Erick, prefeito Luciano Pingo (Ibatiba) convoca aliança do Republicanos com Casagrande em 2022 Prefeitura de Ibatiba Prefeito em segundo mandato e vice-presidente da Associação dos Municípios do Estado (Amunes), Luciano Pingo, de Ibatiba, abriu movimentação contrária à protagonizada pelo comandante da Assembleia Legislativa, Erick Musso, e convoca o partido a se aliar ao governador Renato Casagrande (PSB) em 2022. Ele diz que dialoga nesse sentido com lideranças do sul do Estado, para liderar “uma união de forças no projeto coletivo de manter Casagrande governador”, e que prefeitos do partido têm recebido apoio da gestão estadual com investimentos. “Para quê mexer em time que está ganhando?”, questiona, recordando ainda a aliança da disputa do ano passado, quando PSB e Republicanos caminharam juntos em alguns municípios. As duas legendas, hoje, concentram o maior número de prefeituras do Estado – 13 do PSB e 10 do Republicanos, dividindo forças e território político. A parceria vinha bem até o início deste ano, quando o deputado foi reconduzido sem dificuldades à presidência do legislativo, mas certa hora se rompeu. Erick, primeiro, passou a executar medidas que desgastam o governo, depois, entrou em campo para se articular para o próximo ano, o que intensifica cada vez mais. Um dos slogans do presidente da Assembleia, como dito aqui algumas vezes, já sinaliza para projeto adverso ao de Casagrande: “O ES pode mais”. Articulação paralela IIRecentemente, ação semelhante foi feita pelo prefeito de Barra de São Francisco, Enivaldo dos Anjos (PSD), voltado para a região norte e noroeste. Da mesma forma, na contramão das conversas atuais de seu partido. PHO presidente regional do PSD, deputado federal Neucimar Fraga, embora mantenha relação política com o governador, aventa a possibilidade de candidatura própria no Estado. Já o presidente da Nacional, Gilberto Kassab, de quem será a palavra final, tenta atrair Paulo Hartung (sem partido), querendo um projeto ao Senado. Ele até se reuniu com Casagrande depois, mas a primeira amarração ainda não foi descartada. ‘Laranjas podres’Por falar em Erick, o atrito das forças de segurança pública com Casagrande, tratado por ele nas redes sociais, foi levado ao plenário da Assembleia na sessão desta segunda-feira (23). Reclamou das “laranjas podres” do PSB, que teriam espalhado “futrica” contra ele, de que estaria travando a votação do projeto de reestruturação da Polícia Militar e Bombeiros, aprovado na sequência. Quem?No seu discurso, Erick isentou Casagrande das acusações e a bancada do partido da Assembleia, formada por Bruno Lamas, Sergio Majeski, Dary Pagung e Freitas. Aí vem o “x” da questão: protestou, criticou, berrou, mandou recado, mas nada de dizer os nomes das “laranjas”, que, tudo indica, são secretários estaduais. Área da vezO presidente da Assembleia vem se reunindo, desde a semana passada, com entidades representativas da PM insatisfeitas com o governo do Estado. A tentativa era incluir emendas no projeto com demandas da tropa, o que não aconteceu. Erick tem repetido que “as forças de segurança estão respirando por aparelhos” e já publicou lista de propostas para a área. RecadosEntre as frases do deputado nesta segunda: “Não é meia dúzia do PSB que vai decidir o que é Assembleia vai fazer”; “Política discute na hora certa”; e “Quer disputar no voto, que ganhe o melhor”. InteriorO ex-prefeito da Serra Audifax Barcelos (Rede), em suas andanças pelo Estado para viabilizar um palanque ao governo em 2022, tenta emplacar a marca de gestor com olhar para o interior. Diz ele que vai garantir a distribuição de recursos em todas as regiões, e não só na Grande Vitória. Anota aí… Quanto mais mexe…Na história envolvendo a ocupação Vila Esperança, em Terra Vermelha, Vila Velha, o buraco parece ser muito mais embaixo, como já diz o ditado. Áudios que circulam nas redes sociais apontam os interesses existentes na área, que envolvem entidade, empresários, lideranças políticas e a própria prefeitura. Se mexer, acha! Nas redes“Propomos e aprovamos hoje (23), por