A corrupção presente em vários estratos da sociedade é inalterada após épocas distintas. Mesmo sem a tirania da monarquia (czarista, no caso russo), a burocracia institucional toma o lugar desta e vai mais além, encrustando-se em todos substratos da sociedade. “Não é uma estrada, é uma direção” da mesma forma que muitas vezes não interessa o destino, mas sim o caminho, e é neste que Minha Felicidade se faz, conversando e percebendo a paisagem que muda a cada carona que entra. Várias histórias se entrecruzam no caminhão, enquanto o mundo passa pela janela. Janela do carro, janela do cinema, tudo são histórias. Do lado de fora porém o olhar é outro, no extracampo o mundo se mostra muito mais complexo, com uma diversidade ainda maior de pessoas, tendo como único ponto de ligação a crueldade entre elas. A estrada que percorre boa parte do filme não leva a lugar algum, sempre é motivo de reclamação dos personagens que já não esperam nada, somente se dirigem à frente. Nada muda se param em alguma casa e vivem uma vida comum. Sempre aparecerá alguém para confrontar visões próprias e exigir algo em troca – levando sempre vantagem. A mesma frieza utilizada pela lei do mais forte e pela sobrevivência em épocas difíceis é utilizada pelo diretor para pular de uma história a outra, passando assim por várias pessoas que sofrem o mesmo tipo de abuso de poder. Seja por parte da autoridade estatal, seja pelo maior número, seja pela força mesmo. Uma mirada em várias épocas onde a falta de compaixão pode ser fruto da guerra que invade a Rússia pouco a pouco em todos seus rincões, mas também sem a desculpa desta vemos que compreende um período maior, desde momentos atuais a outras épocas quaisquer. A violência e a barbárie como parte integrante do país, do mundo. Em lugares a ermo quase sempre, vemos que tal crueldade não é sintoma do capitalismo selvagem, mas da selvageria de almas individualistas. Dessa forma o comunismo na Rússia é só um sistema político afastado da realidade mais íntima de cada um. Uma fotografia contrastada que não perde nada de vista. Sempre em planos abertos e com uma profundidade de campo enorme, contrapõe várias cenas em diversos planos: ao fundo a ação complementa a monotonia vista em frente, ou propõe alguma forma de mudar a própria barbárie que está tão perto, mas ao mesmo tempo tão difícil de ser transformada, por isso o tempo. Um filme cuja duração dos planos absorve a realidade, mas também nos mostra o tempo de indignação e revolta, contidos nos personagens, mas também no espectador, que passa de sujeito contemplativo em quadros quase estáticos a espelho de uma realidade sendo transformada pouco a pouco. Se minha felicidade depende do lugar do outro, vemos que este sempre necessita estar longe, correndo perigo ao aproximar demasiadamente, uma vez que está impossibilitado de uma comunhão maior. Talvez por isso a câmera segue a mesma lógica de afastamento e de divisão em planos, sempre visíveis, mas impossíveis de interrelação. Vindo do cinema documental, o diretor Sergei Loznitsa, em sua primeira incursão pela ficção, mostra uma visão etnográfica muito própria de quem busca histórias reais, entrevistando pessoas distintas. Por vezes se estende e deixa seus personagens divagando, conversando sobre coisas incompletas, como vários canais de televisão, que são zappeados a cada instante, mudando completamente a leitura quando se tenta encaixar tudo numa visão global. Serviço Minha Felicidade (Schastye Moe, Alemanha/Holanda/Ucrânia, 2010, 127 minutos, 14 anos) Cine Metropolis: 20h40.