unanimidade, uma nota de repúdio na Comissão de Educação contra a declaração do ministro da pasta, Milton Ribeiro, que afirmou que algumas crianças, portadoras de necessidades especiais, ‘atrapalham’ a Educação. Esta fala é digna de repúdio. Por isso, encaminhamos nosso descontentamento ao Ministério da Educação (MEC) para que o ministro receba em mãos”. Deputado estadual Bruno Lamas, do PSB. FALE COM A COLUNA: medeirosmanaira@gmail.com Slogans de 2022 – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/socioeconomicas/slogans-de-2022 ‘Sola de sapato’ – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/socioeconomicas/sola-de-sapato As andanças de Erick – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/socioeconomicas/as-andancas-de-erick
Entrevista hoje
Para homenagear Carlos Tourinho, republico uma antiga entrevista Nota Introdutória “Já fazem dois anos que perdemos nosso valoroso colega de imprensa num trágico acidente no mar. Quando trabalhando juntos, ele pediu que fizesse uma entrevista e que fosse publicada no Seculo Diário. Fiz, o assunto interessante. Para homenageá-lo, republico tal entrevista, já que ele não está mais no meio da gente. Uma justa homenagem”. Raramente recorro ao expediente de fazer entrevista virtual aqui neste espaço, somente para casos raros e especiais. O que o jornalista tarimbado Carlos Tourinho fez merece este desvio de conduta da coluna. A entrevista é sobre sua tese concluída em Portugal. Tourinho, sua tese fala diretamente sobre interação em um jornalismo praticado em telejornais nos dias de hoje… Quando surgiram as primeiras notícias sobre a implantação da TV digital terrestre (TDT – via ondas hertzianas) em vários países do mundo, falou-se muito das vantagens para o telespectador: melhor imagem e som, mobilidade, portabilidade e…interatividade. O que me propus a fazer foi identificar se a promessa da interação/interatividade estaria sendo cumprida no âmbito dos telejornais. Por que telejornais? Porque uma coisa é você dar voz ao telespectador numa transmissão de futebol, num programa musical, e outra é dar poder ao telespectador de interferir ou questionar as notícias. O jornalismo é o principal cartão de visita de uma emissora de televisão. É ali que a emissora diz ao seu público quem é, o que pretende, e se é ou não confiável. Portanto, interação/interatividade no jornalismo significa compartilhar poder, estimular a autonomia e a cidadania de seus telespectadores. Foi isso que nos propusemos a entender e verificar. De certa forma, quando das manifestações de junho de 2013, os jovens questionaram os políticos e os meios de comunicação neste sentido: são ou não representativos da população? Porque tomam para si a palavra final? Por que não ouvem o cidadão? A “interação” contribui neste sentido. Você, em dado momento, chama seu estudo de “investigação”. Toda tese é uma investigação ou seu estudo foi um trabalho ímpar de análise? Toda tese é uma investigação. Assim como no campo policial (onde o termo é mais difundido), a ciência prescinde da investigação para certificar a autenticidade das hipóteses levantadas. Não basta ter uma opinião, “achar” alguma coisa. Um trabalho científico – e uma tese é um trabalho científico – deve ser construído a partir de estudos teóricos e empíricos. O pesquisador (ou investigador) precisa mostrar em detalhes como chegou a uma conclusão. Precisa provar isso! Você dividiu essa sua tese de três anos e meio de estudos em duas partes: Uma envolve o próprio desenvolvimento da televisão, inclusive com sua crescente dependência tecnológica, e a segunda se baseia na interatividade do telespectador com os canais, inclusive, com aqueles que você trabalhou. É isso? A primeira parte é teórica. Fala do desenvolvimento da televisão e do telejornalismo ao longo da história. Esta parte também aborda os diferentes entendimentos atribuídos aos conceitos “interação e interatividade”, que são conceitos próximos, porém diferentes. A segunda parte da tese é a empírica. É onde, a partir de uma metodologia própria, faço a pesquisa prática (a investigação!), analisando seis telejornais (os três principais do Brasil e o mesmo número em Portugal) ao longo de três anos. É aí que vou identificar se estes telejornais praticam ou não a interação com seus telespectadores. Depois tiro minhas conclusões. Conta aí porque de Portugal, caso possa resumir (riso)… Escolhi trabalhar meu tema no Brasil e em Portugal por alguns motivos. Primeiro porque sou brasileiro e, naquele momento, morava e estudava em Portugal. Segundo porque considero que estes dois países representam uma espécie de síntese do mundo ocidental: velho/novo mundo; Europa/América; primeiro mundo/ emergente; colonizador/colonizado; referências e influências europeias/referências e influências norte-americanas. Em comum, o fato de Brasil e Portugal possuírem laços históricos no período Colonial, um passado com marcas do autoritarismo e uma duradoura amizade entre seus povos. Qual a sensação do dever cumprido e o que acontecerá com sua tese agora? A sensação é maravilhosa pelo alívio de ver o trabalho concluído, pela oportunidade do aprendizado e pela possibilidade de ter contribuído para o avanço das pesquisas nas Ciências da Comunicação. Agora espero uma convocação para retornar a Portugal no final deste ano, com o objetivo de uma apresentação pública da tese e uma sabatina com professores de várias universidades europeias. Só depois disso receberei o título. Na sequência penso em publicar a pesquisa. O problema é o tamanho: foram cerca de 450 páginas. PARABÓLICAS Fábio Pirajá e Luis Claudio Silva retomaram as entrevistas no seu Estúdio Digital, recebendo grandes nomes da comunicação do ES. Miguel Roldan, desde que colocou sua Cidade FM no ar em Nova Venécia, diminuiu sua vinda à Capital. Muitos afazeres lá. Bateu lembranças da Rádio Capixaba de Jairo Maia, Izaias Marques, Guilherme Amorim, Zata, Aylor, Esmael Bezerra… Falar em capixaba, alguns atletas despontaram nas Olimpíadas, com nomes citados direto nas coberturas. Exemplo: Mamute e o Pombo. MENSAGEM FINALNão é porque as coisas são difíceis que não as desafiamos; é por não sermos corajosos que elas são difíceis. Seneca
Espírito Santo registra aumento no número de casos de Covid
Casos de internação, antes em queda, estão estáveis. Os de óbito diminuíram O Espírito Santo registra aumento na curva de casos de Covid-19, conforme informou o secretário estadual de Saúde, Nésio Fernandes, nesta segunda-feira (23). “Acreditamos que o aumento seja maior do que o representado no Painel Covid, devido à subnotificação”, aponta. Já o total de internações, que se mantinha em queda, agora está estável, e o de óbitos, diminuiu. Um dos motivos da subnotificação, segundo ele, decorre do avanço da vacinação, já que as pessoas têm tido sintomas leves, por isso, os negligenciam, deixando de fazer os exames. Outro fator de subnotificação é o não reconhecimento, por parte dos serviços de saúde, dos sintomas leves como suspeitas de Covid-19. A falta de percepção de risco da população, fazendo com que se exponha ao vírus, contribui para o aumento do número de casos, reforça Nésio. O secretário afirma que o Espírito Santo vive um cenário de instabilidade, provocado também pela circulação da variante Delta, o que levou a gestão de Renato Casagrande (PSB) a reservar 300 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para tratamento de Covid-19, apesar da expectativa de que número de leitos ocupados no final de agosto seja de 150. Neste cenário, diz Nésio, ainda não é possível falar em “ampla restrição das atividades econômicas e sociais”, entretanto, isso pode acontecer no que diz respeito às de entretenimento, nas próximas semanas, caso haja aumento também da curva de óbitos e internações. Ele destacou também a necessidade de manutenção do uso de máscara. “Medidas complementares à vacinação são necessárias para vencer a Covid-19”. Quanto ao Mapa de Risco, o aumento do número de casos pode causar algumas variações, fazendo com que, a partir da próxima sexta-feira (27), alguns municípios que estão em risco baixo passem a ser considerados de risco moderado.