Acidentes com motos correspondem a 57% das chamadas ao Samu
Em seis anos, a taxa de atendimento do Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu) a acidentados com motos cresceu 45% no Estado. Neste ano, de janeiro a junho, segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), mais de 6 mil atendimentos a acidentes de motos foram realizados pelo Samu, o que corresponde a 57% do total de atendimentos a acidentes automobilísticos. O Estado é o sétimo do País no ranking de mortes no trânsito e o primeiro da região Sudeste, segundo dados do Mapa da Violência 2012. Em 2010, ano de referência para o levantamento, 1.128 pessoas morreram vítimas de acidentes de trânsito no Estado, contra 961 em 2009. No primeiro semestre de 2011 foram atendidas 6.146 vítimas de acidentes automobilísticos, contra 6.023 no mesmo período de 2012. A pequena diferença dos números entre os dois anos não permite falar de tendência de queda nas taxas, já que ainda representa resultado vulnerável. A idade dos acidentados também é um fator de preocupação. Das vítimas de trânsito atendidas pelo Samu 192 neste ano, 67% tinham idade entre 20 e 49 anos. Os acidentes estão crescendo entre a parcela mais jovem da população, ao mesmo tempo em que as vítimas sofrem traumas mais graves e mais partes do corpo que os acidentados de carro. O custo com a internação de motociclistas no Sistema Único de Saúde (SUS) também mais que dobrou entre os anos de 2008 e 2011, de acordo com levantamento do Ministério da Saúde. O valor das internações em 2011 foi 113% superior ao registrado em 2008, passando de R$ 45 milhões para R$ 96 milhões no ano passado. Os níveis de mortes decorrentes por acidente de trânsito, principalmente envolvendo motociclistas, chegam a níveis epidêmicos no País e o Espírito Santo acompanha a tendência. A epidemia de acidentes no trânsito no Estado foi relatada pelo vice-governador Givaldo Vieira (PT) ao ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante a inauguração da Unidade de Saúde da Família de Nova Palestina, bairro da região da Grande São Pedro, em Vitória, no início do mês de junho. Na solenidade, o vice-governador declarou que os acidentes de trânsito, principalmente aqueles que envolvem motociclistas, comprometem toda a rede de urgência e emergência do Estado.
Brasil mais brasileiro
Tom Jobim dizia sobre Joyce: “Como se não bastasse, é grande compositora e toca todo aquele violão! Êta mulhézinha danada!”. E sobre João Donato: “é o meu professor”. Tom não imaginaria que a ‘mulhézinha danada’ (e sua discípula direta) e seu ‘professor’ estariam juntos compondo, tocando, viajando pelo mundo e alegrando multidões com sua música. E prontos para fazer o mesmo diante das plateias brasileiras. Seu mais recente trabalho em conjunto, Aquarius, chega agora ao Brasil via Biscoito Fino, comemorando os elogios do lançamento original no Japão, em 2009, pela Toy's Factory, e depois na Europa e Estados Unidos pela Far Out. Dois artistas cujas obras se caracterizam pela leveza, alegria e suingue, João Donato e Joyce se encontraram no disco para mostrar músicas inéditas, compostas em parceria, como No Fundo do Mar e E Passa o Carrossel, e revisitar sucessos de cada um, como Feminina, de Joyce, e Amazonas, de Donato, com letra inédita de Arnaldo Antunes e Péricles Cavalcanti (aqui gravada pela primeira vez), com novos e dançantes arranjos. A alegria dá o tom, assim como a pegada contemporânea e sem data de validade dos dois. Muito além da bossa, o trabalho viaja por ritmos brasileiros diversos, juntando as cores amazônicas do acreano Donato com a verve carioca de Joyce, numa pororoca sonora que deságua em afoxés, sambas, baiões, e até cha-cha-cha, com a influência caribenha que Donato trouxe para a música brasileira. O personalíssimo violão de Joyce e o piano inconfundível de Donato vêm muito bem acompanhados por Jorge Helder (baixo), Tutty Moreno (bateria), Yan Moreira (percussão), Ricardo Pontes (flauta), Aquiles de Moraes (trompete). Serviço Aquarius Joyce Moreno & João Donato Biscoito Fino R$ 29,90 em média
O bem amado