‘Terceira dose é fundamental para impedir crescimento da curva de óbitos’
Nésio Fernandes afirma que o reforço será aplicado no Estado em idosos no próximo mês O secretário estadual de Saúde, Nésio Fernandes, informou em coletiva de imprensa nesta segunda-feira (23), que o Espírito Santo irá aplicar a terceira dose da vacina contra Covid-19 em idosos no próximo mês de setembro. “A terceira dose é fundamental para impedir o crescimento da curva de óbitos”, ressaltou. Ele explicou, porém, que ainda não é possível afirmar se o reforço irá começar nas pessoas a partir de 60 anos, pois, se houver indisponibilidade de imunizantes, será iniciado em uma faixa etária mais longeva. Nésio destacou ainda que, para essa iniciativa, as vacinas podem ser homólogas, ou seja, dos mesmos fabricantes da já tomada nas primeiras doses, ou heterólogas, mas que, em geral, os países têm adotado a segunda opção. “É oportuna a terceira dose e tem doses disponíveis, sem precisar protelar para os meses de outubro e novembro”, disse. O esquema de vacinação da terceira dose, como informa o secretário, deverá manter algumas regras das demais já aplicadas, como o atendimento domiciliar para os idosos acamados. Entretanto, se houver disponibilidade de imunizantes, não será necessário dividir o grupo em faixas etárias, podendo contemplar a todos desde o início do processo de vacinação. Outra medida que o Espírito Santo quer adotar para “reduzir de forma robusta os casos de internação e óbito”, é a antecipação da segunda dose da Pfizer e da AstraZeneca para oito semanas nas pessoas com mais de 40 anos, que é a faixa etária com maior número de pacientes em leitos de Covid-19. É nessa faixa etária, afirma Nésio, que há entre os internados o maior número de pessoas que se recusaram a tomar vacina. Ainda sobre a antecipação da segunda dose, o secretário recorda que há duas semanas, em reunião com o Ministério da Saúde, foi consenso a necessidade dessa iniciativa, porém, é preciso aguardar a confirmação desse posicionamento pelo governo federal. A vacinação de adolescentes entre 12 e 17 anos também será uma estratégia de barrar a circulação do vírus, segundo Nésio. Uma delas será a imunização nas escolas, sendo necessário uma “pactuação” dos familiares dos estudantes
Mais de 100 indígenas do Estado acampam em Brasília
Mobilização nacional “Luta Pela Vida” é contra a agenda anti-indígena do governo federal Divulgação Uma delegação com mais de cem indígenas dos povos Guarani e Tupinikim de Aracruz, norte do Estado, participa em Brasília do acampamento Luta Pela Vida, que começou nesse domingo (22). A mobilização nacional já conta com mais de 4 mil pessoas, tendo como principal reivindicação o direito à terra, a luta contra os ataques aos povos originários e o julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) que pode definir o futuro da demarcação de territórios indígenas em todo o País. O acampamento vai até o próximo sábado (28). Os Tupinikins e Guaranis saíram do Espírito Santo em três ônibus e a previsão é que um novo comboio chegue a Brasília ainda nesta segunda-feira (23), totalizando 124 indígenas do Estado na mobilização. “Decidimos fazer o acampamento de forma presencial devido a todos esses retrocessos dos direitos dos povos indígenas. Tudo isso arquitetado por esse governo genocida, esse governo fascista que, a todo custo, quer tirar os direitos dos povos indígenas”, critica o coordenador geral da Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo (Apoinme), Paulo Tupinikim. Para ele, a mobilização tem relevância política e religiosa. “Aqui se encontram todos os povos indígenas do Brasil unidos, manifestando os seus anseios, a sua força para poder dar continuidade à luta que os nossos antepassados começaram”, enfatiza a liderança indígena capixaba. Nesse domingo, primeiro dia de acampamento, todos os participantes da mobilização foram testados contra a Covid-19. Esse era um dos protocolos da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), que utilizou testes rápidos para detecção de antígeno do SARS-Cov-2. De acordo com a organização, os kits foram doados pelo Instituto de Biologia Molecular (IBMP) e são registrados na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Divulgação “Infelizmente, em plena pandemia, o governo Bolsonaro nos força a vir para manifestações. Eu acredito que ele pensava que a gente não iria ter força, coragem de fazer a mobilização nacional, mas nós estamos aqui”, declara Renato Tupinikim, da aldeia Caieiras Velha, que também está em Brasília. Renato, também presidente do Conselho Local de Saúde da aldeia Caieiras Velha, acredita que o momento é crucial para indígenas de todo o Brasil. “Caso o Marco Temporal seja aprovado, corremos o risco de perder o nosso território, então estamos juntos com nossos parentes e vamos continuar lutando”, ressalta. De acordo com a Apib, mais de 4 mil indígenas, de 112 povos, já estão acampados no local. Nesta segunda a programação prevê atualizações políticas junto às lideranças de todo o país. A plenária “Os cinco poderes” fará a análise de conjuntura sobre os poderes legislativo, executivo, judiciário e os poderes popular e espiritual. Rituais e mostras audiovisuais também estão planejadas. Nesta quarta-feira (25), os povos originários acampados sairão em marcha em direção ao STF para acompanhamento do julgamento do Marco Temporal na Praça dos Três Poderes. A Corte irá analisar a ação de reintegração de posse movida pelo governo de Santa Catarina contra o povo Xokleng, referente à Terra Indígena (TI) Ibirama-Laklãnõ. O resultado do julgamento pode definir o rumo da demarcação de terras em todo o Brasil, servindo de parâmetro para outras decisões. Caso o Marco Temporal seja aprovado, os povos indígenas só teriam direito às terras que já estavam sob sua posse no dia 5 de outubro de 1988, data da promulgação da Constituição Federal. “A tese é injusta porque desconsidera as expulsões, remoções forçadas e todas as violências sofridas pelos indígenas até a promulgação da Constituição. Além disso, ignora o fato de que, até 1988, eles eram tutelados pelo Estado e não podiam entrar na Justiça de forma independente para lutar por seus direitos”, declara uma nota da Apib. Outra pauta do acampamento Luta pela Vida é o Projeto de Lei 490/07, que tramita na Câmara dos Deputados e teve o texto-base aprovado na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) em junho. Além de inserir a tese do Marco Temporal, o texto abre escopo para a instalação de bases, unidades e postos militares, expansão da malha viária, e exploração de alternativas energéticas em territórios indígenas, tendo como base a “política de defesa e soberania nacional”. Para participar deste acampamento em Brasília, os indígenas de Aracruz promoveram uma campanha de financiamento coletivo online para possibilitar a ida e estadia da delegação. Nas redes sociais, o vereador do município, Vilson Jaguareté (PT), informou que o Governo do Estado cedeu um ônibus para levar parte da comitiva, enquanto a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) doou máscaras para a viagem. “Nos organizamos e teremos nossos representantes nesse movimento tão importante, lutaremos, juntamente aos demais povos originários do Brasil, pelos nossos direitos constitucionais duramente conquistados. Nossa história não começa em 1988! Não aceitaremos retrocessos”, declarou em suas redes sociais. Indígenas capixabas se preparam para Acampamento Terra Livre – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/meio-ambiente/indigenas-capixabas-se-preparam-para-acampamento-terra-livre
Expansão da Imetame vai destruir a ‘melhor onda do ES’, alertam surfistas
Mobilização local que tem adesão de nomes de destaque do esporte cobra que presidente do porto cumpra acordo de ajuste na obra Menos de um mês depois da conquista do primeiro ouro do Brasil nas Olimpíadas de Tóquio com Ítalo Ferreira, os maiores surfistas do país se unem em um pedido de socorro para salvar o que chamam de “a melhor onda do Espírito Santo”. Redes sociais Na petição online Essa Onda Não Pode Acabar, o movimento de ativismo ambiental Temporada Azul explica que a expansão do porto da Imetame em Barra do Riacho, Aracruz, norte do Estado, precisa ser adequada para evitar a tragédia. “Uma pequena mudança de 5 graus na construção do Píer já seria suficiente para manter viva a melhor onda do Espírito Santo e o surfe local”, ressaltam. O abaixo-assinado “é para que obra seja paralisada e ajustada”, clamam. Membro do Temporada Azul, o surfista e empresário de consultoria ambiental Alexandre Góes Batalha relata que a paralisação temporária, até a conclusão de estudos técnicos que indiquem os ajustes precisos a serem feito, já havia sido acordada diretamente com o presidente da Imetame, Etore Selvatici Cavallieri (foto abaixo). Divulgação/Findes “Ele me solicitou estudos para comprovar a viabilidade técnica. Pediu que eu indicasse no mínimo duas empresas, e das melhores. Quando apresentei o primeiro grupo, ele parou de me atender”, relata Alexandre, referindo-se a conversas feitas há dois meses, quando a obra “estava só no papel”. O surfista conta ter integrado a equipe que fez os estudos técnicos que viabilizam a liberação da licença ambiental da obra e, nesse