Para alguns ele foi o inventor da identidade brasileira, miscigenada étnica e culturalmente. Para outros, ele reforçou o estereótipo do brasileiro alegre e sensual. Juízos estéticos de lado, Jorge Amado, que completaria 100 anos no próximo dia 10 de agosto, é considerado o escritor brasileiro mais famoso e traduzido de todos os tempos. Pertencente a geração de 30 ou modernismo regionalista, a inspiração de Amado era o povo. Políticos, prostitutas, trabalhadores, meninos de rua, pescadores, bêbados, cozinheiras, mães de santo, todos os seus personagens eram figuras muito vivas e bem delineadas. Também permeavam a obra do escritor, o candomblé, a capoeira, as festas populares e a culinária baiana. Retratando os causos e as injustiças sociais do nordeste, ele se tornou um escritor universal. Seus livros foram traduzidos em 55 países, em 49 idiomas, existindo também exemplares em braille e em fitas gravadas para cegos. Em 1994 viu sua obra ser reconhecida com o Prêmio Camões, sete anos depois ele sofreria uma parada cardiorrespiratória, poucos dias antes de completar 89 anos. O escritor nasceu em Itabuna, mas foi criado em Ilhéus, onde passou a maior parte da infância. O interior da Bahia foi o cenário de vários romances. Aos 20 anos, foi para o Rio de Janeiro onde cursou a faculdade de Direito e teve o primeiro contato com o comunismo. O jovem escritor ajustou seus primeiros romances a essa ideologia, que ficaram conhecidos como romances proletários. Nessa época escreveu livros como Mar Morto (1936), que expõe o modo de vida miserável dos pescadores, a fome, os náufragos e as decepções, e Jubiabá (1935), uma história sobre o negro Antonio Balduino que mostra a exploração dos trabalhadores do cacau e da produção de fumo. Amado viveu em diversos países, por conta do exílio, na época do envolvimento no Partido Comunista, e também pela paixão de viajar. Graças a sua facilidade em fazer amizades, pode conviver com alguns dos principais nomes do século XX, como Pablo Neruda, Picasso, Sartre e Simone de Beauvoir. Nunca deixou de lado esse tom de denúncia em suas obras, mas a partir de 1956, ao se desligar do Partido Comunista, começou a construir sua própria ideia de Brasil. Explorou a sensualidade em Gabriela, Cravo e Canela (1958) e em Dona Flor e Seus Dois Maridos (1966) e o sincretismo religiosos em Pastores da Noite (1964) e em Tenda dos Milagres (1969). Mesmo dizendo-se ateu, era simpatizante do candomblé, religião na qual exercia o posto de honra de Obá de Xangô no Ilê Opó Afonjá. Os elementos afro-brasileiros como a religião e a culinária sempre estiveram presentes na obra de Jorge amado, isso fez com que seus livros fossem lidos e debatidos em diversos países africanos de língua portuguesa. Uma vez, ao receber um prêmio, comentou: “De mim já se disse que sou apenas um romancista de vagabundos e de putas. Honro-me com isso.” Com essas palavras, Jorge Amado firmou sua ligação com o povo e a maneira como desejava ser lembrado.
Cenas de família
Reunião discute precariedade do sistema socioeducativo
O Fórum Permanente de Diálogo Justiça e Sociedade se reuniu nesta segunda-feira (30), no Tribunal de Justiça do Estado (TJES), para discutir a situação precária das unidades de internação de adolescentes em conflito com a lei. A conclusão foi que existe um abismo entre as unidades sob a gestão do Estado e aquelas com gestão terceirizada. Uma das entidades componentes do fórum é o Conselho Regional de Psicologia – 16ª Região-ES (CRP-16), que pontuou os problemas vivenciados nas unidades e que impedem a aplicação efetiva da socioeducação no Estado. Dentre os principais problemas está a falta de salas para que psicólogos e assistentes sociais possam atender os adolescentes e os familiares com privacidade. Além disso, também é comum que sumam prontuários médicos dos adolescentes internados. A precariedade da estrutura física das unidades também foi tema da reunião. A Unidade de Atendimento Inicial (Unai), onde adolescentes deveriam ficar apreendidos somente no período do flagrante, está com a estrutura física precária e com mais adolescentes do que a capacidade permite. Nem mesmo o mutirão promovido pelo TJES foi capaz de desafogar o local. Também apresentam estrutura física precária as Unidades de Internação Provisória (Unip) feminina e masculina, localizadas em Cariacica. Até mesmo as unidades construídas recentemente foram apontadas como inadequadas. A Unidade de Internação Socioeducativa (Unis), de Xuri, em Vila Velha, inaugurada em 2010, está em desacordo com o que estabelece o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), já que a unidade fica localizada dentro do Complexo Prisional de Xuri e foi construída com a mesma estrutura de uma cadeia. Outros temas debatidos na reunião foram a falta de atividades pedagógicas contínuas; a ociosidade dos adolescentes nas unidade; as condições de trabalho inadequadas dos servidores, e as constantes denúncias de agressões supostamente sofridas por adolescentes.