trabalho, verificou a possibilidade real de preservar a onda, mediante ajustes técnicos no projeto de engenharia. A licença, no entanto, foi emitida sem considerar as recomendações sobre a onda. Temporada Azul Apesar disso, o empresário, a princípio, aceitou a possibilidade de aguardar os estudos específicos, mesmo sabendo que eles poderiam levar pelo menos seis meses para serem concluídos. “Há formas mais diplomáticas e verdadeiras de contornar a situação. Nós fomos enganados pela empresa, que combinou uma coisa com a gente, eu tenho provas, tenho e-mail, tenho trocas de mensagens, tenho prints…não vamos deixar isso barato, porque consideramos um crime. Nós somos do mar e não vamos admitir que uma empresa passe por cima de condicionantes, da lei, coisas muito sérias e perigosas, para acabar com a nossa onda”, relatou nas redes sociais do Temporada Azul. A adequação do projeto, salienta, poderia fazer do porto da Imetame um exemplo mundial, colocando o Espírito Santo no mapa dos mais de cem lugares no mundo que possuem grandes ondas ao lado de píeres como a Barrinha, em Saquarema, no Rio de Janeiro. Temporada Azul Nas redes sociais, surfistas de renome nacional como Lucas Silveira, Filipe Toledo e Rodrigo Cardoso declaram seu apoio à luta pela preservação da grande onda capixaba. Um dos vídeos recebeu 180 mil compartilhamentos. “Só o Ministério Público pode agir agora”, avalia Alexandre. Histórico de agressões Como ocorre com a quase totalidade dos empreendimentos portuários e petrolíferos do mundo, a Imetame tem em seu histórico diversas denúncias de agressão a comunidades tradicionais e pescadores artesanais, que relatam com detalhes os graves impactos ambientais que a expansão do porto provocará, a começar pelos 11 mil hectares de restinga desmatados com autorização do Conselho Regional de Meio Ambiente (Conrema) em 2014, quando da instalação do projeto inicial. Quatro anos depois, o pedido de alteração do perfil do empreendimento também caminhou no órgão licenciador, o Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema), responsável por acolher as mais de 70 condicionantes elencadas pelas comunidades costeiras listadas no licenciamento, mas que, como de costume, foram ignoradas, segundo relatam os moradores, que sofrem os prejuízos dos empreendimentos porto-petrolíferos que proliferam ao redor da Suzano (ex-Fibria, ex-Aracruz Celulose), seu Portocel e Jurong, só para citar os mais robustos. Espírito Santo: um porto a cada 15 km de litoral? – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/meio-ambiente/espirito-santo-um-porto-a-cada-15-km-de-litoral Indústria porto-petroleira ignora comunidades que vivem nas áreas cobiçadas – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/meio-ambiente/industria-porto-petroleira-ignora-comunidades-que-vivem-nas-areas-cobicadas MPES quer reinclusão do fundador da Imetame em ação de improbidade – Século Diário https://www.seculodiario.com.br/justica/mpes-quer-reinclusao-do-fundador-da-imetame-em-acao-de-improbidade
Repactuação do caso Samarco será debatida em audiência pública
No centro do debate na Assembleia, a criação da Política Estadual de Direitos dos Atingidos, como já aprovada em MG A Assembleia Legislativa realizada nesta terça-feira (23), às 10h, uma audiência pública sobre o “Novo acordo no Rio Doce e seus reflexos no Espírito Santo”, com a presença dos atingidos pelo rompimento da Barragem de Fundão, da Samarco/Vale-BHP, ocorrido em novembro de 2015. O “novo acordo” em questão é a repactuação da governança sobre a reparação dos danos oriundos do crime, iniciada em junho sob coordenação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), com objetivo de conferir mais celeridade e eficiência às ações de reparação e compensação executadas pela Fundação Renova, visto que os órgãos do Executivo e Legislativo de ambos os estados e o próprio Judiciário têm declarado sua insatisfação com a condução do processo pela Renova. Um exemplo da ineficiência é o programa Retomada Produtiva da Pesca. Segundo destacou o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), um dos articuladores da audiência, a Renova “não executou sequer 10% do orçamento previsto no primeiro acordo sobre o crime, o Termo de Transação e Ajustamento de Conduta (TTAC)”. Mais grave, “mesmo sem ter propiciado as condições acordadas para a retomada deste setor produtivo (…), [a Renova] vem cortando subsídios financeiros que sustentam pescadores, como o Auxílio Financeiro e Emergencial (AFE) que compensaria o lucro cessante dos trabalhadores”. Enquanto a repactuação promete trazer um pouco mais de participação dos atingidos ao