Espírito Santo tem 2.199 áreas embargadas pelo Ibama
O Espírito Santo possui 2.199 áreas embargadas pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e grande parte delas sequer teve seus processos julgados pela Justiça. O município capixaba com o maior número de irregularidades é Cachoeiro de Itapemirim (sul do Estado), seguido de Linhares (norte do Estado) e Vitória. O processo burocrático, avaliam os ambientalistas, é uma das causas da lentidão para o julgamento dos processos. Alguns aguardam desde 2006. Só em Cachoeiro de Itapemirim, que lidera os registros, com 206 embargos notificados pelo órgão, mais da metade dos processos ainda não tiveram um desfecho. Na região, os embargos são justificados, sobretudo, pela caça, coleta, morte ou utilização da fauna silvestre, nativos ou em rota migratória, sem a devida permissão, licença ou autorização da autoridade competente. E ainda construção, reforma, ampliação ou instalação de obras ou serviços potencialmente poluidores ou utilizadores de recursos naturais, sem licença ou autorização dos órgãos ambientais competentes ou em desacordo com a licença obtida. Além disso, se destaca entre as notificações a exploração de floresta ou vegetação nativa, ou de espécie nativas plantadas, localizadas fora de área de reserva legal averbada, de domínio público ou privado, sem aprovação prévia do órgão ambiental competente. Em Linhares, a situação não é diferente. Com 106 áreas embargadas, o município possui grande parte dos seus processos relativos à construção ou ampliação em áreas naturais, instalação de represas que alteram o curso d’água, sem a devida licença ambiental, e medidas de proteção à fauna e de desmatamento sem julgamento. Já em Vitória, continuam sem julgamento os casos de venda, exposição ou exportação de espécimes de fauna silvestre, nativa ou em rota migratória, bem como a presença de produtos e objetos dela oriundos, provenientes de criadouros não autorizados. O desmatamento e o despejo de resíduos sólidos causadores de degradação ambiental também receberam destaque entre as infrações na cidade de Vitória. O município de Vitória figura em 3° lugar entre os municípios capixabas com mais áreas embargadas. Ao todo, são 92 irregularidades registradas pelo Ibama, mas apenas quatro casos já foram julgados pela Justiça, enquanto um processo, segundo o Ibama, não foi possível encontrar a data do julgamento do Auto de Infração. Outros municípios que também se destacaram no mapa apresentado pelo Ibama são Vila Velha (83) e Guarapari ( 80).
Paralisação de caminhoneiros fecha quatro trechos no Estado
Os caminhoneiros autônomos e terceirizados entraram na segunda semana de protestos em todo o País e, no Estado, paralisaram quatro trechos de rodovias federais. O protesto, no entanto, expõe um problema social causado pelo baixo valor do frete, frota antiga e os usos de combustíveis fósseis e indiscriminado de transportes por rodovias precariamente pavimentadas. Nesta terça-feira (31) estão paralisados os trecos da BR-262, no município de Viana, só sendo liberada a passagem de automóveis de passeio; BR-101, em Iconha, no sul do Estado; BR-101, em Cariacica, totalmente paralisada em frente às Centrais de Abastecimento do Estado (Ceasa), e a BR-101, em Linhares, no norte do Estado, em que está liberada somente a passagem para carros e ônibus. Em comentário nesta terça-feira, na Rádio CBN, o sociólogo, cientista político e analista político Sérgio Abranches apontou que, segundo levantamento do Instituto de Logística e Supply Chain (Ilos), 65% do transporte de cargas no País é feito por caminhões. Além disso, de acordo com dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), a frota tem15 anos, em média, e é abastecida quase na totalidade com diesel com alta concentração de enxofre. Além da frota antiga e dos veículos velhos e com custo operacional alto, os fretes praticados pelas empresas que contratam os caminhoneiros autônomos ou de pequenas empresas terceirizadas são baixos, o que provoca uma competição predatória por fretes. Nos protestos do Estado, os caminhoneiros sustentam que 50% do valor do frete é gasto com diesel, o que causa a perda de receita para o profissional. Os caminhoneiros também questionam a regulamentação da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) que determina o descanso de 30 minutos a cada quatro horas trabalhadas. A cobrança por resultados, o frete barato e o valor gasto em combustível se mostram entraves no cumprimento da regulamentação. A alternativa de reduzir o transporte por meio rodoviário, no entanto, pode provocar um problema social ainda mais grave. A greve dos caminhoneiros serve de oportunidade para que seja pensada uma estratégia para que o transporte de cargas por meio de rodovias seja feito de maneira mais humanizada. O que também passa pela melhoria nas estradas, na infraestrutura de trabalho e na renovação da frota de caminhões.
Negada reabertura de prazo para defesa de vereador no sul
A Câmara de Presidente Kennedy, no litoral sul do Estado, negou o requerimento da defesa do ex-presidente da Casa, vereador Dorlei Fontão (PR), de reabertura de prazo para apresentação da defesa na Comissão Processante instalada no Legislativo municipal. A notificação com a negativa foi publicada no Diário Oficial do Estado desta terça-feira (31). No último dia 24, o vereador Dorlei Fontão e a vereadora Vera Lúcia de Almeida Terra (PTB) foram notificados pela Comissão Processante da Câmara do município, também por meio do Diário, sobre a abertura do prazo de 10 dias para a apresentação da defesa na Casa. A Comissão publicou a comunicação, depois de tentar notificar pessoalmente os vereadores por quatro vezes sem sucesso. Os vereadores foram afastados do cargo por envolvimento no escândalo de fraude em contratos no município, desbaratado pela “Operação Lee Oswald”, da Polícia Federal, realizada em abril. Além deles, outros dois vereadores – Manoel José de Abreu Alves, o Brejeiro (PTB), ex-vice-presidente, e Clarindo de Oliveira Fernandes (PDT), antigo 1º secretário – também foram afastados por determinação judicial. A comissão processante instalada na Câmara investiga atos de improbidade administrativa, falta de ética e decoro parlamentar. Os vereadores e o prefeito Reginaldo Quinta (PTB) são acusados de formação de quadrilha e crime contra a Lei de Licitação.
Mensalão e valerioduto devem entrar na pauta das eleições
Com uma eleição bastante disputada entre PT e PSDB, em que a rivalidade nacional serve de exercício para a disputa presidencial em 2014, escândalos nacionais entram na pauta de discussão dos candidatos municipais. Em Vitória, por exemplo, o cenário nacional pode ajudar a temperar a já indigesta disputa entre petistas e tucanos pela prefeitura da Capital. No quesito escândalo nacional, porém, PT e PSDB estão empatados. O julgamento do “Mensalão”, que acontece neste mês de agosto no Supremo Tribunal Federal (STF), pode ser um prejuízo para a candidatura da petista Iriny Lopes. A candidata que conta com o apoio do ex-presidente Lula e da presidente Dilma Rousseff em seu palanque, assim como os demais candidatos petistas que disputam cidades importantes no País, deve se atentar para os desdobramentos do caso em Brasília. O PSDB também tem com o que se preocupar. A capa da revista Carta Capital desta semana é que manda o sinal de alerta. Segundo a publicação, o chamado valerioduto teria beneficiado com Caixa 2 a eleição presidencial tucana de 1998, que inclui até o ministro do Supremo, Gilmar Mendes. Para os meios políticos, se a discussão se ampliar, pode ser que os dois lados se engalfinhem com trocas de farpas ou evitem os temas nacionais para evitar desgastes. Entenda os casos: Mensalão – O escândalo veio à tona em 2005, e o termo usado se refere à “mesada” que o governo pagaria aos deputados federais para votarem a favor de projetos do Executivo. Segundo o deputado Roberto Jefferson (PTB), pivô da crise, o termo já era comum nos bastidores da política entre os parlamentares para designar essa prática ilegal. Jefferson acusou o então ministro da Casa Civil José Dirceu de ser o mentor do esquema. Valerioduto – É como ficou conhecido o esquema de contas do empresário Marcos Valério, que reunia dinheiro de propinas e que desaguou em um Caixa 2 durante a reeleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência em 1998.