processo a partir de uma audiência pública a ser realizada em setembro, a audiência desta terça-feira na Assembleia tem o objetivo principal de dar voz aos atingidos. Entre eles, os pescadores artesanais, que sairão em caminhada a partir da Enseada do Suá e distribuirão peixes no local. O Sindicato dos Pescadores do Espírito Santo (Sindipesmes) é outro articulador da audiência, ao lado dos deputados estaduais Hudson Leal (Republicanos) e Iriny Lopes (PT), esta, solicitante do evento. “Será uma excelente oportunidade para discutir as injustiças e demoras do processo de reparação do Rio Doce”, anuncia o MAB, que objetiva retomar a pauta da criação da Política Estadual de Atingidos por Barragens (PEAB), dois anos após a primeira audiência pública sobre a proposta no legislativo estadual. Uma minuta de projeto de lei da PEAB, elaborada sob coordenação do Movimento, foi enviada para análise da deputada e do secretário-chefe da Casa Civil, Davi Diniz. Membro da coordenação do MAB, João Paulo Lyrio Izoton avalia que “em 2018, [a criação da PEAB] parecia meio distante, mas, com a repactuação [capitaneada pelo CNJ], todos viram [especialmente os governos estaduais do ES e MG] uma oportunidade, já que a Assembleia Legislativa de Minas Gerais já aprovou uma PEAB e ela norteou o acordo de Brumadinho”. Da experiência mineira, ressalta João Paulo, sobressai a importância do fundo criado para alocar os recursos necessários à realização das obras, ações e programas de reparação e compensação. “O que realmente converge com os interesses do Estado em se fazer mais presente na repactuação é o fundo, previsto na PEAB”, acentua, referindo-se às recentes declarações do governador Renato Casagrande nesse sentido, incluindo o encontro com o governador Romeu Zema (Novo) no último dia doze. “A discussão de uma PEAB – ES é direito de toda a sociedade e uma responsabilidade republicana de todos homens e mulheres públicas do Espírito Santo. A lei deve resguardar direitos dos atingidos e atribuir responsabilidades pelo crime, para que o futuro de territórios inteiros não fique à mercê de acordos obscuros, processos pouco transparentes e impermeáveis à vontade popular, que foi escanteada desde o primeiro acordo a vigorar sobre a reparação no Rio Doce”, pondera o MAB. ‘É uma luta para ser vencida’, convoca plenária sobre repactuação do CNJ Observatório Rio Doce mobiliza atingidos do crime da Samarco/Vale-BHP para garantir participação no processo https://www.seculodiario.com.br/meio-ambiente/vamos-vencer-a-luta-pela-reparacao-integral-e-mudar-a-relacao-das-empresas-com-a-vida Corte Inglesa reabre ação de R$ 35 bilhões em favor de 200 mil atingidos Decisão histórica no Reino Unido pode influenciar os rumos da repactuação iniciada no Brasil pelo CNJ https://www.seculodiario.com.br/meio-ambiente/corte-inglesa-reabre-acao-de-r-35-bi-em-favor-de-200-mil-atingidos
Ciclistas apontam dificuldades em trecho da antiga reta do aeroporto
No local, entre Vitória e Serra, são realizadas as obras do governo do Estado do novo trevo de Carapina Ciclistas que fazem o trajeto entre Vitória e Serra pela reta do antigo aeroporto relatam problemas de mobilidade no local. O trecho da BR-101 faz parte do conjunto de obras do Governo do Estado no “Novo Trevo de Carapina”, voltadas para a ampliação da área. Enquanto a obra não fica pronta, quem passa pelo local sente falta de um espaço seguro para transitar, além de um solo regular para as bicicletas. Um vídeo enviado por leitores mostra que, após o início das obras, o espaço para os ciclistas é estreito. Quem passa pelo local, também precisa enfrentar trechos cobertos por pedras e terra, causando instabilidade para quem está pedalando. “Eles estão fazendo os dois lados da ciclovia ao mesmo tempo. O certo seria começar de um lado primeiro e deixar o outro disponível para quem precisa usar o espaço”, relata o cicloativista Fernando Braga, integrante do movimento Ciclistas Urbanos Capixabas. Fernando lembra que, diariamente, o trecho recebe um fluxo grande de pessoas nos horários de pico, principalmente de moradores que saem do município da Serra para trabalhar em Vitória. “Por lei, no caso de uma intervenção como essa, tem que garantir um espaço de circulação. Não pode simplesmente interditar e deixar as pessoas à própria sorte. É uma determinação legal a garantia do direito de circulação dos modos ativos”, enfatiza. Heberton Raimundo de Sousa, integrante do coletivo Pedala Serra, passou pela ciclovia nesse domingo (22) e registrou uma série de problemas. “Se uma senhora passar por ali de bicicleta, é arriscado cair, se um senhor passar com uma carga na bicicleta, é perigoso cair. E é torcer pra não chover, se não fica intransitável”, conta. No caso dos automóveis, o Estado anunciou que, durante a execução das obras, seriam mantidas sempre duas faixas da pista por sentido, mas Heberton relata que os ciclistas precisam disputar espaço com os maquinários presentes no local. “É uma falta de respeito com o usuário da via, tanto o pedestre quanto o ciclista. Priorizam o carro, como sempre, e deixam os outros sem opção para transitar”, destaca. Para Heberton, enquanto a obra não fica pronta, “o certo seria reservar uma área com grade e telas para que os ciclistas tenham a segurança de transitar sem nenhum problema ou interferência com o maquinário e com os carros que passam por ali em alta velocidade”, finaliza Obras O trecho da antiga reta do aeroporto onde os ciclistas apontam problemas é a primeira etapa das obras do complexo viário Trevo de Carapina. O projeto do Governo do Estado tem um investimento de R$ 76,5 milhões e é apontado como uma das prioridades da gestão de Renato Casagrande (PSB) no eixo mobilidade. Iniciada em maio de 2021, esta primeira etapa de execução tem previsão de realização em seis meses e corresponde ao trecho que vai da antiga reta do aeroporto até a divisa entre os municípios de Serra e Vitória. Além da ciclovia, serão implantadas três faixas por sentido, calçada, drenagem, paisagismo e iluminação. A segunda parte da obra corresponde ao trecho que vai da Serra até o viaduto de acesso à Rodovia do Contorno. De acordo com o governo do Estado, a previsão é implantar quatro faixas de rolamento por sentido, além de uma faixa multiuso, utilizada para acesso às edificações e como baias de ônibus. Na terceira e última fase, está prevista a construção de um viaduto para os novos acessos aos bairros Jardim Carapina e Eurico Salles.
A nau dos destituídos
Navigare necesse; vivere non est necesse Muitas das frases famosas que pescamos na Internet não foram escritas pelo famoso envolvido, ou multiplicam seus autores – quem gosta e passa adiante não se dá ao trabalho de pesquisar quem primeiro disse o que foi repetido. Um bom exemplo é navegar é preciso – Lema da Escola de Sagres? Um poema do Pessoa? Uma canção do Caetano? A frase combina com todos e vem sendo adaptada ao gosto de cada um – por isso não dá provas de cansaço, apesar da idade. Quem primeiro disse e a lançou para a história? * Essa pérola da criatividade humana foi dita pelo general romano Pompeu aos soldados temerosos de viajar para as guerras: Navigare necesse; vivere non est necesse. Séculos depois, a frase foi adotada como lema da famosa Escola de Sagres, criada pelo Infante Dom Henrique. Se uma avançada escola náutica existiu de fato em Portugal é assunto para os historiadores discutirem. No curso primário aprendi que existia e tornou Portugal – um país pequeno e inexpressivo na política europeia – o líder dos descobrimentos que mudaram o mundo. E mesmo se não cunhou a bela sentença, D. Enrique foi feliz na escolha do lema – Navegar é preciso. * Pessoa também se apossou do tema: “Quero para mim o espírito desta frase / transformada a forma para a casar como eu sou: Viver não é necessário; o que é necessário é criar.” Pessoa deu um novo sentido à frase de Pompeu, adaptando-a ao nível pessoal. Creio ser essa a razão de sua longevidade: ser maleável e se casar com outros eus. Maria Callas, americana de origem grega, ainda hoje considerada a maior soprano de todos os tempos, poderia ter dito: Viver não é preciso, cantar é preciso. Greta Garbo: Viver não é preciso, interpretar é preciso. * Combinaria bem com Pablo Picasso, que morreu envenenado por suas tintas – Pintar é preciso, viver não é preciso. João Caça-Votos costumava berrar nos palanques de suas campanhas eleitoreiras: Governar é preciso! Como na velha piada, João prometia mandar construir uma ponte em todas as cidades que visitava, até se deparar com uma cidade que não tinha rio. A turma do-contra protesta, mas uma raposa-velha nunca se atrapalha: Melhor ainda, mandarei construir um rio. Ganhou a eleição, mas a ponte e o rio nunca chegaram à cidade. João se justificava: Navegar não é preciso. * E assim navegamos rumo ao futuro do Brasil, afogados em desvios de verbas, corrupção desenfreada = florestas queimadas, rios poluídos, moeda aviltada = favelas engordando, violência e insegurança. Vaga sem destino a nau das gerações futuras, com o curso na Faculdade que não garante um emprego, com o emprego que não garante o sustento da família. Viver é preciso! grita o povo, navegando no descaso dos que comandam a nau dos destituídos… Navegar não é preciso, uma vez que já nem temos rios.